Em resumo
Guia procedimental de cirurgia de catarata: indicação funcional, preparo, facoemulsificação, lentes intraoculares, riscos, sinais de alerta e recuperação individualizada.
Neste artigo
A facoemulsificação é a técnica usada hoje em praticamente toda cirurgia de catarata. Uma ponteira de ultrassom fragmenta o cristalino opaco dentro do olho, os fragmentos são aspirados pela mesma via, e uma lente intraocular é implantada no lugar. A incisão tem poucos milímetros e costuma dispensar pontos. Leva cerca de quinze a vinte minutos por olho, com anestesia por colírio, e o paciente vai para casa no mesmo dia.
O que a palavra facoemulsificação significa
"Faco" vem de phakós, cristalino em grego. "Emulsificação" descreve o que acontece com ele: o cristalino é transformado numa emulsão, fragmentado em partículas finas o bastante para serem aspiradas por uma cânula estreita.
Essa é a diferença em relação às técnicas antigas. Até os anos oitenta, retirar a catarata significava remover o cristalino inteiro, e a incisão precisava ter o tamanho dele: cerca de doze milímetros, fechada com vários pontos, com recuperação de semanas e astigmatismo induzido. Fragmentando primeiro, a incisão cai para dois ou três milímetros, e quase tudo o que mudou na recuperação da cirurgia de catarata vem daí.
O passo a passo
| Etapa | O que acontece |
|---|---|
| Preparo | Colírios dilatam a pupila e anestesiam a superfície do olho, ao longo de cerca de uma hora. |
| Incisão | Uma abertura de dois a três milímetros na periferia da córnea, construída para se fechar sozinha. |
| Capsulorrexe | Abertura circular na cápsula anterior do cristalino, a "embalagem" que o envolve. É o passo que define onde a lente vai se apoiar. |
| Facoemulsificação | A ponteira de ultrassom fragmenta o núcleo do cristalino e aspira os pedaços. |
| Limpeza | Aspiração do córtex remanescente, deixando o saco capsular limpo e íntegro. |
| Implante | A lente intraocular entra dobrada pela mesma incisão, se abre dentro do olho e se acomoda no saco capsular. |
| Fechamento | Hidratação da incisão, que sela pela própria pressão interna do olho. Sem pontos, na maioria dos casos. |
O saco capsular é mantido de propósito: é ele que sustenta a lente nova na mesma posição em que o cristalino estava, o que preserva a anatomia do olho.
Como é para quem está na mesa
A anestesia é por colírio, e em muitos casos soma-se uma sedação leve pela veia para conforto. Não há agulha no olho na rotina, nem anestesia geral.
Você fica acordado. Enxerga luz e movimento, sem nitidez e sem ver instrumentos: a visão fica difusa pela própria dilatação e pela luz do microscópio. Não é preciso esforço para manter o olho parado, porque um afastador delicado segura a pálpebra e o cirurgião trabalha com o olho estabilizado.
A sensação mais relatada é de pressão discreta e de uma luz forte acima. Dor não faz parte do esperado; se aparecer, avise durante o procedimento, porque é simples complementar a anestesia.
E a cirurgia a laser?
Existe o laser de femtossegundo, que executa alguns dos primeiros passos antes da facoemulsificação: a incisão, a capsulorrexe e uma fragmentação inicial do núcleo. Depois disso, o ultrassom entra do mesmo jeito para terminar de emulsificar e aspirar.
Ou seja, não é uma cirurgia sem ultrassom, e não substitui a facoemulsificação. Os estudos que compararam as duas abordagens em casos de rotina não encontraram diferença consistente no resultado visual final. O laser tem seu espaço em situações específicas, avaliadas caso a caso.
Os riscos, ditos com honestidade
A cirurgia de catarata é o procedimento cirúrgico mais realizado no mundo e tem margem de segurança alta. Isso não é o mesmo que risco zero, e uma página de clínica que omitisse essa parte não estaria sendo útil.
- Inflamação persistente, controlada com colírios e prolongamento do esquema.
- Aumento da pressão ocular nos primeiros dias, geralmente transitório.
- Edema de mácula, que embaça a visão central semanas depois e responde a tratamento.
- Ruptura da cápsula posterior durante o procedimento, que muda a estratégia de implante.
- Infecção intraocular, a complicação mais temida e também a mais rara, e o motivo de toda a assepsia e dos colírios do pós-operatório.
A maioria é tratável quando identificada cedo. É para isso que servem os retornos, e é por isso que dor forte, queda súbita da visão ou vermelhidão crescente pedem avaliação no mesmo dia, e não na data já marcada.
Antes e depois
Antes da cirurgia vêm os exames que planejam o procedimento: a biometria, que calcula o grau da lente; a topografia de córnea, que mede o astigmatismo; e o mapeamento de retina, que verifica se a mácula tem condições de entregar o resultado esperado. É desse conjunto que sai também a escolha entre as tecnologias de lente intraocular.
