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Crise de glaucoma agudo: sintomas, o que fazer agora e como é o tratamento

Publicado em 05 de agosto de 2026 · Atualizado em 23 de setembro de 2026 · 12 min de leitura

Revisão médica: Dra. Priscilla Rodrigues de Almeida, médica oftalmologista, CRM-SP 148.173, RQE 59.216 (Oftalmologia), em 23 de setembro de 2026. Como revisamos

Paciente com a mão sobre o olho vermelho e dolorido enquanto a oftalmologista mostra o exame no tablet, com equipamentos ao fundo
Dr. Fernando Macei Drudi

Autor

Dr. Fernando Macei Drudi

CRM-SP 139.300

Em resumo

A crise de glaucoma agudo acontece quando o ângulo de drenagem do olho fecha de repente e a pressão sobe de 15 para mais de 50 mmHg em horas. Os sinais são dor forte em um olho, dor de cabeça do mesmo lado, olho vermelho, visão embaçada, halos coloridos ao redor das luzes e náusea. É uma emergência: procure atendimento oftalmológico no mesmo dia. O tratamento baixa a pressão com remédios e depois abre a passagem com laser ou com a retirada do cristalino. Quem tem ângulo estreito pode prevenir a crise.

CID-10: H40.2 — Glaucoma primário de ângulo fechado Ver todos os artigos de Glaucoma
Neste artigo

Se você está com dor forte em um olho, visão embaçada nesse olho, dor de cabeça do mesmo lado e enjoo, isso pode ser uma crise de glaucoma agudo, e é uma emergência: procure um pronto atendimento oftalmológico hoje, não amanhã. Na crise, o ângulo de drenagem do olho fecha de repente, a pressão sobe de 15 para 50, 60 ou 70 mmHg em poucas horas, e o nervo óptico pode ser lesado no mesmo dia. O tratamento baixa a pressão com remédios e depois abre a passagem, com laser ou com a retirada do cristalino. Quem tem o ângulo estreito pode saber disso antes da crise, num exame simples, e prevenir.1

PONTOS-CHAVE

O que importa nos primeiros minutos

  • É emergência. A pressão passa de 50 mmHg e o nervo sofre em horas. O objetivo é tratar no mesmo dia.2
  • A pergunta que separa a crise da enxaqueca: "estou enxergando pior desse olho?". Enxaqueca, labirintite e virose não embaçam a visão de um olho só.
  • Não é rara em quem tem ângulo estreito: olhos pequenos, hipermetropia, mais de 60 anos, mulheres e ascendência asiática.1
  • Há crises parciais que passam sozinhas, com halos e dor leve à noite. Elas anunciam a completa e merecem exame.
  • O tratamento definitivo mudou: em muitos casos, retirar o cristalino resolve melhor do que o laser.3
  • O outro olho tem o mesmo ângulo e costuma ser tratado preventivamente.1
Prancha clínica mostrando sinais de alerta de crise de fechamento angular e o ângulo de drenagem do olho em corte

FIGURA CLÍNICA EM DESTAQUE

O ralo do olho fecha, e a pressão dispara. Na crise, a íris encosta na malha de drenagem e o líquido produzido dentro do olho não tem por onde sair.
  1. 01 — O sinalDor forte, olho vermelho, visão embaçada e halos coloridos, quase sempre em um olho só.
  2. 02 — A causaUm ângulo naturalmente estreito que se fecha por completo, em geral à noite ou depois de dilatar a pupila.
  3. 03 — A saídaBaixar a pressão com remédios e abrir a passagem com laser ou cirurgia, nas primeiras horas.

A avaliação de emergência inclui a medida da pressão, o exame do ângulo e o exame do outro olho.

