Em resumo
O albinismo é uma condição genética em que o corpo produz pouca ou nenhuma melanina. Ele afeta os olhos em todas as suas formas: em quase todas as pessoas com albinismo, a fóvea, centro da retina, não termina de se formar, e por isso a visão fica reduzida, os olhos podem tremer (nistagmo), a luz incomoda e o grau costuma ser alto. A maioria das pessoas com albinismo tem baixa visão, e não cegueira, e a visão costuma melhorar na infância. Não há cura. Ajudam os óculos desde cedo, os recursos para baixa visão, as adaptações na escola e a proteção dos olhos e da pele contra o sol, com acompanhamento do oftalmologista e do dermatologista.
Neste artigo
Albinismo ocular é o conjunto de alterações que o albinismo causa nos olhos. O albinismo é uma condição genética em que o corpo produz pouca ou nenhuma melanina, o pigmento da pele, do cabelo e dos olhos. Na forma oculocutânea, a falta de pigmento atinge olhos, pele e cabelo; na forma ocular, chamada de OA1, fica nos olhos.[1] Em quase todas as pessoas com albinismo, a fóvea, o ponto central da retina que enxerga os detalhes, não termina de se desenvolver. Por isso são comuns a visão reduzida, o nistagmo (olhos que tremem), o incômodo com a luz, o grau alto e o estrabismo.[2][3] A maioria das pessoas com albinismo tem baixa visão, e não cegueira, e a visão costuma melhorar ao longo da infância.[4][5] Nenhum tratamento completa o desenvolvimento da fóvea. No dia a dia, ajudam os óculos desde cedo, os recursos para baixa visão, as adaptações na escola e a proteção contra o sol.[2][6][7]
Pontos-chave
- "Albinismo ocular" tem dois usos: as alterações dos olhos de qualquer pessoa com albinismo e, na classificação médica, a forma OA1, ligada ao cromossomo X, em que pele e cabelo têm cor normal.[1][8]
- É uma condição rara. A estimativa mundial é de 1 pessoa com albinismo para cada 17 mil, e cerca de 1 pessoa em cada 70 carrega um gene do albinismo oculocutâneo sem ter a condição.[3] No Brasil, não há levantamento da frequência.[9]
- Em 133 pessoas com os três tipos mais comuns de albinismo, a visão mediana ficou perto de 20/63, e metade delas ficou entre 20/40 e 20/100.[4]
- Os dois remédios já testados para melhorar a visão, a levodopa e a nitisinona, não mostraram benefício que justifique o uso.[10][11]
- O sol forte do Brasil é um risco para a pele: num ambulatório de São Paulo, 26% das pessoas com albinismo com essa informação no prontuário já tinham tido câncer de pele.[9]
O que é albinismo e o que é albinismo ocular
A melanina dá cor à pele, ao cabelo e aos olhos. No albinismo, uma alteração genética reduz ou impede a produção desse pigmento.[3] Os genes do albinismo também participam do desenvolvimento da retina e das vias que levam a imagem até o cérebro, e por isso o albinismo afeta a visão, além da cor dos olhos.[2][8]
A frequência varia entre países, e a estimativa mundial é de cerca de 1 caso para cada 17 mil pessoas.[3] Na Holanda, um estudo com 522 pacientes calculou pelo menos 1 caso para cada 12 mil.[12] No Brasil, não há dados sobre quantas pessoas têm albinismo.[9]
Os dois sentidos de "albinismo ocular"
No uso comum, "albinismo ocular" quer dizer as alterações dos olhos em qualquer pessoa com albinismo, e é nesse sentido que o termo aparece no título deste texto. Na classificação médica, o nome fica para uma forma específica, o albinismo ocular tipo 1 (OA1), em que a falta de pigmento afeta os olhos e a pele e o cabelo têm cor normal.[1] Ele é causado por alterações no gene GPR143, que fica no cromossomo X.[8]
Tipos de albinismo
Os tipos são definidos pelo gene alterado e se agrupam em três famílias.[1][8]
| Tipo | O que é afetado | Herança |
|---|---|---|
| Oculocutâneo tipo 1 (OCA1) | Olhos, pele e cabelo. No subtipo 1A, não há melanina em nenhuma fase da vida; no 1B, um pouco de pigmento aparece com o tempo.[3] | Autossômica recessiva[3] |
