Diabetes e visão: o exame da retina faz parte do cuidado
Numa análise de 35 estudos populacionais, cerca de 1 em cada 3 pessoas com diabetes tinha algum grau de retinopatia, e cerca de 1 em cada 10 tinha uma forma que ameaça a visão.[4] No começo, a retinopatia não dá sintomas, e a perda de visão da fase avançada pode ser irreversível. O exame periódico encontra a doença antes dos sintomas, quando o tratamento ajuda a reduzir o risco de perda de visão.[2]
1. O que é a retinopatia diabética
A retinopatia diabética (RD) é a lesão dos pequenos vasos da retina causada pela glicemia alta ao longo dos anos. Os vasos passam a vazar líquido e sangue, ou se fecham. Nas áreas que ficam sem circulação, a retina libera substâncias como o VEGF, que estimulam a formação de vasos novos e frágeis, que sangram com facilidade. Nos países de alta renda, a retinopatia diabética é a causa mais frequente de casos novos de cegueira entre adultos de 20 a 74 anos.[2]
A retina é a fina camada de tecido nervoso que reveste o fundo do olho e transforma a luz em sinais que o nervo óptico leva ao cérebro. A mácula é a região central da retina, responsável pela visão de detalhes, a que usamos para ler e reconhecer rostos. Quando a doença atinge a mácula, ler, dirigir e reconhecer rostos fica difícil, mesmo que a visão lateral continue boa.
Na Classificação Internacional de Doenças (CID-10), a retinopatia diabética tem o código H36.0, usado junto com o código do diabetes com complicação nos olhos (de E10.3 a E14.3, conforme o tipo de diabetes).
2. Como fica a visão
Na maior parte do tempo, a retinopatia diabética não muda a visão. Ela pode existir por anos sem nenhum sintoma, e por isso o exame da retina é feito mesmo em quem enxerga bem. Quando a visão muda, depende de qual parte da retina foi atingida:
No começo
A visão costuma ser normal. O oftalmologista vê as alterações no exame de fundo de olho antes de a pessoa notar qualquer coisa.
Edema macular
Quando o líquido se acumula no centro da retina, a visão fica embaçada para ler e ver detalhes, as linhas retas podem parecer tortas e as cores, mais apagadas. A piora costuma ser lenta.
Sangramento no vítreo
Na forma proliferativa, os vasos novos podem sangrar dentro do olho. Aparecem manchas escuras que flutuam, fios ou uma névoa, e a visão pode cair muito de uma hora para outra.
Descolamento por tração
Membranas que se formam junto dos vasos novos podem puxar a retina. Aparece uma sombra ou cortina que cobre parte da visão.
A visão também pode ficar embaçada e oscilar quando a glicemia muda muito. Nesse caso o motivo costuma ser o grau do olho, que varia com o açúcar no sangue, e não a retinopatia; só o exame separa uma coisa da outra.
Procure atendimento oftalmológico no mesmo dia se a visão cair de repente, se surgirem muitas manchas ou pontos escuros de uma vez, flashes de luz ou uma sombra cobrindo parte da visão.
O Centro do Paciente Diabético tem um simulador de como a visão muda em cada estágio.
