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A noite estrelada, de Vincent van Gogh (1889): céu noturno em espirais, com estrelas e lua cercadas de halos de luz, sobre uma vila
Instituto do Ceratocone

Guia do ceratocone: o que é, sintomas, tratamentos e se tem cura

Revisão médica: Dra. Priscilla Rodrigues de Almeida, médica oftalmologista, CRM-SP 148.173, RQE 59.216 (Oftalmologia). Atualizado em . Ver o perfil da Dra. Priscilla

Obra do topo: Vincent van Gogh, A noite estrelada, 1889. Museum of Modern Art, Nova York. Domínio público.

1. O que é o ceratocone?

O ceratocone tem cura?

Não. O ceratocone acompanha a pessoa pela vida toda, mas tem tratamento: o crosslinking pode frear a piora, e óculos, lentes de contato, anel intracorneano ou transplante podem melhorar a visão, conforme a fase. Nem todos têm o mesmo ganho.

O ceratocone (do grego keras = córnea + konos = cone) é uma ectasia corneana progressiva caracterizada pelo afinamento e protrusão anterior da córnea, que adquire uma forma cônica irregular em vez da curvatura esférica normal. Essa deformação progressiva causa distorção visual crescente, miopia e astigmatismo irregular, que não podem ser corrigidos adequadamente com óculos convencionais.

A córnea é a estrutura transparente que recobre a parte anterior do olho e é responsável por aproximadamente 70% do poder refrativo do sistema óptico ocular. Quando ela perde sua forma esférica regular e assume um formato cônico, a luz que entra no olho é refratada de forma irregular, produzindo imagens distorcidas e múltiplas — um fenômeno chamado de poliopsia monocular (visão de imagens duplicadas ou fantasmas com um único olho).

O ceratocone é tipicamente bilateral, embora frequentemente assimétrico — um olho costuma ser mais afetado do que o outro. A progressão é variável: alguns pacientes permanecem estáveis por décadas, enquanto outros evoluem rapidamente para formas graves que podem exigir transplante de córnea.

2. Epidemiologia e prevalência

A prevalência global do ceratocone varia amplamente entre os estudos, dependendo dos critérios diagnósticos utilizados e da população estudada. Estimativas tradicionais apontavam para 1 caso em cada 2.000 pessoas na população geral, mas estudos mais recentes, utilizando topografia corneana de alta resolução, sugerem prevalência significativamente maior — de 1 em 375 a 1 em 500 indivíduos.

No Brasil, não existem dados epidemiológicos nacionais precisos sobre ceratocone, mas estima-se que a prevalência seja similar à de outros países de clima tropical, onde a exposição ao sol (e o consequente ato de coçar os olhos por alergias oculares) pode ser um fator de risco adicional.

O ceratocone afeta predominantemente jovens entre 10 e 30 anos, com início frequente na adolescência e progressão mais rápida nas primeiras décadas de vida. A doença tende a se estabilizar por volta dos 30 a 40 anos, embora casos de progressão tardia sejam descritos. Homens e mulheres são afetados de forma aproximadamente igual.

3. Causas e fatores de risco

A etiologia do ceratocone é um modelo clássico de interação gene-ambiente. A doença se desenvolve quando um indivíduo geneticamente predisposto é submetido a estresses biomecânicos e inflamatórios na córnea. Fisiopatologicamente, ocorre um desequilíbrio entre as enzimas que destroem o colágeno (MMPs) e as que o protegem (TIMPs), resultando em afinamento estromal progressivo e perda de resistência biomecânica.

Fatores Genéticos e Bioquímicos

🧬 História familiar e Hereditariedade

Embora a maioria dos casos seja esporádica, cerca de 10% a 15% dos pacientes têm histórico familiar positivo. A herança costuma ser autossômica dominante com penetrância incompleta. A pesquisa genética já identificou mutações em genes estruturais (como VSX1, COL5A1 e LOX) responsáveis pela organização das lamelas de colágeno da córnea.

🔬 Síndromes sistêmicas associadas

Pacientes com Síndrome de Down (Trissomia 21) têm um risco até 30 vezes maior de desenvolver ceratocone. Outras desordens do tecido conjuntivo, como Síndrome de Marfan, Ehlers-Danlos, Osteogênese Imperfeita e Amaurose Congênita de Leber, também apresentam forte associação clínica.

