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Vitrectomia: quando é indicada e como é a recuperação

Publicado em 01 de maio de 2026 Atualizado em 21 de agosto de 2026 Revisão médica: 21 de agosto de 2026 13 min de leitura Dr. Fernando Macei Drudi
Vitrectomia: cirurgião e paciente em ilustração 3D com anatomia da retina e do vítreo
Dr. Fernando Macei Drudi
Autor Médico
Dr. Fernando Macei Drudi
CRM-SP 139.300 | RQE 50.645

Resumo em linguagem simples

Vitrectomia é uma cirurgia que permite tratar problemas específicos dentro do olho, principalmente no vítreo e na retina. O que será feito, se haverá gás ou óleo e como será a recuperação dependem do diagnóstico. Em caso de gás intraocular, não se deve viajar de avião ou receber óxido nitroso até a liberação médica.

CID-10: H35 — Outros transtornos da retina

CIRURGIA VÍTREO-RETINIANA

Resposta rápida: a vitrectomia pode ser indicada para tratar problemas específicos do vítreo e da retina. O diagnóstico define se há benefício, qual técnica pode ser necessária e como será a recuperação.

A vitrectomia é uma cirurgia usada para criar acesso seguro ao interior do olho e tratar problemas específicos do vítreo e da retina. Este guia explica o que muda de caso para caso, por que o diagnóstico vem antes da técnica e como interpretar a recuperação sem promessas irreais de resultado.

O que é vitrectomia?

O vítreo é o gel transparente que ocupa a maior parte do interior do olho. Na vitrectomia via pars plana, esse gel é removido parcial ou totalmente por microincisões para que o cirurgião possa enxergar e tratar a retina — a camada sensível à luz localizada no fundo ocular. Ao final, o olho é preenchido por solução apropriada e, quando o caso exige, pode receber ar, gás ou óleo de silicone como apoio interno temporário ou prolongado.1 8

O ponto mais importante é que a cirurgia não tem um roteiro idêntico para todos. A vitrectomia é o acesso. O que se faz depois desse acesso depende do motivo da cirurgia, do aspecto da retina, dos exames de imagem, da presença de tração ou sangramento e do potencial de benefício para aquele olho.

Diagrama anatômico do olho mostrando o vítreo, a retina e os pontos de acesso da vitrectomia.
O vítreo preenche o olho; a retina recebe a luz no fundo ocular. A cirurgia é planejada a partir da condição da retina, não apenas do nome do procedimento.

Quando a vitrectomia pode ser indicada?

A indicação é discutida quando há um problema no vítreo ou na retina que possa ameaçar a visão, limitar a avaliação do fundo do olho ou causar sintomas relevantes. Entre os cenários frequentes estão hemorragia vítrea que não permite visualizar a retina, membrana epirretiniana com distorção visual importante, buraco macular, descolamento de retina selecionado e retinopatia diabética proliferativa com tração ou sangramento.1 2 5 7

Problema avaliado O que a cirurgia pode buscar O que define a decisão
Hemorragia vítrea Remover o sangue que bloqueia a visão ou impede examinar/tratar a retina. Causa do sangramento, clareamento espontâneo, ultrassonografia e risco retinal associado.
Membrana epirretiniana Aliviar a tração que pode gerar linhas tortas, distorção ou queda visual. Sintomas, OCT e impacto funcional; nem toda membrana precisa de cirurgia.
Buraco macular Tratar a abertura na mácula e favorecer o fechamento quando indicado. Tamanho, configuração no OCT, tempo de sintomas e avaliação da retina.
Descolamento retinal Aliviar tração, tratar rupturas e reposicionar a retina conforme a estratégia escolhida. Tipo, extensão, presença de proliferação e envolvimento da mácula.
Retinopatia diabética avançada Tratar tração, hemorragia e permitir medidas adicionais como endolaser quando necessárias. Atividade proliferativa, tração na mácula, sangramento e condição geral do olho.