3. Estágios, frequência e quando examinar
Uma revisão sistemática com meta-análise de 93 artigos, publicada no JAMA Ophthalmology em 2024 por Zayed et al., mostrou que a qualidade de vida ligada à visão cai quando a retinopatia aparece e cai mais à medida que ela se agrava; a queda é maior nas formas que ameaçam a visão.[3]
Uma análise de 35 estudos populacionais feitos entre 1980 e 2008, com quase 23 mil pessoas com diabetes, estimou quantas tinham retinopatia. Ela foi mais frequente quanto maior o tempo de diabetes, a hemoglobina glicada (HbA1c) e a pressão arterial, e mais comum no diabetes tipo 1 do que no tipo 2.[4]
Estágios da retinopatia diabética (classificação internacional)
A classificação internacional divide a retinopatia em cinco estágios e avalia o edema macular à parte. Os três primeiros estágios são considerados de baixo risco.[5]
| Estágio | O que o oftalmologista vê no exame | O que costuma significar |
|---|---|---|
| Sem retinopatia aparente | Nenhuma alteração | Manter o exame periódico |
| Não proliferativa leve | Apenas microaneurismas (pequenas dilatações nos vasos) | Acompanhamento regular |
| Não proliferativa moderada | Mais do que microaneurismas (hemorragias, exsudatos, manchas algodonosas), sem os critérios da forma grave | Acompanhamento mais próximo com o oftalmologista |
| Não proliferativa grave | Regra 4-2-1: mais de 20 hemorragias em cada um dos 4 quadrantes da retina, ou veias em "rosário" em 2 quadrantes, ou alterações microvasculares intrarretinianas em 1 quadrante; sem vasos novos | Risco alto de evoluir para a forma proliferativa |
| Proliferativa | Vasos novos no disco óptico ou na retina; pode haver sangramento no vítreo | Risco de hemorragia vítrea e de descolamento da retina por tração; precisa de tratamento |
| Edema macular diabético | Espessamento ou exsudatos na mácula; pode acompanhar qualquer estágio da retinopatia | Pode afetar a visão central |
Quando examinar a retina (recomendações da ADA de 2026)
As recomendações da Associação Americana de Diabetes (ADA) de 2026 orientam ajudar cada pessoa com diabetes a atingir as metas de glicemia, de pressão arterial e de gorduras do sangue, para reduzir o risco de a retinopatia surgir ou piorar, e definem os prazos do exame da retina:[2]
Diabetes tipo 2
O primeiro exame com dilatação da pupila deve ser feito já no diagnóstico.
Diabetes tipo 1 (adultos)
O primeiro exame deve ser feito 5 anos depois do início do diabetes.
Depois do primeiro exame
Se houver retinopatia, repita pelo menos uma vez por ano, e com mais frequência se ela estiver piorando. Se um ou mais exames anuais não mostrarem retinopatia e a glicemia estiver na meta, o intervalo pode ser de 1 a 2 anos.
Gestação
Quem já tinha diabetes tipo 1 ou tipo 2 deve fazer o exame antes de engravidar e no primeiro trimestre; conforme o grau da retinopatia, pode precisar de exame a cada trimestre e até 1 ano depois do parto.
O seu oftalmologista ajusta o intervalo ao seu caso.
PANORAMA — JAMA Ophthalmology, 2021 (ensaio clínico randomizado)
O estudo PANORAMA sorteou 402 adultos com retinopatia diabética não proliferativa moderadamente grave ou grave, sem edema macular, para receber injeções de aflibercepte 2 mg em dois esquemas ou injeções simuladas (grupo controle). Em 52 semanas, a retinopatia melhorou dois ou mais degraus na escala de gravidade em 65,2% dos olhos tratados a cada 16 semanas e em 79,9% dos tratados a cada 8 semanas, contra 15,0% no grupo controle. Até 100 semanas, complicações que ameaçam a visão ou edema macular central apareceram em 16,3% e 18,7% dos olhos tratados, contra 50,4% no grupo controle. Os autores observam que os resultados entre o primeiro e o segundo ano mostram a necessidade de manter o tratamento e os retornos. [6]
4. Injeções intravítreas de anti-VEGF
A injeção intravítrea coloca o medicamento dentro do olho, na cavidade do vítreo, com uma agulha fina que entra pela parte branca do olho (a esclera). Antes da aplicação, o olho recebe colírio anestésico e é limpo com antisséptico. A aplicação leva poucos minutos, e você vai para casa no mesmo dia. Na Drudi e Almeida, as injeções intravítreas são feitas no MIRA Hospital Oftalmológico, hospital próprio da rede.