Fatores Ambientais e Biomecânicos

👁️ Coçar os olhos (Eye Rubbing) — O Grande Gatilho

O trauma mecânico repetitivo de esfregar os olhos com força (com os nós dos dedos) é o fator de risco modificável mais crítico. A fricção eleva a pressão intraocular temporariamente e libera citocinas inflamatórias no filme lacrimal, acelerando a quebra do colágeno. A regra de ouro do ceratocone é: "Se o olho coçar, coloque colírio gelado, mas não esfregue".

🌿 Alergias Oculares (Atopia)

Pacientes com rinite, asma, dermatite atópica e, especialmente, ceratoconjuntivite primaveril, têm altíssima incidência de ceratocone. A coceira crônica (prurido) gerada pela alergia é o motor que leva o paciente a esfregar os olhos constantemente. O controle rigoroso da alergia com colírios antialérgicos e imunomoduladores é a primeira linha de defesa contra a progressão da ectasia.

😴 Posição de dormir

Estudos recentes mostram que dormir com o rosto pressionado contra o travesseiro ou apoiado na mão (gerando pressão mecânica prolongada sobre o globo ocular durante a noite) pode contribuir para a assimetria do ceratocone, sendo o olho mais afetado geralmente o do lado em que o paciente dorme.

4. Estágios do ceratocone

A classificação de Amsler-Krumeich vai do estágio I ao IV. O sistema ABCD, de Belin e Duncan, vai do 0 ao 4 e usa as curvaturas da frente (A) e de trás (B), a espessura mínima (C) e a visão com óculos (D). No estágio IV, com cicatriz central, discute-se o transplante.

Classificação de Amsler-Krumeich
Estágio Curvatura média Miopia ou astigmatismo Espessura mínima Cicatriz
I < 48 D < 5 D · não
II < 53 D 5 a 8 D > 400 µm não
III > 53 D 8 a 10 D 300 a 400 µm não
IV > 55 D não mensurável cerca de 200 µm sim

5. Diagnóstico: topografia e tomografia corneana

O diagnóstico precoce do ceratocone é fundamental para iniciar o tratamento antes que a progressão cause dano visual irreversível.

Topografia corneana

A topografia corneana por videoceratoscopia de Plácido mapeia a curvatura da superfície anterior da córnea e é o exame de triagem mais utilizado. Padrões topográficos característicos do ceratocone incluem:

  • •Aumento focal da curvatura (protuberância inferior ou paracentral)
  • •Assimetria entre os hemisférios superior e inferior
  • •Inclinação do eixo do astigmatismo
  • •Índices de irregularidade elevados (índice de superfície de regularidade — SRI; índice de acuidade superficial — SAI)

Tomografia de córnea

A tomografia corneana por câmera de Scheimpflug é usada no diagnóstico e no monitoramento do ceratocone. Avalia:

  • •Curvatura corneana anterior e posterior — o aumento da curvatura posterior é frequentemente o primeiro sinal de ceratocone subclínico (forme fruste)
  • •Espessura corneana (paquimetria) — o afinamento progressivo, especialmente no ápice do cone, é um marcador de progressão
  • •Elevação corneana — mapas de elevação anterior e posterior em relação a uma esfera de referência
  • •Índices de ceratocone — o índice de Belin/Ambrósio (BAD-D) e o índice de ceratocone (KI) têm alta sensibilidade e especificidade para o diagnóstico precoce

Na Drudi e Almeida: A tomografia de córnea custa R$ 260 à vista ou R$ 363 no cartão (em até 10 vezes), pelos dois olhos (2026), é feita no MIRA Hospital Oftalmológico, hospital próprio da rede, e é só particular: nenhum convênio cobre.

Como se sabe se o ceratocone está piorando

A piora só aparece na comparação de exames de datas diferentes. O consenso global de 2015 define progressão como mudança consistente, acima da variação normal do aparelho, em pelo menos 2 de 3 medidas: curvatura da frente da córnea, curvatura de trás e espessura. Na prática, um aumento de 1,00 dioptria ou mais na curvatura máxima (Kmax) em até um ano é um dos sinais usados e um dos dois critérios da ANS para o plano cobrir o crosslinking; o outro é o mesmo aumento no astigmatismo central da córnea.

