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Vincent van Gogh, Campo de trigo com ciprestes, 1889: um trigal dourado sob um céu de nuvens em redemoinho, com dois ciprestes altos e escuros à direita, oliveiras à esquerda e montanhas azuis ao fundo.

Van Gogh, Monet e Degas: as doenças dos olhos na pintura

Monet pintou com catarata, e Degas perdeu a visão central. Sobre Van Gogh, Rembrandt e Leonardo, há hipóteses. Veja o que se sabe, o que é hipótese e o que foi descartado.

Vincent van Gogh, Campo de trigo com ciprestes, 1889. The Metropolitan Museum of Art, Nova York. Domínio público. Van Gogh está nesta página pelas hipóteses sobre a forma como ele via as cores e as luzes; nenhuma foi comprovada.

Em resumo: o que se sabe, artista por artista

Monet teve catarata nos dois olhos e operou o olho direito em 1923, aos 82 anos: é um caso documentado, assim como a catarata de Mary Cassatt.

Degas perdeu a visão central por uma doença da retina, provavelmente hereditária; a perda está nas cartas dele, e a causa exata ainda é discutida.

Sobre Van Gogh, Rembrandt e Leonardo da Vinci, o que existe são hipóteses tiradas das obras, sem exame da época.

A ideia de que El Greco alongava as figuras por causa de um astigmatismo foi refutada.

O que se discute sobre a visão de cada artista, com a fonte
Artista O que se discute Fonte
Claude Monet Catarata nos dois olhos Gruener, Br J Gen Pract, 2015
Edgar Degas Doença da retina, provavelmente hereditária Karcioglu, Ophthalmic Genet, 2007
Mary Cassatt Catarata e retinopatia diabética Jacob, Arch Soc Esp Oftalmol, 2018
Georgia O'Keeffe Degeneração macular relacionada à idade (DMRI) Sem fonte médica citada
Vincent van Gogh Visão amarelada e halos em volta das luzes Lee, JAMA, 1981
Rembrandt van Rijn Um olho desviado para fora (exotropia) Livingstone e Conway, NEJM, 2004
Leonardo da Vinci Desvio para fora que aparece às vezes (exotropia intermitente) Tyler, JAMA Ophthalmology, 2019
El Greco Astigmatismo (hipótese descartada) Anstis, Leonardo, 2002
Paul Cézanne Retinopatia diabética Sem fonte médica citada
Henri Matisse Visão mais fraca com a saúde debilitada Castillo-Ojugas, An R Acad Nac Med, 2003
Frida Kahlo O olhar como tema da obra Neri e Santos, Editora Pasteur, 2022

Veja a obra através do olho

Escolha uma obra e um problema de visão. A pintura muda para mostrar, de forma aproximada, o que a doença faz com a imagem.

1. A obra
2. O efeito

Simulação didática, não é o que o artista via.

A obra como a fotografia do museu a mostra.

A mesma cena, embaçada e amarelada: é assim que a catarata filtra a imagem. Ela não se manifesta igual em todas as pessoas.

Instituto da Catarata

Na degeneração macular (DMRI), o centro embaça, as linhas entortam e pode surgir uma mancha. A visão dos lados costuma continuar.

Instituto da Retina

No glaucoma avançado, os lados da cena perdem os detalhes e o contraste, e sobra o centro. A falha costuma ser percebida como borrão, não como escuro.

Instituto do Glaucoma

Quando os olhos não apontam para o mesmo ponto, a cena pode aparecer duas vezes: é a visão dupla. No adulto, quando o desvio é novo, essa costuma ser a queixa.

Instituto do Estrabismo
Vincent van Gogh, Campo de trigo com ciprestes, 1889: um trigal dourado sob um céu de nuvens em redemoinho, com dois ciprestes altos e escuros à direita e montanhas azuis ao fundo.
Claude Monet, A ponte japonesa, 1899: uma ponte de madeira verde em arco sobre um lago coberto de ninfeias.
Edgar Degas, A aula de dança, por volta de 1873: bailarinas de tutu branco numa sala de ensaio, com uma escada em caracol à esquerda.
Vincent van Gogh, A noite estrelada (1889): céu em redemoinhos azuis, estrelas com halos amarelos e um cipreste escuro à esquerda.
Vincent van Gogh, Campo de trigo com ciprestes, 1889. The Metropolitan Museum of Art, Nova York. Domínio público.Claude Monet, A ponte japonesa, 1899. National Gallery of Art, Washington. Domínio público.Edgar Degas, A aula de dança, c. 1873. National Gallery of Art, Washington. Domínio público.Vincent van Gogh, A noite estrelada, 1889 (recorte). Museum of Modern Art, Nova York. Domínio público. Simulação didática, não é o que o artista via. A mancha no centro sobre o Degas é a mesma do Instituto da Retina.

