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INSTITUTO DA RETINA

Guia Completo: Retina e Retinopatia Diabética
Diagnóstico, Anti-VEGF e Tratamento (2026)

Revisão médica: Dr. Fernando Macei Drudi — CRM-SP 139.300 | RQE 58.695

Baseado em: DRCR.net Protocol T (NEJM 2015) · PANORAMA (Ophthalmology 2019) · TENAYA/LUCERNE (Lancet 2022) · Atualizado: Abril de 2026 · 20 min de leitura

E-book disponível em PDF

20 páginas · 8 referências científicas · Gratuito · Inclui Protocol T (NEJM 2015)

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Diabetes e visão: rastreamento anual é obrigatório

Após 20 anos de diabetes, mais de 90% dos pacientes com diabetes tipo 1 e 60% dos pacientes com diabetes tipo 2 têm algum grau de retinopatia. A perda visual causada pela retinopatia diabética avançada pode ser irreversível. O diagnóstico precoce e o tratamento com anti-VEGF preservam a visão na grande maioria dos casos.

1. A retina: estrutura e função

A retina é uma fina camada de tecido nervoso que reveste a parede interna posterior do olho, com espessura de apenas 0,1 a 0,5 mm. Apesar de sua delicadeza, é uma das estruturas mais complexas e metabolicamente ativas do corpo humano — responsável por converter a luz em sinais elétricos transmitidos ao cérebro pelo nervo óptico, onde são interpretados como imagens.

A mácula é a região central da retina, com aproximadamente 5 mm de diâmetro, responsável pela visão central de alta resolução — a visão que usamos para ler, reconhecer rostos e realizar atividades que exigem acuidade visual precisa. No centro da mácula está a fóvea, uma pequena depressão com alta concentração de cones (fotorreceptores responsáveis pela visão colorida e de detalhes).

Do ponto de vista histológico e funcional, a retina é composta por 10 camadas distintas, organizadas em uma hierarquia de processamento neural incrivelmente sofisticada. A camada mais externa abriga os fotorreceptores (aproximadamente 120 milhões de bastonetes, responsáveis pela visão noturna e periférica, e 6 milhões de cones, responsáveis pela visão de cores e alta resolução). A luz precisa atravessar todas as camadas internas da retina para atingir esses fotorreceptores, que então disparam cascatas bioquímicas (fototransdução) para converter a energia luminosa em potenciais de ação.

Esses sinais elétricos são processados por uma rede complexa de interneurônios (células bipolares, horizontais e amácrinas) antes de chegarem às células ganglionares. Os longos axônios das células ganglionares convergem na região do disco óptico para formar o nervo óptico, que atua como um "cabo de fibra óptica" transmitindo as imagens pré-processadas diretamente para o córtex visual no cérebro.

A nutrição dessa estrutura altamente demandante é dupla: as camadas internas são supridas pelos vasos sanguíneos da própria retina (artéria e veia central da retina), enquanto as camadas externas (incluindo os fotorreceptores) dependem inteiramente da difusão de oxigênio e nutrientes vindos da coroide, através do Epitélio Pigmentado da Retina (EPR). É exatamente a falha nesse complexo sistema de irrigação ou na barreira hematorretiniana que desencadeia as doenças retinianas mais devastadoras, como a retinopatia diabética e a degeneração macular. Qualquer dano à mácula resulta em um impacto imediato na qualidade de vida, comprometendo a capacidade de ler, dirigir e reconhecer rostos — o que explica por que as doenças retinianas lideram as causas de perda visual irreversível em adultos no mundo moderno.