6. Tratamentos disponíveis

O manejo do ceratocone é escalonado e personalizado de acordo com o estágio da doença, a velocidade de progressão e as necessidades visuais do paciente. A estratégia terapêutica atual segue uma lógica de três pilares:

1. Frear a progressão

Crosslinking (CXL)

2. Melhorar a forma da córnea

Anel intracorneano

3. Otimizar a visão

Lentes de contato especiais ou transplante de córnea

7. Crosslinking: quando é indicado e o que faz

Nos estudos, o crosslinking é o tratamento que mostrou frear a progressão do ceratocone, mas não em todos os olhos: num estudo com 117 olhos, 7,6% continuaram progredindo. O procedimento consiste na aplicação de riboflavina (vitamina B2) na córnea, seguida de irradiação com luz ultravioleta-A (UVA) de comprimento de onda 370 nm. A reação fotoquímica resultante cria novas ligações covalentes entre as fibras de colágeno do estroma corneano, aumentando significativamente a rigidez e a resistência biomecânica da córnea.

O CXL foi desenvolvido pelo Prof. Theo Seiler e colaboradores na Universidade de Dresden, Alemanha, no final da década de 1990, e representa um dos maiores avanços no tratamento do ceratocone das últimas décadas.

Evidência científica

"Ensaio clínico randomizado e controlado publicado no Ophthalmology em 2014 por Wittig-Silva et al. demonstrou que o CXL interrompe efetivamente a progressão do ceratocone em 3 anos de acompanhamento, com melhora significativa da acuidade visual corrigida e redução da curvatura máxima no grupo tratado." [1]

"Meta-análise publicada no Investigative Ophthalmology & Visual Science em 2018 por Wen et al. concluiu que tanto o CXL padrão quanto o acelerado são eficazes na estabilização do ceratocone, embora o CXL padrão possa ter efeito ligeiramente superior na aplanação corneana." [2]

Protocolos de CXL

Protocolo Irradiância Tempo Dose total Observações
Dresden (padrão) 3 mW/cm² 30 min 5,4 J/cm² Protocolo original, maior evidência
Acelerado 9-45 mW/cm² 3-10 min 5,4 J/cm² Menor tempo, evidência crescente
Epitélio-off (padrão) Variável Variável 5,4 J/cm² Remoção do epitélio; maior penetração
Epitélio-on (transepitelial) Variável Variável 5,4 J/cm² Sem remoção do epitélio; recuperação mais rápida

Indicações e contraindicações

✓ Indicações

  • •Ceratocone progressivo documentado (aumento de ≥ 1 D na curvatura máxima em 12 meses)
  • •Ceratocone em estágios I a III (Amsler-Krumeich)
  • •Espessura corneana mínima ≥ 400 µm no ponto mais fino

✗ Contraindicações

  • •Espessura corneana < 400 µm no ponto mais fino (risco de dano ao endotélio)
  • •Ceratocone estágio IV com cicatrizes corneanas densas
  • •Infecção ocular ativa
  • •Gravidez e amamentação

Recuperação após o CXL

Período O que esperar
Primeiros 3-5 dias Desconforto moderado (sensação de areia, lacrimejamento, fotofobia), uso de lente terapêutica e colírios antibióticos e anti-inflamatórios
1-4 semanas Reepitelização completa, melhora progressiva do desconforto
3-6 meses Possível piora transitória da acuidade visual (edema estromal pós-CXL)
6-12 meses Estabilização e frequente melhora da acuidade visual e da curvatura corneana
Acompanhamento Topografias seriadas a cada 6-12 meses para monitorar a estabilização

Dias de atestado, valor e cobertura do plano: crosslinking para ceratocone: valor, convênio e atestado.

8. Anel intracorneano (conhecido como anel de Ferrara)

Os segmentos de anel intracorneano são arcos de acrílico colocados na córnea para regularizar a curvatura.

O mecanismo de ação baseia-se no efeito de encurtamento do arco: os segmentos, ao serem inseridos no estroma periférico, achatam a córnea central, reduzindo a curvatura e o astigmatismo irregular. O resultado pode ser uma melhora da qualidade óptica e da acuidade visual, especialmente com lentes de contato, mas nem todos têm o mesmo ganho.

Veja quem pode fazer o anel intracorneano, os riscos e o valor.

"Estudo de acompanhamento de 10 anos publicado no Journal of Refractive Surgery em 2014 por Torquetti et al. demonstrou resultados visuais e topográficos estáveis a longo prazo após o implante de segmentos intracorneanos em pacientes com ceratocone, com melhora significativa na acuidade visual corrigida e não corrigida." [3]

Indicações

  • •Ceratocone moderado (estágios II-III) com intolerância a lentes de contato
  • •Pacientes que desejam melhorar a tolerância e o resultado visual com lentes de contato
  • •Casos em que o crosslinking já foi realizado e a visão permanece insatisfatória
  • •Frequentemente combinados com CXL (CXL e anel no mesmo ato ou em sequência)

