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Tratamento de Glaucoma: Colírios, Laser e Cirurgia

Publicado em 01 de maio de 2026 Atualizado em 21 de agosto de 2026 Revisão médica: 12 de agosto de 2026 15 min de leitura Dr. Fernando Macei Drudi
Médico e paciente em consulta sobre tratamento do glaucoma, com olho anatômico e opções de colírio, laser e cirurgia.
Dr. Fernando Macei Drudi
Autor Médico
Dr. Fernando Macei Drudi
CRM-SP 139.300 | RQE 50.645

Resumo em linguagem simples

O glaucoma pode causar perda visual silenciosa. O tratamento busca reduzir a pressão ocular a uma meta individual com colírios, laser ou cirurgia e exige acompanhamento regular.

CID-10: H40.9

O tratamento do glaucoma busca reduzir a pressão intraocular a uma meta individual e preservar a visão que ainda existe. Colírios, laser e cirurgia podem ser usados em momentos diferentes; a melhor escolha depende do tipo de glaucoma, do dano ao nervo óptico, dos exames e da resposta ao acompanhamento.

GUIA CLÍNICO

Pontos-chave

  • Glaucoma geralmente não tem cura, mas pode ser controlado para reduzir o risco de progressão.
  • Pressão ocular alta não é sinônimo de glaucoma; nervo óptico, OCT e campo visual importam.
  • Colírios, SLT e cirurgia não são etapas obrigatórias para todas as pessoas.
  • O acompanhamento continua mesmo depois de uma cirurgia ou laser.

O que o tratamento do glaucoma procura controlar

O glaucoma reúne doenças que podem lesar o nervo óptico de forma progressiva. A pressão intraocular é o principal fator modificável na maior parte dos casos, mas não é o único dado analisado. O plano de tratamento procura atingir uma pressão-alvo compatível com o estágio da doença e revisar essa meta quando os exames mostram mudança.

É importante separar duas ideias. Primeiro, o tratamento não recupera fibras do nervo óptico já perdidas. Segundo, uma medida de pressão isolada não define por si só a necessidade de colírio, laser ou cirurgia. A decisão integra tonometria, espessura da córnea, aspecto do disco óptico, OCT, campo visual, histórico familiar, idade, doenças associadas e tendência observada ao longo do tempo.

O tipo de glaucoma muda a estratégia

O glaucoma primário de ângulo aberto é a forma mais frequente e, em geral, evolui sem dor ou vermelhidão nas fases iniciais. É nesse contexto que colírios, SLT e algumas técnicas cirúrgicas podem entrar no planejamento. Já o glaucoma de ângulo fechado exige análise da anatomia do olho e pode demandar uma conduta diferente. Misturar os dois cenários pode levar a expectativas inadequadas sobre laser ou cirurgia.

Também existem glaucomas secundários, associados por exemplo a inflamação, trauma, uso de corticoide, alterações do cristalino ou outras doenças oculares. Em cada situação, controlar a causa quando possível e reduzir a pressão fazem parte da estratégia. Por isso, o nome da técnica nunca deve ser escolhido apenas pela gravidade aparente ou por relatos de outras pessoas.

Diagrama que mostra avaliação do nervo óptico, definição de meta de pressão e acompanhamento.
Figura 1. Objetivo do tratamento do glaucoma.

Como a avaliação define a meta de pressão ocular

A meta de pressão não é um número universal. Em uma pessoa com dano inicial e exames estáveis, a estratégia pode ser diferente daquela indicada para quem já tem perda de campo visual, progressão documentada ou necessidade de pressão mais baixa. A diretriz da American Academy of Ophthalmology descreve o uso de medicamento, laser e cirurgia como alternativas que devem ser ajustadas ao risco e à evolução clínica.

Os exames de seguimento são parte do tratamento, não apenas uma etapa diagnóstica. A tonometria acompanha a pressão; o OCT analisa fibras nervosas; e o campo visual verifica se a função está preservada. Quando necessário, a gonioscopia ajuda a identificar a configuração do ângulo e a definir se o laser ou outra abordagem pode ser considerada.

Quando observar e quando iniciar tratamento

Nem toda pessoa com pressão ocular acima do habitual tem glaucoma e nem todo glaucoma apresenta pressão elevada no consultório. Em hipertensão ocular, a avaliação busca estimar o risco de desenvolver dano. No Ocular Hypertension Treatment Study, medicação hipotensora reduziu a ocorrência de glaucoma primário de ângulo aberto em participantes selecionados, mas isso não significa que todas as pessoas com pressão elevada devam receber o mesmo tratamento.