Em descolamento tracional associado ao diabetes, uma revisão sistemática com meta-análise mostrou que a vitrectomia pode alcançar bom resultado anatômico, mas também reforçou um ponto essencial para o consentimento: a visão final depende fortemente do estado visual e retinal antes da cirurgia. Por isso, “recolocar” ou estabilizar a retina não significa necessariamente recuperar uma visão normal.2

Infográfico comparando hemorragia vítrea, membrana macular, buraco macular e descolamento de retina como possíveis cenários de vitrectomia.
O mesmo acesso cirúrgico pode servir a objetivos diferentes. O exame define se existe indicação e qual será o objetivo do procedimento.

Como a indicação é planejada antes da cirurgia?

A consulta de retina reúne história clínica, medida de visão, exame de fundo de olho e, quando indicado, tomografia de coerência óptica, mapeamento de retina, ultrassonografia ocular e outros exames. A equipe avalia qual alteração está causando os sintomas, se há risco de progressão, quais alternativas existem e qual benefício é realisticamente esperado.

O planejamento também inclui medicações em uso, diabetes, pressão arterial, anticoagulantes ou antiagregantes, doenças cardiopulmonares, anestesia e condições do outro olho. Essas informações orientam a preparação individual e devem ser discutidas com o médico responsável, sem suspender medicamentos por conta própria.

Como funciona a vitrectomia no centro cirúrgico?

A cirurgia é feita em ambiente estéril, sob anestesia definida com a equipe cirúrgica e anestésica. Por pequenas entradas na esclera, geralmente são usados instrumentos para manter a pressão interna do olho, iluminar a cavidade e cortar/aspirar o vítreo. A tecnologia de pequeno calibre pode permitir incisões autosselantes em muitos casos, mas a escolha do calibre e a necessidade de sutura são decisões técnicas, não um indicador isolado de melhor resultado.6

Depois de remover o vítreo necessário, podem ser realizadas manobras específicas, como retirada de membrana, peeling de membrana limitante interna em situações selecionadas, endolaser, drenagem de líquido, remoção de sangue ou tratamento de uma ruptura. Em membrana epirretiniana, a literatura mostra que diferentes escolhas técnicas podem ter objetivos anatômicos distintos; a conduta é individualizada pelo padrão da membrana e da mácula.5

Diagrama de três microincisões usadas para infusão, iluminação e instrumentos durante a vitrectomia.
Os instrumentos entram por pequenos acessos na parte branca do olho. A função de cada porta é manter o olho estável, iluminar a retina e permitir o tratamento planejado.

Ar, gás ou óleo de silicone: por que às vezes são usados?

Após tratar a retina, alguns olhos podem receber ar, gás ou óleo de silicone. Essas substâncias funcionam como tamponamento interno quando há necessidade de apoiar determinada área durante a cicatrização. Elas não são obrigatórias em toda vitrectomia e não existe uma escolha universal: o tipo de alteração retinal, a presença de ruptura, o objetivo cirúrgico e o seguimento esperado ajudam a decidir.1 9

Quando há gás dentro do olho, a visão costuma ficar bastante embaçada até que a bolha seja absorvida. Há uma regra de segurança decisiva: não viaje de avião e não receba anestesia com óxido nitroso enquanto houver gás intraocular, salvo liberação expressa da equipe de retina. Alterações de pressão podem fazer a bolha expandir e elevar perigosamente a pressão do olho.9

Infográfico explicando ar, gás e óleo de silicone como formas possíveis de tamponamento interno após vitrectomia.
Ar, gás e óleo de silicone têm comportamentos e restrições diferentes. A equipe explica qual substância foi usada e quais cuidados são necessários no caso individual.

Como é a recuperação após vitrectomia?

Após a cirurgia, é habitual que a visão não esteja nítida de imediato. Isso pode acontecer pela inflamação esperada, pela doença retinal que motivou o procedimento e, quando utilizado, pelo tamponamento intraocular. O acompanhamento avalia retina, pressão ocular, cicatrização e resposta aos colírios prescritos.