9. Lentes de contato especiais

Para a maioria dos pacientes com ceratocone, as lentes de contato especiais são a principal estratégia para otimizar a visão, pois criam uma nova superfície óptica regular sobre a córnea irregular. Revisão publicada no Clinical and Experimental Optometry em 2015 por Downie e Lindsay destaca que a adaptação de lentes de contato é o pilar do manejo visual do ceratocone em todos os estágios.[6]

Tipo Indicação Vantagens Desvantagens
RGP (rígida gás-permeável) Ceratocone leve a moderado Boa acuidade visual, durável, baixo custo Período de adaptação, desconforto inicial
Híbrida Ceratocone moderado Conforto de lente mole + óptica de RGP Custo elevado, adaptação complexa
Escleral Ceratocone moderado a avançado Conforto, cobre irregularidades Custo elevado, manipulação complexa
Piggyback Ceratocone avançado com intolerância a RGP Conforto melhorado Necessita duas lentes

Na Drudi e Almeida: A Dra. Priscilla Rodrigues de Almeida, médica oftalmologista, CRM-SP 148.173, RQE 59.216 (Oftalmologia), adapta lentes esclerais.

10. Transplante de córnea

O transplante de córnea é reservado para casos avançados de ceratocone (estágio IV) com cicatrizes corneanas densas que comprometem a visão, intolerância a todas as opções de lentes de contato ou falha dos tratamentos anteriores. Representa a última linha de tratamento.

Ceratoplastia Lamelar Anterior Profunda (DALK) — Técnica preferencial

A DALK é a técnica preferencial para o transplante de córnea no ceratocone, pois remove apenas as camadas anteriores da córnea (epitélio, estroma) preservando o endotélio do receptor. As vantagens incluem:

  • ✓Menor risco de rejeição (o endotélio do receptor é preservado)
  • ✓Maior longevidade do enxerto
  • ✓Possibilidade de tratar complicações sem comprometer o endotélio

Meta-análise de grande escala publicada em 2025 por Awad et al., analisando 27.018 olhos, confirmou que a PK está associada a maior risco de complicações e rejeição, reforçando a preferência pela DALK quando tecnicamente viável. [10]

Ceratoplastia Penetrante (PK)

A PK (transplante de córnea total) ainda é utilizada em casos em que a DALK não é tecnicamente possível, como ceratocone com hidrops agudo ou cicatrizes que atingem o endotélio. O risco de rejeição é maior, e o acompanhamento deve ser mais rigoroso.

11. Comparativo dos tratamentos

Tratamento Objetivo Estágio indicado Reverte dano?
Crosslinking (CXL) Frear a progressão I-III Não; busca frear a piora
Anel intracorneano Melhorar forma corneana II-III Em parte, e nem todos têm o mesmo ganho
Lentes RGP Otimizar visão I-III Não
Lentes esclerais Otimizar visão II-IV Não
DALK Substituir córnea III-IV Troca a parte da frente, com a cicatriz
PK Substituir córnea IV Troca todas as camadas da parte central

12. Como é conviver com o ceratocone

Halos em volta das luzes e sensibilidade à luz podem atrapalhar atividades do dia a dia. O acompanhamento inclui repetir os exames de córnea, tratar a alergia e evitar coçar os olhos. Em adolescentes, o ceratocone costuma avançar mais depressa. Quem não se adaptou à lente rígida pode tentar a lente híbrida ou a escleral.

13. Glossário do ceratocone

Ceratocone:
a córnea afina e se deforma em cone.
Astigmatismo irregular:
distorção que óculos comuns corrigem pouco.
Topografia de córnea:
mapa da curvatura da face da frente.
Tomografia de córnea:
mede as duas faces e a espessura.
Paquimetria:
medida da espessura da córnea.
Crosslinking:
riboflavina e luz ultravioleta A enrijecem a córnea.
Epitélio-off:
crosslinking com retirada do epitélio, a camada superficial; é a técnica original.
Epitélio-on:
crosslinking que mantém o epitélio; os estudos ainda não mostram com segurança se ele contém a piora tão bem quanto o epitélio-off.
Lente escleral:
lente grande, apoiada na parte branca do olho.
Anel intracorneano:
segmentos em arco que regularizam a córnea.
DALK:
transplante das camadas da frente, que mantém a camada mais interna.
Transplante penetrante:
troca todas as camadas da parte central da córnea.

14. Perguntas frequentes

O ceratocone tem cura?