Os 11 artistas

A lista vai do caso documentado à hipótese descartada. Cada história traz a fonte e, quando a doença tem tratamento hoje, o Instituto da rede que cuida dela.

Claude Monet, A ponte japonesa, 1899: uma ponte de madeira verde em arco sobre um lago coberto de ninfeias, entre folhagens.

Claude Monet

1840–1926

Documentado Catarata nos dois olhos

Monet começou a notar a visão pior por volta de 1908, aos 68 anos: era catarata nos dois olhos, que avançou nos anos seguintes. Em 1923, aos 82 anos, depois de adiar por anos, ele operou a catarata do olho direito.

Fonte: Gruener, Br J Gen Pract, 2015.

Ler a história

Na catarata nuclear, o cristalino, a lente natural do olho, amarelece e fica opaco a partir do centro. O azul perde força, e a cena passa a ser vista como através de um filtro amarelado.

A Ponte Japonesa de 1899 tem verdes e azuis vivos e reflexos precisos na água. Nas versões pintadas entre 1918 e 1924, com a catarata avançada, as formas se desfazem em laranja, vermelho e marrom, e a ponte quase some.

Imagem: Claude Monet, A ponte japonesa, 1899. National Gallery of Art, Washington. Domínio público.

Edgar Degas, A aula de dança, por volta de 1873: bailarinas de tutu branco numa sala de ensaio, algumas ajustando a roupa, com uma escada em caracol à esquerda.

Edgar Degas

1834–1917

Documentado Doença da retina, provavelmente hereditária

A perda da visão está nas cartas; a causa exata ainda é discutida.

Degas notou os primeiros sinais em 1870, aos 36 anos. Um estudo de 2007, feito a partir das cartas do pintor e da família, descreve perda da visão central nos dois olhos e sensibilidade à luz, e aponta uma doença hereditária da retina. Em 2021, testes genéticos em descendentes levaram os autores a concluir que provavelmente não era a doença de Stargardt.

Fonte: Karcioglu, Ophthalmic Genet, 2007; Karcioglu, Stone e Marmor, Ophthalmic Genet, 2021.

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Uma prima de Degas, Estelle Musson, perdeu a visão do mesmo jeito, o que reforça a hipótese de doença hereditária.

As pinturas dos anos 1860 e 1870 têm linhas precisas e rostos detalhados. Nas dos anos 1890 e 1900, as figuras parecem sair de uma névoa colorida. Quando a pintura detalhada ficou difícil, ele passou ao pastel e, depois, às esculturas de bailarinas e cavalos em cera.

Imagem: Edgar Degas, A aula de dança, c. 1873. National Gallery of Art, Washington. Domínio público.

Mary Cassatt, Mãe e filho, pastel: uma mulher de vestido roxo abraça uma criança pequena, rosto com rosto, sobre um fundo amarelo com manchas azuis, com contornos suaves.

Mary Cassatt

1844–1926

Documentado Catarata e retinopatia diabética

Mary Cassatt recebeu o diagnóstico de catarata em 1912, aos 68 anos, e por volta de 1919 teve também retinopatia diabética. As cirurgias de catarata de 1917 e 1919 não deram certo, e ela praticamente perdeu a visão no fim da vida.

Fonte: Jacob, Arch Soc Esp Oftalmol, 2018.

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Ela deixou a gravura, que pede traço preciso, em 1910, e trocou o óleo pelo pastel. As pinceladas ficaram mais largas e a gama de cores, mais curta. Parou de pintar em 1915, aos 71 anos.

Hoje a catarata é tratada com cirurgia, e a indicação, os riscos e a recuperação são avaliados na consulta.

Imagem: Mary Cassatt, Mãe e filho (c. 1909–1914), pastel, High Museum of Art, Atlanta. Domínio público.

Georgia O'Keeffe

1887–1986

Sem fonte médica citada Degeneração macular relacionada à idade (DMRI)

Esta página ainda não cita uma fonte médica para o diagnóstico.

A partir de 1964, aos 77 anos, O'Keeffe começou a perder a visão central. A última pintura a óleo sem ajuda é de 1972; ela continuou criando com assistentes até os 96 anos, usando a visão dos lados.

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Nas últimas obras, ela voltou a temas da juventude e foi mais longe na abstração.

