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Uveíte: o que é, causas, sintomas e tratamento

Publicado em 01 de maio de 2026 Atualizado em 21 de agosto de 2026 Revisão médica: 17 de agosto de 2026 11 min de leitura Dra. Priscilla Rodrigues de Almeida
Médica examinando paciente com fotofobia à lâmpada de fenda e ilustração anatômica de inflamação intraocular para artigo de uveíte.
Dra. Priscilla Rodrigues de Almeida
Autor Médico
Dra. Priscilla Rodrigues de Almeida
CRM-SP 148.173 | RQE 59.216

Resumo em linguagem simples

Uveíte é uma inflamação dentro do olho. Como suas causas e tratamentos variam, dor, sensibilidade à luz ou mudança de visão merecem avaliação oftalmológica, sem automedicação.

Uveíte é o nome dado à inflamação dentro do olho. Ela pode atingir a porção anterior, o vítreo, a retina ou a coroide e, por isso, não é um diagnóstico único nem deve ser confundida automaticamente com conjuntivite. Dor ocular, sensibilidade à luz, olho vermelho, manchas flutuantes ou visão turva podem aparecer, mas a combinação e a intensidade variam. O ponto decisivo é reconhecer quando esses sinais precisam de avaliação oftalmológica sem demora.

Pontos-chave

  • Uveíte é inflamação intraocular. A classificação depende de onde a atividade inflamatória predomina: anterior, intermediária, posterior ou panuveíte.
  • Os sintomas não definem a causa sozinhos. A avaliação combina história, exame à lâmpada de fenda, medida da pressão ocular, exame de fundo de olho e, quando necessário, imagens ou exames direcionados.
  • As causas podem ser infecciosas ou não infecciosas. Essa distinção muda a conduta; por isso, colírios ou medicamentos não devem ser iniciados por conta própria.
  • O acompanhamento protege a função visual. Além de controlar a inflamação, o oftalmologista monitora pressão ocular, cristalino, mácula e retina conforme o subtipo.

O que é uveíte?

A úvea é formada principalmente pela íris, pelo corpo ciliar e pela coroide. Na prática, porém, o termo uveíte também abrange inflamações intraoculares que podem envolver o vítreo, a retina e estruturas próximas. A nomenclatura internacional SUN organiza a doença pela localização predominante da inflamação: anterior, intermediária, posterior ou panuveíte.1

Esse detalhe anatômico é importante porque orienta a investigação e o acompanhamento. Uma pessoa com uveíte anterior pode apresentar dor, fotofobia e hiperemia ao redor da córnea. Em outras formas, a queixa predominante pode ser moscas volantes, visão enevoada ou redução visual sem vermelhidão evidente. Nenhum sintoma, isoladamente, permite dizer qual é o subtipo ou a causa.

Diagrama de corte do olho relacionando íris, corpo ciliar, coroide e vítreo aos subtipos de uveíte.
Onde a inflamação predomina ajuda a classificar a uveíte, mas não substitui a investigação da causa.

Quais são os tipos de uveíte?

Uveíte anterior envolve sobretudo íris e corpo ciliar. É uma apresentação frequente e pode causar olho vermelho mais profundo, dor, lacrimejamento e intolerância à luz. A uveíte intermediária afeta principalmente o vítreo e a retina periférica; manchas flutuantes e visão turva podem chamar mais atenção do que a dor. Na uveíte posterior, a coroide e/ou retina estão envolvidas, de modo que alterações de visão podem ocorrer mesmo sem o aspecto clássico de “olho vermelho”. A panuveíte indica que há inflamação em mais de uma região do olho.

Esses nomes descrevem localização, não gravidade automática. Uma uveíte anterior pode exigir acompanhamento próximo; uma uveíte posterior pode ter apresentação discreta no início. A avaliação identifica atividade inflamatória, pressão ocular, retina e mácula, além de possíveis sinais de complicação.

Tabela com uveíte anterior, intermediária, posterior e panuveíte, suas regiões predominantes e manifestações possíveis.
Os subtipos anatômicos organizam a conversa clínica; sintomas semelhantes podem ocorrer em mais de uma localização.

Quais sintomas podem aparecer?

Os sintomas dependem da região envolvida e da intensidade da atividade inflamatória. Dor ocular, fotofobia, vermelhidão, lacrimejamento, embaçamento visual, percepção de pontos flutuantes e redução de visão são exemplos possíveis. Algumas pessoas também relatam cefaleia ou desconforto ao focar perto, mas esses achados não são exclusivos de uveíte.