| Oculocutâneo tipos 2, 3 e 4 | Olhos, pele e cabelo, com pigmentação variável; algum pigmento costuma se acumular com a idade.[3] | Autossômica recessiva[3] |
| Ocular tipo 1 (OA1) | Os olhos. Pele e cabelo têm cor normal.[1] | Ligada ao cromossomo X, gene GPR143[8] |
| Formas sindrômicas (síndromes de Hermansky-Pudlak e de Chédiak-Higashi) | Olhos, pele e cabelo, além de alterações em outros órgãos[1] | Autossômica recessiva nas duas síndromes |
Outros tipos oculocutâneos, numerados de 5 a 8, foram descritos nos últimos anos.[1][8] A visão costuma ser diferente entre os tipos. Num estudo israelense com 132 pacientes, a visão média foi mais baixa no OCA1A e melhor no OCA2.[13] Num estudo com 907 pacientes de vários países, quem tinha a forma ocular ou a síndrome de Hermansky-Pudlak tinha a fóvea menos desenvolvida e a visão mais baixa do que quem tinha a forma oculocutânea.[14] As formas sindrômicas trazem problemas em outros órgãos, como sangramentos e hematomas fáceis na síndrome de Hermansky-Pudlak, e pedem acompanhamento clínico além do oftalmológico.[1]
Como o albinismo passa de pais para filhos
As formas oculocutâneas têm herança autossômica recessiva: a criança só tem albinismo quando recebe uma cópia alterada do gene do pai e outra da mãe.[3] Os pais costumam ser portadores sem nenhum sinal. Quando os dois são portadores, a chance de cada gestação ter um filho com albinismo é de 1 em 4.
Na forma ocular OA1, o gene fica no cromossomo X.[8] Por isso ela aparece quase sempre em meninos, e a mãe costuma ser portadora.
Quando a alteração genética da família é conhecida, é possível identificar portadores e fazer o diagnóstico ainda na gestação.[3] Para quem planeja ter filhos, a conversa com um médico geneticista ajuda a entender o risco de cada caso.
O que o albinismo muda nos olhos
Uma revisão de 2009 lista o que costuma aparecer: fóvea pouco desenvolvida, visão reduzida, nistagmo, estrabismo, íris translúcida e retina com pouco pigmento.[2] Nenhum desses sinais está presente em todas as pessoas. No estudo holandês com 522 pacientes, 7,7% não tinham nistagmo e em 8,9% não se via a íris translúcida.[12]
A fóvea não termina de se formar
A fóvea é uma pequena depressão no centro da retina, onde se concentram as células que enxergam os detalhes. No albinismo ela não termina de se desenvolver, o que os médicos chamam de hipoplasia foveal.[2] Só 0,7% dos pacientes do estudo holandês tinham a fóvea normal.[12]
A tomografia de coerência óptica (OCT), exame que mostra as camadas da retina em corte, permite classificar a hipoplasia em quatro graus. No estudo que criou essa classificação, com 69 pacientes, 34 deles com albinismo, a visão mediana piorou a cada grau: perto de 20/32 no grau 1, 20/55 no grau 2, 20/80 no grau 3 e 20/120 no grau 4.[15] Entre as características do albinismo, o grau da fóvea foi a que mais se relacionou com a visão.[12]
Nistagmo: os olhos que tremem
O nistagmo é um movimento involuntário e repetitivo dos olhos. No estudo holandês, ele estava presente em mais de 90% dos pacientes.[12] Muitas pessoas descobrem uma posição da cabeça em que o tremor diminui e a visão melhora, e por isso viram o rosto para ler ou ver televisão. O assunto está em nistagmo: tipos, causas e quando investigar.
Íris translúcida, cor dos olhos e o "olho vermelho"
Com pouco pigmento, a íris deixa passar a luz.[3] No exame com a lâmpada de fenda, o microscópio do consultório, o médico vê a luz atravessando a íris, sinal chamado de transiluminação.[2] A cor dos olhos varia com o tipo: no OCA1A, sem melanina, a íris costuma ser azul-clara, e nas formas em que algum pigmento se acumula ela pode escurecer com os anos.[3]
A fama de "olho vermelho" vem dessa transparência. Sob certas luzes, como o flash de uma foto, a luz atravessa a íris, reflete no fundo do olho, que é cheio de vasos, e volta avermelhada. Na maior parte do tempo, os olhos de quem tem albinismo parecem azuis, cinzentos ou castanho-claros.
