Em resumo
O glaucoma pigmentar é um glaucoma de ângulo aberto em que grânulos de pigmento se soltam da parte de trás da íris e se acumulam no filtro por onde o líquido sai do olho. A pressão sobe e, sem tratamento, lesa o nervo óptico. É mais comum em adultos jovens, míopes e homens, e o tratamento segue o do glaucoma de ângulo aberto: colírio, laser ou cirurgia, para baixar a pressão.
Neste artigo
O glaucoma pigmentar é um glaucoma de ângulo aberto em que grânulos de pigmento se soltam da parte de trás da íris e se acumulam no filtro por onde o líquido sai do olho. A pressão sobe e, sem tratamento, lesa o nervo óptico. É mais comum em adultos jovens, míopes e homens, e o tratamento segue o do glaucoma de ângulo aberto: colírio, laser ou cirurgia, para baixar a pressão.[1][2][3]
O que é a síndrome de dispersão pigmentar
Em algumas pessoas, a periferia da íris fica curvada para trás e roça nas fibras que seguram o cristalino. O atrito solta pigmento, que se espalha pela parte da frente do olho e se deposita na córnea, na íris e no filtro de drenagem. Essa condição se chama síndrome de dispersão pigmentar.[1][4] Ter a síndrome não significa ter glaucoma: o glaucoma pigmentar começa quando a pressão sobe e o nervo óptico passa a ser lesado.[1]
Quantas pessoas com a síndrome passam a ter glaucoma?
Num estudo de base populacional nos Estados Unidos, 10% das pessoas com a síndrome desenvolveram glaucoma pigmentar ou pressão alta que exigiu tratamento em 5 anos, e 15% em 15 anos. O fator que mais pesou foi a pressão acima de 21 mmHg no primeiro exame.[3] Num serviço de glaucoma em Bogotá, com 24 pacientes, a proporção foi maior, 37,5% em cerca de 4 anos, com o mesmo fator de risco.[5]
Quem tem mais risco
A síndrome costuma ser vista entre os 30 e os 50 anos, é cerca de 3 vezes mais comum em homens jovens e míopes do que em mulheres e costuma atingir os dois olhos.[4][1] O glaucoma pigmentar costuma ser diagnosticado entre os 40 e os 50 anos, mais em homens; no estudo americano, 78% das pessoas com glaucoma pigmentar eram homens, com idade média de 42 anos no diagnóstico.[1][3] A síndrome pode aparecer em mais de uma pessoa da família: num estudo em Iowa, 10% dos parentes de primeiro grau examinados tinham a síndrome, embora a maioria dos casos fosse isolada.[6]
Sintomas
Na maior parte do tempo, não há sintoma, como no glaucoma de ângulo aberto. Em algumas pessoas, o exercício intenso solta mais pigmento e sobe a pressão do olho; o colírio que dilata a pupila no exame também pode soltar pigmento.[7] Se notar a visão embaçada depois do esforço, conte ao médico. Dor forte, olho vermelho e visão embaçada que não passa são motivo de atendimento no mesmo dia.
Como é o diagnóstico
O médico vê a síndrome no exame com a lâmpada de fenda e na gonioscopia, que mostram três sinais: pigmento na parte de trás da córnea, falhas em raios na íris quando ela é iluminada por trás e um filtro de drenagem escuro, carregado de pigmento.[4][3] O glaucoma se confirma como em qualquer glaucoma: pressão do olho, exame do nervo óptico, OCT e campo visual.
Leia também: Exames para glaucoma: como é feito o diagnóstico, um por um.
Tratamento
O tratamento baixa a pressão do olho, como no glaucoma de ângulo aberto.[1][2]
- Colírios: as mesmas classes usadas no glaucoma de ângulo aberto. Veja Colírio para glaucoma e pressão ocular.
- Trabeculoplastia seletiva a laser (SLT): pode ser usada. Como o filtro está carregado de pigmento, há relatos de subida forte da pressão depois do laser, e por isso a indicação é avaliada com cuidado.[8][1]
- Iridotomia a laser: a pequena abertura na íris deixa a íris mais plana e diminui o atrito, mas os estudos não mostraram que ela evite o glaucoma ou freie a perda de campo. Numa revisão Cochrane, a evidência foi insuficiente; num estudo randomizado com 116 olhos, a iridotomia não reduziu a passagem da síndrome para o glaucoma em 3 anos.[9][10][2]
- Cirurgia: a trabeculectomia é uma opção aceita quando colírio e laser não bastam.[2]
Nenhum tratamento devolve a visão que já se perdeu; o objetivo é frear a piora.
Com o tempo, a dispersão diminui?
Pode diminuir: uma classificação recente descreve uma fase inativa da síndrome, em que a liberação de pigmento cessa.[4] O dano que já aconteceu no nervo não volta, e o acompanhamento continua.
