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Ultrassom Ocular (USG): Quando o Exame é Indicado

Publicado em 01 de maio de 2026 Atualizado em 21 de agosto de 2026 Revisão médica: 14 de agosto de 2026 10 min de leitura Dr. Fernando Macei Drudi
Ultrassom ocular em paciente com sonda sobre a pálpebra, médico e tela de B-scan
Dr. Fernando Macei Drudi
Autor Médico
Dr. Fernando Macei Drudi
CRM-SP 139.300 | RQE 50.645

Resumo em linguagem simples

O ultrassom ocular usa ondas sonoras para ajudar o médico a observar estruturas internas do olho quando catarata densa, sangue no vítreo ou outra opacidade impede uma visão clara do fundo de olho. Ele é complementar e precisa ser interpretado junto com a avaliação oftalmológica.

Ultrassom ocular, ou USG ocular, é um exame que usa ondas sonoras para ajudar o oftalmologista a avaliar as estruturas internas do olho quando a luz não consegue mostrar bem o fundo de olho. Ele pode ser especialmente útil diante de catarata muito opaca, sangue no vítreo ou outra situação que impeça a visualização direta da retina. O resultado não substitui a consulta: ele orienta os próximos passos junto com os seus sintomas, o exame presencial e, quando necessário, outros testes.

  • O B-scan produz uma imagem em corte do vítreo, retina, coroide e parede ocular.
  • O A-scan tem aplicações de medida e caracterização de ecos; em biometria, pode ser útil quando métodos ópticos são limitados.
  • USG ocular é complementar: a indicação e a interpretação devem ser feitas pelo oftalmologista.
  • Perda visual súbita, flashes novos, uma chuva de moscas volantes ou trauma exigem avaliação sem demora.
Prancha clínica em três painéis mostrando opacidade no olho, a sonda de ultrassom sobre a pálpebra e a imagem do B-scan para avaliação do segmento posterior
Figura clínica em destaque. Quando catarata densa, sangue no vítreo ou outra opacidade limita a passagem da luz, o ultrassom pode acrescentar uma imagem em corte das estruturas posteriores. A imagem deve sempre ser interpretada no contexto da avaliação oftalmológica.

O que é o ultrassom ocular?

O ultrassom ocular é uma modalidade de imagem baseada no retorno de ondas sonoras. A sonda emite um pulso, capta os ecos produzidos nos diferentes tecidos e transforma essas informações em gráfico ou imagem. Como o olho é uma estrutura superficial e contém meios líquidos, esse método pode ser útil para investigar o segmento posterior quando a visualização com luz está prejudicada.

É importante separar duas perguntas. A primeira é por que o exame foi pedido: por exemplo, para avaliar o que não aparece bem ao fundo de olho. A segunda é o que o exame mostra: ecos e estruturas que precisam ser analisados por profissional experiente. O USG não deve ser entendido como um diagnóstico automático, nem como substituto de uma avaliação de retina, da avaliação do fundo de olho ou da tomografia quando esses métodos são indicados e tecnicamente possíveis.

Esquema mostrando que ondas sonoras podem auxiliar a avaliação posterior quando há opacidade no caminho da luz
Quando a luz encontra uma barreira, o USG pode fornecer outra via de imagem para a avaliação clínica.

Quando o exame costuma ser solicitado?

Uma indicação frequente é a dificuldade de enxergar a retina porque existe opacidade no eixo visual. Em uma catarata muito avançada, por exemplo, o cristalino opaco pode impedir o exame adequado do segmento posterior. Em hemorragia vítrea, as células de sangue no vítreo também podem ocultar a retina. Nesses cenários, o B-scan pode ajudar o especialista a investigar a anatomia posterior e a definir se é preciso ampliar a avaliação.

O exame também pode compor a investigação de alterações vítreorretinianas, de lesões intraoculares, de algumas situações de trauma e de achados orbitários selecionados. A necessidade não depende somente do nome de uma doença: depende da história, do sintoma, do que foi possível observar no consultório e da pergunta clínica que precisa ser respondida.

Em uma hemorragia vítrea aguda que obscurecia o fundo de olho, uma coorte prospectiva com protocolo padronizado observou boa capacidade do B-scan para identificar alterações relevantes, mas o próprio estudo reforça o peso da técnica empregada e da experiência de quem realiza e interpreta o exame. Por isso, o laudo deve ser integrado ao acompanhamento, e não usado isoladamente para decidir o tratamento.

Qual é a diferença entre A-scan e B-scan?

