Em resumo
A topografia de córnea é um exame rápido, sem contato e sem dor, que mostra num mapa colorido a curvatura da frente da córnea. Ajuda a reconhecer o ceratocone e a planejar lente de contato e cirurgia refrativa. Ela não mede a espessura nem a face de trás da córnea; para isso existe a tomografia de córnea.
Neste artigo
Resposta rápida: A topografia de córnea é um exame sem contato que fotografa o reflexo de anéis de luz na córnea e transforma o resultado num mapa colorido da curvatura da superfície do olho. Serve para investigar astigmatismo irregular e ceratocone, adaptar lente de contato e avaliar quem pensa em cirurgia refrativa. Na rede Drudi e Almeida, ela é feita nas 5 unidades, o atendimento leva cerca de 15 minutos, não dói e custa, pelos dois olhos, R$ 110 à vista ou R$ 77 no Pix pelo site (particular, 2026; valor final confirmado na avaliação).
O que é a topografia de córnea?
A topografia de córnea, também chamada de topografia corneana, é o exame que mede a forma da superfície da frente da córnea, a camada transparente que cobre a íris e a pupila.[1] O aparelho projeta anéis concêntricos de luz, conhecidos como disco de Placido, e uma câmera registra como esses anéis se refletem na córnea.
Numa córnea regular, os anéis voltam redondos e com espaços iguais entre eles. Onde a córnea é mais curva, os anéis ficam mais juntos; onde é mais plana, ficam mais afastados. O programa transforma essas distâncias em milhares de medidas de curvatura e pinta o mapa com cores. Uma córnea normal é mais curva no centro e vai ficando mais plana em direção à borda.[2]
Para que serve o exame de topografia corneana?
O exame serve para medir a forma da córnea quando a receita de óculos não explica tudo. Ele costuma ser pedido para:
- investigar ceratocone e outras ectasias (doenças em que a córnea afina e se deforma), sobretudo em quem troca de óculos com frequência ou tem um astigmatismo que aumenta; a topografia é a principal ferramenta de detecção do ceratocone, mas nos casos iniciais um parâmetro isolado não basta;[3]
- avaliar astigmatismo irregular, cicatrizes na córnea e o resultado de cirurgias feitas nela, como o transplante;
- adaptar lente de contato rígida ou escleral, porque o desenho da lente acompanha a curvatura do olho (veja o guia de lentes para ceratocone);
- fazer a triagem de quem quer cirurgia refrativa (LASIK ou PRK), já que uma topografia alterada foi o fator que mais pesou entre os casos de ectasia depois da cirurgia;[4]
- acompanhar o ceratocone, junto com a tomografia, e planejar tratamentos como o crosslinking e o anel intracorneano (conhecido como anel de Ferrara).
- 1Anéis de Placido: círculos de luz que o aparelho projeta e que a córnea reflete.
- 2Anéis mais juntos: ali a córnea é mais curva.
- 3Parte de baixo da córnea (região inferior, abaixo da linha tracejada), onde o cone costuma ficar.
Como é feita a topografia de córnea?
O exame é rápido e o aparelho não encosta no olho. O passo a passo costuma ser este:
- Você apoia o queixo e a testa no aparelho.
- Olha para um ponto de luz no centro dos anéis, com o olho bem aberto.
- O técnico alinha a câmera e registra a imagem em poucos segundos. Depois repete no outro olho.
- Se você piscar ou a lágrima estiver irregular, a captura é refeita. Repetir faz parte do exame e deixa o mapa mais confiável.
A topografia não usa colírio anestésico, não dilata a pupila e não sopra ar no olho. Como a pupila não é dilatada, em geral você sai do exame enxergando como chegou. Os mapas são interpretados pelo médico oftalmologista, junto com a consulta, a medida do grau e o exame no microscópio do consultório (a lâmpada de fenda).
Topografia de córnea: o exame que ajuda a detectar o ceratocone
Vídeo curto da rede sobre a topografia de córnea: como o exame é feito sem encostar no olho, o que o mapa colorido da curvatura mostra e por que ele ajuda a reconhecer o ceratocone no começo. Quando o mapa levanta suspeita, a tomografia de córnea completa a avaliação com a face de trás e a espessura.
