Em resumo
Catarata não é uma coisa só. O lugar do cristalino onde a opacidade começa muda o que a pessoa percebe primeiro, a velocidade da evolução e até a idade em que costuma aparecer. Veja os tipos principais, o que distingue cada um e o que isso significa na prática.
Neste artigo
Catarata não é uma coisa só: o lugar do cristalino onde a opacidade começa muda o que a pessoa sente. A nuclear, mais comum e ligada à idade, amarela as cores e piora o longe. A cortical ofusca com faróis e sol. A subcapsular posterior fica no eixo visual, atrapalha cedo mesmo pequena e costuma avançar mais rápido. Somam-se a essas as classificadas pela causa: congênita, traumática e secundária.
Por que o lugar importa
O cristalino tem a estrutura de uma cebola: um núcleo central, camadas de córtex em volta e uma cápsula fina envolvendo tudo. A luz que entra no olho atravessa essa estrutura inteira antes de chegar à retina.
Uma opacidade no centro está no caminho de toda a luz que passa pela pupila quando ela está fechada, em ambiente claro. Uma opacidade na periferia só atrapalha quando a pupila dilata, no escuro. É a geometria que explica por que dois pacientes com "catarata" descrevem experiências tão diferentes, e por que um se queixa de dirigir à noite enquanto o outro só reclama de sol na cara.
Os três tipos pelo local
| Tipo | Onde começa | O que a pessoa percebe primeiro | Ritmo |
|---|---|---|---|
| Nuclear | No núcleo, o centro do cristalino | Cores amareladas, visão de longe pior que a de perto, halos à noite | Lento, ao longo de anos |
| Cortical | Na periferia, em forma de raios | Ofuscamento com faróis e sol; visão central preservada por mais tempo | Variável |
| Subcapsular posterior | Logo atrás do centro, no eixo visual | Dificuldade para ler e sob luz forte, mesmo com opacidade pequena | Mais rápido |
Nuclear
É a mais frequente e a que a maioria das pessoas tem em mente ao ouvir a palavra catarata. Avança devagar, ao longo de anos, e tem uma peculiaridade que confunde muita gente: a miopização.
À medida que o núcleo endurece, ele passa a refratar a luz de forma diferente e desloca o foco para perto. O resultado é que a pessoa, que usava óculos de leitura há anos, de repente consegue ler sem eles. Parece melhora e é o contrário: é um marcador de que a catarata avançou. Enquanto isso, a visão de longe piora e o grau dos óculos muda com frequência.
Cortical
Começa nas bordas, em opacidades radiais que lembram os raios de uma roda. Como o eixo visual demora a ser alcançado, a visão central pode ficar boa por muito tempo enquanto a pessoa já se incomoda bastante com ofuscamento.
A queixa típica é de faróis que "estouram" à noite e de dificuldade com o sol baixo, no fim da tarde. É comum a pessoa achar que o problema são os óculos.
Subcapsular posterior
Forma-se numa placa logo atrás do centro do cristalino, exatamente onde a luz precisa passar. Por isso atrapalha desproporcionalmente ao seu tamanho: uma opacidade pequena já reduz muito a visão, sobretudo para leitura e em ambiente claro, quando a pupila se fecha e concentra a passagem da luz justo sobre a placa.
É a mais associada a uso prolongado de corticoide, por qualquer via, e a diabetes. Também é a que mais aparece em pessoas jovens, e a que costuma evoluir mais rápido.
Os tipos pela causa
- Senil. A relacionada ao envelhecimento, causa mais frequente de todas. Não é um tipo pelo local: uma catarata senil pode ser nuclear, cortical, subcapsular ou mista.
- Congênita. Presente ao nascer ou nos primeiros meses. É o único caso com urgência real, porque o sistema visual da criança ainda está se formando. O assunto tem página própria em catarata congênita em bebês.
- Traumática. Depois de trauma contuso ou perfurante. Pode surgir logo ou anos depois, e costuma ser em um olho só.
- Secundária a outra condição. Uveíte, alta miopia, retinopatia, cirurgia ocular prévia e medicamentos como o corticoide.
Uma confusão frequente: catarata secundária
O termo é usado em dois sentidos, e vale separar.
No sentido da classificação acima, é a catarata que aparece como consequência de outra doença ou de um medicamento. No sentido do dia a dia do consultório, "catarata secundária" quase sempre se refere a outra coisa: à opacificação da cápsula que pode acontecer meses ou anos depois da cirurgia de catarata.
Essa segunda não é catarata de verdade, porque o cristalino já foi removido. É a membrana que sustenta a lente artificial ficando opaca, e se resolve em poucos minutos com laser, sem entrar no centro cirúrgico. Está em catarata secundária e laser YAG.