Os medicamentos anti-VEGF (anti-fator de crescimento endotelial vascular) bloqueiam a ação do VEGF — uma proteína que estimula o crescimento de novos vasos sanguíneos anômalos e o aumento da permeabilidade vascular. Ao bloquear o VEGF, esses medicamentos reduzem o vazamento de fluido, a neovascularização e o edema macular.
| Princípio ativo | Como age | Principais usos na retina |
|---|---|---|
| Ranibizumabe | Fragmento de anticorpo que bloqueia o VEGF-A | DMRI úmida, edema macular diabético, edema por oclusão venosa |
| Aflibercepte | Proteína que se liga ao VEGF-A, ao VEGF-B e ao fator de crescimento placentário (PlGF) | DMRI úmida, edema macular diabético, edema por oclusão venosa |
| Faricimabe | Anticorpo que bloqueia o VEGF-A e a angiopoietina-2 | DMRI úmida, edema macular diabético, edema por oclusão venosa |
| Bevacizumabe | Anticorpo que bloqueia o VEGF-A; foi criado para tratar câncer e, no olho, é usado fora da bula (off-label) | Edema macular diabético, DMRI úmida, edema por oclusão venosa |
Existem outros anti-VEGF e também biossimilares, versões parecidas com os medicamentos originais, com segurança, pureza e potência comparáveis.[1] O médico escolhe o medicamento conforme a doença, a resposta do olho ao tratamento e a disponibilidade.
DRCR.net Protocol T — NEJM, 2015 (ensaio clínico randomizado)
O Protocol T sorteou 660 adultos com edema macular diabético no centro da mácula para receber aflibercepte, bevacizumabe ou ranibizumabe. Em 1 ano, os três melhoraram a visão. Quando a perda de visão inicial era leve, não houve diferença entre eles. Quando a visão inicial era 20/50 ou pior, o aflibercepte melhorou mais a visão: ganho médio de 18,9 letras, contra 14,2 com ranibizumabe e 11,8 com bevacizumabe. [8]
TENAYA e LUCERNE — Lancet, 2022 (faricimabe)
Os estudos TENAYA e LUCERNE compararam, em 1.329 pessoas com DMRI úmida, o faricimabe (que bloqueia o VEGF-A e a angiopoietina-2), aplicado em intervalos de até 16 semanas conforme a atividade da doença, com o aflibercepte a cada 8 semanas. O ganho de visão com o faricimabe não foi inferior ao do aflibercepte (5,8 contra 5,1 letras no TENAYA; 6,6 contra 6,6 letras no LUCERNE), e os eventos adversos oculares foram parecidos. [9]
Uma meta-análise de 13 estudos, publicada na Ophthalmologica em 2024, comparou o faricimabe com anti-VEGF de ação única na DMRI úmida, no edema macular diabético e na oclusão venosa. A visão final foi semelhante nos dois grupos. O faricimabe reduziu mais a espessura da mácula no edema diabético e na oclusão venosa, mas não na DMRI, e os eventos adversos oculares foram parecidos. Os autores pedem estudos de prazo mais longo.[10] Medicamentos e esquemas mais recentes permitem, em parte dos pacientes, intervalos maiores entre as aplicações.[1]
Como é realizada a injeção intravítrea
Instilação de colírio anestésico e antisséptico (iodopovidona)
Colocação de campo estéril e espéculo palpebral
Marcação do ponto de injeção (3,5-4 mm do limbo)
Injeção do medicamento com agulha 30G (< 5 segundos)
Verificação da pressão intraocular e da perfusão do nervo óptico
Segurança
A complicação mais grave é a infecção dentro do olho (endoftalmite). Ela é rara: no estudo CATT, ocorreu em 0,06% das injeções, cerca de 1 em cada 1.700. Descolamento de retina e lesão do cristalino também são raros. A pressão do olho pode subir logo depois da injeção e, em geral, volta ao normal sozinha em pouco tempo.[1]
Quanto ao resto do corpo, uma meta-análise de 74 ensaios clínicos, publicada no JAMA Ophthalmology em 2021, não encontrou aumento dos eventos cardiovasculares maiores, como infarto e AVC, com o anti-VEGF intravítreo. Os autores viram, porém, um possível aumento da mortalidade em pessoas com retinopatia diabética e dos sangramentos fora do olho, sobretudo na DMRI; como a evidência foi fraca, recomendam continuar a vigilância.[11] Quem usa anticoagulante, em geral, não precisa suspender o remédio para a injeção;[1] siga sempre a orientação do seu médico.
