Resumo em linguagem simples
Este artigo explica de forma acessível o que é retinopatia da prematuridade: triagem, graus e tratamento, incluindo causas, sintomas, diagnóstico e opções de tratamento disponíveis no Instituto Dru...
Resposta rápida. Todo bebê nascido com 1.500 g ou menos e/ou com 32 semanas ou menos de gestação precisa de um exame de fundo de olho entre a 4ª e a 6ª semana de vida, ainda na UTI neonatal. A retinopatia da prematuridade não dá nenhum sinal visível — o olho parece normal por fora. Quando detectada a tempo, é tratável na grande maioria dos casos. Quando não é, é uma das principais causas de cegueira infantil evitável.
Seu bebê precisa deste exame?
Antes de qualquer explicação, a pergunta prática.
Precisa de triagem para ROP todo recém-nascido que se enquadre em pelo menos um destes critérios:
- Peso ao nascer igual ou menor que 1.500 g
- Idade gestacional igual ou menor que 32 semanas
Repare no "igual ou menor". Um bebê de exatamente 1.500 g ou de exatamente 32 semanas está dentro do critério. Esse detalhe existe porque a fronteira é arbitrária e a doença não respeita arredondamentos.
Esses são os critérios das Diretrizes Brasileiras de Triagem e Detecção da ROP, elaboradas em conjunto pela Sociedade Brasileira de Pediatria, pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia e pela Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica [2].
Também devem ser examinados, mesmo acima desses limites, bebês com curso clínico instável — os que precisaram de suporte cardiorrespiratório prolongado, tiveram sepse, receberam transfusões ou ganharam pouco peso nas primeiras semanas. Essa decisão é do neonatologista em conjunto com o oftalmologista.
Quando: o primeiro exame deve acontecer entre a 4ª e a 6ª semana de vida, ainda durante a internação. Não é um exame para fazer "depois da alta".
O teste do olhinho não detecta retinopatia da prematuridade
Esta é a confusão mais custosa desta doença, e vale um bloco inteiro.
O teste do olhinho (teste do reflexo vermelho) é feito na maternidade, dura segundos e é obrigatório em boa parte do país. Muitos pais saem de lá com a impressão tranquilizadora de que "o olho do bebê já foi examinado".
Ele não examina o que a ROP acomete.
O teste do olhinho procura obstáculos na passagem da luz: catarata congênita, retinoblastoma, opacidades da córnea e do vítreo. É um exame de triagem excelente para isso.
A retinopatia da prematuridade começa na periferia da retina — a região mais distante do centro. Nessa localização, ela não altera o reflexo vermelho. Um bebê pode ter ROP grave e teste do olhinho perfeitamente normal.
| Teste do olhinho | Exame de triagem da ROP | |
|---|---|---|
| Onde é feito | Berçário, à beira do leito | UTI neonatal ou consultório |
| Pupila dilatada | Não | Sim, obrigatoriamente |
| Equipamento | Oftalmoscópio simples | Oftalmoscópio binocular indireto |
| Quem faz | Pediatra ou neonatologista | Oftalmologista |
| Duração | Segundos | Alguns minutos |
| Detecta ROP? | Não | Sim |
Os dois exames são necessários e não se substituem. Se o seu bebê é prematuro dentro dos critérios acima e fez apenas o teste do olhinho, a triagem de ROP ainda não foi feita.
O que é a retinopatia da prematuridade
Os vasos sanguíneos da retina começam a se formar por volta da 16ª semana de gestação e só terminam perto do parto a termo, em torno da 40ª semana. É um trabalho lento, que acontece de dentro para fora: do nervo óptico em direção à periferia.
Quando o bebê nasce prematuro, esse processo é interrompido no meio.
A primeira fase é de parada. Fora do útero, o ambiente é muito mais rico em oxigênio do que a retina esperava. Com oxigênio sobrando, o estímulo para crescer vasos desaparece — e a vascularização simplesmente para. Parte da retina fica permanentemente sem vasos.