2. Principais doenças da retina

Doença Causa principal Faixa etária Tratamento principal
Retinopatia diabética Diabetes mellitus Adultos com diabetes Anti-VEGF, laser, vitrectomia
DMRI neovascular Envelhecimento + genética > 60 anos Anti-VEGF intravítreo
DMRI atrófica Envelhecimento > 60 anos Suplementação AREDS2, anti-C5
Edema macular diabético Diabetes mellitus Adultos com diabetes Anti-VEGF, laser focal
Oclusão venosa da retina Hipertensão, trombose > 50 anos Anti-VEGF, laser
Descolamento de retina Tração vítrea, trauma, miopia Qualquer idade Vitrectomia, cerclagem
Buraco macular Tração vítrea > 60 anos Vitrectomia
Membrana epirretiniana Proliferação celular > 50 anos Vitrectomia
Retinopatia hipertensiva Hipertensão arterial > 40 anos Controle da PA
Coriorretinopatia serosa central Estresse, corticosteroides 30-50 anos (homens) Observação, laser, anti-VEGF

3. Retinopatia diabética: classificação e epidemiologia

A retinopatia diabética (RD) é a complicação microvascular mais frequente do diabetes mellitus e a principal causa de cegueira em adultos em idade ativa (20-74 anos) nos países desenvolvidos. É causada pelo dano progressivo aos vasos sanguíneos da retina, decorrente da hiperglicemia crônica.

Revisão sistemática e meta-análise publicada no JAMA Ophthalmology em 2024 por Zayed et al. demonstrou que a qualidade de vida relacionada à visão diminui progressivamente com a presença e a gravidade da retinopatia diabética, reforçando a importância do rastreamento precoce e do tratamento adequado.[1]

1/3
dos pacientes com diabetes tem algum grau de RD
90%
dos pacientes com DM tipo 1 têm RD após 20 anos
60%
dos pacientes com DM tipo 2 têm RD após 20 anos
5 mi
de brasileiros com diabetes têm retinopatia

Classificação da retinopatia diabética (ETDRS)

Estágio Achados fundoscópicos Risco de progressão
Sem RD Retina normal Baixo
RD não proliferativa leve Microaneurismas isolados Baixo
RD não proliferativa moderada Hemorragias, exsudatos duros, manchas algodonosas Moderado
RD não proliferativa grave Regra 4-2-1: hemorragias em 4 quadrantes, veias em rosário em 2 quadrantes, AMIR em 1 quadrante Alto (50% progride para RDP em 1 ano)
RD proliferativa (RDP) Neovascularização do disco ou da retina periférica Muito alto (risco de hemorragia vítrea e descolamento tracional)
Edema macular diabético (EMD) Espessamento retiniano na área macular (central ou não central) Risco de perda visual central independente do estágio da RD

Rastreamento recomendado (AAO e CBO)

Diabetes tipo 1

Exame oftalmológico anual a partir de 5 anos após o diagnóstico (ou a partir dos 10 anos de idade)

Diabetes tipo 2

Exame imediatamente após o diagnóstico e, pelo menos, anualmente a partir de então

Gestantes com diabetes

Exame no 1º trimestre e acompanhamento rigoroso durante toda a gestação — risco de progressão rápida

PANORAMA — Ophthalmology 2019 (Evidência Nível I)

"O estudo PANORAMA, publicado no Ophthalmology em 2019, demonstrou que o aflibercepte intravítreo 2 mg reduziu significativamente a progressão da retinopatia diabética não proliferativa moderada a grave, com 80% dos pacientes apresentando melhora de dois ou mais graus na escala ETDRS após 2 anos, em comparação com 15% no grupo controle." [3]

4. Degeneração macular relacionada à idade (DMRI)

A degeneração macular relacionada à idade (DMRI) é a principal causa de perda visual irreversível em pessoas acima de 60 anos nos países desenvolvidos. Afeta a mácula — a região central da retina responsável pela visão de detalhes — comprometendo progressivamente a visão central, enquanto a visão periférica é preservada.

Revisão publicada no JAMA em 2024 por Fleckenstein, Schmitz-Valckenberg e Chakravarthy confirma que a DMRI afeta mais de 196 milhões de pessoas globalmente e que o tratamento anti-VEGF intravítreo é a terapia de primeira linha para a forma neovascular (exsudativa).[2]

DMRI seca (atrófica) — 85-90% dos casos

Progressão lenta, com acúmulo de drusas (depósitos lipídicos) e atrofia progressiva do epitélio pigmentado da retina (EPR). Sem tratamento curativo disponível; suplementação com antioxidantes (AREDS2: vitaminas C, E, luteína, zeaxantina, zinco) pode reduzir o risco de progressão para DMRI avançada em 25%. Terapia anti-complemento (pegcetacoplan, avacincaptad pegol) aprovada pela FDA para atrofia geográfica avançada.

