Seg–Sex: 8h–18h  |  Sáb: 8h–13h

Albinismo ocular: o que é, tipos, como afeta a visão e como cuidar

Publicado em 09 de outubro de 2026 · Atualizado em 09 de outubro de 2026 · 16 min de leitura

Revisão médica: Dra. Priscilla Rodrigues de Almeida, médica oftalmologista, CRM-SP 148.173, RQE 59.216 (Oftalmologia), em 09 de outubro de 2026. Como revisamos

Ilustração 3D de uma médica de jaleco branco examinando com um oftalmoscópio os olhos de um menino de cabelo muito claro; ao lado, o desenho de um olho em corte.
Dra. Priscilla Rodrigues de Almeida

Autora

Dra. Priscilla Rodrigues de Almeida

CRM-SP 148.173 | RQE 59.216

Em resumo

O albinismo é uma condição genética em que o corpo produz pouca ou nenhuma melanina. Ele afeta os olhos em todas as suas formas: em quase todas as pessoas com albinismo, a fóvea, centro da retina, não termina de se formar, e por isso a visão fica reduzida, os olhos podem tremer (nistagmo), a luz incomoda e o grau costuma ser alto. A maioria das pessoas com albinismo tem baixa visão, e não cegueira, e a visão costuma melhorar na infância. Não há cura. Ajudam os óculos desde cedo, os recursos para baixa visão, as adaptações na escola e a proteção dos olhos e da pele contra o sol, com acompanhamento do oftalmologista e do dermatologista.

CID-10: E70.3 — Albinismo Ver todos os artigos de Saúde Ocular
Neste artigo
Saúde ocular · Albinismo Dra. Priscilla Rodrigues de Almeida · médica oftalmologista · CRM-SP 148.173 · RQE 59.216

Albinismo ocular é o conjunto de alterações que o albinismo causa nos olhos. O albinismo é uma condição genética em que o corpo produz pouca ou nenhuma melanina, o pigmento da pele, do cabelo e dos olhos. Na forma oculocutânea, a falta de pigmento atinge olhos, pele e cabelo; na forma ocular, chamada de OA1, fica nos olhos.[1] Em quase todas as pessoas com albinismo, a fóvea, o ponto central da retina que enxerga os detalhes, não termina de se desenvolver. Por isso são comuns a visão reduzida, o nistagmo (olhos que tremem), o incômodo com a luz, o grau alto e o estrabismo.[2][3] A maioria das pessoas com albinismo tem baixa visão, e não cegueira, e a visão costuma melhorar ao longo da infância.[4][5] Nenhum tratamento completa o desenvolvimento da fóvea. No dia a dia, ajudam os óculos desde cedo, os recursos para baixa visão, as adaptações na escola e a proteção contra o sol.[2][6][7]

Pontos-chave

  • "Albinismo ocular" tem dois usos: as alterações dos olhos de qualquer pessoa com albinismo e, na classificação médica, a forma OA1, ligada ao cromossomo X, em que pele e cabelo têm cor normal.[1][8]
  • É uma condição rara. A estimativa mundial é de 1 pessoa com albinismo para cada 17 mil, e cerca de 1 pessoa em cada 70 carrega um gene do albinismo oculocutâneo sem ter a condição.[3] No Brasil, não há levantamento da frequência.[9]
  • Em 133 pessoas com os três tipos mais comuns de albinismo, a visão mediana ficou perto de 20/63, e metade delas ficou entre 20/40 e 20/100.[4]
  • Os dois remédios já testados para melhorar a visão, a levodopa e a nitisinona, não mostraram benefício que justifique o uso.[10][11]
  • O sol forte do Brasil é um risco para a pele: num ambulatório de São Paulo, 26% das pessoas com albinismo com essa informação no prontuário já tinham tido câncer de pele.[9]

O que é albinismo e o que é albinismo ocular

A melanina dá cor à pele, ao cabelo e aos olhos. No albinismo, uma alteração genética reduz ou impede a produção desse pigmento.[3] Os genes do albinismo também participam do desenvolvimento da retina e das vias que levam a imagem até o cérebro, e por isso o albinismo afeta a visão, além da cor dos olhos.[2][8]