A segunda fase é de excesso. Semanas depois, o bebê cresce e a retina passa a exigir mais oxigênio do que aquela vascularização incompleta consegue entregar. A área sem vasos entra em sofrimento e responde produzindo VEGF em grande quantidade.
Aí está o problema: esse VEGF não faz vasos normais. Faz vasos frágeis, desorganizados, que crescem na direção errada — para dentro do gel vítreo, em vez de acompanharem a retina. Junto com eles vem tecido fibroso. Quando esse tecido se contrai, ele puxa a retina e pode descolá-la.
Duas consequências desse mecanismo merecem atenção:
O oxigênio não é vilão nem herói. Ele é necessário para manter o bebê vivo. O que se busca hoje é evitar oscilações e manter alvos controlados — não cortar oxigênio, o que seria muito pior. Nenhum pai deve sair achando que a UTI causou a doença do filho.
A doença tem um relógio próprio. Ela não aparece no nascimento e não aparece depois da alta. Ela tem uma janela, que é justamente a das semanas de triagem.
Quem tem mais risco
| Fator | Por quê |
|---|---|
| Menor peso ao nascer | Quanto menor, mais incompleta a vascularização |
| Menor idade gestacional | O fator mais forte, junto com o peso |
| Oxigenoterapia prolongada e oscilante | Interfere no estímulo de crescimento vascular |
| Ganho de peso lento nas primeiras semanas | Marcador indireto de IGF-1 baixo |
| Sepse | Inflamação sistêmica agrava a lesão vascular |
| Transfusões sanguíneas | Associadas a maior risco |
| Displasia broncopulmonar | Reflete gravidade respiratória |
| Persistência do canal arterial | Associada a maior necessidade de tratamento |
Existe um escore de risco desenvolvido e validado no Brasil, o ROPScore, que combina peso, idade gestacional, uso de ventilação com oxigênio, transfusões e ganho de peso na sexta semana. Em uma validação com 322 prematuros de muito baixo peso no sul do país, o ponto de corte de 14,5 identificou todos os bebês que desenvolveram ROP grave, com sensibilidade de 100% e valor preditivo negativo de 100% [10].
Nesse mesmo estudo, a incidência de ROP em qualquer estágio foi de 68,3% e de ROP grave, 17% — números que dão a dimensão real do problema em prematuros de muito baixo peso no Brasil.
Onde a doença está: as zonas
Figura 1. A zona é medida a partir do nervo óptico. Quanto mais posterior, mais grave.
Este é o conceito que costuma faltar nas explicações — e sem ele nada do resto faz sentido.
Como os vasos crescem do nervo óptico para fora, a doença aparece exatamente onde o crescimento parou. Se parou cedo, parou perto do centro. E o centro é onde está a visão.
A retina é dividida em três zonas concêntricas ao nervo óptico:
Zona I — um círculo ao redor do nervo óptico, com raio igual a duas vezes a distância entre o nervo e a mácula. É a zona mais posterior e a mais grave. Doença aqui significa que a vascularização parou muito cedo.
Zona II posterior — uma faixa de dois diâmetros de disco além da zona I. Foi criada pela classificação internacional de 2021 justamente porque doenças logo na borda da zona I se comportam de forma mais agressiva do que o resto da zona II [1].
Zona II — o anel que vai da zona I até a borda nasal da retina.
Zona III — o crescente temporal restante. Prognóstico consideravelmente melhor.
A extensão é descrita em horas de relógio, de 1 a 12, indicando quanto da circunferência está acometida.
Por que isso importa tanto: uma doença de grau 3 na zona I é emergência. O mesmo grau 3 na zona III costuma apenas ser observado. Descrever o grau sem a zona deixa o diagnóstico pela metade.
Quanto avançou: os graus (estágios)
Figura 2. O estágio descreve o que acontece na fronteira entre a retina que já tem vasos e a que ainda não tem.
Muitos pais recebem a informação como "grau 1", "grau 2". Na literatura médica o termo é estágio, mas significa a mesma coisa.