O A-scan representa a intensidade dos ecos ao longo de uma linha. Ele pode ser usado para medidas, como comprimento axial em contexto de biometria, e para análise de padrões de refletividade em protocolos específicos. Hoje, métodos ópticos são muito utilizados para biometria, mas o ultrassom pode continuar relevante quando a opacidade não permite a leitura óptica adequada.

O B-scan transforma os ecos em uma imagem bidimensional. É o modo geralmente lembrado quando se fala em “ultrassom do olho”, pois pode mostrar o vítreo, a retina, a coroide, a parede ocular e parte da órbita. A resolução, o alcance e a interpretação dependem do equipamento, da frequência, do ganho, do plano de varredura e da habilidade técnica. Por isso, imagens diferentes não significam necessariamente doença; elas precisam ser correlacionadas com o exame clínico.

Comparação visual entre o gráfico de ecos do A-scan e o setor de imagem do B-scan
A-scan e B-scan respondem a perguntas diferentes e podem ser complementares.

Como o ultrassom ocular é feito?

O modo de realização varia conforme a pergunta clínica e a técnica necessária. Em muitos B-scans, a sonda é posicionada com cuidado sobre a pálpebra fechada, usando gel para melhorar o acoplamento das ondas sonoras. Em circunstâncias selecionadas, o contato pode ser feito sobre a superfície ocular após anestesia tópica, seguindo o protocolo do serviço e a avaliação médica.

Durante a aquisição, o profissional pode pedir que você olhe em direções diferentes. Esse movimento ajuda a examinar os quadrantes e também pode permitir observar o comportamento dinâmico de algumas estruturas do vítreo. O exame não usa radiação ionizante. Ainda assim, o uso seguro depende de configurações apropriadas ao olho e de exposição compatível com a finalidade do exame, especialmente em modalidades Doppler.

Sequência visual do gel, da sonda sobre a pálpebra e da tela de ultrassom ocular
O procedimento pode envolver gel, sonda e movimentos direcionados do olhar para completar a avaliação.

Preciso fazer algum preparo?

O preparo depende do motivo do exame e da técnica. Em geral, não há jejum. Leve seus exames anteriores, a lista de medicamentos e, se houver, encaminhamento ou relatório do médico que acompanha você. Informe alergias conhecidas, cirurgias prévias, trauma recente, uso de lentes de contato e sintomas atuais.

Em caso de ferida ocular aberta, infecção ativa ou trauma penetrante suspeito, não pressione o olho e procure atendimento urgente. A escolha do exame e a forma de contato precisam ser feitas pelo médico, pois há situações em que a manipulação direta não é apropriada. Não interrompa colírios ou medicamentos por conta própria apenas para realizar o USG.

USG ocular, OCT e mapeamento de retina: um substitui o outro?

Não. Cada método responde a perguntas diferentes. A OCT usa luz e oferece grande detalhamento de camadas da retina quando a via óptica está transparente. O mapeamento de retina e a fundoscopia avaliam diretamente o fundo de olho. Já o ultrassom usa som e pode ser especialmente útil quando a opacidade atrapalha esses métodos ópticos ou quando a pergunta envolve estruturas que exigem outra profundidade de imagem.

Em termos práticos, não é uma disputa entre exames. O médico escolhe o método, ou a combinação de métodos, que melhor responde à situação. Se a retina volta a ficar visível depois que uma hemorragia clareia, por exemplo, a avaliação direta pode acrescentar informações que o USG não fornece.

Três cartões visuais representando exames de luz, ondas sonoras e avaliação médica como métodos complementares
Exames não competem entre si: cada um é escolhido conforme a pergunta clínica e a transparência dos meios oculares.

O que o B-scan pode ajudar a investigar?

Dependendo do contexto, o B-scan pode contribuir para investigar alterações do vítreo, membranas, suspeita de descolamento de retina ou coroide, massas intraoculares e algumas alterações da órbita. A imagem dinâmica pode ajudar a diferenciar estruturas com mobilidade distinta, mas essa distinção é técnica e não deve ser interpretada pelo paciente a partir de uma foto da tela.

Em oncologia ocular, por exemplo, ultrassom pode participar da medida e do acompanhamento de lesões, mas suspeitas de massa exigem avaliação especializada e integração com outros dados. O mesmo vale para trauma: em caso de perfuração ou suspeita de globo aberto, a prioridade é proteção e atendimento imediato; o exame apropriado será definido pela equipe.

Quando os sintomas são urgentes?

Procure avaliação oftalmológica sem demora se ocorrer perda visual súbita, flashes de luz novos, aumento abrupto de moscas volantes, uma sombra ou “cortina” no campo visual, dor intensa após trauma ou ferimento no olho. O USG pode ser solicitado como parte da investigação, mas o atendimento não deve ser adiado esperando o exame.