A frequência varia entre países, e a estimativa mundial é de cerca de 1 caso para cada 17 mil pessoas.[3] Na Holanda, um estudo com 522 pacientes calculou pelo menos 1 caso para cada 12 mil.[12] No Brasil, não há dados sobre quantas pessoas têm albinismo.[9]

Os dois sentidos de "albinismo ocular"

No uso comum, "albinismo ocular" quer dizer as alterações dos olhos em qualquer pessoa com albinismo, e é nesse sentido que o termo aparece no título deste texto. Na classificação médica, o nome fica para uma forma específica, o albinismo ocular tipo 1 (OA1), em que a falta de pigmento afeta os olhos e a pele e o cabelo têm cor normal.[1] Ele é causado por alterações no gene GPR143, que fica no cromossomo X.[8]

Tipos de albinismo

Os tipos são definidos pelo gene alterado e se agrupam em três famílias.[1][8]

TipoO que é afetadoHerança
Oculocutâneo tipo 1 (OCA1)Olhos, pele e cabelo. No subtipo 1A, não há melanina em nenhuma fase da vida; no 1B, um pouco de pigmento aparece com o tempo.[3]Autossômica recessiva[3]
Oculocutâneo tipos 2, 3 e 4Olhos, pele e cabelo, com pigmentação variável; algum pigmento costuma se acumular com a idade.[3]Autossômica recessiva[3]
Ocular tipo 1 (OA1)Os olhos. Pele e cabelo têm cor normal.[1]Ligada ao cromossomo X, gene GPR143[8]
Formas sindrômicas (síndromes de Hermansky-Pudlak e de Chédiak-Higashi)Olhos, pele e cabelo, além de alterações em outros órgãos[1]Autossômica recessiva nas duas síndromes

Outros tipos oculocutâneos, numerados de 5 a 8, foram descritos nos últimos anos.[1][8] A visão costuma ser diferente entre os tipos. Num estudo israelense com 132 pacientes, a visão média foi mais baixa no OCA1A e melhor no OCA2.[13] Num estudo com 907 pacientes de vários países, quem tinha a forma ocular ou a síndrome de Hermansky-Pudlak tinha a fóvea menos desenvolvida e a visão mais baixa do que quem tinha a forma oculocutânea.[14] As formas sindrômicas trazem problemas em outros órgãos, como sangramentos e hematomas fáceis na síndrome de Hermansky-Pudlak, e pedem acompanhamento clínico além do oftalmológico.[1]

Como o albinismo passa de pais para filhos

As formas oculocutâneas têm herança autossômica recessiva: a criança só tem albinismo quando recebe uma cópia alterada do gene do pai e outra da mãe.[3] Os pais costumam ser portadores sem nenhum sinal. Quando os dois são portadores, a chance de cada gestação ter um filho com albinismo é de 1 em 4.

Na forma ocular OA1, o gene fica no cromossomo X.[8] Por isso ela aparece quase sempre em meninos, e a mãe costuma ser portadora.

Quando a alteração genética da família é conhecida, é possível identificar portadores e fazer o diagnóstico ainda na gestação.[3] Para quem planeja ter filhos, a conversa com um médico geneticista ajuda a entender o risco de cada caso.

O que o albinismo muda nos olhos

Uma revisão de 2009 lista o que costuma aparecer: fóvea pouco desenvolvida, visão reduzida, nistagmo, estrabismo, íris translúcida e retina com pouco pigmento.[2] Nenhum desses sinais está presente em todas as pessoas. No estudo holandês com 522 pacientes, 7,7% não tinham nistagmo e em 8,9% não se via a íris translúcida.[12]

A fóvea não termina de se formar

A fóvea é uma pequena depressão no centro da retina, onde se concentram as células que enxergam os detalhes. No albinismo ela não termina de se desenvolver, o que os médicos chamam de hipoplasia foveal.[2] Só 0,7% dos pacientes do estudo holandês tinham a fóvea normal.[12]