Grau 1 (estágio 1) — linha de demarcação
Uma linha fina e plana separa a retina vascularizada da avascular. A maioria regride sozinha, sem qualquer tratamento.
Grau 2 (estágio 2) — crista
A linha ganha volume e vira uma crista elevada. Muitos casos ainda regridem espontaneamente.
Grau 3 (estágio 3) — proliferação para o vítreo
Vasos novos e frágeis crescem a partir da crista em direção ao gel do olho. É a partir daqui que o tratamento entra em discussão — mas, como você vai ver na próxima seção, nem todo grau 3 é tratado e nem todo tratamento espera pelo grau 3.
Grau 4 (estágio 4) — descolamento parcial
O tecido fibroso se contrai e puxa a retina. Divide-se em 4A (mácula ainda colada) e 4B (mácula descolada) — distinção que muda muito o prognóstico visual.
Grau 5 (estágio 5) — descolamento total
A retina se descola por completo. Mesmo com cirurgia, a recuperação visual é limitada.
A exceção perigosa: ROP agressiva
Existe uma forma que não segue essa sequência. A ROP agressiva (chamada A-ROP na classificação de 2021) pode ir direto ao descolamento sem passar pelos graus 1, 2 e 3. Ela se caracteriza por vasos muito dilatados e tortuosos no polo posterior, com pouca proliferação visível.
A classificação de 2021 mudou o nome de "ROP agressiva posterior" para apenas "ROP agressiva", ao reconhecer que ela também ocorre em prematuros maiores e fora da região posterior, especialmente em locais com menos recursos de monitorização de oxigênio [1].
É por causa dela que a triagem não pode ser espaçada só porque "estava tudo bem no exame anterior".
Doença plus: o sinal de que está ativa
Figura 3. Não é sim ou não — é um espectro contínuo.
Doença plus é a dilatação e a tortuosidade dos vasos do polo posterior — a região central, ao redor do nervo óptico. Ela indica que há muito VEGF circulando e que a doença está em atividade.
Não é um achado periférico: é o próprio centro do olho avisando que o processo está acelerado.
A classificação de 2021 reconheceu formalmente que existe um espectro contínuo entre o vaso normal e a doença plus, e não uma fronteira exata [1]. O estágio intermediário é chamado de pré-plus.
A presença de doença plus transforma quadros que seriam observados em quadros que precisam ser tratados. É o fiel da balança.
Quando se trata: ROP Tipo 1
Figura 4. A decisão cruza três informações: zona, grau e doença plus. Nenhuma delas decide sozinha.
Durante décadas o critério foi tratar apenas na chamada doença limiar. O ensaio ETROP, publicado em 2004, mudou isso.
O estudo randomizou 317 lactentes com doença pré-limiar de alto risco, tratando um olho precocemente e acompanhando o outro pelo critério antigo. O resultado: o desfecho visual desfavorável caiu de 19,8% para 14,3%, e o desfecho estrutural desfavorável de 15,6% para 9,0% [3].
A partir daí, o padrão mundial passou a ser tratar a ROP Tipo 1:
- Zona I, qualquer grau, com doença plus
- Zona I, grau 3, sem doença plus
- Zona II, grau 2 ou 3, com doença plus
Repare na primeira linha. Zona I com doença plus se trata mesmo nos graus 1 e 2. Esperar o grau 3 nesses olhos é perder a janela — e era exatamente o que o critério antigo mandava fazer.
A ROP Tipo 2 (zona I graus 1 ou 2 sem plus; zona II grau 3 sem plus) é observada de perto e tratada apenas se progredir para Tipo 1.
Prazo: confirmada a indicação, o tratamento deve acontecer em 48 a 72 horas. Não é uma cirurgia que se agenda para o mês seguinte.
Como é o exame
O exame de triagem é o mapeamento de retina feito com oftalmoscopia binocular indireta, sob dilatação pupilar.