E a retina?
Algumas pessoas com a síndrome também têm alterações na periferia da retina que aumentam o risco de descolamento: num estudo italiano, 8 de 24 pacientes tinham degeneração em treliça.[11] Flashes de luz, muitas moscas volantes de repente ou uma sombra como uma cortina pedem avaliação no mesmo dia.
Onde tratar em São Paulo
Na Drudi e Almeida, a consulta e os exames são feitos nas unidades, e o laser e as cirurgias, no MIRA Hospital Oftalmológico, hospital próprio da rede. Veja valores, convênio e unidades em Tratamento de glaucoma em São Paulo.
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Perguntas frequentes
Glaucoma pigmentar tem cura?
Não. Como os outros glaucomas, ele tem controle: baixar a pressão freia a doença, e a visão perdida não volta.[1][2]
Glaucoma pigmentar cega?
Pode, se não for tratado, como qualquer glaucoma. O risco é menor quando a doença é descoberta cedo, com a pressão controlada e os retornos em dia.
Quem tem a síndrome pode fazer exercício?
Pode, e faz bem. Se notar visão embaçada depois do exercício, conte ao médico, que avalia se vale medir a pressão depois do esforço e ajustar o tratamento.[7]
Referências
- Scuderi G, Contestabile MT, Scuderi L, et al. Pigment dispersion syndrome and pigmentary glaucoma: a review and update. Int Ophthalmol. 2019;39(7):1651-62. PMID 29721842. doi 10.1007/s10792-018-0938-7
- Okafor K, Vinod K, Gedde SJ. Update on pigment dispersion syndrome and pigmentary glaucoma. Curr Opin Ophthalmol. 2017;28(2):154-60. PMID 27898469. doi 10.1097/ICU.0000000000000352
- Siddiqui Y, Ten Hulzen RD, Cameron JD, Hodge DO, Johnson DH. What is the risk of developing pigmentary glaucoma from pigment dispersion syndrome? Am J Ophthalmol. 2003;135(6):794-9. PMID 12788118. doi 10.1016/s0002-9394(02)02289-4
- Tomczyk-Socha M, Małyszczak A, Turno-Kręcicka A. Pigment dispersion syndrome and pigmentary glaucoma: new clinical gradation and current therapeutic strategies. J Clin Med. 2026;15(2):591. PMID 41598529. doi 10.3390/jcm15020591
- Gomez Goyeneche HF, Hernandez-Mendieta DP, Rodriguez DA, et al. Pigment dispersion syndrome progression to pigmentary glaucoma in a Latin American population. J Curr Glaucoma Pract. 2015;9(3):69-72. PMID 26997839. doi 10.5005/jp-journals-10008-1187
- Tandon A, Zhang Z, Fingert JH, et al. The heritability of pigment dispersion syndrome and pigmentary glaucoma. Am J Ophthalmol. 2019;202:55-61. PMID 30796891. doi 10.1016/j.ajo.2019.02.017
- Epstein DL, Boger WP, Grant WM. Phenylephrine provocative testing in the pigmentary dispersion syndrome. Am J Ophthalmol. 1978;85(1):43-50. PMID 619685. doi 10.1016/s0002-9394(14)76663-2
- Harasymowycz PJ, Papamatheakis DG, Latina M, et al. Selective laser trabeculoplasty (SLT) complicated by intraocular pressure elevation in eyes with heavily pigmented trabecular meshworks. Am J Ophthalmol. 2005;139(6):1110-3. PMID 15953448. doi 10.1016/j.ajo.2004.11.038
- Michelessi M, Lindsley K. Peripheral iridotomy for pigmentary glaucoma. Cochrane Database Syst Rev. 2016;2:CD005655. PMID 26871761. doi 10.1002/14651858.CD005655.pub2
- Scott A, Kotecha A, Bunce C, et al. YAG laser peripheral iridotomy for the prevention of pigment dispersion glaucoma: a prospective, randomized, controlled trial. Ophthalmology. 2011;118(3):468-73. PMID 21035866. doi 10.1016/j.ophtha.2010.07.026
- Scuderi G, Papale A, Nucci C, Cerulli L. Retinal involvement in pigment dispersion syndrome. Int Ophthalmol. 1996;19(6):375-8. PMID 8970873. doi 10.1007/BF00130858
Revisão médica: Dr. Fernando Macei Drudi, médico oftalmologista, CRM-SP 139.300, RQE 50.645 (Oftalmologia). Atualizado em 29 de setembro de 2026.
Revisão médica: Dr. Fernando Macei Drudi (CRM-SP 139.300, RQE 50.645), em 29 de setembro de 2026. Como revisamos o conteúdo.
Aviso importante: Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico oftalmologista. Em caso de sintomas ou dúvidas sobre sua saúde ocular, procure atendimento médico especializado.