A tomografia de coerência óptica (OCT), exame que mostra as camadas da retina em corte, permite classificar a hipoplasia em quatro graus. No estudo que criou essa classificação, com 69 pacientes, 34 deles com albinismo, a visão mediana piorou a cada grau: perto de 20/32 no grau 1, 20/55 no grau 2, 20/80 no grau 3 e 20/120 no grau 4.[15] Entre as características do albinismo, o grau da fóvea foi a que mais se relacionou com a visão.[12]

Nistagmo: os olhos que tremem

O nistagmo é um movimento involuntário e repetitivo dos olhos. No estudo holandês, ele estava presente em mais de 90% dos pacientes.[12] Muitas pessoas descobrem uma posição da cabeça em que o tremor diminui e a visão melhora, e por isso viram o rosto para ler ou ver televisão. O assunto está em nistagmo: tipos, causas e quando investigar.

Íris translúcida, cor dos olhos e o "olho vermelho"

Com pouco pigmento, a íris deixa passar a luz.[3] No exame com a lâmpada de fenda, o microscópio do consultório, o médico vê a luz atravessando a íris, sinal chamado de transiluminação.[2] A cor dos olhos varia com o tipo: no OCA1A, sem melanina, a íris costuma ser azul-clara, e nas formas em que algum pigmento se acumula ela pode escurecer com os anos.[3]

A fama de "olho vermelho" vem dessa transparência. Sob certas luzes, como o flash de uma foto, a luz atravessa a íris, reflete no fundo do olho, que é cheio de vasos, e volta avermelhada. Na maior parte do tempo, os olhos de quem tem albinismo parecem azuis, cinzentos ou castanho-claros.

O caminho da imagem até o cérebro

Normalmente, cerca de metade das fibras de cada nervo óptico cruza para o outro lado do cérebro, num ponto chamado quiasma. No albinismo, uma parte maior das fibras cruza.[2] Esse desvio de rota dificulta o trabalho conjunto dos dois olhos e leva ao estrabismo e à visão de profundidade reduzida.[3] O cruzamento a mais pode ser medido no potencial evocado visual (PEV), exame que registra a resposta do cérebro às imagens.[16]

Grau alto e astigmatismo

Num estudo com 132 pacientes de 6 meses a 35 anos, o astigmatismo apareceu em 53%, com média de 2,1 graus, em todos os tipos de albinismo, e no OCA1A 43,4% tinham hipermetropia de 5 graus ou mais.[13] Os óculos costumam ser necessários para melhorar a visão e o alinhamento dos olhos.[2]

Incômodo com a luz

A íris translúcida e a retina com pouco pigmento filtram menos a luz, e a claridade incomoda, quadro chamado de fotofobia.[3] Óculos escuros ou lentes que escurecem no sol ajudam.[3] Outras causas de sensibilidade à luz estão em fotofobia: por que os olhos ficam sensíveis à luz.

Quanto enxerga uma pessoa com albinismo

A visão varia muito de uma pessoa para outra. Na tabela de letras, 20/20 é a visão considerada normal; quanto maior o segundo número, maior a letra de que a pessoa precisa. Uma revisão descreve a visão no albinismo oculocutâneo, em geral, entre 20/60 e 20/400.[3] No estudo holandês com 522 pacientes, houve quem enxergasse 20/16, melhor que o normal, e quem enxergasse 20/400.[12] Em 133 pessoas com os três tipos mais comuns na Holanda, a mediana foi de cerca de 20/63, e metade delas ficou entre 20/40 e 20/100.[4]

Quem tem albinismo é cego?

Em geral, não. A pessoa com albinismo costuma ter baixa visão: enxerga, mas menos do que o normal, mesmo de óculos.[4] Parte delas tem visão de 20/200 ou pior, faixa que o estudo americano sobre leitura chama de cegueira legal, e mesmo nesse grupo muitas crianças tinham habilidade de leitura acima da média.[17] No dia a dia, ajudam letras maiores, mais tempo para ler e recursos de ampliação.[6][17] O tema está em visão subnormal e reabilitação visual.