Abrir no YouTubeVídeo produzido com inteligência artificial.
Quanto tempo demora uma topografia de córnea?
Na rede, o atendimento para a topografia leva cerca de 15 minutos. A captura de cada olho dura poucos segundos; o resto do tempo é para posicionar você no aparelho e conferir a qualidade das imagens.
A topografia de córnea dói?
Não. O aparelho fica a alguns centímetros do olho e não toca a córnea. O que você sente é a luz dos anéis, que pode incomodar um pouco quem é sensível à claridade. Crianças também podem fazer o exame, desde que consigam manter a cabeça parada e olhar para a luz por alguns segundos.
Preciso tirar a lente de contato antes da topografia?
Sim. A orientação da rede é ficar 48 horas sem lente de contato, de qualquer tipo (gelatinosa, tórica, rígida, híbrida ou escleral), antes da topografia e da tomografia de córnea.
O motivo é o corneal warpage, a deformação temporária que a lente provoca na córnea. Com a lente em uso recente, o mapa pode mostrar um astigmatismo irregular causado pela lente, que desaparece depois de um tempo sem ela. Num estudo com candidatos a cirurgia de miopia, 38% dos olhos de quem usava lente tinham sinais dessa deformação no mapa, mais frequentes e mais intensos com lente rígida.[2] Em outro estudo com candidatos a cirurgia refrativa, 12% dos usuários de lente tinham deformação importante causada por ela, e a córnea levou semanas para voltar ao normal: em média 7,8 semanas.[5]
As 48 horas são o padrão da rede para o exame do dia a dia. Se você usa lente rígida há muitos anos e o exame é para planejar cirurgia refrativa, o médico pode pedir um intervalo maior e repetir a topografia até o mapa ficar estável.[5] Se você tem ceratocone e depende da lente para enxergar, combine com o médico como cumprir as 48 horas. No acompanhamento, o que mais importa é repetir o exame sempre nas mesmas condições, para que um mapa possa ser comparado com o outro.
Leve seus exames anteriores, se tiver. A comparação com mapas antigos ajuda o médico a perceber se houve mudança.
Como ler o mapa da topografia de córnea?
O mapa usa cores quentes (vermelho e laranja) para as áreas mais curvas e cores frias (azul e verde) para as mais planas. Os números aparecem em dioptrias (D), a mesma unidade do grau dos óculos.
A escala de cores muda de um aparelho para outro, e vermelho não quer dizer doença: uma córnea com astigmatismo comum também tem áreas vermelhas. O médico presta atenção no desenho que as cores formam:
- Desenho redondo, quase uniforme: córnea com pouca diferença de curvatura entre os eixos.
- Gravata-borboleta simétrica: duas metades iguais, alinhadas numa linha reta. É o padrão do astigmatismo regular, que óculos e lentes comuns corrigem.
- Gravata-borboleta assimétrica: uma metade maior e mais curva que a outra, em geral a de baixo. Quando as duas metades ficam desalinhadas, o resultado do exame pode citar o SRAX, a inclinação entre os eixos mais curvos. Esse desenho levanta suspeita de ceratocone.[6]
- Ponto quente isolado, em geral abaixo do centro: uma área pequena de curvatura alta, outro sinal de ceratocone.[6]
- 1Azul-claro: mais plano. No aparelho, cores frias (azul e verde).
- 2Dourado: mais curvo. Quanto mais forte, mais curvo; o mais curvo aparece hachurado. No aparelho, cores quentes (laranja e vermelho).
- 3Metade de baixo maior e mais curva que a de cima.
- 4Linhas tracejadas: o eixo de cada metade da gravata; o arco marca o ângulo entre elas (SRAX).
Como é a topografia de quem tem ceratocone?