5. Laser de retina: fotocoagulação
O laser de retina (fotocoagulação) é usado há décadas no tratamento de doenças da retina e continua indicado em várias situações, sobretudo na retinopatia diabética proliferativa e no tratamento preventivo de roturas da retina.
Fotocoagulação panretiniana (PRP)
Tratamento da retinopatia diabética proliferativa: o laser é aplicado na periferia da retina, nas áreas sem circulação, para diminuir a produção de VEGF e a formação de vasos anormais. Um ensaio clínico publicado no JAMA em 2015 comparou o ranibizumabe intravítreo com a fotocoagulação panretiniana em 394 olhos. Em 2 anos, a visão com ranibizumabe não foi pior que a do laser (resultado não inferior), e os olhos tratados com laser tiveram mais perda do campo visual periférico, precisaram mais de vitrectomia e tiveram mais edema macular.[12]
O que dizem as recomendações
As recomendações da ADA indicam o laser panretiniano na forma proliferativa de alto risco e consideram as injeções de anti-VEGF uma alternativa razoável. Lembram também que as injeções exigem retornos regulares e que interrupções não planejadas pioram o resultado.[2]
Laser focal/em grade
Tratamento de microaneurismas e vazamentos localizados no edema macular diabético, especialmente em casos não centrais (fora da fóvea). Menos utilizado desde a introdução dos anti-VEGFs, mas ainda indicado em casos selecionados.
Retinopexia a laser
Selamento de rupturas retinianas antes que evoluam para descolamento de retina — procedimento preventivo, feito no MIRA Hospital Oftalmológico com anestesia em colírio.
Laser micropulsado (baixa fluência)
Modalidade mais recente que aplica a energia do laser em pulsos curtos, causando menos dano ao epitélio pigmentado da retina. É usado em casos selecionados de edema macular diabético e de coriorretinopatia serosa central. A Drudi e Almeida faz o laser micropulsado no MIRA Hospital Oftalmológico, hospital próprio da rede.
Na Drudi e Almeida, a fotocoagulação a laser (o laser de argônio), usada no tratamento da retina e na retinopexia, é feita no MIRA Hospital Oftalmológico, hospital próprio da rede, assim como o laser micropulsado.
6. Vitrectomia posterior
A vitrectomia posterior (via pars plana) é a cirurgia que retira o gel vítreo de dentro do olho para tratar a retina. É feita por incisões pequenas na parede do olho, que em geral dispensam pontos. Na Drudi e Almeida, a vitrectomia é feita no MIRA Hospital Oftalmológico, hospital próprio da rede.
Indicações da vitrectomia
Meta-análise — JAMA Ophthalmology, 2023
Uma meta-análise de 38 estudos, com 3.839 olhos, publicada por McCullough et al., avaliou a vitrectomia no descolamento de retina por tração em pessoas com diabetes. A retina não ficou colada depois de uma única cirurgia em 5,9% dos olhos. A visão final média foi baixa, e quem chegou à cirurgia com visão melhor terminou com visão melhor. Os autores recomendam considerar a cirurgia cedo e conversar com o paciente sobre o prognóstico reservado. [13]
7. Exames e acompanhamento
| Perfil de paciente | Frequência recomendada |
|---|---|
| Todos os pacientes com diabetes | Nos prazos do capítulo 3: em geral uma vez por ano, e com mais frequência se a retinopatia estiver piorando |
| Pacientes com miopia alta (> -6,00 D) | Anualmente, com mapeamento de retina e pesquisa de degeneração lattice |
| Pacientes acima de 60 anos | Anualmente, para rastreamento de DMRI e outras doenças retinianas |
| Pacientes com hipertensão arterial não controlada | Regularmente, para avaliação de retinopatia hipertensiva |
| Pacientes com história familiar de descolamento de retina | Anualmente, com mapeamento de retina |
| Pacientes em tratamento com anti-VEGF | Conforme protocolo individualizado (mensal a trimestral) |
Tomografia de Coerência Óptica (OCT)
Exame sem contato que mostra as camadas da retina em corte, com resolução de micrômetros. Mede a espessura da mácula e mostra onde está o líquido (dentro ou embaixo da retina). É usado para indicar e acompanhar o tratamento com anti-VEGF.