A visão costuma melhorar na infância

A visão se desenvolve mais devagar no albinismo,[2] e o bebê pode demorar mais para fixar o olhar e acompanhar objetos. Depois, ela tende a melhorar. Num estudo americano, a média passou de 20/84, entre os 5 anos e meio e os 9 anos, para 20/61, entre os 9 anos e meio e os 14, e 80% das crianças melhoraram.[5] Em outro estudo, 98% dos jovens melhoraram ou ficaram estáveis entre os 10 e os 20 anos.[18]

Como é feito o diagnóstico

Na forma ocular, pele e cabelo têm cor normal,[1] e o diagnóstico depende dos olhos. Ele junta o exame com outros testes:

  • Exame com lâmpada de fenda, para ver a transiluminação da íris, e exame do fundo do olho, que mostra a retina com pouco pigmento e a fóvea pouco formada.[2]
  • Medida do grau com colírio que relaxa o foco (refração sob cicloplegia), feita assim porque o grau alto é comum.[13]
  • OCT da mácula, que mostra e classifica a hipoplasia da fóvea.[15] Em bebês e em quem tem nistagmo forte, nem sempre é possível fazer o exame com boa qualidade.
  • Potencial evocado visual, que mostra o cruzamento a mais das fibras. Num estudo, o padrão alterado apareceu em todas as crianças com albinismo examinadas. Os autores recomendam, sempre que possível, o estímulo com padrão quadriculado, porque o estímulo com flash deu resultado alterado em até 25% das pessoas sem albinismo.[16]
  • Teste genético, que identifica o tipo e ajuda a orientar a família. Num hospital de Londres, o teste encontrou a causa em 42,5% das famílias investigadas,[19] e um resultado negativo não afasta o albinismo.

Como nenhum sinal aparece em todos os casos, pesquisadores holandeses propuseram critérios. O diagnóstico pede três achados principais (fóvea pouco desenvolvida, cruzamento a mais das fibras e pouco pigmento no olho) ou dois principais e dois secundários, como nistagmo e pele e cabelo claros.[12] Algumas condições raras imitam o albinismo nos olhos, com nistagmo, fóvea pouco formada e o mesmo cruzamento das fibras, sem falta de pigmento.[4]

O teste do olhinho, feito na maternidade, é uma triagem. Quando o bebê tem os olhos tremendo, incômodo com a luz ou pele e cabelo muito claros, o passo seguinte é a consulta com o oftalmologista. Veja quando levar a criança ao oftalmologista e o que o teste do olhinho avalia.

Como cuidar da visão

Nenhum tratamento completa o desenvolvimento da fóvea. O cuidado procura aproveitar a visão que a pessoa tem e proteger os olhos e a pele.[2][3]

MedidaO que a pesquisa mostraNa prática
ÓculosGrau alto e astigmatismo são comuns,[13] e os óculos costumam ser necessários para melhorar a visão e o alinhamento dos olhos.[2] No OCA1A, todas as crianças que começaram a usar óculos até 1 ano de idade melhoraram a visão depois dos 10 a 12 anos; entre as que começaram mais tarde, só metade. O estudo é pequeno, e os autores pedem confirmação.[20]Consulte o oftalmologista logo depois do diagnóstico e mantenha as revisões do grau.
EstrabismoO desvio dos olhos acompanha o cruzamento a mais das fibras.[3] Num estudo, a cirurgia dos músculos dos olhos não mudou a acuidade visual.[18]O tratamento visa ao alinhamento dos olhos e é decidido caso a caso. Mais em estrabismo em crianças.
LeituraA letra que permitia ler sem esforço foi, em média, cerca do dobro da menor letra que a pessoa conseguia ler.[6]Lupa, ampliação no tablet ou no computador e bom contraste.
EscolaCrianças com albinismo aprendem a ler normalmente; a leitura fica um pouco mais lenta quando a visão é mais baixa.[17]Tempo extra para as tarefas de leitura.[17] Veja na escola.
Luz forteA fotofobia é comum.[3]Óculos escuros ou lentes que escurecem no sol,[3] e boné ou chapéu de aba.
PeleNo Brasil, o dano do sol e o câncer de pele aparecem cedo nas pessoas com albinismo.[7]Protetor solar e consultas regulares com o dermatologista.[3]