No ceratocone, o mapa costuma mostrar uma área mais curva na metade de baixo da córnea, com a gravata-borboleta assimétrica e, muitas vezes, com os eixos desviados. Uma revisão sobre o rastreio com o Pentacam resume os critérios clássicos da topografia: área localizada com curvatura de 47,0 D ou mais, diferença de 1,4 D ou mais entre a curvatura da parte de baixo e a de cima da córnea (o índice I-S), e gravata assimétrica ou quebrada, com desvio do eixo.[6]
Num estudo populacional com pessoas de 60 anos ou mais em Teerã, o desenho mais comum entre os olhos com ceratocone foi a gravata assimétrica com encurvamento inferior, e o menos comum foi a gravata simétrica.[7] O ceratocone costuma atingir os dois olhos, mas de forma desigual, por isso o médico compara um olho com o outro.[3]
Alguns índices reúnem esses sinais num número. O KISA%, por exemplo, combina a curvatura central, a diferença I-S e outros dados do mapa. No estudo original, com o corte em 100, ele separou corretamente 280 de 281 pessoas entre olhos com ceratocone e olhos normais.[8] A diferença I-S também ajuda nas formas iniciais: em dois estudos em que foi medida pelo tomógrafo, ela esteve entre os melhores índices para separar o ceratocone subclínico (sem sinais no exame do consultório) de olhos normais.[9][10]
Mesmo assim, um mapa suspeito não fecha o diagnóstico. O médico junta a topografia com a consulta, o outro olho e, quase sempre, a tomografia de córnea.
O que a topografia não mostra?
A topografia mede só a superfície da frente da córnea. Ela não mede a espessura e não enxerga a face de trás.
Esse limite pesa no começo do ceratocone. Uma revisão de 2013 mostra que mudanças na face de trás da córnea e no mapa de espessura aparecem antes das que a curvatura da frente consegue revelar.[11] Num estudo com 3.502 olhos, acrescentar os dados da face de trás e da espessura aos da frente aumentou a sensibilidade para o ceratocone subclínico de 75,2% para 92,0%.[12] A imagem dos anéis também cobre uma área menor da córnea, o que limita a avaliação de doenças da periferia, como a degeneração marginal pelúcida.[11]
Olho seco, lágrima instável e uso recente de lente também atrapalham a leitura. Por isso, quando a topografia levanta suspeita ou o ceratocone já foi diagnosticado, o passo seguinte costuma ser a tomografia de córnea.
Topografia, tomografia e aberrometria: o que cada exame mede
A topografia descreve a forma da superfície da frente da córnea. A tomografia de córnea reconstrói a córnea em três dimensões, com a face da frente, a face de trás e a espessura em todos os pontos.[1][13] Na rede, a tomografia é feita com o Pentacam, um aparelho de câmera giratória, no MIRA Hospital Oftalmológico, o hospital próprio da rede. A aberrometria é um terceiro exame: ela mede as pequenas imperfeições do foco do olho e ajuda a explicar halos e ofuscamento.
| Exame | O que mede | Quando costuma ser pedido | Na rede |
|---|---|---|---|
| Topografia de córnea | Curvatura da face da frente da córnea | Suspeita de ceratocone, astigmatismo irregular, adaptação de lente de contato, triagem antes de cirurgia refrativa | 5 unidades; pelos dois olhos, R$ 110 à vista ou R$ 77 no Pix pelo site |
| Tomografia de córnea (Pentacam) | Faces da frente e de trás, espessura em toda a córnea e índices de ectasia | Confirmar e acompanhar o ceratocone, planejar crosslinking e anel, avaliar antes de cirurgia refrativa e de catarata | Só no MIRA, só particular; os dois olhos por R$ 260 à vista ou R$ 220 no Pix pelo site |
| Aberrometria | Imperfeições do foco do olho (aberrações ópticas) | Queixa de halos e ofuscamento, planejamento de cirurgia refrativa | Só no Tatuapé, quando o médico pede |
Os dois exames de córnea se completam, e o médico escolhe um, outro ou os dois conforme a pergunta da consulta. O passo a passo da tomografia, os mapas e os índices do resultado estão no artigo sobre a tomografia de córnea (Pentacam).
- 1Face da frente da córnea: a curvatura que a topografia mede.
- 2Reflexo: a topografia lê os anéis de luz refletidos na superfície.
- 3Face de trás da córnea (tracejado), que só a tomografia mede.
- 4Espessura (paquimetria), medida em toda a córnea.
- 5Ponto mais fino, deslocado para baixo do centro no ceratocone.
Por que a topografia é pedida antes da cirurgia refrativa?