Como funciona, na prática:
- Colírio para dilatar a pupila, aplicado cerca de uma hora antes, em doses adequadas ao peso do bebê
- Colírio anestésico na superfície do olho
- Um blefarostato pediátrico mantém as pálpebras abertas
- O oftalmologista examina com uma lente e uma luz montada na cabeça, frequentemente usando um indentador para visualizar a periferia extrema
- O exame dura poucos minutos por olho
Sobre o desconforto — e é honesto falar disso: o exame incomoda. O bebê chora. Existem medidas que reduzem o estresse e que devem fazer parte da rotina: solução de sacarose oral, contenção facilitada, sucção não nutritiva, e a presença dos pais quando possível. Peça por elas.
Sobre a documentação fotográfica: câmeras de campo amplo (RetCam e similares) permitem registrar o fundo de olho em imagens. Isso tem três vantagens: cria um registro objetivo para comparar exames, permite que os pais vejam o que o médico viu, e viabiliza segunda opinião a distância. Onde não há retinólogo disponível, esse recurso é a base dos programas de telemedicina em ROP.
O calendário dos exames
Figura 5. O intervalo entre um exame e o seguinte depende do que foi encontrado.
Não existe agenda fixa. A frequência é definida pelo achado do exame anterior:
| Achado | Intervalo |
|---|---|
| Zona I, qualquer grau · zona II com grau 3 · doença plus ou pré-plus | Semanal ou mais frequente |
| Zona II com grau 1 ou 2 · regressão em curso | A cada 2 semanas |
| Zona III sem doença · vascularização avançando | A cada 2 a 3 semanas |
Quando a triagem pode ser encerrada
A alta da triagem não é por idade, é por critério anatômico. Ela acontece quando:
- A vascularização se completou até a periferia, ou
- Os vasos alcançaram a zona III sem que tenha havido ROP prévia em zona I ou II, ou
- A doença regrediu completamente, sem sinais de atividade
Quem define isso é o oftalmologista, no exame. E há uma exceção importante: bebês tratados com anti-VEGF precisam de acompanhamento bem mais longo, pelo motivo explicado adiante.
Tratamento: injeção de anti-VEGF
A injeção intravítrea de um medicamento anti-VEGF bloqueia o sinal químico que faz os vasos anormais crescerem, permitindo que a vascularização normal retome seu curso.
O ensaio RAINBOW, publicado no Lancet, comparou ranibizumabe com laser em 225 prematuros de muito baixo peso, em 87 centros de 26 países. Aos seis meses, o sucesso do tratamento foi de 80% com ranibizumabe 0,2 mg contra 66% com laser [4].
O seguimento de dois anos trouxe o dado que mais interessa a longo prazo: miopia alta em 5% dos olhos tratados com ranibizumabe contra 20% dos tratados com laser (razão de chances 0,19). Não houve diferença nos desfechos de desenvolvimento neurológico entre os grupos [5].
Vantagens: procedimento rápido, preserva a retina periférica, permite que a vascularização continue, menos miopia no futuro.
A desvantagem que exige atenção: a doença pode reativar depois. Uma revisão sistemática de 15 estudos com 1.784 olhos encontrou reativação entre 7 e mais de 50 semanas após o tratamento [8]. Isso significa que dar alta precoce a um bebê tratado com anti-VEGF é o principal risco dessa modalidade.
Um achado que refina a escolha: nessa mesma revisão, a recorrência após anti-VEGF foi menor na zona I (RR 0,52) e maior na zona II (RR 3,42) em comparação ao laser. Ou seja, anti-VEGF é particularmente bom na doença posterior, e exige vigilância redobrada na zona II.
Tratamento: fotocoagulação a laser
O laser é aplicado sobre a retina periférica avascular, destruindo o tecido que está produzindo VEGF. Sem a fonte do estímulo, os vasos anormais regridem.
Vantagens: efeito definitivo na área tratada, sem exposição sistêmica a medicamento, sem o risco de reativação tardia.