Na escola

Em testes padronizados aplicados a 41 crianças e 18 adultos com albinismo, os resultados de leitura se distribuíram como na população geral, e muitas crianças com visão de 20/200 ou pior liam acima da média. A fluência caiu um pouco quando a visão era mais baixa, e os autores recomendam mais tempo para as tarefas de leitura na escola e no trabalho.[17] Em outro teste, com 63 pessoas com albinismo, a letra que permitia ler na velocidade máxima era, em média, cerca de duas vezes maior do que a menor letra que elas conseguiam ler. Os autores sugerem usar essa medida para decidir quanto ampliar o material.[6]

Converse com a escola sobre o lugar na sala, perto do quadro e longe da claridade da janela, sobre material com letra ampliada e sobre tempo extra nas provas. O relatório do oftalmologista documenta a visão medida e a baixa visão, e serve de base para pedir essas adaptações.

Sol: proteção para os olhos e para a pele

O Brasil recebe muita radiação solar o ano inteiro, e nas pessoas com albinismo o dano do sol e o câncer de pele aparecem cedo.[7] No Programa Pró-Albino da Santa Casa de São Paulo, 72% das 191 pessoas atendidas entre 2010 e 2017 contaram já ter tido queimadura de sol, e 26% das que tinham essa informação no prontuário já tinham tido câncer de pele. A pessoa mais jovem com tumor de pele tinha 23 anos.[9] Para os olhos, valem os óculos escuros ou as lentes que escurecem no sol; para a pele, protetor solar e consultas periódicas com o dermatologista.[3]

Albinismo tem cura? O que a pesquisa já testou

Não há cura nem remédio que melhore a visão no albinismo.[11] Dois tratamentos foram testados em pessoas:

  • Levodopa: num ensaio clínico randomizado com 45 pessoas com albinismo, duas doses diferentes, tomadas por 20 semanas, não melhoraram a visão em comparação com placebo.[10]
  • Nitisinona: num estudo piloto aberto, sem grupo de comparação, 5 adultos com OCA1B tomaram o remédio por 12 meses. O pigmento da íris não aumentou. A pele e o cabelo ganharam um pouco de pigmento, e a leitura da tabela melhorou cerca de 4 a 5 letras, resultado que precisa de estudos maiores.[11]

Esses remédios não devem ser usados fora de pesquisa. Nas formas oculocutâneas, o desenvolvimento, a inteligência e a fertilidade são normais.[3]

Quando procurar o oftalmologista

Marque uma consulta se

  • o bebê tem os olhos tremendo, parece incomodado com a luz ou demora a fixar o olhar e acompanhar objetos;
  • a criança tem pele e cabelo muito claros e ainda não fez um exame oftalmológico completo;
  • há albinismo na família e você quer entender o risco antes de uma gravidez (nesse caso, a conversa inclui o médico geneticista);
  • você tem albinismo e está sem acompanhamento, ou sente que a visão mudou;
  • a criança tem dificuldade na escola, vira o rosto para enxergar ou aproxima muito o material de leitura;
  • apareceu um desvio dos olhos.

Manchas ou feridas na pele que mudam de aspecto ou não cicatrizam pedem avaliação com o dermatologista.

Como é a avaliação na consulta

A consulta mede a visão de longe e de perto, o grau com colírio, o alinhamento dos olhos e o nistagmo, e examina a íris, a retina e a fóvea. Conforme a idade e o caso, o médico pede OCT, potencial evocado visual ou teste genético.[2][12] Leve os óculos atuais, exames anteriores e, se houver, o resultado do teste genético. O que o exame avalia está em exame de vista completo, e a marcação pode ser feita em agendar consulta.

Perguntas frequentes

O que é albinismo ocular?

São as alterações que o albinismo causa nos olhos, como a fóvea pouco desenvolvida, o nistagmo e a íris translúcida. Na classificação médica, o termo também designa o albinismo ocular tipo 1, ligado ao cromossomo X, em que pele e cabelo têm cor normal.[1][8]

O que causa o albinismo? É hereditário?