Angio-OCT (OCTA)
Variação do OCT que mostra o fluxo de sangue nos capilares da retina e da coroide, sem injeção de contraste na veia. Ajuda a encontrar vasos anormais na DMRI e áreas sem circulação na retinopatia diabética.
Retinografia Digital
Fotografia colorida do fundo do olho. Permite comparar as lesões entre uma consulta e outra e é usada em programas de rastreamento da retinopatia diabética.
Angiofluoresceinografia (AFG)
Fotografias da retina feitas depois da injeção de um contraste (fluoresceína) na veia do braço. Mostra o trajeto do sangue nos vasos da retina, vazamentos, áreas sem circulação e vasos novos. Em casos raros, o contraste causa reação alérgica.
Mapeamento de Retina
Com a pupila dilatada, o oftalmologista examina a retina inteira, do centro à periferia, com o oftalmoscópio binocular indireto e uma lente de aumento. É o exame que procura roturas, buracos e degenerações que podem preceder o descolamento de retina.
Ultrassonografia Ocular (Ecografia)
Exame por ondas sonoras, usado quando sangue no vítreo ou uma catarata muito densa impedem a visão da retina. Mostra se há descolamento de retina ou tumor antes de uma cirurgia.
8. Outras doenças da retina
Este guia é sobre a retinopatia diabética. As outras doenças da retina estão resumidas abaixo; o Instituto da Retina tem os exames, os valores e as unidades de cada uma.
| Doença | Causa principal | Faixa etária | Tratamento principal |
|---|---|---|---|
| DMRI neovascular | Envelhecimento + genética | > 60 anos | Anti-VEGF intravítreo |
| DMRI atrófica | Envelhecimento | > 60 anos | Acompanhamento; suplementos em casos selecionados |
| Oclusão venosa da retina | Hipertensão, trombose | > 50 anos | Anti-VEGF, laser |
| Descolamento de retina | Tração vítrea, trauma, miopia | Qualquer idade | Vitrectomia, cerclagem |
| Buraco macular | Tração vítrea | > 60 anos | Vitrectomia |
| Membrana epirretiniana | Proliferação celular | > 50 anos | Vitrectomia |
| Retinopatia hipertensiva | Hipertensão arterial | > 40 anos | Controle da PA |
| Coriorretinopatia serosa central | Estresse, corticosteroides | 30-50 anos (homens) | Observação, laser, anti-VEGF |
Degeneração macular relacionada à idade (DMRI)
A degeneração macular relacionada à idade (DMRI) é uma doença da mácula ligada ao envelhecimento e uma das principais causas de perda de visão depois dos 55 anos. Ela tira a nitidez da visão central e preserva a visão lateral. A DMRI não costuma levar à cegueira total, em que tudo fica escuro, mas pode causar perda importante da visão central.[1] Na forma úmida (neovascular), vasos anormais crescem sob a retina e podem fazer a visão central piorar em semanas ou meses; as injeções intravítreas de anti-VEGF são o tratamento de primeira linha, e o ideal é começar em até 14 dias depois do diagnóstico.[1]
Na forma seca, os suplementos da fórmula AREDS são indicados para quem já tem DMRI intermediária ou avançada em pelo menos um olho, e só com orientação médica. Em 2023, a agência de medicamentos dos Estados Unidos (FDA) aprovou duas injeções intravítreas para a atrofia geográfica: o pegcetacoplan, que bloqueia a proteína C3 do sistema complemento, e o avacincaptad pegol, que bloqueia a proteína C5.[1] Nos estudos, os dois reduziram a velocidade de crescimento da atrofia, mas não melhoraram a visão e aumentaram a chance de aparecer a forma úmida da DMRI.[7] A disponibilidade no Brasil deve ser conferida com o seu oftalmologista.
