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estrabismo

Estrabismo em crianças: sinais e primeira avaliação

Publicado em 01 de maio de 2026 Atualizado em 22 de agosto de 2026 Revisão médica: 22 de agosto de 2026 13 min de leitura Dr. Fernando Macei Drudi
Oftalmologista realiza avaliação inicial de alinhamento ocular em criança acompanhada por familiar
Dr. Fernando Macei Drudi
Autor Médico
Dr. Fernando Macei Drudi
CRM-SP 139.300 | RQE 50.645

Resumo em linguagem simples

Quando os olhos de uma criança parecem não olhar para o mesmo ponto de forma persistente, repetida ou nova, o passo seguro é uma avaliação oftalmológica infantil. Uma foto não confirma o diagnóstico. O exame verifica alinhamento, movimentos, visão e necessidade de avaliar o grau, além de orientar quando há sinais que não devem esperar.

CID-10: H50

O estrabismo é uma condição oftalmológica caracterizada pelo desalinhamento dos olhos, onde eles não apontam para a mesma direção simultaneamente. Pode se manifestar de forma constante ou intermitente, afetando crianças e adultos. O diagnóstico precoce é fundamental não apenas por questões estéticas, mas principalmente para preservar o desenvolvimento visual, prevenir a ambliopia (olho preguiçoso) e restaurar a visão binocular.

Resposta rápida

O tratamento do estrabismo depende do tipo e da causa, podendo incluir o uso de óculos, terapia com tampão (oclusão), toxina botulínica e cirurgia nos músculos extraoculares. O acompanhamento oftalmológico é indispensável para definir a melhor estratégia para cada paciente.

Pontos-chave

  • O estrabismo pode ser convergente (olho para dentro), divergente (para fora) ou vertical (para cima/baixo).
  • Na infância, o estrabismo não corrigido é uma das principais causas de ambliopia.
  • Em adultos, o surgimento súbito de estrabismo frequentemente causa visão dupla (diplopia) e exige avaliação neurológica e oftalmológica urgente.
  • O tratamento não é exclusivamente cirúrgico; muitas vezes, a correção do grau (como na hipermetropia) resolve o desalinhamento.

O que é estrabismo?

O estrabismo, popularmente conhecido como "olho torto" ou "vesgueira", ocorre quando há um desequilíbrio na musculatura responsável pela movimentação dos olhos ou no controle neurológico desses músculos. Em um sistema visual saudável, ambos os olhos focam no mesmo objeto, permitindo que o cérebro funda as duas imagens em uma só, criando a percepção de profundidade (visão 3D ou estereopsia).

Quando há estrabismo, um olho foca no objeto de interesse enquanto o outro desvia. O cérebro recebe duas imagens diferentes. Nas crianças, o cérebro em desenvolvimento tende a ignorar (suprimir) a imagem do olho desviado para evitar a confusão visual, o que pode levar à perda permanente da visão naquele olho se não for tratado precocemente. Nos adultos, cujo sistema visual já está maduro, o cérebro não consegue suprimir a imagem, resultando em visão dupla.

Tipos de Estrabismo

O estrabismo é classificado de acordo com a direção do desvio:

  • Esotropia (Estrabismo Convergente): O olho desvia para dentro, em direção ao nariz. É o tipo mais comum em crianças.
  • Exotropia (Estrabismo Divergente): O olho desvia para fora, em direção à orelha. Pode ser mais perceptível quando a criança está cansada, doente ou olhando para longe.
  • Hipertropia e Hipotropia (Estrabismo Vertical): O olho desvia para cima ou para baixo, respectivamente.

Causas Principais

O controle do alinhamento ocular envolve os músculos extraoculares, os nervos cranianos e o cérebro. Alterações em qualquer uma dessas vias podem causar estrabismo. As causas mais comuns incluem:

  • Erros refrativos não corrigidos: A alta hipermetropia é uma causa frequente de esotropia acomodativa na infância. O esforço excessivo para focar desencadeia o desvio.
  • Fatores genéticos: Histórico familiar de estrabismo aumenta o risco.
  • Condições neurológicas: Paralisia de nervos cranianos, trauma cranioencefálico, AVC, tumores ou hidrocefalia.
  • Problemas musculares: Doença de Graves (afeta a tireoide e os músculos oculares) ou miastenia gravis.
  • Baixa visão em um olho: Catarata congênita, cicatrizes na córnea ou problemas na retina podem impedir o olho de focar, levando ao desvio (estrabismo sensorial).

Estrabismo em Crianças vs. Adultos

Na Infância

O estrabismo infantil muitas vezes é notado pelos pais ou pediatras. É um mito perigoso acreditar que "a criança vai crescer e o olho vai endireitar sozinho". Embora recém-nascidos possam apresentar desvios intermitentes normais até os 3-4 meses de idade, qualquer desvio constante ou que persista após os 6 meses exige avaliação imediata com oftalmopediatra. O risco principal é a ambliopia.

