Seg–Sex: 8h–18h  |  Sáb: 8h–12h
Retina

Retinopatia Diabética: O Que É e Como Tratar

Publicado em 28 de maio de 2026 Atualizado em 07 de julho de 2026 7 min de leitura Dr. Fernando Macei Drudi
Imagem de capa do artigo Retinopatia Diabética: O Que É e Como Tratar, conteúdo da categoria Retina.
Dr. Fernando Macei Drudi
Autor Médico
Dr. Fernando Macei Drudi
CRM-SP 139.300 | RQE 50.645

Resumo em linguagem simples

O diabetes pode causar cegueira através da retinopatia diabética. Entenda os sintomas, a importância do mapeamento de retina anual e os tratamentos a laser.

CID-10: H36.0 — Retinopatia diabética Ver todos os artigos de Retina

Como oftalmologista especialista, Dr. Fernando Drudi, é meu compromisso educar e informar sobre condições oculares que podem impactar significativamente a qualidade de vida. A retinopatia diabética é uma dessas condições, uma complicação séria do diabetes que, se não tratada, pode levar à cegueira. Neste artigo, abordaremos em profundidade o que é a retinopatia diabética, seus sintomas, a importância da prevenção e as opções de tratamento disponíveis.

O que é Retinopatia Diabética e como o diabetes afeta os olhos?

A retinopatia diabética é uma doença ocular que afeta os vasos sanguíneos da retina, a camada sensível à luz localizada na parte de trás do olho. O diabetes, caracterizado por níveis elevados de açúcar no sangue (glicemia), danifica esses vasos sanguíneos delicados ao longo do tempo. Esse dano pode levar a vazamentos de fluidos, inchaço (edema), ou até mesmo ao fechamento dos vasos, impedindo o fluxo sanguíneo adequado [1]. Em estágios mais avançados, novos vasos sanguíneos anormais e frágeis podem crescer na retina, um processo conhecido como neovascularização, que pode causar sangramentos e cicatrizes [2].

Quais são os tipos de Retinopatia Diabética?

Existem dois tipos principais de retinopatia diabética:

  • Retinopatia Diabética Não Proliferativa (RDNP): Esta é a fase inicial e mais comum da doença. Nela, os pequenos vasos sanguíneos da retina vazam, causando inchaço. Se o inchaço ocorrer na mácula (a parte central da retina responsável pela visão detalhada), é chamado de edema macular diabético, a causa mais comum de perda de visão em pessoas com diabetes [2].
  • Retinopatia Diabética Proliferativa (RDP): Esta é a fase mais avançada e grave. Caracteriza-se pelo crescimento de novos vasos sanguíneos anormais (neovasos) na superfície da retina. Esses neovasos são frágeis e podem sangrar facilmente para o vítreo (o gel que preenche o olho), causando sangramento no olho diabetes e visão turva ou perda súbita da visão. O tecido cicatricial formado por esses vasos pode levar ao descolamento de retina [2].

Quais são os sintomas da Retinopatia Diabética?

Nos estágios iniciais, a retinopatia diabética geralmente não apresenta sintomas, o que a torna uma doença silenciosa e perigosa. Muitas pessoas podem ter a condição sem saber, até que ela progrida para estágios mais avançados [3]. Por isso, o diagnóstico precoce através de exames oftalmológicos regulares é crucial.

À medida que a doença avança, os sintomas podem incluir:

  • Visão embaçada ou flutuante
  • Manchas ou “moscas volantes” no campo de visão
  • Áreas escuras ou vazias na visão
  • Dificuldade para enxergar à noite
  • Perda súbita da visão em um ou ambos os olhos
  • Cores que parecem desbotadas ou menos vibrantes

É fundamental estar atento a esses sinais e procurar um oftalmologista imediatamente caso os perceba. Lembre-se que a retinopatia diabética pode afetar ambos os olhos [2].

Como é feito o diagnóstico da Retinopatia Diabética?

O diagnóstico precoce é a chave para preservar a visão. Recomenda-se que pacientes com diabetes realizem exames oftalmológicos completos anualmente, mesmo na ausência de sintomas. O mapeamento de retina anual é um procedimento essencial para identificar alterações nos vasos sanguíneos antes que a perda de visão ocorra [3].