Desvantagens: sacrifica permanentemente parte da retina periférica, associa-se a mais miopia, exige sedação ou anestesia e leva mais tempo.
Continua sendo uma escolha adequada em muitas situações — especialmente quando o acompanhamento prolongado não pode ser garantido.
Anti-VEGF ou laser: o que muda
Figura 6. Os dois funcionam. A escolha depende da zona, da estrutura disponível e da possibilidade de acompanhar por muitos meses.
Uma metanálise com 12 ensaios randomizados e 58 estudos observacionais, somando 10.516 lactentes, comparou as duas estratégias [6]:
- Descolamento de retina: risco relativo 0,36 a favor do anti-VEGF
- Necessidade de cirurgia: RR 0,38 a favor do anti-VEGF
- Miopia: RR 0,67 a favor do anti-VEGF
- Desenvolvimento neurológico: sem diferença (RR 1,05)
Sobre miopia, uma revisão com 86 estudos e 10.269 olhos quantificou melhor: miopia alta em 21,3% após anti-VEGF contra 42,6% após laser [7].
Sobre mortalidade: o que a evidência realmente diz
Este ponto merece honestidade, porque circula de forma distorcida.
Na metanálise citada acima, os estudos observacionais mostraram maior mortalidade associada ao anti-VEGF (RR 1,68). Mas os ensaios randomizados — que são o desenho capaz de controlar confundimento — não confirmaram esse achado (RR 1,02) [6].
A leitura mais provável é que, na vida real, bebês mais graves recebem anti-VEGF com mais frequência, e são esses bebês que morrem mais — por serem mais graves, não pelo tratamento. Ainda assim, é uma questão em aberto que justifica novos estudos.
Cirurgia: graus 4 e 5
Quando a retina já está descolada, o tratamento é cirúrgico: vitrectomia ou introflexão escleral, conforme o caso. O objetivo é liberar a tração do tecido fibroso e reaplicar a retina.
É preciso ser realista: nesses estágios, a recuperação visual é limitada. O sucesso anatômico — recolar a retina — nem sempre se traduz em visão útil, porque a retina já sofreu dano. A cirurgia é feita para preservar o que for possível, não para restaurar o que foi perdido.
Isso reforça o ponto central deste artigo: o valor está na triagem, não no resgate.
Depois da alta: o olho do ex-prematuro
Mesmo os bebês que tiveram ROP leve e regrediram sozinhos, e mesmo os que nunca tiveram ROP, mantêm risco aumentado de problemas oculares ao longo da infância:
- Miopia, frequentemente de aparecimento precoce e progressiva
- Estrabismo
- Ambliopia (olho preguiçoso), consequência frequente dos dois anteriores
- Anisometropia — graus muito diferentes entre os olhos
- Glaucoma, menos comum, mas possível
- Descolamento de retina tardio, que pode ocorrer na adolescência ou na vida adulta em olhos que tiveram ROP grave
Por isso, o acompanhamento oftalmológico do ex-prematuro não termina com a alta da triagem. A recomendação prática é avaliação aos 6 meses, 1 ano, e depois anualmente durante a infância — ou conforme orientação do oftalmologista que acompanhou o caso.
Vale um alerta específico: ambliopia só é tratável enquanto o sistema visual está em desenvolvimento. Descobrir aos 8 anos que um olho não enxerga é descobrir tarde demais.
O que os pais podem fazer
Antes da alta da UTI, pergunte diretamente à equipe:
- Meu filho já fez o exame de fundo de olho para ROP?
- Qual foi o resultado — zona, grau, tem doença plus?
- Quando é o próximo exame?
- Com quem eu marco esse retorno?
Peça o resultado por escrito. Um relatório com zona, grau e conduta permite que qualquer outro oftalmologista dê continuidade sem recomeçar do zero.
Não falte a nenhum retorno. Este é o ponto mais importante de todo o artigo. A ROP evolui em semanas. Um retorno perdido pode ser a diferença entre uma injeção e uma cirurgia — ou entre enxergar e não enxergar.