Não. O ceratocone acompanha a pessoa pela vida toda, mas tem tratamento: o crosslinking pode frear a piora, e óculos, lentes de contato, anel intracorneano ou transplante podem melhorar a visão, conforme a fase. Nem todos têm o mesmo ganho.

O ceratocone leva à cegueira?

O ceratocone pode reduzir muito a visão nos casos avançados, quando óculos e lentes já não bastam. Uma complicação rara, a hidropsia aguda (inchaço súbito da córnea), faz a visão cair de repente, com dor, e pede atendimento no mesmo dia.

Por que meu grau muda tão rápido?

No ceratocone, a córnea afina e muda de forma, e isso muda o grau, em geral com aumento da miopia e do astigmatismo irregular. Troca frequente de grau em jovens é um motivo para fazer a topografia ou a tomografia de córnea.

Com que idade o ceratocone para de progredir?

A piora acontece sobretudo entre os 10 e os 30 anos e costuma ser mais rápida nos jovens; excepcionalmente, a doença avança até os 50 anos. Por isso, o acompanhamento com exames de córnea continua depois dos 30, no intervalo que o médico definir.

O crosslinking melhora a visão?

O objetivo do crosslinking é conter a piora da córnea, e não corrigir o grau. Pode haver alguma melhora nas medidas de visão, mas nem todos têm esse ganho; para enxergar melhor, a pessoa continua com óculos ou lentes de contato.

O anel intracorneano cura o ceratocone?

Não. O anel deixa a córnea mais plana e pode melhorar a visão com óculos ou lentes, mas nem todos têm o mesmo ganho, e ele sozinho não freia a doença; para isso existe o crosslinking.

Posso fazer cirurgia de miopia a laser (LASIK) para me livrar dos óculos?

Absolutamente não. A cirurgia a laser (LASIK ou PRK) remove tecido da córnea para alterar seu formato. Como a córnea do ceratocone já é doente e afinada, aplicar laser nela causaria um colapso estrutural imediato e gravíssimo (ectasia iatrogênica), acelerando a doença drasticamente. O ceratocone é a contraindicação absoluta número um para cirurgias refrativas a laser.

Quando a lente escleral ajuda no ceratocone?

A lente escleral é uma alternativa para córneas muito curvas ou irregulares e para quem não se adaptou à lente rígida. Ela se apoia na parte branca do olho e forma uma camada de lágrima sobre a córnea, sem tocá-la, o que pode melhorar a visão; nem todos têm o mesmo ganho.

Tratamento do ceratocone na Drudi e Almeida

Dra. Priscilla Rodrigues de Almeida

Médica oftalmologista, CRM-SP 148.173, RQE 59.216 (Oftalmologia), com fellowship em córnea na EPM/UNIFESP. Faz o crosslinking e o transplante de córnea e adapta lentes esclerais.

Exames de córnea

A topografia de córnea é feita nas 5 unidades; a paquimetria, nas unidades Tatuapé e Lapa. A tomografia de córnea é feita no MIRA Hospital Oftalmológico, hospital próprio da rede.

Procedimentos no MIRA

Crosslinking, anel intracorneano e transplante de córnea no MIRA Hospital Oftalmológico, hospital próprio da rede.

Valores e convênios

No Instituto do Ceratocone

Ligar: (11) 5430-2421

15. Referências científicas

  1. 1

    Wittig-Silva C, Chan E, Islam F, Wu T, Whiting M, Snibson GR. A randomized, controlled trial of corneal collagen cross-linking in progressive keratoconus: three-year results. Ophthalmology. 2014;121(4):812-821. DOI →

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    Wen D, Li Q, Song B, Tu R, Wang Q, O'Brart D, et al. Comparison of standard versus accelerated corneal collagen cross-linking for keratoconus: a meta-analysis. Invest Ophthalmol Vis Sci. 2018;59(10):3920-3931. DOI →

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    Torquetti L, Ferrara G, Almeida F, Cunha L, Araujo L, Machado A, et al. Intrastromal corneal ring segments implantation in patients with keratoconus: 10-year follow-up. J Refract Surg. 2014;30(1):22-26.

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    Vega-Estrada A, Alió JL, Brenner LF, Burguera N. Outcomes of intrastromal corneal ring segments for treatment of keratoconus: five-year follow-up analysis. J Cataract Refract Surg. 2013;39(8):1234-1240.

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Este guia foi elaborado com base nas evidências científicas disponíveis até setembro de 2026. As informações aqui contidas têm caráter educativo e não substituem a consulta médica individualizada. Para diagnóstico e tratamento, consulte um oftalmologista.