É uma crise? A checagem de 30 segundos

Conte quantos destes você tem agora:

  • Dor forte em um olho, que começou de repente, muitas vezes descrita como a pior dor já sentida ali.
  • Dor de cabeça do mesmo lado, na testa ou na sobrancelha.
  • Olho muito vermelho, com a vermelhidão mais intensa ao redor da córnea.
  • Visão embaçada nesse olho, como um vidro fosco.
  • Halos coloridos ao redor de lâmpadas e faróis.
  • Náusea ou vômito.
  • A pupila desse olho está maior que a do outro e não reage à luz.

Três ou mais, com dor: vá a um pronto atendimento oftalmológico agora. Um ou dois, sem dor forte, ainda merecem avaliação rápida, porque podem ser uma crise parcial, e ela costuma anteceder a completa.

Se o único serviço perto de você for um pronto-socorro geral, diga na triagem que está enxergando pior de um olho e peça avaliação oftalmológica. É a frase que muda o rumo do atendimento.

O que acontece dentro do olho durante a crise

O olho produz continuamente um líquido transparente, o humor aquoso, atrás da íris. Ele passa pela pupila para a frente e sai por uma malha microscópica situada no ângulo entre a íris e a córnea. Entra e sai a mesma quantidade, e a pressão fica estável entre 10 e 21 mmHg.

Algumas pessoas nascem com esse ângulo estreito: olhos menores, câmara anterior rasa, íris mais próxima da córnea. Vivem décadas sem problema. A crise acontece quando o ângulo já estreito se fecha por completo. O líquido continua sendo produzido, não tem por onde sair, e a pressão sobe em horas para 50, 60, às vezes 70 mmHg. Nessa pressão, a circulação do nervo óptico é comprimida, a córnea incha (daí o embaçamento e os halos) e o olho endurece ao toque.2

O detalhe que agrava tudo: quando o líquido fica represado atrás da íris, ele a empurra para a frente, contra a córnea, fechando o ângulo ainda mais. É um círculo que se alimenta em minutos. Na classificação internacional de doenças, o quadro aparece como H40.2, glaucoma primário de ângulo fechado; peça que conste no relatório do atendimento, junto com a pressão medida.8

Sintomas da crise, e por que ela é confundida com outras doenças

Os sintomas oculares são dor intensa, olho vermelho, visão embaçada, halos e pupila semidilatada que não reage à luz. Os sintomas gerais são dor de cabeça, náusea e vômito. E é aqui que mora o problema: em muitos pacientes, os sintomas gerais dominam, e a crise é uma das emergências oculares mais confundidas em pronto-socorro geral.2

  • Enxaqueca: dor de cabeça de um lado, náusea, sensibilidade à luz e halos que lembram a aura.
  • Gastroenterite ou abdome agudo: náusea e vômito dominam, e há relatos de pacientes investigados no abdome.
  • Crise hipertensiva: a dor eleva a pressão arterial, e a pressão arterial vira a suspeita.
  • Labirintite: mal-estar, náusea e vômito.
  • Conjuntivite: olho vermelho, mas conjuntivite não dói forte nem embaça a visão.
  • Uveíte anterior: dor e olho vermelho, mas com a pupila contraída, e não dilatada.

O que resolve a maior parte da confusão é uma pergunta: você está enxergando pior desse olho? Enxaqueca, labirintite e virose não embaçam a visão de um olho só. A crise de glaucoma, sim.

A crise que vai e volta: o aviso que quase ninguém leva a sério

Nem toda crise se instala de uma vez. Existem formas intermitentes: episódios de dor moderada no olho, dor de cabeça leve e halos ao redor das luzes, tipicamente no fim da tarde, à noite, no cinema ou dirigindo no escuro, situações em que a pupila dilata e o ângulo estreita. Duram de minutos a algumas horas e passam sozinhos, em geral ao dormir, porque no sono a pupila se contrai e o ângulo reabre.

Passam despercebidos porque a pessoa atribui a cansaço, tela ou estresse. E importam porque cada episódio pode deixar aderências no ângulo, e eles frequentemente precedem a crise completa.1 Quem descreve halos noturnos recorrentes com dor leve merece uma gonioscopia, o exame do ângulo, mesmo estando bem no dia da consulta. Se o ângulo for estreito, dá para tratar antes que a crise aconteça.

