Resposta rápida: estrabismo é o desalinhamento dos olhos. A conduta depende da causa, do tipo de desvio, da função visual, dos sintomas e da história clínica. Não existe indicação segura por autoavaliação ou ferramenta online.
Entendendo o desalinhamento ocular
Quando os olhos não apontam para o mesmo alvo de forma coordenada, o desvio pode ser percebido como olho voltado para dentro, para fora, para cima ou para baixo. Esotropia e exotropia são termos usados para alguns desses padrões, mas somente o exame permite caracterizar corretamente a situação.
O desvio pode ocorrer de forma constante ou intermitente. Crianças e adultos podem apresentar estrabismo; em adultos, alteração nova acompanhada de visão dupla requer avaliação sem demora.
Por que a avaliação é individualizada
Medida do desvio
Testes de alinhamento ajudam a quantificar o padrão do desvio e a avaliar se ele é manifesto ou intermitente.
Função visual
A avaliação considera acuidade visual, refração, movimentos oculares, visão binocular e a presença de ambliopia quando pertinente.
História clínica
Idade de início, sintomas, histórico familiar e outras condições de saúde podem mudar a investigação e as alternativas discutidas.
Como é o teste de cobertura
No teste de cobertura, a pessoa olha para um alvo e o médico cobre um dos olhos. Se o outro olho se mexe para pegar o alvo, é porque ele estava desviado: há estrabismo. Se nenhum olho se mexe, os olhos estavam alinhados naquele momento.[3]
A criança olha para uma luz, e quem examina cobre um olho de cada vez. Se o olho que ficou descoberto se mexe para olhar a luz, é sinal de desvio.
Os olhos da criança, de frente
Os olhos
Cobrir
O olho direito da criança está virado para o nariz: o brilho da luz não cai no meio da pupila dele.
Coberto o olho esquerdo, que olhava para a luz, o direito se mexe para fora para olhar a luz: é o sinal do desvio.
Coberto o olho desviado, o esquerdo não se mexe: ele já olhava para a luz.
Os dois olhos olham para a luz; o brilho cai no meio das duas pupilas.
Coberto o olho esquerdo, o direito não se mexe: já olhava para a luz.
Coberto o olho direito, o esquerdo não se mexe: já olhava para a luz.
Quem faz e interpreta o teste é o oftalmologista ou o ortoptista. O desenho não substitui o exame.
- Sem desvio
- Os dois olhos olham para a luz e, coberto qualquer um deles, o outro não se mexe: já olhava para a luz.
- Com desvio, sem cobrir
- O olho direito da criança está virado para o nariz: o brilho da luz não cai no meio da pupila dele.
- Com desvio, cobrindo o olho esquerdo
- Coberto o olho esquerdo, que olhava para a luz, o direito se mexe para fora para olhar a luz: é o sinal do desvio para dentro, a esotropia.
- Com desvio, cobrindo o olho direito
- Coberto o olho desviado, o esquerdo não se mexe, porque já olhava para a luz: por isso o teste cobre um olho de cada vez.
O mesmo teste mostra o desvio para fora (o olho que ficou descoberto se mexe para dentro para olhar a luz) e o desvio escondido, a foria, que só aparece quando os olhos são separados, como ao passar a tampa de um olho para o outro.[3]
O teste exige que a pessoa consiga olhar para um alvo. Em bebês pequenos, o médico estima o alinhamento pelo reflexo de uma luz nas duas córneas.[3] Um desvio que vai e volta, que aparece com sono ou doença, ou um olho que a criança fecha no sol, também merece exame, mesmo que o teste dê normal na hora: fotos ou vídeos em que o desvio aparece ajudam o médico.[1] No exame completo, o desvio é medido com prismas, de perto e de longe.[3][1]
Possibilidades de cuidado
Dependendo do diagnóstico, o oftalmologista pode discutir correção óptica, acompanhamento, tratamento de ambliopia, exercícios (na insuficiência de convergência), prismas ou cirurgia. As alternativas não servem para todos os tipos de estrabismo e não devem ser escolhidas por comparações genéricas.