DMRI úmida (neovascular) — 10-15% dos casos, 90% da cegueira por DMRI

Crescimento de novos vasos sanguíneos anômalos sob a retina (neovascularização coroidal — NVC), que vazam fluido e sangue. Progressão rápida, com perda visual central em semanas a meses se não tratada. Tratamento com injeções intravítreas anti-VEGF é altamente eficaz na estabilização e frequente melhora da visão — 30-40% dos pacientes ganham 3 ou mais linhas de visão com tratamento adequado.

Fatores de risco para DMRI

Idade > 60 anosTabagismo (principal fator modificável)História familiarRaça caucasianaHipertensão arterialObesidadeExposição excessiva à luz solarDieta pobre em antioxidantes

5. Injeções intravítreas anti-VEGF: a revolução no tratamento

As injeções intravítreas são o procedimento mais realizado em oftalmologia no mundo atualmente, com mais de 8 milhões de injeções realizadas anualmente nos EUA. Consistem na aplicação de medicamentos diretamente no interior do olho (câmara vítrea), por meio de uma agulha fina introduzida pela esclera. O procedimento é realizado em consultório, sob anestesia tópica, e dura apenas alguns minutos.

Os medicamentos anti-VEGF (anti-fator de crescimento endotelial vascular) bloqueiam a ação do VEGF — uma proteína que estimula o crescimento de novos vasos sanguíneos anômalos e o aumento da permeabilidade vascular. Ao bloquear o VEGF, esses medicamentos reduzem o vazamento de fluido, a neovascularização e o edema macular.

Medicamento Nome comercial Mecanismo Intervalo máximo Indicações
Ranibizumabe Lucentis Fragmento anti-VEGF-A Mensal (fase inicial) DMRI, EMD, OVR
Bevacizumabe Avastin (off-label) Anticorpo anti-VEGF-A Mensal DMRI, EMD, OVR (off-label)
Aflibercepte Eylea Anti-VEGF-A/B + PlGF Bimestral DMRI, EMD, OVR, RDP
Faricimabe Vabysmo Anti-VEGF-A + anti-Ang-2 Até 16 semanas DMRI, EMD
Brolucizumabe Beovu Anti-VEGF-A (scFv) Trimestral DMRI neovascular

DRCR.net Protocol T — NEJM 2015 (Evidência Nível I)

"O ensaio clínico randomizado DRCR.net Protocol T, publicado no New England Journal of Medicine em 2015, comparou aflibercepte, bevacizumabe e ranibizumabe intravítreos no tratamento do edema macular diabético em 660 pacientes. Os resultados demonstraram que todos os três medicamentos melhoraram a visão, mas o aflibercepte foi mais eficaz em pacientes com acuidade visual inicial mais comprometida (20/50 ou pior), com ganho médio de 18,9 letras ETDRS vs. 14,2 (ranibizumabe) e 11,8 (bevacizumabe)." [4]

TENAYA/LUCERNE — Lancet 2022 (Faricimabe)

"Os estudos TENAYA e LUCERNE, publicados no Lancet em 2022, demonstraram que o faricimabe — com duplo mecanismo de ação (anti-VEGF-A + anti-angiopoietina-2) — alcançou resultados não inferiores ao aflibercepte na DMRI neovascular, com 45% dos pacientes mantendo intervalos de 16 semanas entre injeções após 1 ano, reduzindo significativamente o ônus do tratamento." [5]

Como é realizada a injeção intravítrea

1

Instilação de colírio anestésico e antisséptico (iodopovidona)

2

Colocação de campo estéril e espéculo palpebral

3

Marcação do ponto de injeção (3,5-4 mm do limbo)

4

Injeção do medicamento com agulha 30G (< 5 segundos)

5

Verificação da pressão intraocular e da perfusão do nervo óptico

6. Laser de retina: fotocoagulação

O laser de retina (fotocoagulação) é utilizado há décadas no tratamento de doenças retinianas e continua sendo uma ferramenta importante, especialmente para a retinopatia diabética proliferativa e o tratamento preventivo de rupturas retinianas.