Quem tem mais risco de crise de glaucoma agudo

O risco vem da anatomia, e a anatomia tem padrões conhecidos.1

  • Idade acima de 55 a 60 anos: o cristalino cresce a vida inteira e empurra a íris para a frente, estreitando o ângulo.
  • Hipermetropia: olhos menores têm câmara anterior mais rasa.
  • Mulheres: risco de duas a quatro vezes maior que o dos homens.
  • Ascendência asiática: a forma de ângulo fechado é proporcionalmente mais comum.
  • Parente de primeiro grau com ângulo fechado ou que já teve crise.
  • Catarata avançada: o cristalino espesso ocupa espaço na frente do olho.

Alguns remédios podem desencadear a crise em quem tem o ângulo estreito, por dilatarem a pupila: descongestionantes nasais e colírios com efeito dilatador, antialérgicos de primeira geração, alguns antidepressivos, remédios para enjoo e para bexiga, e broncodilatadores em nebulização. Um caso à parte é o topiramato, usado para enxaqueca e epilepsia: ele pode inchar o corpo ciliar e fechar o ângulo dos dois olhos ao mesmo tempo, mesmo em quem tem ângulo normal, em geral nas duas primeiras semanas de uso.6 A bula desses medicamentos costuma trazer o aviso "contraindicado em glaucoma de ângulo fechado"; quem tem glaucoma de ângulo aberto, o tipo comum, em geral pode usá-los, e a diferença está explicada em tipos de glaucoma.

Nem toda crise tem a mesma causa, e isso muda o tratamento

Esta parte raramente aparece em textos para pacientes, mas explica por que duas pessoas com o mesmo diagnóstico recebem tratamentos diferentes, e por que alguém pode ter nova crise depois do laser.2

Bloqueio pupilar é o mecanismo clássico: o líquido fica represado entre a íris e o cristalino, empurra a íris para a frente e fecha o ângulo. A iridotomia a laser resolve, porque cria um atalho para o líquido passar.

Íris em platô é diferente: a raiz da íris é inserida muito à frente e o corpo ciliar a empurra contra a malha. O ângulo fecha na periferia, sem bloqueio central. A iridotomia sozinha frequentemente não basta, e o médico associa outro laser, a iridoplastia, que contrai e afina a periferia da íris. Se você fez iridotomia e teve nova crise, esta é uma das hipóteses.

Efusão ciliocoroidal é o mecanismo mais traiçoeiro e quase sempre causado por medicamento, como o topiramato: o corpo ciliar incha e empurra o conjunto íris-cristalino para a frente. Não há bloqueio pupilar, a iridotomia não resolve, e o tratamento é suspender o remédio e usar colírio que relaxa o músculo ciliar. O colírio de pilocarpina, que ajuda no bloqueio pupilar, pode piorar este caso.6

O tratamento na emergência: como a pressão é baixada

O objetivo das primeiras horas é reduzir a pressão e desfazer o inchaço da córnea para que o laser seja possível. A sequência habitual, descrita nas diretrizes, é esta:12

  1. Medir a pressão e examinar o ângulo, dos dois olhos. O outro olho quase sempre tem a mesma anatomia.
  2. Remédios para baixar a pressão: comprimido ou injeção que reduz a produção do líquido, colírios que fazem o mesmo, e, quando a pressão está muito alta, um soro hiperosmótico na veia que retira líquido de dentro do olho.
  3. Colírio que contrai a pupila, para afastar a íris do ângulo, assim que a pressão cai o suficiente para ele agir.
  4. Analgesia e antiemético, porque a dor e o vômito pioram a pressão.
  5. Iridotomia a laser assim que a córnea clareia, em geral nas primeiras 24 a 48 horas: um pequeno orifício na periferia da íris, feito no consultório, sem corte, que cria uma passagem alternativa para o líquido. Quando a córnea não clareia, o médico pode indicar iridoplastia ou cirurgia.