É uma alteração genética que reduz ou impede a produção de melanina, e já se conhecem 22 genes ligados a ela.[8] As formas oculocutâneas são herdadas de forma recessiva: a criança recebe uma cópia alterada do gene do pai e outra da mãe, que costumam ser portadores sem sinais.[3]

Quais são os tipos de albinismo?

O oculocutâneo, com pelo menos oito tipos, afeta olhos, pele e cabelo; o ocular afeta os olhos; e as formas sindrômicas, como a síndrome de Hermansky-Pudlak, afetam também outros órgãos.[1][8]

Por que se diz que a pessoa com albinismo tem olho vermelho?

Porque a íris com pouco pigmento deixa passar a luz.[3] Sob algumas luzes, como o flash de uma foto, a luz reflete no fundo do olho e volta avermelhada. Na maior parte do tempo, os olhos parecem azuis, cinzentos ou castanho-claros.

Quem tem albinismo é cego?

Em geral, não. A maioria tem baixa visão: num grupo de 133 pessoas, a mediana foi de cerca de 20/63, e metade ficou entre 20/40 e 20/100.[4]

Albinismo ocular tem cura?

Não. A levodopa não melhorou a visão num ensaio clínico,[10] e nenhum tratamento completa o desenvolvimento da fóvea. Óculos e recursos para baixa visão ajudam a pessoa a usar melhor a visão que tem.[2][6]

Por que a pessoa com albinismo tem nistagmo?

O nistagmo aparece junto com a fóvea pouco formada e com o cruzamento a mais das fibras do nervo óptico,[4] e está presente em mais de 90% das pessoas com albinismo.[12]

A visão de quem tem albinismo piora com o tempo?

Na infância e na adolescência, a tendência é melhorar ou ficar estável: 80% das crianças melhoraram entre o início e o meio da idade escolar,[5] e 98% dos jovens melhoraram ou ficaram estáveis entre os 10 e os 20 anos.[18] Uma mudança de visão na vida adulta pede consulta, porque pode ter outra causa.