Quando já há glaucoma confirmado, o foco muda para a estabilidade estrutural e funcional. A progressão pode ser silenciosa; por isso, a ausência de sintomas não é motivo para abandonar consultas ou colírios. Para entender melhor a diferença entre pressão elevada e dano glaucomatoso, veja também pressão ocular alta e hipertensão ocular.

Infográfico com classes de colírios e cuidados de aplicação.
Figura 2. Colírios: como atuam e como usar.

Colírios: primeira opção em muitos casos

Colírios podem reduzir a pressão por mecanismos diferentes: alguns facilitam a drenagem do humor aquoso; outros diminuem sua produção; e combinações podem ser consideradas quando uma única classe não atinge a meta. A receita é individual porque cada medicamento tem horários, contraindicações, efeitos locais e possíveis efeitos sistêmicos próprios.

Na consulta, o benefício esperado é confrontado com as características de cada pessoa. Asma, doença pulmonar, arritmias, pressão arterial baixa, superfície ocular muito irritada, gravidez, dificuldade de instilar gotas e uso simultâneo de outros medicamentos podem mudar a opção inicial. Esse cuidado evita que a escolha seja baseada apenas no preço, em uma recomendação de internet ou na experiência de outra pessoa.

A eficácia depende também do uso correto. Pingue uma gota, evite encostar a ponta do frasco no olho ou nos cílios e não interrompa por conta própria. Ao usar mais de um colírio, respeite o intervalo orientado na consulta. Ardor, vermelhidão, escurecimento de pele ao redor dos olhos, alteração de cílios, falta de ar, cansaço ou redução do pulso devem ser comunicados conforme o medicamento em uso; não troque a medicação sem avaliação.

Adesão: por que o melhor plano precisa caber na rotina

Um esquema eficaz no papel não funciona se for difícil de executar diariamente. Horário de trabalho, destreza manual, memória, custo, sensibilidade à gota, doenças respiratórias ou cardíacas e uso de outros medicamentos entram na conversa. Levar os frascos à consulta e explicar como as gotas são usadas ajuda a equipe a corrigir técnica e simplificar o plano quando possível.

Se a pressão não está na meta, isso não significa automaticamente que o colírio “falhou”. Antes de aumentar o tratamento, o oftalmologista pode conferir horário, técnica de aplicação, tolerância, frasco utilizado, variação de pressão e resultados dos exames.

Fluxo explicativo sobre trabeculoplastia seletiva a laser.
Figura 3. Quando o laser pode entrar no plano.

Laser SLT: quando pode ser uma alternativa

A trabeculoplastia seletiva a laser, conhecida como SLT, atua na região de drenagem do olho. Ela pode ser considerada como tratamento inicial ou complementar para pessoas selecionadas com glaucoma de ângulo aberto ou hipertensão ocular. No estudo LiGHT, realizado em pacientes sem tratamento prévio, SLT inicial foi uma alternativa clínica eficaz aos colírios dentro do protocolo estudado.

O laser não é sinônimo de cura e não é apropriado para todos os tipos de glaucoma. Seu efeito pode diminuir com o tempo e algumas pessoas ainda precisam de gotas ou de outra intervenção. A indicação depende da anatomia do ângulo, da meta de pressão, da resposta anterior e do estágio do dano.

Quando a cirurgia entra no plano de tratamento

Cirurgia pode ser discutida quando a pressão permanece acima da meta, quando exames indicam progressão, quando a meta precisa ser muito baixa ou quando outras opções não são suficientes ou não são viáveis. A cirurgia não substitui o seguimento: a pressão, a cicatrização e o nervo óptico precisam ser acompanhados de perto no pós-operatório.

Antes de uma indicação cirúrgica, é comum rever os dados que sustentam a mudança: a técnica de aplicação dos colírios, medidas de pressão em diferentes visitas, qualidade do campo visual, OCT, configuração do ângulo, cirurgias prévias e capacidade de retornar no pós-operatório. O objetivo não é adiar tratamento necessário, mas escolher a redução de pressão e o perfil de recuperação compatíveis com aquele olho.

Em linhas gerais, a trabeculectomia cria uma via de saída sob a conjuntiva; os implantes de drenagem conduzem o líquido por um tubo até uma placa; e MIGS descreve procedimentos menos invasivos destinados a cenários selecionados. As técnicas têm metas, riscos, recuperação e potência de redução de pressão diferentes. O guia sobre cirurgia de glaucoma: trabeculectomia, válvula e MIGS aprofunda essas opções.

