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Retina

Oclusão Venosa da Retina: Causas, Sintomas e Tratamento Completo

Publicado em 21 de janeiro de 2026 Atualizado em 07 de julho de 2026 10 min de leitura Dr. Fernando Macei Drudi
Imagem de capa do artigo Oclusão Venosa da Retina: Causas, Sintomas e Tratamento Completo, conteúdo da categoria Retina.
Dr. Fernando Macei Drudi
Autor Médico
Dr. Fernando Macei Drudi
CRM-SP 139.300 | RQE 50.645

Resumo em linguagem simples

Entenda o que é a Oclusão Venosa da Retina, uma causa comum de perda de visão. Conheça as causas, sintomas, e os tratamentos modernos que podem preservar sua visão.

CID-10: H34.8 — Outras oclusões vasculares retinianas Ver todos os artigos de Retina

O que é a Oclusão Venosa da Retina?

A Oclusão Venosa da Retina (OVR) é uma condição oftalmológica séria e uma das causas mais comuns de perda de visão relacionada a problemas vasculares na retina, ficando atrás apenas da retinopatia diabética. Para entender a OVR, é útil pensar no sistema circulatório do olho como uma rede complexa de estradas. As artérias trazem o sangue rico em oxigênio para a retina, enquanto as veias o drenam para fora. A oclusão ocorre quando uma dessas veias de drenagem fica bloqueada, geralmente por um coágulo sanguíneo (trombo).

O Dr. Fernando Drudi, especialista em retina da Drudi e Almeida Oftalmologia, explica que a oclusão venosa da retina é uma das emergências vasculares oculares mais comuns. "É causada pelo bloqueio de uma veia da retina, geralmente associado a fatores de risco cardiovasculares como hipertensão e diabetes. O tratamento precoce é essencial para preservar a visão", afirma o especialista.

Esse bloqueio causa um "congestionamento" no fluxo sanguíneo. A pressão dentro da veia aumenta, levando ao extravasamento de sangue e fluido para a retina. Esse processo resulta em hemorragias, inchaço (edema) e, em casos mais graves, falta de oxigênio (isquemia) para as células da retina. A retina, que é a camada de tecido sensível à luz no fundo do olho, precisa de um suprimento sanguíneo constante para funcionar corretamente. Qualquer interrupção pode danificar as células fotorreceptoras e levar a uma perda de visão súbita e indolor.

Existem dois tipos principais de Oclusão Venosa da Retina, classificados de acordo com o local do bloqueio:

  • Oclusão da Veia Central da Retina (OVCR): Esta é a forma mais grave, ocorrendo quando a veia principal da retina, a veia central, é obstruída. Isso afeta toda a retina, causando hemorragias espalhadas, inchaço significativo e uma perda de visão geralmente mais acentuada.
  • Oclusão de Ramo da Veia Retiniana (ORVR): Mais comum e geralmente com melhor prognóstico, a ORVR acontece quando o bloqueio ocorre em uma das veias menores, ou ramos, que drenam para a veia central. Os danos, como hemorragias e edema, ficam confinados à área da retina drenada por aquele ramo específico.

Causas e Fatores de Risco

A Oclusão Venosa da Retina é uma condição multifatorial, raramente acontecendo de forma isolada. Ela está fortemente associada a doenças sistêmicas que afetam a saúde dos vasos sanguíneos em todo o corpo. A formação do trombo que bloqueia a veia retiniana geralmente ocorre em um ponto onde uma artéria retiniana endurecida (devido à aterosclerose) cruza e comprime uma veia, danificando sua parede interna e facilitando a coagulação.

Os principais fatores de risco que aumentam a probabilidade de desenvolver uma OVR incluem:

  • Idade Avançada: A condição é mais comum em pessoas com mais de 50 anos, pois o envelhecimento natural aumenta a rigidez dos vasos sanguíneos.
  • Hipertensão Arterial (Pressão Alta): Este é o fator de risco mais significativo. A pressão alta acelera o endurecimento das artérias, aumentando a chance de compressão venosa.
  • Diabetes Mellitus: O diabetes danifica os pequenos vasos sanguíneos de todo o corpo, incluindo os da retina, tornando-os mais suscetíveis a oclusões.
  • Glaucoma: A pressão intraocular elevada, característica do glaucoma, pode comprimir a veia central da retina no ponto onde ela sai do olho (nervo óptico), contribuindo para o bloqueio.
  • Dislipidemia (Colesterol Alto): Níveis elevados de colesterol contribuem para a formação de placas de aterosclerose nas artérias.
  • Tabagismo: Fumar danifica o revestimento dos vasos sanguíneos e aumenta a tendência de coagulação do sangue.
  • Condições de Hipercoagulabilidade: Doenças que tornam o sangue mais "grosso" ou propenso a formar coágulos, embora mais raras, devem ser investigadas, especialmente em pacientes jovens.