Se o bebê foi transferido de hospital, confirme que a informação da triagem foi junto. Perda de seguimento na transferência é uma causa conhecida de diagnóstico tardio.
Não se culpe pelo oxigênio. O oxigênio manteve seu filho vivo. As equipes de neonatologia trabalham hoje com alvos controlados justamente para equilibrar esse risco.
Qual o CID da retinopatia da prematuridade
Na Classificação Internacional de Doenças (CID-10):
- H35.1 — Retinopatia da prematuridade
Esse é o código usado em relatórios, guias de convênio e registros hospitalares. Nas versões ampliadas há subcódigos que detalham estágio e zona, mas no Brasil o H35.1 é o utilizado na prática.
Vale pedir que ele conste no relatório de alta, junto com a descrição da zona, do grau e da conduta.
Onde fazer: SUS, convênio e particular
Pelo SUS, a triagem de ROP deve ser oferecida nas unidades neonatais que atendem prematuros de risco. A cobertura melhorou muito nas últimas duas décadas, mas ainda é desigual entre regiões. Se o hospital onde seu filho está internado não tem oftalmologista, isso precisa ser comunicado e resolvido — não é aceitável dar alta a um prematuro elegível sem a triagem feita.
Por convênio, o exame e o tratamento estão contemplados. Peça o relatório médico com o CID para evitar entraves.
Se o bebê já teve alta sem o exame, procure um oftalmologista imediatamente. Não espere a consulta de rotina do pediatra.
Nosso trabalho em UTI neonatal
O Instituto Drudi e Almeida realiza triagem de retinopatia da prematuridade em UTI neonatal, com deslocamento da equipe até o hospital, exame sob oftalmoscopia binocular indireta com dilatação pupilar, e emissão de relatório com zona, estágio, presença de doença plus e data do retorno.
O acompanhamento continua após a alta hospitalar, em nossas cinco unidades na Grande São Paulo — Santana, Tatuapé, Lapa, São Miguel Paulista e Guarulhos —, e casos que exigem tratamento contam com a estrutura do MIRA Hospital Oftalmológico.
O serviço de retina é conduzido pelo Dr. Fernando Macei Drudi (CRM-SP 139.300 · RQE 50.645).
📞 (11) 5430-2421 · 💬 WhatsApp (11) 91654-4653
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Perguntas frequentes
A retinopatia da prematuridade causa cegueira?
Pode causar, e é uma das principais causas de cegueira infantil evitável no mundo. Mas a palavra importante é evitável: com triagem no prazo correto e tratamento quando indicado, a grande maioria dos casos é controlada. A cegueira por ROP hoje é, quase sempre, consequência de diagnóstico tardio — não de doença intratável.
A retinopatia da prematuridade tem cura?
Nos graus 1 e 2, a maioria dos casos regride espontaneamente, sem qualquer tratamento, e a criança fica com retina normal. Nos graus mais avançados, o tratamento interrompe a progressão e preserva a visão na maior parte dos casos. Nos graus 4 e 5, quando a retina já descolou, a recuperação é limitada mesmo com cirurgia.
Meu bebê nasceu com 1.800 g e 33 semanas. Precisa do exame?
Pelo critério padrão, não. Mas há uma exceção importante: bebês com curso clínico instável — que precisaram de suporte respiratório prolongado, tiveram sepse, receberam transfusões ou ganharam pouco peso — devem ser examinados mesmo acima dos limites. Converse com o neonatologista.
O exame dói?
Incomoda, e o bebê costuma chorar. Existem medidas comprovadas para reduzir o estresse — sacarose oral, contenção facilitada, sucção não nutritiva — que devem fazer parte da rotina do exame. Peça por elas. O desconforto é passageiro; a triagem não é adiável.
Meu bebê fez o teste do olhinho. Já está examinado?