Na maioria dos casos, a pressão cai em poucas horas e a dor melhora junto. O que não se recupera é o dano que a pressão já causou ao nervo, e é isso que torna as horas de espera tão caras.

O tratamento definitivo mudou: laser ou retirada do cristalino?

Durante décadas, a iridotomia a laser foi o tratamento definitivo do ângulo fechado. Ela continua sendo o primeiro passo na crise, mas para o tratamento a longo prazo a resposta ficou mais precisa depois do ensaio EAGLE.

O EAGLE sorteou 419 pacientes com fechamento angular e pressão elevada, ou com glaucoma de ângulo fechado já estabelecido, entre iridotomia a laser e retirada precoce do cristalino (a mesma cirurgia da catarata, com implante de lente). Depois de três anos, quem operou tinha pressão mais baixa, usava menos colírios, precisou menos de cirurgia adicional e relatou melhor qualidade de vida.3 O motivo é mecânico: o cristalino é a estrutura que ocupa espaço e empurra a íris; substituí-lo por uma lente fina abre o ângulo de vez.

Isso não significa que todo mundo opera. Em olhos com cristalino ainda transparente e ângulo pouco fechado, a iridotomia pode bastar; em olhos com catarata ou pressão difícil de controlar, a cirurgia tende a ser a escolha. A decisão depende da gonioscopia depois da crise, da pressão obtida e da presença de aderências no ângulo. Como é a cirurgia de glaucoma, e quando o cristalino entra na conta, está em cirurgia de glaucoma: trabeculectomia, válvula e outras opções.

E quem tem ângulo estreito sem nunca ter tido crise?

É a situação mais comum, e a resposta honesta é: depende do quão estreito.

O ensaio ZAP, na China, identificou quase 900 pessoas com ângulo estreito nos dois olhos e sem sinal de dano. Fez iridotomia em um olho, sorteado, e deixou o outro sem tratamento. Em seis anos, o fechamento angular aconteceu em 4,19 olhos por mil olhos-ano nos tratados e 7,97 nos não tratados: o laser reduziu o risco, mas o risco já era baixo, e seriam necessárias dezenas de iridotomias para prevenir um único caso.4 O acompanhamento de 14 anos manteve a conclusão: benefício pequeno em suspeitos sem outros fatores de risco.5

Por isso, hoje a iridotomia preventiva é indicada para quem já tem sinais de fechamento (aderências no ângulo, pressão elevada, episódios intermitentes), para quem tem o outro olho após uma crise, e para quem tem ângulo muito estreito com fatores de risco adicionais ou necessidade de usar remédios que dilatam a pupila.1 Para o suspeito de ângulo estreito sem nada disso, a conduta pode ser acompanhar com gonioscopia periódica e orientação sobre os sinais da crise.

O que a crise deixa para trás, e por que o acompanhamento continua

Uma crise tratada em poucas horas pode não deixar sequela. Uma crise que durou um ou dois dias costuma deixar marcas: aderências permanentes da íris ao ângulo (sinéquias), que impedem a saída do líquido mesmo depois do laser, atrofia de parte da íris, uma pupila que não volta a contrair bem, catarata acelerada e dano ao nervo óptico com perda de campo visual.2

Um estudo europeu que acompanhou pacientes por anos depois da crise encontrou uma parcela relevante que evoluiu para glaucoma crônico de ângulo fechado, precisando de colírio ou cirurgia continuados, principalmente quando havia aderências extensas.7 Por isso, depois da crise, o acompanhamento inclui gonioscopia para medir as aderências, medida da pressão, exame do nervo e campo visual, no mesmo padrão descrito em exames para glaucoma. E o outro olho, que tem a mesma anatomia, é avaliado e em geral tratado preventivamente com iridotomia.1

Onde tratar e como agir agora

Se os sinais da checagem estão presentes, o caminho é o pronto atendimento oftalmológico mais próximo, hoje. Não use colírio dilatador nem remédio para enjoo por conta própria, não fique no escuro (a pupila dilata e o ângulo fecha mais) e não espere o horário da consulta agendada.