Depois, o que vale é o repouso relativo da primeira semana e os colírios nos horários prescritos. O que pode e o que não pode, por atividade e por prazo, está em pós-operatório da catarata.
Os valores estão em quanto custa a cirurgia de catarata, e o caminho pelo plano em cirurgia de catarata pelo convênio.
A avaliação define se há indicação cirúrgica e qual o plano para o seu olho. Leve exames e relatórios anteriores, se tiver, e informe seu convênio no contato inicial.
Agendamento OnlinePerguntas frequentes
O que é facoemulsificação?
É a técnica padrão da cirurgia de catarata. Uma ponteira de ultrassom fragmenta o cristalino opaco dentro do próprio olho, e os fragmentos são aspirados pela mesma via. Como o cristalino sai em pedaços, a incisão precisa ter apenas poucos milímetros, e não o tamanho do cristalino inteiro, como nas técnicas antigas.
Quanto tempo dura a cirurgia de catarata?
O procedimento em si leva cerca de quinze a vinte minutos por olho. Somando preparo, dilatação da pupila e observação depois, a permanência no hospital costuma ficar entre duas e três horas. O paciente vai para casa no mesmo dia.
A cirurgia de catarata dói?
Não. A anestesia é local, em geral por colírio anestésico, às vezes com uma sedação leve para conforto. O paciente fica acordado e não sente dor. A sensação mais relatada é de pressão e de uma luz forte acima do olho.
Fico acordado durante a cirurgia?
Sim, na maioria dos casos. Você enxerga luz e movimento, sem nitidez e sem ver instrumentos. Não é preciso segurar o olho parado com esforço: um afastador delicado mantém a pálpebra aberta e o cirurgião trabalha com o olho estabilizado.
Existe cirurgia de catarata a laser? É melhor?
Existe o laser de femtossegundo, que executa alguns passos iniciais, como a incisão e a abertura da cápsula, antes da facoemulsificação. Ele não substitui o ultrassom: o cristalino segue sendo fragmentado e aspirado. Os estudos comparativos não mostram diferença consistente no resultado visual final em casos de rotina.
Quais são os riscos reais da cirurgia?
É um procedimento com margem de segurança alta, mas nenhuma cirurgia tem risco zero. As complicações possíveis incluem inflamação persistente, aumento da pressão ocular, edema de mácula, ruptura da cápsula posterior e, raramente, infecção intraocular. A maioria é tratável quando identificada cedo, e é por isso que os retornos existem.
Os dois olhos podem ser operados no mesmo dia?
A prática habitual é operar em datas separadas, com um intervalo de dias a semanas. Isso permite conferir o resultado do primeiro olho e ajustar o planejamento do segundo, e evita que uma complicação, por mais rara que seja, atinja os dois olhos ao mesmo tempo.
Preciso de ponto?
Na maioria dos casos, não. A incisão de poucos milímetros é construída de forma a se fechar sozinha pela própria pressão interna do olho. Pontos ficam reservados a situações específicas.
Que exames preciso fazer antes?
A biometria, que calcula o grau da lente a ser implantada; a topografia de córnea, que mede astigmatismo e a regularidade da superfície; e o mapeamento de retina, que verifica se há algo na mácula que limite o resultado. Outros exames entram conforme o caso.
Quando enxergo bem depois da cirurgia?
A melhora costuma ser perceptível nos primeiros dias. A visão continua se ajustando por algumas semanas, e só depois dessa estabilização faz sentido medir grau e prescrever óculos, quando houver indicação.
Preciso de acompanhante?
Sim. O olho fica com a pupila dilatada e a visão embaçada logo depois do procedimento, e você não pode dirigir na saída.
Quanto custa a cirurgia?
No Instituto Drudi e Almeida, de R$ 2.800 a R$ 9.200 por olho, conforme a lente intraocular, em valor fechado que inclui exames, centro cirúrgico, anestesista, honorários e pós-operatório. Pelo convênio, a cirurgia integra o Rol da ANS quando há indicação médica.
Revisão médica: Dr. Fernando Macei Drudi, CRM-SP 139.300, RQE 50.645 e Dra. Priscilla Rodrigues de Almeida, CRM-SP 148.173, RQE 59.216. Atualizado em 20 de setembro de 2026. Este conteúdo é informativo e não substitui consulta, exame ocular ou as orientações recebidas da sua equipe cirúrgica.
Revisão médica: Dr. Fernando Macei Drudi (CRM-SP 139.300, RQE 50.645) e Dra. Priscilla Rodrigues de Almeida (CRM-SP 148.173, RQE 59.216), em 20 de setembro de 2026. Como revisamos o conteúdo.
Aviso importante: Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico oftalmologista. Em caso de sintomas ou dúvidas sobre sua saúde ocular, procure atendimento médico especializado.