Fotocoagulação panretiniana (PRP)

Tratamento da retinopatia diabética proliferativa, destruindo áreas isquêmicas da retina periférica para reduzir a produção de VEGF e a neovascularização. Ensaio clínico randomizado publicado no JAMA em 2015 comparou a PRP com o ranibizumabe intravítreo para RDP — o ranibizumabe resultou em melhor acuidade visual e menor perda de campo visual periférico, embora a PRP continue sendo opção importante, especialmente em pacientes com dificuldade de adesão ao tratamento intravítreo.

Laser focal/em grade

Tratamento de microaneurismas e vazamentos localizados no edema macular diabético, especialmente em casos não centrais (fora da fóvea). Menos utilizado desde a introdução dos anti-VEGFs, mas ainda indicado em casos selecionados.

Retinopexa a laser

Selamento de rupturas retinianas antes que evoluam para descolamento de retina — procedimento preventivo de alta eficácia, realizado em consultório com anestesia tópica.

Laser de baixa fluência (micropulso)

Modalidade mais recente que aplica energia laser de forma fracionada, causando menos dano ao EPR. Indicado para edema macular diabético e coriorretinopatia serosa central.

Na Drudi e Almeida, utilizamos o laser de retina Argônio Multipoint Vitra 2 (Quantel Medical), que permite aplicação de múltiplos pontos de laser simultaneamente, reduzindo o tempo de tratamento e o desconforto do paciente.

7. Vitrectomia posterior

A vitrectomia posterior (PPV — pars plana vitrectomy) é uma cirurgia intraocular que remove o gel vítreo do interior do olho para tratar diversas condições retinianas. É realizada por meio de três microincisões de 0,5 mm (calibre 25G ou 27G) na esclera, sem necessidade de pontos, com recuperação mais rápida que as técnicas antigas.

Indicações da vitrectomia

Hemorragia vítrea (sangramento no gel vítreo, frequente na RD proliferativa)
Descolamento de retina tracional (causado por membranas fibrovasculares em pacientes com RD proliferativa)
Buraco macular (ruptura na fóvea — taxa de sucesso > 90% com vitrectomia)
Membrana epirretiniana (membrana que distorce a retina)
Descolamento de retina regmatogênico complexo
Endoftalmite (infecção intraocular grave — emergência)
Luxação de LIO (lente intraocular) para o vítreo
Corpo estranho intraocular

Meta-análise — JAMA Ophthalmology 2023

"Meta-análise publicada no JAMA Ophthalmology em 2023 por McCullough et al. investigou os resultados da vitrectomia pars plana para descolamento de retina tracional diabético, demonstrando que a PPV é eficaz para o re-descolamento da retina, com taxa de sucesso anatômico de 85-90%, embora a visão final pós-operatória seja limitada pela extensão do dano retiniano pré-existente." [8]

8. Descolamento de retina: emergência oftalmológica

O descolamento de retina é uma emergência oftalmológica que ocorre quando a retina se separa da camada pigmentada subjacente (epitélio pigmentado da retina — EPR). Sem tratamento urgente, pode resultar em perda visual permanente, especialmente quando o descolamento atinge a mácula.

⚠️ Sintomas de alerta — procure o oftalmologista imediatamente

! Moscas volantes súbitas (floaters): aumento repentino de pontos, fios ou teias na visão
! Flashes de luz (fotopsias): clarões ou relâmpagos na visão periférica
! Sombra ou cortina cobrindo parte do campo visual (sintoma de descolamento já instalado)
! Distorção de imagens retas (metamorfopsia): indica envolvimento macular

Tipo Regmatogênico

Causado por ruptura na retina que permite a entrada de fluido vítreo sob a retina. É o tipo mais comum. Tratamento: vitrectomia ou cerclagem escleral.

Tipo Tracional

Causado por membranas fibrovasculares que tracionam a retina, comum na RD proliferativa. Tratamento: vitrectomia com remoção das membranas.