Descolamento de retina: emergência oftalmológica
O descolamento de retina acontece quando a retina se separa da camada que a nutre. Sem tratamento urgente, pode deixar perda de visão permanente, principalmente quando atinge a mácula. Na retinopatia diabética proliferativa, ele pode ser causado por membranas que puxam a retina (descolamento tracional).
Sintomas de alerta: procure o oftalmologista no mesmo dia
Oclusão venosa da retina
A oclusão venosa da retina é o bloqueio de uma veia da retina, que causa hemorragias, edema macular e, muitas vezes, perda de visão. É a segunda doença vascular da retina mais comum, depois da retinopatia diabética. Os fatores mais associados são pressão alta, diabetes, colesterol alto, tabagismo e glaucoma de ângulo aberto. O edema macular causado pela oclusão costuma ser tratado com injeções intravítreas de anti-VEGF; em alguns casos usa-se corticoide dentro do olho, como o implante intravítreo de dexametasona, de liberação prolongada, que pode aumentar a pressão do olho e acelerar a catarata.
Ver as doenças da retina no Instituto da Retina9. Perguntas frequentes
Como fica a visão de quem tem retinopatia diabética?
No começo, quase sempre normal: a retinopatia pode existir por anos sem sintoma, e só o exame da retina a encontra. Quando o líquido se acumula no centro da retina (edema macular), a visão fica embaçada para ler e ver detalhes, e as linhas retas podem parecer tortas. Na forma proliferativa, um sangramento dentro do olho pode trazer manchas escuras que flutuam ou uma névoa que tira boa parte da visão de uma hora para outra. Perda repentina de visão, muitas manchas novas ou uma sombra cobrindo parte da visão pedem atendimento oftalmológico no mesmo dia.
Qual é o CID da retinopatia diabética?
Na CID-10, a retinopatia diabética tem o código H36.0. Ele é usado junto com o código do diabetes com complicação nos olhos, de E10.3 a E14.3, conforme o tipo de diabetes.
A injeção intravítrea dói?
O olho é anestesiado com colírio, e a maioria das pessoas sente só uma pressão rápida no momento da aplicação. Quando a anestesia passa, o olho pode ficar irritado, com ardência ou sensação de areia por algumas horas, em parte por causa do antisséptico. Isso costuma melhorar com colírio lubrificante.
Quantas injeções vou precisar?
Não existe um número fixo: depende da doença e da resposta do olho. Em geral, o tratamento começa com aplicações mensais, e depois o intervalo é ajustado conforme o OCT. No esquema "tratar e estender", a aplicação é feita em todas as visitas e o intervalo aumenta aos poucos enquanto a doença está controlada. No esquema "conforme a necessidade", a aplicação é feita quando o exame mostra atividade da doença. Medicamentos e esquemas mais recentes permitem, em parte dos pacientes, intervalos maiores. O tratamento pode durar meses ou anos.
A injeção intravítrea faz mal para o resto do corpo?
A quantidade de medicamento aplicada no olho é pequena. Uma meta-análise de 74 ensaios clínicos, publicada no JAMA Ophthalmology em 2021, não encontrou aumento de infarto, AVC e outros eventos cardiovasculares maiores com o anti-VEGF intravítreo. Os autores viram um possível aumento da mortalidade em pessoas com retinopatia diabética e dos sangramentos fora do olho, sobretudo na DMRI; como a evidência foi fraca, recomendam continuar a vigilância. Conte ao médico os remédios que você usa: em geral, quem toma anticoagulante não precisa suspendê-lo para a injeção.