As obras de O'Keeffe ainda são protegidas por direito autoral, por isso esta página não mostra nenhuma.

Vincent van Gogh, A noite estrelada (1889): céu em redemoinhos azuis, estrelas e lua com halos amarelos, um cipreste escuro à esquerda e uma vila embaixo.

Vincent van Gogh

1853–1890

Hipótese Visão amarelada e halos em volta das luzes

Os halos em volta das estrelas e o amarelo intenso das telas de Arles levaram pesquisadores a levantar hipóteses sobre a visão de Van Gogh. A mais citada, de um artigo de 1981 no JAMA, é a visão amarelada (xantopsia) por intoxicação por digitálico. Não há registro de que ele tenha tomado o remédio, e nenhuma hipótese foi comprovada.

Fonte: Lee, JAMA, 1981.

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Na Noite estrelada (1889), cada estrela tem anéis de luz em volta. Halos em volta das luzes aparecem, por exemplo, na crise de glaucoma agudo, quando a córnea incha, mas também têm outras causas.

A hipótese do digitálico parte dos dois retratos do Dr. Gachet, médico de Van Gogh, segurando a dedaleira, a planta de onde vem o remédio, que na época era usado contra a epilepsia.

Imagem: Vincent van Gogh, A noite estrelada, 1889 (recorte). Museum of Modern Art, Nova York. Domínio público.

Rembrandt, Autorretrato, 1660: o pintor, de cabelos grisalhos, boina preta e casaco marrom, olha para quem vê o quadro, sobre um fundo escuro.

Rembrandt van Rijn

1606–1669

Hipótese Um olho desviado para fora (exotropia)

Em 2004, a neurobiologista Margaret Livingstone e Bevil Conway, de Harvard, examinaram a posição dos olhos nos autorretratos de Rembrandt e viram que um deles costuma apontar para fora. A carta deles no New England Journal of Medicine tem um título em forma de pergunta: "Was Rembrandt stereoblind?" ("Rembrandt não tinha visão de profundidade?").

Fonte: Livingstone e Conway, NEJM, 2004; Livingstone e colegas, Psychological Science, 2011.

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Na exotropia, um olho desvia para fora, e fica difícil juntar as imagens dos dois olhos numa só, em três dimensões. Muitas vezes o cérebro deixa de lado a imagem de um dos olhos.

Os autores sugerem que ver a cena mais "achatada" pode ter ajudado a pintar volume numa tela plana. Em 2011, Livingstone e colegas mediram a visão de profundidade de estudantes de arte e de artistas e encontraram, em média, uma visão de profundidade pior que a de quem não é artista. Isso não prova que o estrabismo faça alguém pintar melhor.

Imagem: Rembrandt, Autorretrato, 1660. The Metropolitan Museum of Art, Nova York. Domínio público.

Retrato de Leonardo da Vinci de barba e cabelos longos e brancos, com um boné escuro, em gravura colorida do século XIX.

Leonardo da Vinci

1452–1519

Hipótese Desvio para fora que aparece às vezes (exotropia intermitente)

Christopher Tyler, da City University of London, mediu a posição das pupilas em seis obras tidas como retratos ou autorretratos de Leonardo. Em cinco, os olhos parecem desviar para fora; no Homem Vitruviano, não. Para ele, isso sugere uma exotropia intermitente. Sem registro médico da época, é uma inferência a partir das obras.

Fonte: Tyler, JAMA Ophthalmology, 2019.

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A exotropia intermitente costuma aparecer com o cansaço ou ao olhar para longe. Tyler argumenta que esses momentos de visão de um olho só podem ter ajudado Leonardo a representar a profundidade numa superfície plana.

Imagem: Retrato de Leonardo da Vinci, gravura colorida do século XIX. Domínio público. Não é uma das seis obras do estudo.

El Greco, Vista de Toledo: a cidade sobre um morro verde, sob um céu de nuvens escuras e claras.

El Greco

1541–1614

Refutado Astigmatismo (hipótese descartada)

Em 1913, o oftalmologista Germán Beritens propôs que as figuras alongadas de El Greco viriam de um astigmatismo. Stuart Anstis refutou a ideia em 2002: se o pintor visse tudo alongado, veria a própria tela alongada também e corrigiria as proporções até parecerem normais. Hoje o alongamento é visto como escolha de estilo, ligada ao maneirismo italiano e à pintura bizantina de Creta, onde ele nasceu.

Fonte: Anstis, Leonardo, 2002.