A postura da cabeça, o retorno a atividades, o uso de proteção ocular e o prazo para dirigir devem seguir a orientação recebida na alta. A evidência sobre postura de face para baixo após cirurgia de buraco macular não indica uma regra igual para todos; o benefício pode ser mais relevante em certos buracos maiores e a duração deve ser definida pelo cirurgião.4

Linha do tempo ilustrada da recuperação pós-vitrectomia, com primeiras horas, primeiros dias, semanas seguintes e reavaliação.
A recuperação é acompanhada em etapas. A velocidade de melhora da visão e as restrições variam conforme a doença tratada e o que foi realizado durante a cirurgia.

Quais riscos precisam ser conhecidos?

Como toda cirurgia intraocular, a vitrectomia envolve riscos. Entre eles estão sangramento, alteração da pressão ocular, ruptura ou novo descolamento de retina, infecção intraocular, edema e necessidade de nova intervenção. A catarata pode surgir ou progredir em olhos que ainda têm o cristalino natural, mas o risco e o momento de eventual tratamento variam conforme idade, retina e cirurgia realizada.8

Esses riscos devem ser explicados no consentimento informado de acordo com a condição tratada. A decisão não é baseada apenas no receio de complicações: ela compara o risco de operar com o risco de manter a doença retinal sem o tratamento indicado.

Cartões de alerta pós-vitrectomia destacando dor intensa, piora súbita da visão, vermelhidão crescente e sombra ou cortina nova.
Em caso de sintomas inesperados ou de piora, a referência é a orientação individual da equipe que realizou ou acompanha a cirurgia.

Vitrectomia no Instituto Drudi e Almeida

A avaliação para vitrectomia é conduzida pelo Dr. Fernando Macei Drudi, CRM-SP 139.300 | RQE 50.645, com consulta, exame de retina e discussão individual das opções. Quando há indicação cirúrgica, o procedimento é realizado no MIRA Hospital Oftalmológico. O objetivo da consulta é definir se a cirurgia é apropriada para aquele olho, quais etapas podem ser necessárias e quais limitações de recuperação precisam ser previstas.

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Perguntas frequentes sobre vitrectomia

1. Vitrectomia é a mesma coisa que cirurgia de retina?

Não exatamente. Vitrectomia é o acesso cirúrgico ao interior do olho por meio da remoção parcial ou total do vítreo. Ela pode ser usada para tratar doenças da retina, mas o tratamento realizado depende da causa.

2. Todo descolamento de retina é tratado com vitrectomia?

Não. Existem diferentes técnicas para descolamento de retina. A escolha depende do tipo, da localização das rupturas, da presença de tração, do estado do cristalino e de outros achados do exame.

3. O que é hemorragia vítrea?

É a presença de sangue dentro da cavidade vítrea. Pode deixar a visão turva ou impedir o exame da retina. A conduta depende da causa, do grau de opacidade, da ultrassonografia e da evolução.

4. Membrana epirretiniana sempre precisa de cirurgia?

Não. Algumas membranas causam poucos sintomas e podem ser acompanhadas. A cirurgia costuma ser discutida quando há distorção visual, queda funcional ou alteração macular que justifique o risco cirúrgico.

5. Quanto tempo dura a cirurgia?

O tempo varia com a doença tratada e as etapas necessárias. A equipe fornece uma estimativa após avaliar o caso; o planejamento não deve ser baseado em uma duração padrão.

6. A vitrectomia é feita com anestesia geral?

A anestesia é definida individualmente entre o cirurgião, o anestesista e o paciente. Podem ser usadas estratégias de anestesia local com sedação ou anestesia geral, conforme a situação clínica e a complexidade do procedimento.

7. Vou sentir dor depois da cirurgia?

Desconforto e sensação de areia podem ocorrer. Dor intensa, dor que aumenta ou dor acompanhada de náusea deve ser comunicada à equipe que acompanha o pós-operatório.

8. Preciso ficar de bruços?

Somente se essa for a orientação para a sua cirurgia. A postura depende da doença tratada, da retina e do uso de gás. Siga exatamente a posição e o prazo informados pela equipe.