Se você não está em crise, mas reconheceu os episódios intermitentes ou tem os fatores de risco descritos, a gonioscopia numa consulta programada responde se o seu ângulo é estreito e o que fazer com isso. Na Drudi e Almeida, a consulta, os exames e o acompanhamento são feitos nas unidades de São Paulo e Guarulhos; o laser e as cirurgias, no MIRA Hospital Oftalmológico, hospital próprio da rede. É possível agendar a consulta on-line; se preferir, a recepção orienta o caminho mais rápido conforme os seus sintomas.

O Instituto é para quem já tem diagnóstico de glaucoma e pedido médico. O agendamento é pelo WhatsApp do Instituto: no horário de atendimento, a consultora responde no (11) 91654-4653; fora dele, a Central, no (11) 91298-8844, com atendimento por inteligência artificial, marca pelo Instituto.

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Perguntas frequentes sobre a crise de glaucoma agudo

Quais são os sintomas do glaucoma agudo?

Dor forte e súbita em um olho, dor de cabeça do mesmo lado, olho muito vermelho, visão embaçada como um vidro fosco, halos coloridos ao redor das luzes, náusea ou vômito e pupila semidilatada que não reage à luz. Três ou mais desses sinais, com dor, indicam atendimento oftalmológico imediato.

Crise de glaucoma é emergência?

Sim. A pressão do olho sobe de cerca de 15 para mais de 50 mmHg em horas e o nervo óptico pode sofrer dano permanente no mesmo dia. O tratamento deve começar em horas, não em dias.

O que fazer durante uma crise de glaucoma?

Procurar um pronto atendimento oftalmológico imediatamente. Se estiver num pronto-socorro geral, dizer que está enxergando pior de um olho e pedir avaliação oftalmológica. Não usar colírios por conta própria, não ficar no escuro e não esperar passar.

Como diferenciar a crise de glaucoma de uma enxaqueca?

Pela visão. A crise embaça a visão de um olho e deixa esse olho vermelho e endurecido; a enxaqueca não. Halos coloridos ao redor das luzes e pupila que não reage também apontam para a crise. Na dúvida, a medida da pressão ocular resolve em um minuto.

Quanto tempo dura uma crise de glaucoma?

Sem tratamento, dias, com dano crescente ao nervo. Com tratamento, a pressão costuma cair em poucas horas com os remédios, e o laser feito nas primeiras 24 a 48 horas impede a repetição. Crises intermitentes leves, com halos e dor moderada, duram minutos a horas e passam sozinhas, mas anunciam a crise completa.

O que é iridotomia a laser?

É um pequeno orifício feito com laser na periferia da íris, no consultório, sem corte, que cria uma passagem alternativa para o líquido do olho e desfaz o bloqueio. Leva minutos, e o olho fica sensível à luz por um ou dois dias. É o primeiro tratamento da crise e a prevenção habitual no outro olho.

Glaucoma agudo tem cura?

A crise tem tratamento eficaz e, se tratada em horas, pode não deixar sequela. O dano que a pressão já causou ao nervo não se recupera. Parte dos pacientes evolui para glaucoma crônico de ângulo fechado e precisa de acompanhamento e tratamento continuados.

Quem teve crise em um olho vai ter no outro?

O outro olho tem a mesma anatomia e risco alto de crise nos anos seguintes. Por isso ele é examinado na emergência e, em geral, recebe iridotomia preventiva.

Quais remédios podem causar crise de glaucoma?

Em quem tem ângulo estreito, remédios que dilatam a pupila: descongestionantes, antialérgicos de primeira geração, alguns antidepressivos, remédios para enjoo e bexiga e broncodilatadores em nebulização. O topiramato pode fechar o ângulo dos dois olhos mesmo em quem tem ângulo normal. Quem tem glaucoma de ângulo aberto, o tipo comum, em geral pode usar esses remédios.