Imagem: El Greco, Vista de Toledo, c. 1599–1600. The Metropolitan Museum of Art, Nova York. Domínio público.

Paul Cézanne, As grandes banhistas: onze figuras nuas num bosque, sob árvores que se inclinam para o centro, em tons de azul, ocre e verde.

Paul Cézanne

1839–1906

Hipótese Retinopatia diabética

Esta página ainda não cita uma fonte médica para ela.

Cézanne tinha diabetes e, segundo relatos, era míope. Uma hipótese é que a retinopatia diabética tenha mudado a forma como ele via as cores e a profundidade nas obras tardias. Não há registro de exame dos olhos que a confirme.

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Na retinopatia diabética, o açúcar alto no sangue danifica os vasinhos da retina. No começo pode não haver sintoma; quando o líquido chega à mácula, o centro embaça. Quem tem diabetes faz o exame de retina mesmo enxergando bem, no intervalo que a equipe definir.

Imagem: Paul Cézanne, As grandes banhistas (c. 1894–1905), National Gallery, Londres. Domínio público.

Henri Matisse, O caracol, 1953: recortes de papel em cores puras, laranja, verde, roxo, preto e azul, dispostos em espiral sobre fundo branco.

Henri Matisse

1869–1954

Hipótese Visão mais fraca com a saúde debilitada

Depois de uma cirurgia de câncer no abdome, em 1941, Matisse ficou muito debilitado e passou a trabalhar com recortes de papel pintado com guache. Uma hipótese é que as formas grandes e as cores puras dos recortes também tenham sido uma adaptação à visão mais fraca.

Fonte: Castillo-Ojugas, An R Acad Nac Med, 2003.

Imagem: Henri Matisse, O caracol, 1953. Tate, Londres. Em domínio público no Brasil desde 2025.

Frida Kahlo, A coluna partida, 1944: autorretrato com o tronco aberto mostrando uma coluna de pedra quebrada, preso por um colete, com lágrimas no rosto.

Frida Kahlo

1907–1954

Sem doença dos olhos O olhar como tema da obra

Frida Kahlo não teve diagnóstico de doença dos olhos. Ela está aqui pelo olhar nos autorretratos: depois do acidente de ônibus de 1925, aos 18 anos, a dor a acompanhou pelo resto da vida, e os olhos e as lágrimas viraram tema da obra.

Fonte: Neri e Santos, Editora Pasteur, 2022.

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Em "Diego e eu" (1949), o retrato de Diego Rivera pintado na testa de Frida tem um terceiro olho. Em "A coluna partida" (1944), as lágrimas e o olhar direto falam de dor e de resistência.

A obra dela é usada no ensino médico para falar de empatia com quem sente dor.

Imagem: Frida Kahlo, A coluna partida, 1944. Em domínio público no Brasil desde 2025.

Perguntas frequentes

Van Gogh era cego?

Não há registro de que Van Gogh tenha ficado cego: ele pintou até 1890, ano em que morreu. O que existe são hipóteses sobre como ele via as cores e as luzes. A mais citada, de um artigo de 1981 no JAMA, é a visão amarelada por intoxicação por digitálico, mas não há registro de que ele tenha tomado o remédio.

A catarata mudou a pintura de Monet?

Sim, e é um caso documentado. As versões da Ponte Japonesa pintadas entre 1918 e 1924, com a catarata avançada, têm cores mais quentes e formas que se desfazem, se comparadas às de 1899. Monet operou a catarata do olho direito em 1923, aos 82 anos.

Que doença Degas tinha nos olhos?

Uma doença da retina que tirou a visão central, provavelmente hereditária: uma prima dele perdeu a visão do mesmo jeito. Em 2021, testes genéticos em descendentes levaram os autores a concluir que provavelmente não era a doença de Stargardt. O diagnóstico exato continua em aberto.

O estrabismo de Rembrandt e de Leonardo da Vinci é comprovado?

Não. São hipóteses tiradas das obras: Livingstone e Conway mediram os olhos nos autorretratos de Rembrandt (New England Journal of Medicine, 2004), e Tyler fez o mesmo em seis obras ligadas a Leonardo (JAMA Ophthalmology, 2019). Sem registro médico da época, nenhuma das duas fecha um diagnóstico.

El Greco pintava figuras alongadas por causa de astigmatismo?

Provavelmente não. A ideia, de 1913, foi refutada por Anstis em 2002: quem visse tudo alongado veria a própria tela alongada e corrigiria as proporções. Hoje o alongamento é visto como escolha de estilo.

Cézanne tinha retinopatia diabética?