Não. O teste do olhinho procura catarata congênita, retinoblastoma e opacidades. Ele não detecta retinopatia da prematuridade, que começa na periferia da retina e só aparece com a pupila dilatada, no exame feito por oftalmologista. São exames diferentes e ambos necessários.
Qual a diferença entre grau e estágio?
Nenhuma — são o mesmo conceito. "Grau" é o termo mais usado na conversa com as famílias; "estágio" é o termo da classificação internacional. Ambos vão de 1 a 5.
O que significa "doença plus" no relatório?
Significa que os vasos do centro da retina estão dilatados e tortuosos, sinal de que a doença está ativa. A presença de doença plus muda a conduta: pode transformar um caso de observação em um caso de tratamento em 48 a 72 horas.
O oxigênio da UTI causou a doença?
Não é tão simples. O oxigênio participa do mecanismo, mas é indispensável para manter o bebê vivo. As UTIs trabalham hoje com alvos controlados justamente para equilibrar esse risco. A causa raiz da ROP é a prematuridade em si, que interrompeu a formação dos vasos antes da hora.
Quantas vezes o bebê vai precisar fazer o exame?
Varia muito. Alguns bebês fazem dois ou três exames e recebem alta da triagem. Outros são examinados semanalmente por meses. A frequência é definida pelo achado de cada exame, e a alta acontece por critério anatômico, não por idade.
Meu bebê recebeu injeção no olho. Posso dar alta do acompanhamento?
Não. Bebês tratados com anti-VEGF exigem acompanhamento mais longo, porque a doença pode reativar de 7 a mais de 50 semanas após a injeção. Alta precoce é o principal risco dessa modalidade de tratamento.
O tratamento é laser ou injeção? Qual é melhor?
Os dois funcionam e a escolha é individual. O anti-VEGF preserva a retina periférica, causa menos miopia e é particularmente bom na doença de zona I — mas exige acompanhamento prolongado. O laser tem efeito definitivo e não reativa, mas sacrifica retina periférica e causa mais miopia. A decisão considera a zona, a estrutura disponível e a possibilidade real de acompanhamento.
Meu filho teve ROP que regrediu sozinha. Preciso continuar acompanhando?
Sim. Ex-prematuros, mesmo sem ROP ou com ROP regredida, têm risco aumentado de miopia, estrabismo e ambliopia ao longo da infância. A ambliopia só é tratável enquanto o sistema visual está em desenvolvimento — descobrir tarde significa perder a chance.
Qual o CID da retinopatia da prematuridade?
H35.1 na CID-10. Vale pedir que conste no relatório de alta, junto com zona, grau e conduta.
O que é ROP agressiva?
É uma forma que não segue a progressão clássica de graus 1, 2 e 3 — pode ir direto ao descolamento. Caracteriza-se por vasos muito dilatados e tortuosos com pouca proliferação visível. É a principal razão pela qual a triagem não pode ser espaçada mesmo quando o exame anterior parecia tranquilo.
Existe alguma forma de prevenir?
A prevenção primária é evitar a prematuridade, o que nem sempre é possível. Na UTI, o controle rigoroso dos alvos de oxigênio, a prevenção de infecções e o suporte nutricional adequado reduzem o risco. Mas a medida mais eficaz continua sendo a triagem no prazo correto — que não previne a doença, mas previne a cegueira.
Referências
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Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). cbo.net.br
Revisão médica. Conteúdo escrito e revisado por Dr. Fernando Macei Drudi, CRM-SP 139.300 · RQE 50.645 — Retina cirúrgica. Revisão adicional por Dra. Priscilla Rodrigues de Almeida, CRM-SP 148.173 · RQE 59.216. Última revisão médica: 7 de agosto de 2026. Consulte nossa Política Editorial.
Aviso importante. Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico oftalmologista. Se o seu bebê é prematuro e ainda não passou pela triagem de retinopatia da prematuridade, procure atendimento especializado imediatamente.
Aviso importante: Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico oftalmologista. Em caso de sintomas ou dúvidas sobre sua saúde ocular, procure atendimento médico especializado.