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Ceratocone

Ceratocone Avançado aos 24 Anos

Publicado em 24 de maio de 2026 Atualizado em 07 de julho de 2026 6 min de leitura Dr. Fernando Macei Drudi
Imagem de capa do artigo Ceratocone Avançado aos 24 Anos, conteúdo da categoria Ceratocone.
Dr. Fernando Macei Drudi
Autor Médico
Dr. Fernando Macei Drudi
CRM-SP 139.300 | RQE 50.645

Resumo em linguagem simples

João, 24 anos, recuperou a visão em ceratocone avançado após tratamento com crosslinking e implante de Anel de Ferrara, mostrando eficácia na estabilização e melhora visual.

CID-10: H18.6 — Ceratocone Ver todos os artigos de Ceratocone

Relato de Caso Clínico: Ceratocone Avançado em Paciente Jovem – Uma Abordagem Humanizada e Multidisciplinar

Introdução

O ceratocone é uma ectasia corneana progressiva caracterizada pelo afinamento e protrusão da córnea, resultando em irregularidades refrativas que comprometem significativamente a acuidade visual. A evolução da doença pode levar a quadros severos, nos quais o tratamento clínico conservador torna-se insuficiente, demandando intervenções cirúrgicas e reabilitação visual avançada.

Este artigo descreve o caso clínico de João (nome fictício para preservação da identidade), um jovem de 24 anos, portador de ceratocone bilateral avançado, abordando a trajetória diagnóstica, as intervenções terapêuticas aplicadas, a evolução clínica e o impacto da doença em sua vida pessoal e profissional. Além disso, discute-se a importância do diagnóstico precoce e da gestão multidisciplinar para otimização do prognóstico visual.

Dados Clínicos e História

Apresentação Inicial

João, 24 anos, compareceu ao Instituto Drudi e Almeida referindo piora progressiva da visão em ambos os olhos, com dificuldade para realizar suas atividades diárias e profissionais. Ele relatava histórico recente de quatro trocas de óculos em apenas dois anos, indicando instabilidade refrativa. Além disso, mencionou hábito frequente de esfregar os olhos, atividade esta comumente associada à exacerbação do ceratocone.

Anamnese e História Ocular

  • Idade: 24 anos
  • Antecedentes oftalmológicos: sem cirurgias prévias, sem uso regular de lentes de contato
  • Hábito de esfregar os olhos: frequente, principalmente em momentos de fadiga ocular e estresse
  • Tempo de evolução dos sintomas: cerca de 2 anos com piora visual progressiva
  • Trocas frequentes de óculos: quatro prescrições diferentes em 24 meses
  • Impacto social e profissional: dificuldade para desempenhar funções laborais e atividades esportivas

Exames Complementares

Exame de Topografia Corneana – Pentacam

O exame de topografia corneana realizado com Pentacam revelou alterações típicas do ceratocone bilateral, com valores de Kmax de 58 dioptrias (D) no olho direito (OD) e 52D no olho esquerdo (OE), indicando ceratocone avançado no OD e moderado no OE. Foram evidenciadas áreas de afinamento corneano e protrusão apical, além de assimetria significativa entre os olhos.

Paquimetria Especular

A paquimetria central demonstrou espessuras corneanas de aproximadamente 450 micrômetros (µm) em ambos os olhos, valor compatível com ceratocone moderado a avançado, porém ainda dentro dos limites para procedimentos de estabilização corneana, como o crosslinking.

Tomografia de Coerência Óptica (OCT) de Córnea

O exame de OCT evidenciou afinamento corneano focal e irregularidade da superfície epitelial, além de desorganização das camadas de Bowman e estroma anterior, corroborando o diagnóstico clínico e topográfico.

Estadiamento do Ceratocone – Critérios de Amsler-Krumeich

Com base nos achados clínicos e nos exames complementares, procedeu-se ao estadiamento do ceratocone segundo a classificação de Amsler-Krumeich, amplamente utilizada para orientar o manejo da doença:

  • Olho Direito (OD): Grau III – caracterizado por ceratometria máxima acima de 53D, afinamento corneano entre 300-400 µm, presença de opacidades estromais e visão com correção reduzida.
  • Olho Esquerdo (OE): Grau II – ceratometria máxima entre 48-53D, afinamento entre 400-450 µm, sem opacidades estromais significativas e visão corrigível.

Conduta Terapêutica

Crosslinking Corneano Acelerado

Considerando a progressão recente do ceratocone e a espessura corneana adequada, optou-se por realizar o crosslinking corneano acelerado no olho direito, a fim de estabilizar a ectasia. O protocolo empregado foi de 9mW/cm² durante 10 minutos, totalizando 5,4J/cm² de energia, procedimento reconhecido por promover o reforço das fibras colágenas da córnea, retardando ou interrompendo a progressão da doença.