9. Posso viajar de avião depois de vitrectomia?

Se houver gás dentro do olho, não. A viagem aérea e a anestesia com óxido nitroso só podem ser consideradas após liberação médica, quando não houver mais gás intraocular.

10. O que é óleo de silicone?

É um material que pode ser usado como tamponamento em casos selecionados. Ele não é absorvido como o gás e pode exigir uma nova cirurgia para remoção, conforme o planejamento de retina.

11. A visão melhora imediatamente?

Não necessariamente. A visão pode ficar embaçada inicialmente e a recuperação depende sobretudo da doença de base, da mácula e do que foi necessário fazer durante a cirurgia.

12. Posso dirigir depois da cirurgia?

Não até que a visão e as condições de segurança sejam avaliadas e liberadas pelo oftalmologista. A presença de gás, a visão de um só olho e o tipo de recuperação mudam essa decisão.

13. A catarata pode piorar depois de vitrectomia?

Pode haver formação ou progressão de catarata em olhos com cristalino natural. Isso é discutido antes da cirurgia, mas não permite prever com precisão se ou quando uma cirurgia de catarata será necessária.

14. Quais sintomas exigem contato imediato?

Procure a equipe diante de dor forte, perda visual súbita, vermelhidão em piora, secreção, sombra ou cortina nova, flashes importantes ou qualquer orientação de urgência recebida na alta.

15. Como saber se a vitrectomia é indicada para mim?

A indicação depende de consulta e exame de retina. O especialista relaciona seus sintomas, imagens, estado da mácula, risco de evolução e alternativas antes de recomendar ou não a cirurgia.

Referências científicas

  1. Patel NC, Hsieh YT, Yang CM, et al. Vitrectomy for diabetic retinopathy: A review of indications, techniques, outcomes, and complications. Taiwan J Ophthalmol. 2024;14(4):519-530. doi: 10.4103/tjo.TJO-D-23-00108.
  2. McCullough P, Mohite A, Virgili G, Lois N. Outcomes and Complications of Pars Plana Vitrectomy for Tractional Retinal Detachment in People With Diabetes: A Systematic Review and Meta-analysis. JAMA Ophthalmol. 2023;141(2):186-195. doi: 10.1001/jamaophthalmol.2022.5817.
  3. Parravano M, Giansanti F, Eandi CM, et al. Vitrectomy for idiopathic macular hole. Cochrane Database Syst Rev. 2015;CD009080. doi: 10.1002/14651858.CD009080.pub2.
  4. Raimondi R, Tzoumas N, Toh S, et al. Facedown Positioning in Macular Hole Surgery: A Systematic Review and Individual Participant Data Meta-Analysis. Ophthalmology. 2025;132(2):194-205. doi: 10.1016/j.ophtha.2024.08.012.
  5. Mihalache A, Huang RS, Ahmed H, et al. Pars Plana Vitrectomy with or without Internal Limiting Membrane Peel for Epiretinal Membrane: A Systematic Review and Meta-Analysis. Ophthalmologica. 2024;247(1):30-43. doi: 10.1159/000534851.
  6. Chen PL, Chen YT, Chen SN. Comparison of 27-gauge and 25-gauge vitrectomy in the management of tractional retinal detachment secondary to proliferative diabetic retinopathy. PLOS One. 2021;16(3):e0249139. doi: 10.1371/journal.pone.0249139.
  7. El Annan J, Carvounis PE. Current Management of Vitreous Hemorrhage Due to Proliferative Diabetic Retinopathy. Int Ophthalmol Clin. 2014;54(2):141-153. doi: 10.1097/IIO.0000000000000027.
  8. Do DV, Gichuhi S, Vedula SS, Hawkins BS. Surgery for postvitrectomy cataract. Cochrane Database Syst Rev. 2018;CD006366. doi: 10.1002/14651858.CD006366.pub4.
  9. American Society of Retina Specialists. Vitrectomy: patient information. Acesso em 14 ago. 2026.

Aviso importante: Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico oftalmologista. Em caso de sintomas ou dúvidas sobre sua saúde ocular, procure atendimento médico especializado.

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