O caminho da imagem até o cérebro
Normalmente, cerca de metade das fibras de cada nervo óptico cruza para o outro lado do cérebro, num ponto chamado quiasma. No albinismo, uma parte maior das fibras cruza.[2] Esse desvio de rota dificulta o trabalho conjunto dos dois olhos e leva ao estrabismo e à visão de profundidade reduzida.[3] O cruzamento a mais pode ser medido no potencial evocado visual (PEV), exame que registra a resposta do cérebro às imagens.[16]
Grau alto e astigmatismo
Num estudo com 132 pacientes de 6 meses a 35 anos, o astigmatismo apareceu em 53%, com média de 2,1 graus, em todos os tipos de albinismo, e no OCA1A 43,4% tinham hipermetropia de 5 graus ou mais.[13] Os óculos costumam ser necessários para melhorar a visão e o alinhamento dos olhos.[2]
Incômodo com a luz
A íris translúcida e a retina com pouco pigmento filtram menos a luz, e a claridade incomoda, quadro chamado de fotofobia.[3] Óculos escuros ou lentes que escurecem no sol ajudam.[3] Outras causas de sensibilidade à luz estão em fotofobia: por que os olhos ficam sensíveis à luz.
Quanto enxerga uma pessoa com albinismo
A visão varia muito de uma pessoa para outra. Na tabela de letras, 20/20 é a visão considerada normal; quanto maior o segundo número, maior a letra de que a pessoa precisa. Uma revisão descreve a visão no albinismo oculocutâneo, em geral, entre 20/60 e 20/400.[3] No estudo holandês com 522 pacientes, houve quem enxergasse 20/16, melhor que o normal, e quem enxergasse 20/400.[12] Em 133 pessoas com os três tipos mais comuns na Holanda, a mediana foi de cerca de 20/63, e metade delas ficou entre 20/40 e 20/100.[4]
Quem tem albinismo é cego?
Em geral, não. A pessoa com albinismo costuma ter baixa visão: enxerga, mas menos do que o normal, mesmo de óculos.[4] Parte delas tem visão de 20/200 ou pior, faixa que o estudo americano sobre leitura chama de cegueira legal, e mesmo nesse grupo muitas crianças tinham habilidade de leitura acima da média.[17] No dia a dia, ajudam letras maiores, mais tempo para ler e recursos de ampliação.[6][17] O tema está em visão subnormal e reabilitação visual.
A visão costuma melhorar na infância
A visão se desenvolve mais devagar no albinismo,[2] e o bebê pode demorar mais para fixar o olhar e acompanhar objetos. Depois, ela tende a melhorar. Num estudo americano, a média passou de 20/84, entre os 5 anos e meio e os 9 anos, para 20/61, entre os 9 anos e meio e os 14, e 80% das crianças melhoraram.[5] Em outro estudo, 98% dos jovens melhoraram ou ficaram estáveis entre os 10 e os 20 anos.[18]
Como é feito o diagnóstico
Na forma ocular, pele e cabelo têm cor normal,[1] e o diagnóstico depende dos olhos. Ele junta o exame com outros testes:
- Exame com lâmpada de fenda, para ver a transiluminação da íris, e exame do fundo do olho, que mostra a retina com pouco pigmento e a fóvea pouco formada.[2]
- Medida do grau com colírio que relaxa o foco (refração sob cicloplegia), feita assim porque o grau alto é comum.[13]
- OCT da mácula, que mostra e classifica a hipoplasia da fóvea.[15] Em bebês e em quem tem nistagmo forte, nem sempre é possível fazer o exame com boa qualidade.
- Potencial evocado visual, que mostra o cruzamento a mais das fibras. Num estudo, o padrão alterado apareceu em todas as crianças com albinismo examinadas. Os autores recomendam, sempre que possível, o estímulo com padrão quadriculado, porque o estímulo com flash deu resultado alterado em até 25% das pessoas sem albinismo.[16]
- Teste genético, que identifica o tipo e ajuda a orientar a família. Num hospital de Londres, o teste encontrou a causa em 42,5% das famílias investigadas,[19] e um resultado negativo não afasta o albinismo.