Implante de Anel de Ferrara

Seis meses após o crosslinking, com estabilização da topografia corneana e redução da progressão, procedeu-se ao implante de um anel de Ferrara no olho direito. O objetivo foi o melhoramento da curvatura corneana, redução do astigmatismo irregular e melhora da acuidade visual, proporcionando maior qualidade de vida ao paciente.

Evolução Clínica e Topográfica

Durante o acompanhamento, foram realizadas topografias seriadas que demonstraram:

  • Estabilização da ceratometria máxima após o crosslinking
  • Melhora da forma corneana e redução do astigmatismo irregular após o implante do anel
  • Manutenção da espessura corneana e ausência de progressão da ectasia

Correção Visual Final

Para a reabilitação visual, João passou a utilizar lente escleral no olho direito, devido à irregularidade corneana residual e à melhor adaptação e conforto proporcionados por essa lente. No olho esquerdo, com ceratocone em grau II e menor irregularidade, optou-se pela correção com óculos, que proporcionaram boa acuidade visual funcional.

Impacto na Qualidade de Vida

Retorno ao Trabalho

Após o tratamento e adaptação visual, João relatou significativa melhora em sua capacidade para desempenhar suas atividades profissionais, que envolvem leitura e uso prolongado de computadores. A estabilização do ceratocone e a correção adequada permitiram a retomada plena do trabalho, com redução do estresse visual e maior segurança.

Prática de Esportes

João também retomou a prática esportiva, atividade esta que havia sido abandonada devido à dificuldade visual e desconforto ocular. A melhora da visão binocular e o conforto com a lente escleral contribuíram para sua reinserção em atividades físicas, promovendo benefícios adicionais à saúde geral e bem-estar emocional.

Discussão

Importância do Diagnóstico Precoce

O caso de João exemplifica a relevância do diagnóstico precoce do ceratocone, especialmente em pacientes jovens com queixas de instabilidade refrativa e mudanças frequentes de óculos. A identificação em fases iniciais permite intervenções menos invasivas e maior preservação da função visual.

Hábito de Esfregar os Olhos como Fator de Risco

O hábito de esfregar os olhos, relatado por João, é um fator de risco conhecido para o agravamento do ceratocone, pois pode acelerar o processo de ectasia através da aplicação de forças mecânicas sobre a córnea. A educação do paciente para evitar esse comportamento é fundamental no manejo da doença.

Terapias Combinadas para Otimização do Prognóstico

A combinação do crosslinking acelerado com o implante de anel corneano representa uma abordagem contemporânea e eficaz para o tratamento do ceratocone avançado, permitindo a estabilização da doença e melhora da forma corneana, facilitando a adaptação de lentes especiais e melhorando a qualidade visual.

Reabilitação Visual e Impacto Psicossocial

A correção visual adequada, por meio de lentes esclerais e óculos, não apenas restabeleceu a função visual de João, mas também promoveu seu bem-estar emocional, redução da ansiedade e reintegração social e profissional. O acompanhamento multidisciplinar, incluindo orientação psicológica, pode ser benéfico para pacientes com ceratocone avançado.

Considerações Finais

O relato do caso de João reforça que o ceratocone, apesar de ser uma condição crônica e progressiva, pode ser manejado com sucesso por meio de diagnóstico precoce, terapias personalizadas e reabilitação visual adequada. A conscientização sobre os hábitos que potencializam a progressão da doença, como o esfregar dos olhos, é essencial para o controle a longo prazo.

O Instituto Drudi e Almeida mantém um compromisso com o cuidado humanizado, integrando tecnologia de ponta e suporte emocional para pacientes com ceratocone e outras doenças corneanas, visando a excelência clínica e a melhoria da qualidade de vida.

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Diagnóstico e Exames Complementares

O diagnóstico do ceratocone é essencialmente clínico, porém, a confirmação e o grau de avanço da doença dependem de exames complementares específicos que avaliam a topografia e a biomecânica corneana. A topografia corneana é o exame padrão-ouro para detectar alterações na curvatura e na forma da córnea. Por meio dela, é possível identificar áreas de afinamento e protrusão, características do ceratocone, mesmo em estágios iniciais que ainda não causam sintomas visíveis ao paciente.

Além da topografia, a tomografia de córnea, como o exame de paquimetria e a tomografia de Scheimpflug (realizada por aparelhos como o Pentacam), fornece uma visão tridimensional precisa da córnea. Esses exames medem o espessamento e avaliam as camadas da córnea, permitindo detectar alterações estruturais profundas que indicam a progressão da ectasia. A paquimetria é fundamental para monitorar o afinamento corneano, fator crítico para a indicação do tratamento adequado.