É útil observar quando o sintoma começou, se um ou ambos os olhos estão envolvidos, se houve episódios anteriores e se existem sinais fora dos olhos, como dor ou inchaço articular, lesões de pele, aftas recorrentes, sintomas respiratórios, intestinais ou febre. Essas informações não fecham diagnóstico, mas ajudam o especialista a escolher perguntas, exames e encaminhamentos de forma mais precisa.

Quando olho vermelho, dor ou fotofobia são urgência?

Olho vermelho não é sempre uveíte, e uveíte nem sempre produz vermelhidão. Ainda assim, dor ocular importante, fotofobia intensa, visão embaçada nova, queda visual, pupila diferente, náusea ou vômito associados a dor ocular merecem avaliação oftalmológica sem demora. O mesmo vale para sintomas oculares em pessoas imunossuprimidas, após trauma ou junto de sintomas sistêmicos relevantes.

Não é seguro usar colírio com corticoide, antibiótico ou anestésico por iniciativa própria para “testar” a melhora. Causas infecciosas e não infecciosas exigem estratégias diferentes; um medicamento inadequado pode mascarar sinais ou atrasar a definição da conduta.

Cartões educativos sobre dor ocular importante, fotofobia intensa, visão alterada e ação segura de procurar avaliação oftalmológica.
Sinais de alerta não confirmam uma causa, mas orientam quando a avaliação não deve ser adiada.

O que pode causar uveíte?

A uveíte é uma síndrome com causas diversas. Algumas situações são infecciosas, como determinadas infecções parasitárias, virais ou bacterianas; outras são não infecciosas e podem estar associadas a doenças inflamatórias sistêmicas. Há ainda casos em que nenhuma causa específica é identificada. A proporção de causas muda conforme idade, padrão da inflamação, região geográfica, história clínica e achados do exame.27

Por isso, exames laboratoriais não são solicitados como uma lista fixa para todos. A investigação costuma ser dirigida pela localização da uveíte, por sua recorrência, por sinais no olho e por sintomas gerais. Quando necessário, o cuidado é articulado com outras especialidades, como reumatologia, infectologia, clínica médica, pediatria ou dermatologia.

Diagrama comparando possibilidades infecciosas e não infecciosas de uveíte e explicando por que a causa muda a conduta.
Antes de tratar, é preciso entender o padrão de inflamação e separar possibilidades que pedem condutas diferentes.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico começa com uma conversa clínica detalhada e exame oftalmológico. A lâmpada de fenda permite observar sinais de inflamação na porção anterior do olho. A medida da pressão ocular, o exame de fundo de olho após dilatação quando indicado e a avaliação da acuidade visual complementam a consulta. Conforme o caso, podem ser solicitados fotografia de retina, tomografia de coerência óptica (OCT), angiografia, ultrassonografia ocular ou exames de sangue e imagem sistêmica direcionados.

O objetivo não é apenas “confirmar uveíte”. É determinar a localização, estimar atividade, procurar edema de mácula ou sinais de retina, identificar pressão elevada ou baixa e buscar pistas para uma causa tratável. Uma investigação bem indicada reduz exames desnecessários e evita conclusões apoiadas em um único resultado.

Fluxo visual da investigação de uveíte: história clínica, exame ocular, imagem dirigida e integração com outras especialidades quando indicada.
A escolha dos exames é individualizada: o padrão clínico define quais informações realmente ajudam a esclarecer o caso.

Como é o tratamento da uveíte?

Não existe um tratamento único para todas as uveítes. A estratégia depende da causa, da região acometida, de um ou ambos os olhos, da intensidade da atividade, da presença de edema de mácula ou outras complicações e das condições de saúde da pessoa. Quando há suspeita ou confirmação de infecção, o tratamento é direcionado à causa e a decisão sobre anti-inflamatórios é feita pelo médico no contexto adequado.

Nas formas não infecciosas, a equipe pode usar terapias locais, sistêmicas ou ambas para controlar a inflamação e reduzir o risco de dano ocular. Corticoides continuam tendo papel relevante em situações selecionadas, mas exigem acompanhamento porque podem afetar a pressão ocular e o cristalino. Em doença persistente, recorrente ou com risco visual, terapias poupadoras de corticoide e medicamentos imunomoduladores podem ser avaliados por equipe experiente.3

Ensaios clínicos avaliaram opções sistêmicas e locais em grupos específicos de uveíte não infecciosa intermediária, posterior ou panuveíte. Esses estudos sustentam decisões especializadas, mas não definem um “melhor tratamento” universal nem autorizam extrapolação para todos os subtipos.48

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Por que o acompanhamento é tão importante?