Como nenhum sinal aparece em todos os casos, pesquisadores holandeses propuseram critérios. O diagnóstico pede três achados principais (fóvea pouco desenvolvida, cruzamento a mais das fibras e pouco pigmento no olho) ou dois principais e dois secundários, como nistagmo e pele e cabelo claros.[12] Algumas condições raras imitam o albinismo nos olhos, com nistagmo, fóvea pouco formada e o mesmo cruzamento das fibras, sem falta de pigmento.[4]
O teste do olhinho, feito na maternidade, é uma triagem. Quando o bebê tem os olhos tremendo, incômodo com a luz ou pele e cabelo muito claros, o passo seguinte é a consulta com o oftalmologista. Veja quando levar a criança ao oftalmologista e o que o teste do olhinho avalia.
Como cuidar da visão
Nenhum tratamento completa o desenvolvimento da fóvea. O cuidado procura aproveitar a visão que a pessoa tem e proteger os olhos e a pele.[2][3]
| Medida | O que a pesquisa mostra | Na prática |
|---|---|---|
| Óculos | Grau alto e astigmatismo são comuns,[13] e os óculos costumam ser necessários para melhorar a visão e o alinhamento dos olhos.[2] No OCA1A, todas as crianças que começaram a usar óculos até 1 ano de idade melhoraram a visão depois dos 10 a 12 anos; entre as que começaram mais tarde, só metade. O estudo é pequeno, e os autores pedem confirmação.[20] | Consulte o oftalmologista logo depois do diagnóstico e mantenha as revisões do grau. |
| Estrabismo | O desvio dos olhos acompanha o cruzamento a mais das fibras.[3] Num estudo, a cirurgia dos músculos dos olhos não mudou a acuidade visual.[18] | O tratamento visa ao alinhamento dos olhos e é decidido caso a caso. Mais em estrabismo em crianças. |
| Leitura | A letra que permitia ler sem esforço foi, em média, cerca do dobro da menor letra que a pessoa conseguia ler.[6] | Lupa, ampliação no tablet ou no computador e bom contraste. |
| Escola | Crianças com albinismo aprendem a ler normalmente; a leitura fica um pouco mais lenta quando a visão é mais baixa.[17] | Tempo extra para as tarefas de leitura.[17] Veja na escola. |
| Luz forte | A fotofobia é comum.[3] | Óculos escuros ou lentes que escurecem no sol,[3] e boné ou chapéu de aba. |
| Pele | No Brasil, o dano do sol e o câncer de pele aparecem cedo nas pessoas com albinismo.[7] | Protetor solar e consultas regulares com o dermatologista.[3] |
Na escola
Em testes padronizados aplicados a 41 crianças e 18 adultos com albinismo, os resultados de leitura se distribuíram como na população geral, e muitas crianças com visão de 20/200 ou pior liam acima da média. A fluência caiu um pouco quando a visão era mais baixa, e os autores recomendam mais tempo para as tarefas de leitura na escola e no trabalho.[17] Em outro teste, com 63 pessoas com albinismo, a letra que permitia ler na velocidade máxima era, em média, cerca de duas vezes maior do que a menor letra que elas conseguiam ler. Os autores sugerem usar essa medida para decidir quanto ampliar o material.[6]
Converse com a escola sobre o lugar na sala, perto do quadro e longe da claridade da janela, sobre material com letra ampliada e sobre tempo extra nas provas. O relatório do oftalmologista documenta a visão medida e a baixa visão, e serve de base para pedir essas adaptações.
Sol: proteção para os olhos e para a pele
O Brasil recebe muita radiação solar o ano inteiro, e nas pessoas com albinismo o dano do sol e o câncer de pele aparecem cedo.[7] No Programa Pró-Albino da Santa Casa de São Paulo, 72% das 191 pessoas atendidas entre 2010 e 2017 contaram já ter tido queimadura de sol, e 26% das que tinham essa informação no prontuário já tinham tido câncer de pele. A pessoa mais jovem com tumor de pele tinha 23 anos.[9] Para os olhos, valem os óculos escuros ou as lentes que escurecem no sol; para a pele, protetor solar e consultas periódicas com o dermatologista.[3]
Albinismo tem cura? O que a pesquisa já testou
Não há cura nem remédio que melhore a visão no albinismo.[11] Dois tratamentos foram testados em pessoas:
- Levodopa: num ensaio clínico randomizado com 45 pessoas com albinismo, duas doses diferentes, tomadas por 20 semanas, não melhoraram a visão em comparação com placebo.[10]
- Nitisinona: num estudo piloto aberto, sem grupo de comparação, 5 adultos com OCA1B tomaram o remédio por 12 meses. O pigmento da íris não aumentou. A pele e o cabelo ganharam um pouco de pigmento, e a leitura da tabela melhorou cerca de 4 a 5 letras, resultado que precisa de estudos maiores.[11]
Esses remédios não devem ser usados fora de pesquisa. Nas formas oculocutâneas, o desenvolvimento, a inteligência e a fertilidade são normais.[3]
Quando procurar o oftalmologista
Marque uma consulta se
- o bebê tem os olhos tremendo, parece incomodado com a luz ou demora a fixar o olhar e acompanhar objetos;
- a criança tem pele e cabelo muito claros e ainda não fez um exame oftalmológico completo;
- há albinismo na família e você quer entender o risco antes de uma gravidez (nesse caso, a conversa inclui o médico geneticista);
- você tem albinismo e está sem acompanhamento, ou sente que a visão mudou;
- a criança tem dificuldade na escola, vira o rosto para enxergar ou aproxima muito o material de leitura;
- apareceu um desvio dos olhos.