Não se sabe. Cézanne tinha diabetes e, segundo relatos, era míope. A retinopatia é uma complicação possível do diabetes, mas não há registro de exame dos olhos que a confirme, e a ligação com o estilo das obras tardias é uma hipótese.

Frida Kahlo tinha doença nos olhos?

Não há registro de diagnóstico de doença dos olhos. A obra dela usa o olhar como tema, como o terceiro olho no retrato de Diego em "Diego e eu" e as lágrimas em "A coluna partida".

O que a medicina faz hoje por esses problemas?

A catarata, como a de Monet e a de Mary Cassatt, é tratada com cirurgia (facoemulsificação com lente intraocular). A DMRI, como a de Georgia O'Keeffe, é acompanhada com OCT e, na forma úmida, tratada com injeções de anti-VEGF. Doenças hereditárias da retina, como a provável doença de Degas, têm acompanhamento e reabilitação visual. O glaucoma é controlado com colírios, laser ou cirurgia, e o estrabismo pode ser corrigido com cirurgia. A indicação, os riscos e a recuperação dependem de cada caso.

Fontes

  1. Gruener A. The effect of cataracts and cataract surgery on Claude Monet. British Journal of General Practice, 2015;65(634):254-5.
  2. Karcioglu ZA. Did Edgar Degas have an inherited retinal degeneration? Ophthalmic Genetics, 2007;28(2):51-5.
  3. Karcioglu ZA, Stone EM, Marmor MF. Did Edgar Degas have Stargardt disease? Ophthalmic Genetics, 2021.
  4. Jacob MCF. Mary Cassatt: Ophthalmological History. Archivos de la Sociedad Española de Oftalmología, 2018.
  5. Lee TC. Van Gogh's vision. Digitalis intoxication? JAMA, 1981;245(7):727-9.
  6. Livingstone MS, Conway BR. Was Rembrandt stereoblind? New England Journal of Medicine, 2004.
  7. Livingstone MS, Lafer-Sousa R, Conway BR. Stereopsis and artistic talent: poor stereopsis among art students and established artists. Psychological Science, 2011.
  8. Tyler CW. Evidence That Leonardo da Vinci Had Strabismus. JAMA Ophthalmology, 2019;137(1):82-86 (on-line em 2018).
  9. Anstis SM. Was El Greco Astigmatic? Leonardo, 2002;35(2):208.
  10. Castillo-Ojugas A. Influence of disease on Matisse and Monet painting. Anales de la Real Academia Nacional de Medicina, 2003.
  11. Neri GS, Santos PR. Os olhos de Frida: a dor que sangra em tinta e inflama a visão da alma. Editora Pasteur, 2022.

Créditos das imagens

  • Vincent van Gogh, Campo de trigo com ciprestes, 1889. The Metropolitan Museum of Art, Nova York. Domínio público.
  • Claude Monet, A ponte japonesa, 1899. National Gallery of Art, Washington. Domínio público.
  • Edgar Degas, A aula de dança, c. 1873. National Gallery of Art, Washington. Domínio público.
  • Vincent van Gogh, A noite estrelada, 1889 (recorte). Museum of Modern Art, Nova York. Domínio público.
  • Mary Cassatt, Mãe e filho (c. 1909–1914), pastel, High Museum of Art, Atlanta. Domínio público.
  • Rembrandt, Autorretrato, 1660. The Metropolitan Museum of Art, Nova York. Domínio público.
  • Retrato de Leonardo da Vinci, gravura colorida do século XIX. Domínio público. Não é uma das seis obras do estudo.
  • El Greco, Vista de Toledo, c. 1599–1600. The Metropolitan Museum of Art, Nova York. Domínio público.
  • Paul Cézanne, As grandes banhistas (c. 1894–1905), National Gallery, Londres. Domínio público.
  • Henri Matisse, O caracol, 1953. Tate, Londres. Em domínio público no Brasil desde 2025.
  • Frida Kahlo, A coluna partida, 1944. Em domínio público no Brasil desde 2025.
  • As versões com efeito da galeria são simulações feitas sobre as fotografias dos museus; a mancha no centro sobre o Degas é a mesma do Instituto da Retina.

Revisão médica: Dr. Fernando Macei Drudi, médico oftalmologista, CRM-SP 139.300, RQE 50.645 (Oftalmologia), com residência em Oftalmologia e fellowship de 3 anos em retina e cirurgia de catarata no HSPE. Atualizado em . Ver o perfil do Dr. Fernando. Como revisamos o conteúdo.