O artigo sobre sinais de alerta de descolamento de retina aprofunda sintomas e urgência. A presença desses sinais não confirma uma causa específica, mas merece exame presencial rápido.

Ícones de perda visual, flashes, manchas novas e trauma apontando para avaliação oftalmológica
Sinais súbitos ou trauma não devem ser conduzidos por autodiagnóstico: procure avaliação oftalmológica.

Como o resultado orienta os próximos passos?

O laudo descreve os achados observados e responde à pergunta que motivou o exame. Ele pode indicar que é necessário complementar com fundoscopia, OCT, exame de retina, acompanhamento seriado ou encaminhamento. Em algumas situações, o melhor próximo passo é repetir a avaliação quando a visualização do fundo se torna possível. Em outras, o achado e os sintomas determinam conduta mais rápida.

O resultado deve ser discutido com o oftalmologista que conhece sua história. Não compare apenas palavras do laudo com resultados de internet, pois termos semelhantes podem ter significados diferentes conforme o contexto, o lado avaliado, a qualidade da imagem e a evolução clínica.

Fluxo visual de exame, leitura médica, exame complementar quando necessário e plano de acompanhamento
O exame é uma etapa de decisão: o próximo passo depende dos achados, dos sintomas e da avaliação presencial.

USG ocular pode ser útil antes da cirurgia de catarata?

Quando uma catarata muito opaca impede a observação adequada do segmento posterior, o ultrassom pode contribuir para a avaliação pré-operatória. A biometria e o planejamento cirúrgico usam informações específicas; o método escolhido depende das condições do olho e da decisão médica. Leia também nosso conteúdo sobre cirurgia de catarata para entender as etapas de avaliação e indicação.

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Perguntas frequentes sobre USG ocular

O ultrassom ocular dói?

Em geral, é bem tolerado. Você pode perceber o gel, a aproximação da sonda e leve pressão sobre a pálpebra. Se houver desconforto relevante, informe imediatamente a equipe.

Preciso ficar em jejum?

Na maior parte das situações, não. Siga, porém, a orientação recebida para o seu exame e informe todos os medicamentos em uso.

O exame usa radiação?

Não. O USG utiliza ondas sonoras, não radiação ionizante. A realização segura exige parâmetros próprios para o olho e técnica adequada.

Quanto tempo dura?

O tempo varia conforme a indicação e os cortes necessários. A equipe informa a dinâmica no dia do exame.

Posso usar lentes de contato?

Informe o uso de lentes. A equipe pode orientar retirada conforme a técnica e a avaliação necessária.

USG ocular substitui OCT?

Não. A OCT e o ultrassom têm indicações diferentes; eles podem ser complementares.

O USG detecta descolamento de retina?

Ele pode ajudar a investigar essa possibilidade, especialmente quando o fundo não está visível, mas a interpretação e a conduta são médicas.

Serve para hemorragia vítrea?

Pode ser solicitado para avaliar o segmento posterior quando o sangue no vítreo reduz a visualização direta da retina.

O exame é indicado após trauma?

Depende do tipo de trauma. Se houver ferimento penetrante ou suspeita de globo aberto, não pressione o olho e procure atendimento urgente.

Posso fazer se estiver grávida?

A indicação deve ser individualizada pelo médico. O exame não usa radiação ionizante, mas a escolha de qualquer procedimento deve considerar o contexto clínico.

O USG mostra tumor ocular?

O ultrassom pode contribuir para a avaliação de algumas lesões intraoculares, mas não substitui a investigação especializada nem define sozinho o diagnóstico.

Posso receber o resultado sem passar em consulta?

O laudo é uma parte da avaliação. A interpretação deve ser discutida com o oftalmologista responsável.

O exame pode ser repetido?

Em alguns acompanhamentos, a repetição pode ser indicada. A necessidade depende do achado e da evolução clínica.

O USG mostra grau dos óculos?

Não. Grau é avaliado por refração e outros testes específicos; o ultrassom tem outra finalidade.

Quando devo procurar atendimento no mesmo dia?

Perda visual súbita, flashes novos, aumento abrupto de moscas volantes, sombra no campo visual, dor importante ou trauma pedem avaliação rápida.

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Conteúdo revisado por Dr. Fernando Macei Drudi, CRM-SP 139.300 | RQE 50.645. Este material é educativo e não substitui consulta, exame presencial ou atendimento de urgência.

Aviso importante: Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico oftalmologista. Em caso de sintomas ou dúvidas sobre sua saúde ocular, procure atendimento médico especializado.

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