Manchas ou feridas na pele que mudam de aspecto ou não cicatrizam pedem avaliação com o dermatologista.
Como é a avaliação na consulta
A consulta mede a visão de longe e de perto, o grau com colírio, o alinhamento dos olhos e o nistagmo, e examina a íris, a retina e a fóvea. Conforme a idade e o caso, o médico pede OCT, potencial evocado visual ou teste genético.[2][12] Leve os óculos atuais, exames anteriores e, se houver, o resultado do teste genético. O que o exame avalia está em exame de vista completo, e a marcação pode ser feita em agendar consulta.
Perguntas frequentes
O que é albinismo ocular?
São as alterações que o albinismo causa nos olhos, como a fóvea pouco desenvolvida, o nistagmo e a íris translúcida. Na classificação médica, o termo também designa o albinismo ocular tipo 1, ligado ao cromossomo X, em que pele e cabelo têm cor normal.[1][8]
O que causa o albinismo? É hereditário?
É uma alteração genética que reduz ou impede a produção de melanina, e já se conhecem 22 genes ligados a ela.[8] As formas oculocutâneas são herdadas de forma recessiva: a criança recebe uma cópia alterada do gene do pai e outra da mãe, que costumam ser portadores sem sinais.[3]
Quais são os tipos de albinismo?
O oculocutâneo, com pelo menos oito tipos, afeta olhos, pele e cabelo; o ocular afeta os olhos; e as formas sindrômicas, como a síndrome de Hermansky-Pudlak, afetam também outros órgãos.[1][8]
Por que se diz que a pessoa com albinismo tem olho vermelho?
Porque a íris com pouco pigmento deixa passar a luz.[3] Sob algumas luzes, como o flash de uma foto, a luz reflete no fundo do olho e volta avermelhada. Na maior parte do tempo, os olhos parecem azuis, cinzentos ou castanho-claros.
Quem tem albinismo é cego?
Em geral, não. A maioria tem baixa visão: num grupo de 133 pessoas, a mediana foi de cerca de 20/63, e metade ficou entre 20/40 e 20/100.[4]
Albinismo ocular tem cura?
Não. A levodopa não melhorou a visão num ensaio clínico,[10] e nenhum tratamento completa o desenvolvimento da fóvea. Óculos e recursos para baixa visão ajudam a pessoa a usar melhor a visão que tem.[2][6]
Por que a pessoa com albinismo tem nistagmo?
O nistagmo aparece junto com a fóvea pouco formada e com o cruzamento a mais das fibras do nervo óptico,[4] e está presente em mais de 90% das pessoas com albinismo.[12]
A visão de quem tem albinismo piora com o tempo?
Na infância e na adolescência, a tendência é melhorar ou ficar estável: 80% das crianças melhoraram entre o início e o meio da idade escolar,[5] e 98% dos jovens melhoraram ou ficaram estáveis entre os 10 e os 20 anos.[18] Uma mudança de visão na vida adulta pede consulta, porque pode ter outra causa.
Referências
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Revisão médica: Dra. Priscilla Rodrigues de Almeida, médica oftalmologista, CRM-SP 148.173, RQE 59.216 (Oftalmologia). Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta, o exame e a orientação médica individual.
Revisão médica: Dra. Priscilla Rodrigues de Almeida (CRM-SP 148.173, RQE 59.216), em 09 de outubro de 2026. Como revisamos o conteúdo.
Aviso importante: Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico oftalmologista. Em caso de sintomas ou dúvidas sobre sua saúde ocular, procure atendimento médico especializado.