Referências

  1. Montoliu L, Grønskov K, Wei AH, et al. Increasing the complexity: new genes and new types of albinism. Pigment Cell Melanoma Res. 2014;27(1):11-18. DOI: 10.1111/pcmr.12167. PMID: 24066960.
  2. Summers CG. Albinism: classification, clinical characteristics, and recent findings. Optom Vis Sci. 2009;86(6):659-662. DOI: 10.1097/OPX.0b013e3181a5254c. PMID: 19390472.
  3. Grønskov K, Ek J, Brondum-Nielsen K. Oculocutaneous albinism. Orphanet J Rare Dis. 2007;2:43. DOI: 10.1186/1750-1172-2-43. PMID: 17980020.
  4. Kruijt CC, Gradstein L, Bergen AA, et al. The Phenotypic and Mutational Spectrum of the FHONDA Syndrome and Oculocutaneous Albinism: Similarities and Differences. Invest Ophthalmol Vis Sci. 2022;63(1):19. DOI: 10.1167/iovs.63.1.19. PMID: 35029636.
  5. Dijkstal JM, Cooley SS, Holleschau AM, King RA, Summers CG. Change in visual acuity in albinism in the early school years. J Pediatr Ophthalmol Strabismus. 2012;49(2):81-86. DOI: 10.3928/01913913-20110628-02. PMID: 21732575.
  6. Merrill K, Hogue K, Downes S, et al. Reading acuity in albinism: evaluation with MNREAD charts. J AAPOS. 2011;15(1):29-32. DOI: 10.1016/j.jaapos.2010.12.005. PMID: 21397802.
  7. Marçon CR, Maia M. Albinism: epidemiology, genetics, cutaneous characterization, psychosocial factors. An Bras Dermatol. 2019;94(5):503-520. DOI: 10.1016/j.abd.2019.09.023. PMID: 31777350.
  8. Bakker R, Wagstaff EL, Kruijt CC, et al. The retinal pigmentation pathway in human albinism: Not so black and white. Prog Retin Eye Res. 2022;91:101091. DOI: 10.1016/j.preteyeres.2022.101091. PMID: 35729001.
  9. Marçon CR, Moraes JC, de Olivas Ferreira MAM, Oliari CB. Dermatological and Epidemiological Profiles of Patients with Albinism in São Paulo, Brazil, between 2010 and 2017: A Cross-Sectional Study. Dermatology. 2020;236(3):219-227. DOI: 10.1159/000502034. PMID: 31461704.
  10. Summers CG, Connett JE, Holleschau AM, et al. Does levodopa improve vision in albinism? Results of a randomized, controlled clinical trial. Clin Exp Ophthalmol. 2014;42(8):713-721. DOI: 10.1111/ceo.12325. PMID: 24641678.
  11. Adams DR, Menezes S, Jauregui R, et al. One-year pilot study on the effects of nitisinone on melanin in patients with OCA-1B. JCI Insight. 2019;4(2):e124387. DOI: 10.1172/jci.insight.124387. PMID: 30674731.
  12. Kruijt CC, de Wit GC, Bergen AA, et al. The Phenotypic Spectrum of Albinism. Ophthalmology. 2018;125(12):1953-1960. DOI: 10.1016/j.ophtha.2018.08.003. PMID: 30098354.
  13. Yahalom C, Tzur V, Blumenfeld A, et al. Refractive profile in oculocutaneous albinism and its correlation with final visual outcome. Br J Ophthalmol. 2012;96(4):537-539. DOI: 10.1136/bjophthalmol-2011-300072. PMID: 22133989.
  14. Kuht HJ, Maconachie GDE, Han J, et al. Genotypic and Phenotypic Spectrum of Foveal Hypoplasia: A Multicenter Study. Ophthalmology. 2022;129(6):708-718. DOI: 10.1016/j.ophtha.2022.02.010. PMID: 35157951.
  15. Thomas MG, Kumar A, Mohammad S, et al. Structural grading of foveal hypoplasia using spectral-domain optical coherence tomography a predictor of visual acuity? Ophthalmology. 2011;118(8):1653-1660. DOI: 10.1016/j.ophtha.2011.01.028. PMID: 21529956.
  16. Pott JWR, Jansonius NM, Kooijman AC. Chiasmal coefficient of flash and pattern visual evoked potentials for detection of chiasmal misrouting in albinism. Doc Ophthalmol. 2003;106(2):137-143. DOI: 10.1023/a:1022526409674. PMID: 12678278.
  17. MacDonald JT, Kutzbach BR, Holleschau AM, Wyckoff S, Summers CG. Reading skills in children and adults with albinism: the role of visual impairment. J Pediatr Ophthalmol Strabismus. 2012;49(3):184-188. DOI: 10.3928/01913913-20111101-03. PMID: 22074358.
  18. McCafferty BK, Holleschau AM, Connett JE, Summers CG. Visual Development During the Second Decade of Life in Albinism. J Pediatr Ophthalmol Strabismus. 2018;55(4):254-259. DOI: 10.3928/01913913-20180327-02. PMID: 29809263.
  19. Chan HW, Schiff ER, Tailor VK, et al. Prospective Study of the Phenotypic and Mutational Spectrum of Ocular Albinism and Oculocutaneous Albinism. Genes (Basel). 2021;12(4):508. DOI: 10.3390/genes12040508. PMID: 33808351.
  20. May L, Merrill K, Connett JE, Summers CG. Does Early Glasses Wear Improve Visual Outcome in OCA1A? J Binocul Vis Ocul Motil. 2021;71(1):1-6. DOI: 10.1080/2576117X.2020.1856609. PMID: 33470906.

Revisão médica: Dra. Priscilla Rodrigues de Almeida, médica oftalmologista, CRM-SP 148.173, RQE 59.216 (Oftalmologia). Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta, o exame e a orientação médica individual.

Revisão médica: Dra. Priscilla Rodrigues de Almeida (CRM-SP 148.173, RQE 59.216), em 09 de outubro de 2026. Como revisamos o conteúdo.

Aviso importante: Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico oftalmologista. Em caso de sintomas ou dúvidas sobre sua saúde ocular, procure atendimento médico especializado.

Ficou com dúvidas ou quer agendar uma consulta?

Fale com a nossa equipe

Agendar pelo WhatsApp