Em Adultos

O estrabismo em adultos pode ser residual da infância ou de início recente. O surgimento súbito em adultos é um sinal de alerta que exige investigação imediata para descartar problemas neurológicos ou vasculares. O sintoma mais debilitante costuma ser a diplopia (visão dupla), que impacta severamente a leitura, a direção e a qualidade de vida.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é clínico e realizado no consultório oftalmológico. A avaliação inclui:

  • Teste de acuidade visual (com tabelas adaptadas para a idade da criança).
  • Exame de refração sob cicloplegia (com a pupila dilatada para medir o grau real).
  • Testes de motilidade ocular e cobertura (cover test) para medir o ângulo do desvio.
  • Exame de fundo de olho para descartar doenças na retina ou nervo óptico.

Opções de Tratamento

O tratamento é altamente individualizado e pode envolver uma ou mais abordagens:

1. Óculos

Para casos de esotropia acomodativa, o simples uso de óculos para corrigir a hipermetropia pode realinhar os olhos completamente, sem necessidade de cirurgia.

2. Oclusão (Tampão)

O uso do tampão no olho "bom" não cura o estrabismo, mas força o cérebro a usar o olho desviado, tratando ou prevenindo a ambliopia. É uma etapa fundamental antes de qualquer intervenção cirúrgica na infância.

3. Toxina Botulínica (Botox)

Injetada em um músculo extraocular específico, a toxina causa uma paralisia temporária, permitindo que o músculo antagonista puxe o olho para a posição correta. Pode ser usada em paralisias agudas ou estrabismos de pequeno ângulo.

4. Cirurgia de Estrabismo

A cirurgia de estrabismo altera a tensão dos músculos extraoculares (enfraquecendo ou fortalecendo-os) para realinhar os olhos. É indicada quando óculos não resolvem o desvio. Pode ser realizada tanto em crianças (sob anestesia geral) quanto em adultos.

Em resumo

O estrabismo é uma condição complexa, mas altamente tratável. O sucesso do tratamento, especialmente na preservação da visão, depende do diagnóstico precoce e do acompanhamento oftalmológico rigoroso. Se você ou seu filho apresentam qualquer tipo de desvio ocular, não adie a consulta.

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Ortotropia e pseudoestrabismo: por que os olhos podem parecer desalinhados?

Ortotropia é o termo usado quando os olhos estão alinhados ao olhar para o mesmo alvo. Esse alinhamento não pode ser confirmado apenas por uma fotografia ou pela observação em casa: a avaliação considera acuidade visual, movimentação ocular, refração e testes de alinhamento feitos no consultório.

Pseudoestrabismo não é o mesmo que estrabismo

Em alguns bebês e crianças pequenas, a ponte nasal mais larga ou uma dobra de pele no canto interno das pálpebras pode criar a impressão de que um olho está virado para dentro. Isso é chamado de pseudoestrabismo. Quando há desvio verdadeiro, os olhos apontam para direções diferentes e a criança deve ser avaliada. Uma foto com reflexo de luz pode chamar atenção para uma assimetria, mas não substitui o exame oftalmológico.

O que a avaliação ortóptica procura?

A avaliação verifica se os olhos fixam o mesmo objeto, se há desvio manifesto ou latente, como cada olho enxerga e se existe risco de ambliopia. O resultado orienta a necessidade de observação, correção óptica, tratamento da ambliopia ou discussão de outras medidas. A decisão é individual, especialmente na infância.

Perguntas frequentes

O estrabismo pode curar sozinho?

Não. Desvios que persistem após os 4 meses de idade não desaparecem espontaneamente e precisam de avaliação médica.

Adulto pode operar estrabismo?

Sim. A cirurgia em adultos é muito comum e eficaz para eliminar a visão dupla, melhorar o campo visual e restaurar a estética ocular.

O uso do celular causa estrabismo?

O uso excessivo de telas não causa estrabismo diretamente, mas pode descompensar um estrabismo latente (que estava controlado) devido à fadiga muscular extrema.

A cirurgia de estrabismo usa laser?

Não. Diferente da cirurgia de miopia, a cirurgia de estrabismo atua nos músculos do lado de fora do olho e não utiliza laser.

Referências

  1. Wallace DK et al. Esotropia and Exotropia Preferred Practice Pattern®. Ophthalmology. 2018. DOI: 10.1016/j.ophtha.2017.10.007.
  2. Gunton KB. Advances in the management of strabismus. Curr Opin Ophthalmol. 2019. DOI: 10.1097/ICU.0000000000000595.

Aviso importante: Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico oftalmologista. Em caso de sintomas ou dúvidas sobre sua saúde ocular, procure atendimento médico especializado.

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