Qual é o risco de infecção na injeção intravítrea?
A infecção dentro do olho (endoftalmite) é a complicação mais grave e é rara: no estudo CATT, ocorreu em 0,06% das injeções, cerca de 1 em cada 1.700. Para reduzir o risco, o olho é limpo com iodopovidona e a aplicação é feita com material estéril, no MIRA Hospital Oftalmológico. Procure atendimento logo se, nos dias seguintes, o olho ficar muito vermelho, doer cada vez mais ou a visão piorar.
O diabetes pode causar cegueira?
Pode. Nos países de alta renda, a retinopatia diabética é a causa mais frequente de casos novos de cegueira entre adultos de 20 a 74 anos. O exame periódico encontra a retinopatia antes dos sintomas, e manter a glicemia, a pressão arterial e as gorduras do sangue nas metas reduz o risco de a doença surgir ou piorar.
Tenho diabetes tipo 2 recém-diagnosticado. Quando devo ir ao oftalmologista?
Já no diagnóstico. O diabetes tipo 2 pode existir por anos antes de ser descoberto, e a retina pode já ter alterações nesse momento. Por isso as recomendações da Associação Americana de Diabetes (ADA) de 2026 pedem o primeiro exame com dilatação da pupila na época do diagnóstico. No diabetes tipo 1, em adultos, o primeiro exame é feito 5 anos depois do início.
O que são as moscas volantes e quando devo me preocupar?
São sombras de pequenas opacidades do vítreo, vistas como pontos, fios ou teias que se movem com o olhar. São comuns com a idade e quase sempre benignas. Procure atendimento oftalmológico no mesmo dia se notar um aumento repentino de moscas volantes, flashes de luz na visão lateral ou uma sombra cobrindo parte da visão: podem ser sinais de rotura ou descolamento de retina.
Dá para prevenir a degeneração macular (DMRI)?
Não há prevenção garantida. A idade e a genética não mudam, mas não fumar é a medida com base mais sólida: o cigarro é o fator ambiental mais constante nos estudos. Uma alimentação com verduras, frutas e peixe foi associada a menor risco. Os suplementos da fórmula AREDS2 são indicados para quem já tem DMRI intermediária ou avançada em pelo menos um olho, com orientação médica. Se você notar linhas tortas ou uma mancha na visão central, procure o oftalmologista logo.
Instituto da Retina — Drudi e Almeida
Dirigido pelo Dr. Fernando Macei Drudi (CRM-SP 139.300 | RQE 50.645), médico oftalmologista com fellowship de 3 anos em retina e catarata cirúrgica no HSPE/IAMSPE e mais de 10 anos de experiência em retina. As injeções intravítreas, a fotocoagulação a laser e a vitrectomia são feitas no MIRA Hospital Oftalmológico, hospital próprio da rede.
OCT e angio-OCT
Exames que mostram as camadas e os vasos da retina, usados no diagnóstico e no acompanhamento do tratamento
Injeções intravítreas
Feitas no MIRA Hospital Oftalmológico; o médico escolhe o medicamento conforme a doença e a resposta do olho
Fotocoagulação a laser
Laser da retinopatia diabética proliferativa e retinopexia, feitos no MIRA Hospital Oftalmológico, onde também é feito o laser micropulsado
Vitrectomia
Cirurgia no MIRA Hospital Oftalmológico para hemorragia vítrea, descolamento de retina, buraco macular e membrana epirretiniana
10. Referências científicas
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Este guia foi revisado em com base nas fontes acima. As informações têm caráter educativo e não substituem a consulta médica individualizada. Para diagnóstico e tratamento, consulte um médico oftalmologista.
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12 páginas · 11 referências científicas · Gratuito · Inclui o estudo Protocol T (NEJM 2015)