Mesmo quando dor ou vermelhidão melhoram, a atividade inflamatória pode precisar de reavaliação. O acompanhamento observa resposta ao tratamento, possíveis efeitos adversos e complicações como alteração de pressão intraocular, catarata, edema macular, cicatrizes ou envolvimento da retina. A frequência das consultas não é fixa: ela depende do subtipo, da fase de atividade, da visão e da terapia utilizada.

Essa é uma das razões para não interromper colírios ou medicamentos prescritos sem orientação. Em uveítes recorrentes ou crônicas, a redução de tratamento costuma ser planejada; em casos selecionados, a coordenação com outras especialidades é parte da segurança do cuidado.

Três pilares do acompanhamento da uveíte: tratar a causa quando identificada, controlar atividade inflamatória e monitorar complicações.
O acompanhamento combina controle da atividade com vigilância da visão e das estruturas que podem ser afetadas.

Uveíte em crianças e adolescentes

Em crianças, a apresentação pode ser menos evidente do que em adultos. Algumas formas de uveíte anterior crônica, especialmente em contextos reumatológicos específicos, podem ter poucos sintomas no início. Por isso, quando uma criança já tem uma condição com risco conhecido de envolvimento ocular, o calendário de rastreio é definido pela equipe assistente. Estudos em uveíte associada à artrite idiopática juvenil reforçam a importância de seguimento especializado e de decisões compartilhadas entre oftalmologia e reumatologia pediátrica.6

Leitura relacionada

Para sintomas que podem se parecer no início, consulte o guia de olho vermelho e o guia de conjuntivite. Para entender como imagens complementam a investigação, leia sobre o exame OCT e o mapeamento de retina.

Quais complicações podem acontecer?

Inflamação intraocular persistente ou recorrente pode afetar diferentes estruturas. Dependendo do subtipo, podem surgir alterações de pressão ocular, catarata, edema macular, cicatrizes de retina, alterações no nervo óptico ou descolamento de retina. O risco não é igual para todas as pessoas e não pode ser estimado apenas pelo diagnóstico geral de uveíte. O exame e o acompanhamento mostram quais estruturas precisam de atenção em cada caso.

O que fazer se eu suspeito de uveíte?

Procure avaliação oftalmológica, especialmente se houver dor, fotofobia ou mudança visual. Se já houver uma consulta agendada, anote quando os sintomas começaram, quais medicamentos ou colírios estão em uso, episódios prévios, cirurgias oculares e doenças de saúde geral. Essa informação acelera uma investigação mais direcionada. Evite usar sobras de medicamentos ou emprestar colírios.

Perguntas frequentes sobre uveíte

Uveíte é contagiosa?

Uveíte é contagiosa?

A uveíte em si não é uma doença contagiosa. Algumas causas infecciosas podem exigir investigação e tratamento específicos, mas a forma de transmissão depende da infecção de base, não do termo “uveíte”.

Uveíte é o mesmo que conjuntivite?

Uveíte é o mesmo que conjuntivite?

Não. Conjuntivite atinge a membrana que recobre a parte branca do olho e a face interna das pálpebras; uveíte é inflamação dentro do olho. Os sintomas podem se sobrepor, mas a avaliação e o tratamento são diferentes.

Todo olho vermelho é uveíte?

Todo olho vermelho é uveíte?

Não. Olho vermelho tem muitas causas. Dor importante, fotofobia e alteração visual são razões para não presumir uma causa simples e buscar avaliação.

Uveíte pode voltar?

Uveíte pode voltar?

Algumas formas podem recorrer. O risco depende do subtipo, da causa e da resposta ao tratamento. O acompanhamento é planejado de acordo com a situação individual.

Uveíte pode causar perda de visão?

Uveíte pode causar perda de visão?

A inflamação não controlada pode comprometer estruturas importantes do olho. Diagnóstico e acompanhamento oportunos buscam reduzir esse risco, mas o prognóstico depende da causa e da região afetada.

Posso usar colírio com corticoide se meus olhos doem e ficam vermelhos?

Posso usar colírio com corticoide se meus olhos doem e ficam vermelhos?

Não sem avaliação e prescrição. Corticoides têm indicações específicas e podem ser inadequados em determinadas infecções ou situações oculares.

Quais exames podem ser pedidos?

Quais exames podem ser pedidos?

O exame oftalmológico é central. OCT, fotografia de retina, angiografia, ultrassom e exames laboratoriais podem ser indicados conforme os achados e a história clínica.