Diretrizes e revisões sistemáticas reforçam que a evidência e os objetivos de tratamento variam entre subtipos. O plano deve ser construído com a pessoa ou responsáveis, com espaço para dúvidas sobre benefícios esperados, limitações, riscos e seguimento.
Como é discutida a cirurgia
A cirurgia de estrabismo atua nos músculos que movimentam os olhos. A indicação e a técnica dependem do tipo e do ângulo do desvio, dos sintomas, da visão binocular, de tratamentos já realizados e de outros aspectos do exame.
O consentimento informado deve abordar o objetivo proposto, alternativas, riscos, possível necessidade de ajustes ou novos tratamentos e cuidados posteriores. Nenhuma página pode antecipar uma recomendação ou resultado individual.
Tratamento de estrabismo em São Paulo
Na Drudi e Almeida, a consulta e o acompanhamento do estrabismo são feitos nas unidades de São Paulo e Guarulhos, e o teste ortóptico, no Tatuapé. A cirurgia, de crianças e adultos, e a toxina botulínica são feitas no MIRA Hospital Oftalmológico, hospital próprio da rede. Sem convênio, a cirurgia de estrabismo em adultos custa R$ 7.000, que podem ser pagos em até 10 vezes de R$ 700, operando um ou os dois olhos. Em crianças, a cirurgia é feita com anestesia geral, e o valor é diferente, informado na consulta.
Instituto do Estrabismo Cirurgia de estrabismo em SP: preço, convênio e o que esperar
Sinais que merecem atenção
Visão dupla que começou de repente, no adulto, precisa de avaliação médica urgente.[4]
Pancada no olho ou no rosto com visão dupla, dor ou visão pior: procure um pronto-socorro. Urgência ocular: quando procurar atendimento em São Paulo
No horário de atendimento (seg–sex 8h–18h, sáb 8h–13h), ligue (11) 5430-2421; fora dele, procure um pronto-socorro. Um estrabismo que apareceu de repente na criança também pede avaliação no mesmo dia.[1][4]
Em crianças, suspeita de olho desalinhado deve ser avaliada por oftalmologista.
Perguntas frequentes
O que é estrabismo?
Estrabismo é apenas uma questão estética?
Crianças e adultos podem ter estrabismo?
Como é feita a avaliação?
Sempre é necessário operar?
Como é definida a indicação de cirurgia?
A cirurgia garante alinhamento definitivo ou elimina a visão dupla?
Referências científicas
- [1] Sprunger DT, Lambert SR, Hercinovic A, et al. Esotropia and Exotropia Preferred Practice Pattern. Ophthalmology. 2023;130(3):P179-P221. PMID 36526451. doi 10.1016/j.ophtha.2022.11.002 (abre em nova aba)
- [2] Pang Y, Gnanaraj L, Gayleard J, et al. Interventions for intermittent exotropia. Cochrane Database Syst Rev. 2021;9(9):CD003737. PMID 34516656. doi 10.1002/14651858.CD003737.pub4 (abre em nova aba)
- [3] Hutchinson AK, Morse CL, Hercinovic A, et al. Pediatric Eye Evaluations Preferred Practice Pattern. Ophthalmology. 2023;130(3):P222-P270. PMID 36543602. doi 10.1016/j.ophtha.2022.10.030 (abre em nova aba)
- [4] Tamhankar MA, Biousse V, Ying GS, et al. Isolated third, fourth, and sixth cranial nerve palsies from presumed microvascular versus other causes: a prospective study. Ophthalmology. 2013;120(11):2264-9. PMID 23747163. doi 10.1016/j.ophtha.2013.04.009 (abre em nova aba)
As referências são apresentadas para aprofundamento.
Olhos em 3D do teste de cobertura: modelo “Eye, Female, Right” do Human Reference Atlas, NIH 3D, licença CC BY 4.0, modificado: olhos girados e oclusor desenhado à parte.
Marque a consulta de estrabismo
Com diagnóstico de estrabismo, fale pelo WhatsApp do Instituto, e a consultora faz o agendamento no horário de atendimento; fora dele, a Central, com atendimento por inteligência artificial, marca pelo Instituto. Sem diagnóstico, agende a consulta na unidade, pelo convênio ou particular.