Tipo Exsudativo

Causado por acúmulo de fluido sob a retina sem ruptura, associado a tumores, inflamações ou DMRI exsudativa. Tratamento da causa subjacente.

9. Oclusão venosa da retina

A oclusão venosa da retina (OVR) é causada pelo bloqueio de uma veia retiniana, resultando em hemorragias retinianas, edema macular e, frequentemente, perda visual. É a segunda doença vascular retiniana mais comum após a retinopatia diabética, com incidência de 0,5-2% em pessoas acima de 40 anos.

Oclusão da veia central da retina (OVCR)

Bloqueio da veia central da retina, causando hemorragias em todos os 4 quadrantes da retina ("sangue em tempestade"). Pode ser isquêmica (pior prognóstico, risco de neovascularização e glaucoma neovascular) ou não isquêmica.

Oclusão de ramo venoso da retina (ORVR)

Bloqueio de um ramo venoso, causando hemorragias em um setor da retina. Geralmente melhor prognóstico que a OVCR. O edema macular é a principal causa de perda visual e responde bem ao tratamento com anti-VEGF.

A fisiopatologia da OVR está intimamente ligada à anatomia do nervo óptico e dos cruzamentos arteriovenosos. Em locais onde uma artéria e uma veia compartilham a mesma bainha adventícia, o espessamento e o endurecimento da artéria (arteriosclerose, comum em hipertensos) comprime a veia subjacente. Isso causa turbulência no fluxo sanguíneo, lesão endotelial e formação de trombo (tríade de Virchow), bloqueando a drenagem do sangue.

A investigação sistêmica é mandatória: os principais fatores de risco incluem hipertensão arterial (presente em mais de 60% dos casos), diabetes, dislipidemia, tabagismo e glaucoma de ângulo aberto (que reduz a pressão de perfusão venosa). Em pacientes com menos de 50 anos, deve-se investigar obrigatoriamente trombofilias (fator V de Leiden, mutação da protrombina, síndrome do anticorpo antifosfolípide) e doenças inflamatórias sistêmicas.

O tratamento revolucionou-se na última década. As injeções intravítreas anti-VEGF (como aflibercepte, ranibizumabe e faricimabe) são a primeira linha incontestável para o edema macular secundário à OVR. Estudos pivotais como o BRAVO (para ORVR) e CRUISE (para OVCR) demonstraram ganhos médios de 18 letras ETDRS na acuidade visual logo no primeiro ano de tratamento. Implantes intravítreos de liberação prolongada de corticosteroides (como a dexametasona — Ozurdex) são excelentes opções de segunda linha ou para pacientes pseudofácicos (que já operaram catarata) e sem glaucoma, com efeito duradouro de até 6 meses.

10. Monitoramento e exames de retina

Perfil de paciente Frequência recomendada
Todos os pacientes com diabetes Anualmente, ou com maior frequência se houver retinopatia
Pacientes com miopia alta (> -6,00 D) Anualmente, com mapeamento de retina e pesquisa de degeneração lattice
Pacientes acima de 60 anos Anualmente, para rastreamento de DMRI e outras doenças retinianas
Pacientes com hipertensão arterial não controlada Regularmente, para avaliação de retinopatia hipertensiva
Pacientes com história familiar de descolamento de retina Anualmente, com mapeamento de retina
Pacientes em tratamento com anti-VEGF Conforme protocolo individualizado (mensal a trimestral)

Tomografia de Coerência Óptica (OCT)

O exame mais importante da retinologia moderna. Realiza cortes ópticos transversais da retina em alta resolução (escala de micrômetros), permitindo quantificar a espessura macular e identificar a exata localização de fluidos (edema intrarretiniano ou sub-retiniano). É o padrão-ouro para indicar e monitorar o tratamento com anti-VEGF.

Angio-OCT (OCTA)

Evolução do OCT tradicional que mapeia o fluxo sanguíneo nos capilares da retina e da coroide em 3D, sem necessidade de injetar contraste na veia do paciente. Fundamental para diagnosticar membranas neovasculares sutis na DMRI e áreas de isquemia na retinopatia diabética.