Quadro comparativo conceitual entre trabeculectomia, implantes de drenagem e MIGS.
Figura 4. Cirurgias de glaucoma: decisão individual.

Trabeculectomia, implantes de drenagem e MIGS não são equivalentes

OpçãoIdeia centralQuando pode ser consideradaPonto importante
TrabeculectomiaCria uma nova via de drenagemQuando é necessária redução maior de pressão em caso selecionadoExige seguimento próximo da bolha filtrante e da cicatrização
Implante de drenagemUsa tubo e placa para desviar o humor aquosoConforme anatomia, cirurgia prévia e risco individualA decisão não se resume à marca do dispositivo
MIGSFamília de técnicas menos invasivasGeralmente em olhos selecionados, com metas compatíveisNão oferece a mesma meta de pressão para todos os casos

Em um ensaio randomizado de cinco anos com glaucoma não controlado por medicação e sem cirurgia incisional prévia, trabeculectomia com mitomicina e tubo de drenagem atingiram pressões médias semelhantes, com perfis de uso de medicamentos e riscos que reforçam a necessidade de decisão individual. Estudos de MIGS também avaliam dispositivos e populações específicos; seus resultados não devem ser generalizados para todos os procedimentos ou todos os estágios da doença.

Riscos, recuperação e consultas após laser ou cirurgia

Qualquer intervenção pode ter efeitos transitórios, necessidade de ajuste do tratamento ou complicações que exigem reavaliação. Após cirurgia filtrante ou implante, por exemplo, pressão muito alta ou muito baixa, inflamação, sangramento, infecção, cicatrização excessiva e alterações na córnea são situações acompanhadas pela equipe. O risco real depende da técnica, do olho tratado e do histórico ocular.

Visão embaçada, desconforto, sensibilidade à luz e orientações de colírios podem fazer parte do pós-operatório, mas dor intensa, perda visual súbita, secreção importante, vermelhidão que piora ou náuseas exigem contato imediato com o serviço que acompanha o caso. Siga exatamente as restrições e datas de retorno fornecidas pela equipe.

Como o acompanhamento mostra se o tratamento está funcionando

Pressão dentro da meta é importante, mas não é o único resultado. O acompanhamento cruza tendência de PIO, qualidade do nervo óptico no OCT, campo visual, aparência do disco óptico, efeitos adversos e adesão. O Early Manifest Glaucoma Trial e o Collaborative Initial Glaucoma Treatment Study reforçam que pressão de seguimento e características clínicas se relacionam à evolução, mas os achados de estudos não permitem prever isoladamente o que acontecerá com uma pessoa.

Linha de cuidado com pressão ocular, OCT, campo visual e revisão da adesão.
Figura 5. Monitoramento do glaucoma.

Convênio: o que confirmar antes da consulta ou procedimento

O Instituto Drudi e Almeida atende Bradesco, Prevent Senior, Amil, Ameplan, Medservice e Pró-PM, conforme produto contratado, unidade disponível e regras de autorização. A consulta, os exames, o laser, materiais e o ambiente cirúrgico podem ter regras diferentes no mesmo plano.

Antes de marcar um procedimento, confirme com a operadora o produto, a rede, a necessidade de pedido médico, a autorização e eventuais coparticipações. A equipe pode orientar a documentação, mas a autorização final é do convênio. Não é adequado prometer cobertura, valor ou disponibilidade sem a confirmação específica do seu contrato.

Quando buscar avaliação com urgência

O glaucoma crônico pode não causar sintomas por muito tempo. Já no fechamento angular agudo, dor ocular intensa, olho vermelho, visão muito embaçada, halos coloridos, dor de cabeça, náuseas ou vômitos podem indicar urgência. Procure atendimento imediato se esses sinais aparecerem, especialmente se forem súbitos.

Alertas que podem exigir atendimento imediato e lembrete sobre glaucoma silencioso.
Figura 6. Sinais de urgência ocular.

Tratamento de glaucoma em São Paulo

O tratamento começa com uma avaliação que define o tipo de glaucoma, o estágio, a meta de pressão e os exames necessários. Dr. Fernando Macei Drudi, CRM-SP 139.300 e RQE 50.645, conduz a avaliação e o acompanhamento de glaucoma no Instituto Drudi e Almeida. A estratégia pode ser revista ao longo do tempo conforme pressão, exames, efeitos e necessidade clínica.