Uveíte está ligada a doenças reumatológicas?

Uveíte está ligada a doenças reumatológicas?

Em algumas pessoas, sim. Em outras, a causa é infecciosa, exclusivamente ocular ou não é identificada. A investigação é dirigida e não deve ser feita por autodiagnóstico.

OCT detecta uveíte?

OCT detecta uveíte?

O OCT pode mostrar alterações relevantes, especialmente na mácula, mas não substitui o exame completo. Sua utilidade depende do subtipo e da pergunta clínica.

Uveíte precisa de cirurgia?

Uveíte precisa de cirurgia?

Em geral, o foco inicial é controlar a causa e a inflamação. Procedimentos podem ser considerados para complicações ou situações específicas, após avaliação especializada.

Uveíte anterior é menos grave?

Uveíte anterior é menos grave?

Não necessariamente. Pode ter boa evolução quando identificada e acompanhada, mas dor, inflamação recorrente, pressão ocular e outras complicações precisam de atenção.

Posso dirigir ou trabalhar com visão turva?

Posso dirigir ou trabalhar com visão turva?

Se a visão estiver alterada, é prudente evitar dirigir e tarefas com risco até avaliação. A segurança depende do grau de limitação e da orientação médica.

Crianças podem ter uveíte sem sintomas?

Crianças podem ter uveíte sem sintomas?

Sim, alguns quadros pediátricos podem ser discretos inicialmente. Crianças com condições de risco conhecidas seguem calendários definidos por oftalmologia e reumatologia pediátrica.

Quanto tempo dura o tratamento?

Quanto tempo dura o tratamento?

Não há prazo único. Pode variar de um episódio curto a acompanhamento prolongado, conforme a causa, a localização, a resposta clínica e a necessidade de prevenir recidivas.

Quando devo retornar antes da data marcada?

Quando devo retornar antes da data marcada?

Retorne antes se houver piora de dor, nova queda visual, fotofobia intensa, aumento de vermelhidão, trauma ou dúvida sobre efeitos de um medicamento prescrito.

Referências

  1. Jabs DA, Nussenblatt RB, Rosenbaum JT, et al. Standardization of uveitis nomenclature for reporting clinical data. Am J Ophthalmol. 2005;140(3):509–516. DOI: 10.1016/j.ajo.2005.03.057.
  2. Ghadiri N, Reekie IR, Gordon I, et al. Systematic review of clinical practice guidelines for uveitis. BMJ Open Ophthalmol. 2023;8:e001091. DOI: 10.1136/bmjophth-2022-001091.
  3. Dick AD, Rosenbaum JT, Al-Dhibi HA, et al. Guidance on noncorticosteroid systemic immunomodulatory therapy in noninfectious uveitis: FOCUS Initiative. Ophthalmology. 2018;125(5):757–773. DOI: 10.1016/j.ophtha.2017.11.017.
  4. Jaffe GJ, Dick AD, Brézin AP, et al. Adalimumab in patients with active noninfectious uveitis. N Engl J Med. 2016;375:932–943. DOI: 10.1056/NEJMoa1509852.
  5. Nguyen QD, Merrill PT, Jaffe GJ, et al. Adalimumab for prevention of uveitic flare in patients with inactive non-infectious uveitis controlled by corticosteroids. Lancet. 2016;388:1183–1192. DOI: 10.1016/S0140-6736(16)31339-3.
  6. Ramanan AV, Dick AD, Jones AP, et al. Adalimumab plus methotrexate for uveitis in juvenile idiopathic arthritis. N Engl J Med. 2017;376:1637–1646. DOI: 10.1056/NEJMoa1614160.
  7. Maghsoudlou P, Epps SJ, Guly CM, Dick AD. Uveitis in adults: a review. JAMA. 2025;334(5):419–434. DOI: 10.1001/jama.2025.4358.
  8. Multicenter Uveitis Steroid Treatment Trial Research Group. Randomized comparison of systemic anti-inflammatory therapy versus fluocinolone acetonide implant for intermediate, posterior, and panuveitis. Ophthalmology. 2011;118(10):1916–1926. DOI: 10.1016/j.ophtha.2011.07.027.

Revisão médica: Dra. Priscilla Rodrigues de Almeida — CRM-SP 148.173 | RQE 59.216. Conteúdo educativo, atualizado em 17 de agosto de 2026; não substitui avaliação oftalmológica individual.

Aviso importante: Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico oftalmologista. Em caso de sintomas ou dúvidas sobre sua saúde ocular, procure atendimento médico especializado.

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