Retinografia Digital

Documentação fotográfica colorida de alta resolução do fundo de olho. Permite o acompanhamento longitudinal preciso de lesões, contagem de microaneurismas e é a base dos programas de telemedicina e rastreamento populacional de retinopatia diabética.

Angiofluoresceinografia (AFG)

Exame dinâmico realizado com injeção intravenosa de contraste (fluoresceína sódica). Mostra em tempo real o tempo de trânsito do sangue nos vasos retinianos. É o exame definitivo para confirmar vazamentos ativos (leakage), oclusões vasculares e neovascularização franca.

Mapeamento de Retina

O exame clínico fundamental, realizado pelo oftalmologista com oftalmoscópio indireto e lente de aumento após a dilatação da pupila. É o único exame que permite a visualização dinâmica de 100% da retina periférica, sendo indispensável para encontrar rupturas, buracos e degenerações que precedem o descolamento de retina.

Ultrassonografia Ocular (Ecografia)

Exame de imagem por ondas sonoras, utilizado quando não é possível ver a retina devido a opacidades nos meios transparentes do olho (como uma catarata muito densa ou uma hemorragia vítrea volumosa). Essencial para descartar descolamento de retina ou tumores antes de uma cirurgia.

11. Perguntas frequentes

As injeções intravítreas doem? +

O procedimento é realizado sob anestesia tópica (colírios anestésicos potentes), portanto não há dor aguda durante a injeção. O paciente sente apenas uma leve sensação de pressão no olho que dura cerca de 2 a 3 segundos. Após o procedimento, quando o anestésico perde o efeito, pode haver uma sensação de areia ou leve ardência (devido ao uso do antisséptico de iodo), que desaparece em poucas horas e é facilmente controlada com colírios lubrificantes.

Quantas injeções intravítreas são necessárias? +

Não existe um número fixo; o tratamento é crônico e individualizado. Tanto para a DMRI neovascular quanto para o Edema Macular Diabético, o protocolo padrão internacional inicia-se com uma "fase de indução" de 3 injeções mensais consecutivas. Após isso, inicia-se a "fase de manutenção", onde o médico ajusta o intervalo entre as doses (protocolo Treat-and-Extend) com base na resposta anatômica vista no exame de OCT. Com as novas drogas (como o faricimabe), muitos pacientes conseguem espaçar as injeções para a cada 3 ou 4 meses.

As injeções intravítreas são seguras para a saúde geral? +

Sim, são extremamente seguras. A quantidade de medicamento injetada no olho é minúscula (0,05 ml) e a absorção sistêmica (para o resto do corpo) é clinicamente insignificante. Estudos clínicos gigantescos e de longo prazo (como os ensaios CATT e IVAN) já comprovaram que o uso crônico de anti-VEGF intraocular não aumenta de forma significativa o risco de infarto, AVC ou eventos tromboembólicos.

Qual é o risco de infecção na injeção intravítrea? +

O risco de endoftalmite (infecção grave dentro do olho) é extremamente baixo: ocorre em cerca de 1 a cada 2.000 a 3.000 injeções (menos de 0,05%). Esse nível de segurança é alcançado graças ao uso rigoroso de iodopovidona a 5% (um antisséptico potente) na superfície do olho antes da injeção, além do uso de material estéril e técnica cirúrgica asséptica em ambiente controlado.

O diabetes pode realmente causar cegueira? +

Sim. A Retinopatia Diabética é a principal causa de cegueira legal e irreversível em adultos em idade produtiva (20 a 74 anos) no mundo. A hiperglicemia crônica destrói silenciosamente os capilares da retina. No entanto, a boa notícia é que a cegueira por diabetes é altamente evitável: o controle rigoroso da glicemia e da pressão arterial, associado ao exame de mapeamento de retina anual, permite diagnosticar e tratar as lesões com laser ou injeções muito antes que a visão seja comprometida.

Tenho diabetes tipo 2 recém-diagnosticado. Quando devo ir ao oftalmologista? +

Imediatamente. Diferente do diabetes tipo 1 (onde o exame de retina pode ser feito 5 anos após o diagnóstico), no diabetes tipo 2 a doença sistêmica frequentemente já existe há anos de forma silenciosa antes de ser descoberta no exame de sangue. Estima-se que cerca de 20% dos pacientes com diabetes tipo 2 recém-diagnosticado já apresentem algum grau de retinopatia diabética no momento do diagnóstico.