O que o tipo muda, e o que não muda
Não muda a decisão de operar, que continua vindo do impacto na vida da pessoa e não da classificação. Também não muda a essência do procedimento: retirar o cristalino opaco e implantar uma lente, pela técnica descrita em como é feita a facoemulsificação.
Muda o planejamento. Um núcleo muito endurecido exige mais energia de ultrassom e estratégia diferente de uma subcapsular em olho jovem. E quando há uma causa de base, como corticoide ou diabetes, ela entra na conversa, porque influencia a evolução e às vezes o resultado.
Quanto está avançada a sua e o que esperar daqui para a frente é assunto de graus da catarata e evolução.
O tipo só se identifica no exame. Na lâmpada de fenda, com a pupila dilatada, o oftalmologista vê onde a opacidade está, descreve o tipo e a intensidade, e verifica se há outra causa para o embaçamento além da catarata.
Agendamento OnlinePerguntas frequentes
Quais são os tipos de catarata?
Os três principais, classificados pelo local onde a opacidade começa, são a nuclear, a cortical e a subcapsular posterior. Somam-se a esses os tipos definidos pela causa: congênita, traumática, secundária a outra doença ou a medicamento, e a relacionada à idade, chamada senil.
O que é catarata nuclear?
É a mais comum e a mais ligada à idade. A opacidade começa no núcleo do cristalino, a parte central, e avança devagar. Amarela as cores e piora a visão de longe antes da de perto.
O que é a miopização da catarata nuclear?
À medida que o núcleo endurece, ele muda o poder de refração do cristalino e desloca o foco para perto. Por um período, a pessoa volta a ler sem óculos e acha que a vista melhorou. É um sinal de avanço da catarata, não de melhora.
O que é catarata cortical?
Começa na periferia do cristalino, em forma de raios que apontam para o centro. Como o eixo visual demora a ser atingido, pode incomodar pouco por muito tempo. A queixa principal é de ofuscamento com faróis e sol.
O que é catarata subcapsular posterior?
Forma-se logo atrás do centro do cristalino, bem no eixo visual. Por isso atrapalha cedo, mesmo pequena, sobretudo para leitura e sob luz forte. É a mais associada a uso prolongado de corticoide e a diabetes, e costuma ser a de evolução mais rápida.
O que é catarata senil?
É o nome dado à catarata relacionada ao envelhecimento, a causa mais frequente de todas. Não é um tipo separado pela localização: uma catarata senil pode ser nuclear, cortical, subcapsular ou mista.
O que é catarata congênita?
É a que já existe ao nascer ou surge nos primeiros meses. Exige conduta diferente e mais rápida, porque o cérebro do bebê ainda está aprendendo a processar imagem e uma opacidade que bloqueie esse aprendizado deixa sequela permanente.
O que é catarata traumática?
Surge depois de um trauma no olho, seja contuso ou perfurante. Pode aparecer logo após o acidente ou anos depois. Costuma ser unilateral e às vezes vem acompanhada de outras lesões que também precisam de avaliação.
Catarata secundária é um tipo de catarata?
O nome é usado em dois sentidos. Um é a catarata que aparece como consequência de outra doença ocular, de medicamento ou de cirurgia prévia. O outro, mais comum no dia a dia, é a opacificação da cápsula que acontece meses ou anos depois da cirurgia de catarata, e que se resolve com laser em poucos minutos.
O tipo muda o tratamento?
A cirurgia é a mesma em essência: retirar o cristalino opaco e implantar uma lente. O tipo influencia o planejamento, porque um núcleo muito endurecido exige estratégia diferente de uma subcapsular em olho jovem, e porque a causa de base às vezes precisa ser tratada junto.
Posso ter mais de um tipo ao mesmo tempo?
Sim, e é frequente. Catarata mista, com componente nuclear e cortical, é comum em pessoas mais velhas. O exame descreve os componentes presentes.
Como sei qual é o meu tipo?
Pelo exame na lâmpada de fenda, com a pupila dilatada. O oftalmologista vê onde a opacidade está e descreve o tipo e a intensidade. Não é possível saber pelo sintoma isolado, embora algumas queixas sugiram um padrão.
Revisão médica: Dr. Fernando Macei Drudi, CRM-SP 139.300, RQE 50.645. Atualizado em 20 de setembro de 2026. Este conteúdo é informativo e não substitui consulta nem exame ocular.
Revisão médica: Dr. Fernando Macei Drudi (CRM-SP 139.300, RQE 50.645), em 20 de setembro de 2026. Como revisamos o conteúdo.
Aviso importante: Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico oftalmologista. Em caso de sintomas ou dúvidas sobre sua saúde ocular, procure atendimento médico especializado.