Cirurgia de catarata trata o glaucoma de ângulo fechado?

Em muitos casos, sim. O ensaio EAGLE mostrou que retirar o cristalino e implantar uma lente controlou melhor a pressão e reduziu a necessidade de colírios em comparação com a iridotomia, porque o cristalino é a estrutura que empurra a íris e fecha o ângulo. A indicação depende da gonioscopia e da pressão depois da crise.

Tenho ângulo estreito. Preciso fazer o laser?

Nem sempre. Em suspeitos sem sinais de fechamento, o risco de crise em seis anos foi baixo no maior ensaio sobre o tema, e a iridotomia preventiva é reservada para quem tem aderências, pressão elevada, episódios intermitentes, o outro olho após uma crise ou necessidade de remédios que dilatam a pupila. Os demais são acompanhados com gonioscopia periódica.

Referências científicas e institucionais

  1. Gedde SJ, Chen PP, Muir KW, et al. Primary Angle-Closure Disease Preferred Practice Pattern. Ophthalmology. 2021;128(1):P30-P70. DOI: 10.1016/j.ophtha.2020.10.021. PMID: 34933744.
  2. Nüssle S, Reinhard T, Lübke J. Acute Closed-Angle Glaucoma-an Ophthalmological Emergency. Dtsch Arztebl Int. 2021;118(46):771-780. DOI: 10.3238/arztebl.m2021.0264. PMID: 34551857.
  3. Azuara-Blanco A, Burr J, Ramsay C, et al. Effectiveness of early lens extraction for the treatment of primary angle-closure glaucoma (EAGLE): a randomised controlled trial. Lancet. 2016;388(10052):1389-1397. DOI: 10.1016/S0140-6736(16)30956-4. PMID: 27707497.
  4. He M, Jiang Y, Huang S, et al. Laser peripheral iridotomy for the prevention of angle closure: a single-centre, randomised controlled trial. Lancet. 2019;393(10181):1609-1618. DOI: 10.1016/S0140-6736(18)32607-2. PMID: 30878226.
  5. Yuan Y, Wang W, Xiong R, et al. Fourteen-Year Outcome of Angle-Closure Prevention with Laser Iridotomy in the Zhongshan Angle-Closure Prevention Study. Ophthalmology. 2023;130(8):786-794. DOI: 10.1016/j.ophtha.2023.03.024. PMID: 37030454.
  6. Banta JT, Hoffman K, Budenz DL, et al. Presumed topiramate-induced bilateral acute angle-closure glaucoma. Am J Ophthalmol. 2001;132(1):112-114. DOI: 10.1016/s0002-9394(01)01013-3. PMID: 11438067.
  7. Fea AM, Dallorto L, Lavia C, et al. Long-term outcomes after acute primary angle closure of Caucasian chronic angle closure glaucoma patients. Clin Exp Ophthalmol. 2018;46(3):232-239. DOI: 10.1111/ceo.13024. PMID: 28722309.
  8. Pazos M, Traverso CE, Viswanathan A, et al. European Glaucoma Society - Terminology and guidelines for glaucoma, 6th Edition. Br J Ophthalmol. 2025;109(Suppl 1):1-212. DOI: 10.1136/bjophthalmol-2025-egsguidelines. PMID: 41026937.

Revisão médica: Dr. Fernando Macei Drudi, médico oftalmologista, CRM-SP 139.300 · RQE 50.645. Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui consulta, exame ou atendimento de emergência. Diante dos sinais descritos, procure um serviço de pronto atendimento oftalmológico.

Revisão médica: Dra. Priscilla Rodrigues de Almeida (CRM-SP 148.173, RQE 59.216), em 23 de setembro de 2026. Como revisamos o conteúdo.

Aviso importante: Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico oftalmologista. Em caso de sintomas ou dúvidas sobre sua saúde ocular, procure atendimento médico especializado.

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