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Perguntas frequentes sobre tratamento de glaucoma

O tratamento do glaucoma tem cura?

O glaucoma geralmente não tem cura, mas pode ser controlado. O objetivo é reduzir a pressão intraocular a uma meta individual e acompanhar o nervo óptico e o campo visual para reduzir o risco de progressão.

Colírio para glaucoma precisa ser usado para sempre?

Em muitos casos, o uso é contínuo, mas a estratégia pode mudar conforme a pressão, os exames, a tolerância e outras opções, como laser ou cirurgia. Não interrompa o colírio sem orientação médica.

Quais colírios são usados no glaucoma?

A escolha pode envolver análogos de prostaglandina, betabloqueadores, inibidores da anidrase carbônica, agonistas alfa-adrenérgicos ou combinações. A prescrição depende do tipo de glaucoma, da meta de pressão e do perfil de segurança.

Como aplicar o colírio de glaucoma corretamente?

Lave as mãos, pingue apenas uma gota sem tocar a ponta do frasco no olho e feche os olhos suavemente. A oclusão do canto interno por cerca de um minuto pode reduzir a drenagem para o nariz; siga a orientação recebida para o seu medicamento.

O laser SLT substitui o colírio?

A trabeculoplastia seletiva a laser pode ser uma opção inicial ou complementar em pessoas selecionadas com glaucoma de ângulo aberto ou hipertensão ocular. Ela não é indicada para todos e o efeito pode não ser permanente.

Quando a cirurgia de glaucoma é indicada?

A cirurgia é considerada quando a pressão permanece acima da meta ou há progressão apesar do tratamento adequado, quando a adesão é difícil ou quando o risco da doença exige redução maior da pressão. A indicação é individual.

Qual é a diferença entre trabeculectomia, válvula e MIGS?

A trabeculectomia cria uma nova via de drenagem; os implantes de drenagem usam um tubo e uma placa; MIGS reúne técnicas menos invasivas destinadas a cenários selecionados. Elas não são intercambiáveis e têm metas e riscos diferentes.

MIGS é melhor que a cirurgia convencional?

Não necessariamente. MIGS pode ser útil em perfis selecionados, mas nem sempre alcança a mesma redução de pressão necessária em doença avançada. A escolha depende da meta de pressão, anatomia, estágio e cirurgias prévias.

Cirurgia de glaucoma recupera a visão perdida?

Não. O tratamento busca preservar a visão remanescente e reduzir o risco de novas perdas. Por isso, acompanhamento e exames seriados permanecem importantes mesmo após uma cirurgia bem-sucedida.

Quem tem pressão ocular alta sempre precisa tratar?

Não. Pressão elevada e glaucoma não são sinônimos. O risco é definido pela avaliação completa do nervo óptico, espessura corneana, campo visual, OCT, pressão e fatores individuais.

O convênio cobre exames e cirurgia de glaucoma?

A cobertura depende do contrato, da indicação clínica, do procedimento e da autorização do plano. A equipe pode orientar a documentação necessária, mas a confirmação deve ser feita com o convênio antes do procedimento.

Quais convênios o Instituto atende?

O Instituto atende Bradesco, Prevent Senior, Amil, Ameplan, Medservice e Pró-PM, sujeitos ao produto contratado, à unidade e às regras de autorização. A disponibilidade deve ser confirmada no agendamento.

Com que frequência devo acompanhar o glaucoma?

A frequência é definida pelo estágio, pela estabilidade da pressão, pelos exames e pela estratégia de tratamento. Casos instáveis ou recém-ajustados costumam exigir reavaliação mais próxima.

Quais sinais exigem urgência?

Dor ocular intensa, olho vermelho, visão muito embaçada, halos coloridos, náuseas ou vômitos podem ocorrer no fechamento angular agudo e exigem atendimento imediato. O glaucoma crônico, porém, muitas vezes não causa sintomas iniciais.

Posso usar remédios naturais no lugar do tratamento?

Não. Não há substituto comprovado para o tratamento indicado e o atraso pode permitir dano irreversível ao nervo óptico. Informe ao oftalmologista todos os produtos que utiliza.

Referências científicas

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Revisão médica: 12 de agosto de 2026. Este conteúdo é educativo e não substitui uma avaliação oftalmológica individual.

Aviso importante: Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico oftalmologista. Em caso de sintomas ou dúvidas sobre sua saúde ocular, procure atendimento médico especializado.

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