O que são as "moscas volantes" e quando devo me preocupar? +

Moscas volantes (floaters) são pequenas condensações de proteínas no gel vítreo que projetam sombras na retina. Elas aparecem como pontinhos pretos, teias de aranha ou fios de cabelo que se movem junto com o olho. Embora sejam comuns e geralmente inofensivas (decorrentes do envelhecimento natural do vítreo), você deve procurar um retinólogo URGENTEMENTE se notar: 1) Um aumento súbito na quantidade de moscas volantes; 2) Flashes de luz (como relâmpagos) na visão periférica; 3) Uma sombra ou "cortina escura" cobrindo parte da sua visão. Esses são os sintomas clássicos de uma ruptura ou descolamento de retina.

Como posso prevenir a Degeneração Macular (DMRI)? +

A idade avançada e a genética (história familiar) não podem ser modificadas, mas você pode atuar fortemente nos fatores ambientais. A principal medida preventiva é NÃO FUMAR (o cigarro aumenta o risco em até 4 vezes). Além disso, use óculos de sol com proteção UV 100%, mantenha a pressão arterial e o colesterol sob controle, e adote uma dieta rica em folhas verdes escuras (espinafre, couve), peixes ricos em ômega-3 e antioxidantes. A suplementação vitamínica específica (fórmula AREDS2) é indicada apenas para pacientes que já possuem drusas intermediárias ou DMRI avançada em um dos olhos, sob prescrição médica.

Instituto da Retina — Drudi e Almeida

Dirigido pelo Dr. Fernando Macei Drudi (CRM-SP 139.300 | RQE 58.695) — especialista em retina e vítreo pelo HSPE/IAMSPE, com mais de 10 anos de experiência em vitrectomia, injeções intravítreas e laser de retina.

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12. Referências científicas

  1. 1

    Zayed MG, Karsan W, Peto T, Saravanan P, Virgili G, Preiss D. Diabetic Retinopathy and Quality of Life: A Systematic Review and Meta-Analysis. JAMA Ophthalmol. 2024. DOI →

  2. 2

    Fleckenstein M, Schmitz-Valckenberg S, Chakravarthy U. Age-Related Macular Degeneration: A Review. JAMA. 2024;331(2):147-157. DOI →

  3. 3

    Gross JG, et al. Panretinal Photocoagulation vs Intravitreous Ranibizumab for Proliferative Diabetic Retinopathy: A Randomized Clinical Trial. JAMA. 2015;314(20):2137-2146. DOI →

  4. 4

    Diabetic Retinopathy Clinical Research Network. Aflibercept, Bevacizumab, or Ranibizumab for Diabetic Macular Edema. N Engl J Med. 2015;372(13):1193-1203. DOI →

  5. 5

    Heier JS, et al. Intravitreal Faricimab for Neovascular Age-Related Macular Degeneration (TENAYA and LUCERNE): Two Randomised, Double-Masked, Phase 3, Non-Inferiority Trials. Lancet. 2022;399(10326):729-740. DOI →

  6. 6

    Nichani PAH, et al. Efficacy and Safety of Intravitreal Faricimab in Neovascular AMD, DME, and RVO: A Meta-Analysis. Ophthalmologica. 2024. DOI →

  7. 7

    Ngo-Ntjam N, et al. Cardiovascular Adverse Events With Intravitreal Anti-VEGF Drugs: A Systematic Review and Meta-analysis. JAMA Ophthalmol. 2021. DOI →

  8. 8

    McCullough P, et al. Outcomes and Complications of Pars Plana Vitrectomy for Tractional Retinal Detachment in Diabetes: A Systematic Review. JAMA Ophthalmol. 2023. DOI →

Este guia foi elaborado com base nas melhores evidências científicas disponíveis até abril de 2026. As informações têm caráter educativo e não substituem a consulta médica individualizada. Para diagnóstico e tratamento, consulte um oftalmologista especialista em retina.

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