Por fim, exames adicionais como a avaliação da biomecânica corneana, por meio de dispositivos como o ORA (Ocular Response Analyzer) ou o Corvis ST, ajudam a entender a resistência e a elasticidade da córnea. Esses parâmetros são cada vez mais utilizados para identificar pacientes com risco de progressão do ceratocone, bem como para planejar intervenções terapêuticas personalizadas, garantindo maior segurança e eficácia nos resultados.

Opções de Tratamento Modernas

O tratamento do ceratocone avançado tem evoluído significativamente nas últimas décadas. Inicialmente, o uso de lentes de contato rígidas gás-permeáveis foi a principal estratégia para melhorar a acuidade visual, corrigindo a irregularidade da superfície corneana. No entanto, esse método não impede a progressão da doença. Atualmente, o crosslinking corneano é o procedimento mais eficaz para estabilizar o ceratocone, especialmente em pacientes jovens, como João.

O crosslinking consiste em aplicar riboflavina (vitamina B2) na córnea, seguida de exposição controlada à luz ultravioleta A, promovendo o fortalecimento das fibras colágenas corneanas. Esse processo aumenta a rigidez da córnea e pode retardar ou interromper a progressão do afinamento e deformação corneana. O procedimento é minimamente invasivo, com baixo índice de complicações, e pode ser realizado em estágio inicial ou moderado da doença para preservar a visão do paciente.

Em casos avançados, onde já há significativa irregularidade corneana e comprometimento visual, o implante de anel intracorneano, como o Anel de Ferrara, pode ser indicado. Esses anéis semicirculares são inseridos dentro do estroma da córnea para promover um efeito mecânico de regularização da curvatura corneal, melhorando a qualidade óptica. Em combinação com o crosslinking, o implante de anel tem demonstrado resultados promissores na recuperação funcional e na redução da dependência de lentes de contato ou cirurgia transplantológica.

Perguntas Frequentes

O que causa o ceratocone?

O ceratocone é uma doença multifatorial, cuja causa exata ainda não está completamente esclarecida. Sabe-se que há uma predisposição genética em muitos casos, assim como fatores ambientais que podem contribuir para o desenvolvimento da doença, como o hábito persistente de coçar ou esfregar os olhos, alergias oculares crônicas e exposição a agentes irritantes. Essas ações podem desencadear uma resposta inflamatória que fragiliza a estrutura da córnea, levando ao seu afinamento e deformação progressiva.

O crosslinking é um tratamento doloroso e tem efeitos colaterais?

O procedimento de crosslinking é geralmente bem tolerado e realizado sob anestesia tópica em ambulatório. Durante a aplicação da luz ultravioleta, o paciente pode sentir algum desconforto, mas não dor intensa. Após o procedimento, pode haver sensação de ardência e fotofobia temporárias, que são controladas com medicações prescritas. Complicações graves são raras, mas podem incluir infecções ou cicatrizes corneanas, reforçando a importância do acompanhamento pós-operatório rigoroso.

É possível curar o ceratocone completamente?

Atualmente, o ceratocone não possui cura definitiva, pois é uma

Referências científicas

  1. Knutsson KA, Genovese PN, Paganoni G, Ambrosio O, Ferrari G, Zennato A, Caccia M, Cataldo M, Rama P. Safety and Efficacy of Corneal Cross-Linking in Patients Affected by Keratoconus: Long-Term Results. Med Sci (Basel). 2023 Jun 16;11(2):43. doi:10.3390/medsci11020043
  2. Papachristoforou N, Ueno A, Ledwos K, Bartuś J, Nowińska A, Karska-Basta I. A Review of Keratoconus Cross-Linking Treatment Methods. J Clin Med. 2025 Mar 3;14(5):1702. doi:10.3390/jcm14051702
  3. Farjadnia M, Naderan M. Corneal cross-linking treatment of keratoconus. Oman J Ophthalmol. 2015 May-Aug;8(2):86-91. doi:10.4103/0974-620X.159105
  4. Al-Muammar AM, Al-Amri AM. Corneal Cross-Linking in Keratoconus: Comparative Analysis of Accelerated versus Standard Protocols. J Ophthalmol. 2026 Jan 8;2026:12842083. doi:10.1155/2026/12842083
  5. Godefrooij DA, de Wit GA, Imhof SM, Wisse RP. Clinical Evaluation and Validation of the Dutch Crosslinking for Keratoconus (DUCK) Score. JAMA Ophthalmol. 2019 Mar 28;137(5):548-554. doi:10.1001/jamaophthalmol.2019.0371

Aviso importante: Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico oftalmologista. Em caso de sintomas ou dúvidas sobre sua saúde ocular, procure atendimento médico especializado.

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