A cirurgia refrativa afina e remodela a córnea, e uma córnea com ceratocone inicial pode piorar depois do LASIK ou do PRK. Essa complicação se chama ectasia pós-operatória. Numa análise de 171 casos de ectasia depois de cirurgia refrativa, 35,7% tinham topografia alterada antes da operação, contra nenhum dos olhos do grupo de comparação; a topografia anormal foi o fator que mais diferenciou quem teve ectasia.[4]
Num estudo com 53 pessoas que procuraram cirurgia para miopia, um terço dos olhos tinha alguma alteração na topografia, a maior parte por deformação causada pela lente, e 3 pessoas (5,7%) tinham ceratocone.[2] Hoje a triagem costuma juntar a topografia com a tomografia, a espessura e outros dados, porque nenhum índice isolado resolve todos os casos.[6] Se você usa lente rígida há anos, conte com a possibilidade de repetir o exame antes da decisão, como explicado no preparo.
Com que frequência repetir o exame?
Depende do motivo. Para quem não tem doença na córnea, o médico define se e quando repetir. Para quem tem ceratocone, a rede costuma repetir a tomografia de córnea a cada 4 meses e indicar o crosslinking quando a piora fica documentada. Em crianças, a rede costuma indicar o crosslinking já no diagnóstico.
O intervalo curto acompanha a velocidade da piora: num estudo com 96 pessoas na fila do crosslinking, 39,6% dos olhos pioraram durante a espera, que durou em média 153 dias.[14] Uma metanálise com 11.529 olhos mostrou que jovens e córneas mais curvas progridem mais, e recomenda acompanhamento mais próximo abaixo de 17 anos e com curvatura máxima acima de 55 D.[15]
Para a comparação ser confiável, o exame deve ser feito no mesmo aparelho, porque aparelhos diferentes não dão números equivalentes.[16] O médico também considera a variação natural da medida, que é maior no ceratocone moderado.[17]
Qual o valor de uma topografia de córnea?
Na rede, a topografia de córnea custa, pelos dois olhos, R$ 110 à vista na unidade, R$ 140 no cartão ou R$ 77 no Pix pelo site, com pagamento antecipado na marcação (particular, 2026; valor final confirmado na avaliação). O exame é feito nas 5 unidades: Tatuapé, Santana, Lapa, São Miguel Paulista e Guarulhos.
Você pode marcar e pagar pela marcação de exame do site, ver os detalhes na página da topografia corneana ou consultar a tabela de preços. A tomografia de córnea é outro exame, feito só no MIRA: pelos dois olhos, R$ 260 à vista, R$ 363 no cartão em até 10 vezes ou R$ 220 no Pix pelo site (particular, 2026; valor final confirmado na avaliação). Os detalhes estão na página da tomografia de córnea.
O que atrasa o diagnóstico do ceratocone?
Na experiência da rede, o diagnóstico atrasa quando a pessoa coça muito os olhos, acha normal trocar de óculos várias vezes em pouco tempo, não passa por um exame com médico oftalmologista ou adia a consulta quando a visão muda.
Trocar de óculos várias vezes em pouco tempo é um sinal de alerta. A receita mede o grau, e a topografia e a tomografia medem a forma da córnea. Se o astigmatismo aumenta de uma receita para outra, a forma da córnea precisa ser investigada.
Quem coça muito os olhos também deve examinar a córnea. Num estudo brasileiro com 521 jovens adultos sem diagnóstico anterior, 1,0% dos olhos tinha ceratocone e 4,2% tinham suspeita, e quem coçava os olhos tinha chance cerca de 20 vezes maior de ter a doença.[18] Entenda essa relação no artigo sobre coçar os olhos e ceratocone. Parentes de primeiro grau de quem tem ceratocone também merecem exame: num rastreio com tomografia, 12,3% deles tinham a doença.[19] Veja mais em ceratocone é hereditário? e no guia completo do ceratocone.
Referências
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Revisão médica: Dra. Priscilla Rodrigues de Almeida, médica oftalmologista, CRM-SP 148.173, RQE 59.216 (Oftalmologia). Revisado em AAAA-MM-DD. Conteúdo educativo; não substitui a consulta, o exame dos olhos e a orientação individual do seu médico.
Aviso importante: Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico oftalmologista. Em caso de sintomas ou dúvidas sobre sua saúde ocular, procure atendimento médico especializado.