Sintomas da Oclusão Venosa da Retina

O sintoma mais característico da OVR é uma perda de visão súbita e indolor em um dos olhos. A severidade da perda visual pode variar drasticamente, desde uma visão levemente embaçada até uma perda quase completa da visão, dependendo da localização e da extensão do bloqueio.

Outros sintomas comuns incluem:

  • Visão Borrada ou Distorcida: As imagens podem parecer turvas ou onduladas, especialmente na área central da visão se houver edema macular (inchaço na mácula, a área central da retina responsável pela visão de detalhes).
  • Manchas Escuras ou "Moscas Volantes": Podem aparecer pontos cegos ou flutuantes no campo de visão, correspondentes às áreas de hemorragia ou isquemia na retina.

É crucial notar que esses sintomas geralmente afetam apenas um olho. Muitas pessoas percebem o problema pela manhã ao acordar. Como a condição é indolor, alguns pacientes podem demorar a procurar ajuda, especialmente se a perda de visão for leve. No entanto, qualquer perda súbita de visão deve ser tratada como uma emergência médica.

Diagnóstico Especializado

O diagnóstico da Oclusão Venosa da Retina é feito por um médico oftalmologista através de um exame de fundo de olho (fundoscopia) com a pupila dilatada. Durante o exame, o especialista consegue visualizar diretamente as veias e artérias da retina.

Os achados clássicos na fundoscopia incluem:

  • Veias retinianas dilatadas e tortuosas.
  • Hemorragias retinianas, que podem ser descritas como "em chama de vela" ou puntiformes.
  • Edema de retina (inchaço).
  • Edema do disco óptico (inchaço do nervo óptico).

Para confirmar o diagnóstico, avaliar a gravidade e guiar o tratamento, o oftalmologista pode solicitar exames complementares:

  • Tomografia de Coerência Óptica (OCT): Este é um exame fundamental que utiliza luz para criar imagens transversais da retina com altíssima resolução. O OCT é essencial para detectar e quantificar o edema macular, que é a principal causa de perda de visão na OVR e um alvo primário do tratamento.
  • Angiofluoresceinografia (Angiografia com Fluoresceína): Neste exame, um corante (fluoresceína) é injetado em uma veia do braço. Conforme o corante circula pelos vasos da retina, uma câmera especial captura imagens que revelam o local do bloqueio, a extensão do dano vascular e a presença de isquemia (falta de circulação) ou neovascularização (formação de novos vasos anormais).

Além dos exames oftalmológicos, é imprescindível uma avaliação clínica geral para investigar e controlar os fatores de risco sistêmicos, como medição da pressão arterial e exames de sangue para diabetes e colesterol.

Opções de Tratamento Modernas

O tratamento da Oclusão Venosa da Retina evoluiu significativamente nos últimos anos. O objetivo principal não é desobstruir a veia, o que raramente é possível, mas sim tratar as complicações que causam a perda de visão, principalmente o edema macular e a neovascularização.

As principais modalidades de tratamento incluem:

  • Injeções Intravítreas de Anti-VEGF: Esta é a primeira linha de tratamento para o edema macular secundário à OVR. O fator de crescimento endotelial vascular (VEGF) é uma proteína que o corpo produz em resposta à falta de oxigênio, mas que em excesso causa vazamento dos vasos e inchaço. Medicamentos como Ranibizumabe, Aflibercepte e Bevacizumabe são injetados diretamente no olho para bloquear o VEGF, reduzindo o edema e melhorando a visão. O tratamento geralmente requer injeções mensais iniciais, com intervalos que podem ser estendidos conforme a resposta do paciente.
  • Injeções Intravítreas de Corticosteroides: Os corticosteroides também são eficazes na redução do edema macular devido às suas potentes propriedades anti-inflamatórias. Implantes de liberação lenta, como a Dexametasona, podem ser injetados no olho, proporcionando um efeito terapêutico por vários meses e reduzindo a necessidade de injeções frequentes.
  • Fotocoagulação a Laser: O laser pode ser usado em duas situações. A fotocoagulação focal pode ser aplicada em áreas específicas de vazamento em casos de Oclusão de Ramo Venoso, embora seja menos comum hoje em dia com a eficácia dos anti-VEGF. Já a fotocoagulação pan-retiniana é crucial quando o exame de angiografia detecta áreas extensas de isquemia. Nesse caso, o laser é aplicado em toda a periferia da retina para destruir o tecido doente, diminuir a produção de VEGF e prevenir o desenvolvimento de neovasos, que podem causar complicações devastadoras como glaucoma neovascular e hemorragia vítrea.

Clínicas especializadas, como a Drudi e Almeida Oftalmologia em São Paulo, dispõem de toda a tecnologia necessária para o diagnóstico preciso e a realização desses tratamentos avançados, oferecendo um cuidado integrado e individualizado para cada paciente.

Prevenção e Controle

A melhor forma de prevenir a Oclusão Venosa da Retina é controlar rigorosamente os fatores de risco associados. Isso significa:

  • Manter a pressão arterial em níveis saudáveis.
  • Controlar o diabetes através de dieta, exercícios e medicação, se necessário.
  • Manter os níveis de colesterol e triglicerídeos sob controle.
  • Não fumar.
  • Realizar exames oftalmológicos regulares, especialmente se você tem mais de 50 anos ou possui algum dos fatores de risco mencionados.

Para pacientes que já tiveram uma OVR em um olho, o controle desses fatores é ainda mais vital para reduzir o risco de um evento similar no outro olho.

A Dra. Priscilla de Almeida orienta que pacientes com oclusão venosa devem também ser avaliados por um cardiologista. "A oclusão venosa da retina pode ser um sinal de que o sistema cardiovascular precisa de atenção. É importante investigar e controlar os fatores de risco sistêmicos para evitar novos episódios", recomenda a médica.

Quando Procurar um Oftalmologista?

Você deve procurar um oftalmologista imediatamente se sentir qualquer perda de visão súbita, visão embaçada ou o aparecimento de manchas escuras em um dos olhos. A Oclusão Venosa da Retina é uma emergência médica, e o diagnóstico e tratamento precoces são fundamentais para preservar a visão e melhorar o prognóstico.

Mesmo que os sintomas pareçam leves, não os ignore. Um diagnóstico rápido permite iniciar o tratamento antes que ocorram danos irreversíveis à retina. A equipe da Drudi e Almeida está preparada para realizar uma avaliação completa e urgente, garantindo o melhor cuidado para a sua saúde ocular.


Perguntas Frequentes (FAQ)

A Oclusão Venosa da Retina pode levar à cegueira?

Sim, se não for tratada, a OVR pode levar à perda de visão severa e permanente. As principais complicações que causam cegueira são o edema macular crônico e o glaucoma neovascular, uma forma agressiva de glaucoma secundária à formação de vasos sanguíneos anormais que obstruem a drenagem do fluido ocular.

O tratamento para OVR é doloroso?

As injeções intravítreas, que são o principal tratamento, são realizadas com anestesia local (colírios) e são geralmente bem toleradas. Os pacientes podem sentir uma leve pressão, mas não dor. O procedimento é muito rápido. A fotocoagulação a laser também é feita com anestesia em colírio e pode causar um leve desconforto.

Tive uma OVR em um olho. Qual a chance de acontecer no outro?

O risco de desenvolver uma OVR no outro olho existe e é significativamente maior se os fatores de risco sistêmicos, como hipertensão e diabetes, não forem devidamente controlados. Por isso, o acompanhamento com um cardiologista ou clínico geral é tão importante quanto o acompanhamento oftalmológico.

A visão perdida pode ser recuperada?

O grau de recuperação visual depende da gravidade da oclusão inicial e da rapidez com que o tratamento é iniciado. Com os tratamentos modernos, como as injeções anti-VEGF, muitos pacientes conseguem uma melhora significativa da visão. No entanto, em casos de isquemia severa (falta de oxigênio), parte da perda de visão pode ser permanente.

Preciso fazer tratamento para o resto da vida?

O tratamento da OVR é muitas vezes crônico, mas não necessariamente para o resto da vida. O objetivo é controlar a doença até que ela se estabilize. O número de injeções e a duração do tratamento variam muito de pessoa para pessoa, exigindo um acompanhamento regular para monitorar a atividade da doença e ajustar a terapia conforme necessário.


Cuidar da saúde dos seus olhos é fundamental. Se você notou qualquer alteração na sua visão ou se enquadra nos grupos de risco, não hesite em procurar um especialista. Agende uma consulta para uma avaliação completa e garanta que sua visão seja protegida com o melhor que a oftalmologia moderna pode oferecer.

Quando buscar avaliação especializada

Neste tema, a avaliação individualizada com oftalmologista faz diferença porque nas doenças da retina, a correlação entre sintomas, OCT, retinografia, angiografia e contexto sistêmico costuma ser decisiva para definir o melhor plano terapêutico. Em casos selecionados, o Dr. Fernando Drudi participa da definição diagnóstica e terapêutica, especialmente quando há necessidade de correlação clínica com exames complementares e planejamento de condutas mais complexas.

A Dra. Priscilla Almeida também integra essa abordagem multidisciplinar, reforçando a importância de exame oftalmológico completo, seguimento regular e orientação personalizada conforme idade, sintomas, fatores de risco e impacto funcional descrito pelo paciente.

Referências científicas

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Aviso importante: Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico oftalmologista. Em caso de sintomas ou dúvidas sobre sua saúde ocular, procure atendimento médico especializado.

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