Os exames diagnósticos incluem:

  • Exame de Fundo de Olho com Pupila Dilatada: O oftalmologista utiliza colírios para dilatar a pupila, permitindo uma visão clara da retina e do nervo óptico. Este exame pode revelar vasos sanguíneos anormais, inchaço, sangramentos e descolamento de retina [2].
  • Angiografia Fluoresceínica: Um corante amarelo (fluoresceína) é injetado na veia do braço e fotografias da retina são tiradas à medida que o corante passa pelos vasos sanguíneos. Isso ajuda a identificar vasos bloqueados, vazamentos ou o crescimento de novos vasos anormais [2].
  • Tomografia de Coerência Óptica (OCT): Este exame fornece imagens detalhadas da retina, permitindo ao médico detectar e medir o inchaço da mácula (edema macular) com alta precisão. A OCT é uma ferramenta valiosa para monitorar a progressão da doença e a resposta ao tratamento [2, 4].

Qual a importância da prevenção da Retinopatia Diabética?

A prevenção é o pilar fundamental no manejo da retinopatia diabética. O controle rigoroso do diabetes é a medida mais eficaz para prevenir o surgimento e a progressão da doença. Isso inclui:

  • Controle Glicêmico: Manter os níveis de açúcar no sangue dentro da meta estabelecida pelo seu médico é crucial. Níveis elevados de glicose danificam os vasos sanguíneos da retina ao longo do tempo [2].
  • Controle da Pressão Arterial: A hipertensão arterial é um fator de risco adicional para a retinopatia diabética. Controlar a pressão sanguínea ajuda a proteger os vasos oculares [2].
  • Controle do Colesterol: Níveis elevados de colesterol também podem contribuir para o dano vascular. Uma dieta saudável e, se necessário, medicamentos, são importantes [3].
  • Estilo de Vida Saudável: Adotar uma dieta equilibrada, praticar exercícios físicos regularmente e evitar o tabagismo e o consumo excessivo de álcool são medidas que beneficiam a saúde geral e ocular [3].
  • Exames Oftalmológicos Regulares: Como mencionado, o mapeamento de retina anual é indispensável para o diagnóstico precoce e acompanhamento da doença, mesmo na ausência de sintomas [3].

Quais são as opções de tratamento para a Retinopatia Diabética?

O tratamento da retinopatia diabética visa interromper a progressão da doença, preservar a visão existente e, em alguns casos, restaurar parte da visão perdida. As opções de tratamento dependem do estágio da doença e da gravidade das alterações oculares. As principais abordagens incluem:

1. Controle Médico Rigoroso

O primeiro e mais importante passo no tratamento é otimizar o controle do diabetes, da pressão arterial e do colesterol. Em alguns casos, um bom controle glicêmico pode até mesmo melhorar a visão [2].

2. Medicações Intravítreas

Injeções de medicamentos diretamente no olho são uma opção eficaz, especialmente para o edema macular diabético e a retinopatia diabética proliferativa. Os medicamentos mais comuns são:

  • Anti-VEGF (anti-fator de crescimento endotelial vascular): Medicamentos como Avastin, Eylea e Lucentis ajudam a reduzir o inchaço da mácula e a inibir o crescimento de novos vasos sanguíneos anormais. Eles são administrados em uma série de injeções ao longo do tempo [2].
  • Corticosteroides: Também administrados por injeção, os corticosteroides podem reduzir a inflamação macular [2].

3. Tratamento a Laser (Fotocoagulação)

O laser argônio retina é uma técnica amplamente utilizada para tratar a retinopatia diabética. Existem dois tipos principais de tratamento a laser:

  • Fotocoagulação Focal/Grade: Usada para tratar o edema macular, o laser é aplicado em áreas específicas da mácula para selar vasos sanguíneos que estão vazando e reduzir o inchaço [2].
  • Fotocoagulação Pan-Retiniana (PRP): Utilizada na retinopatia diabética proliferativa, o laser é aplicado em áreas periféricas da retina para destruir os vasos sanguíneos anormais e evitar o crescimento de novos. Isso ajuda a preservar a visão central [2].

4. Cirurgia (Vitrectomia)

Em casos avançados de retinopatia diabética proliferativa, como hemorragias vítreas que não se resolvem espontaneamente ou descolamento de retina, a cirurgia de vitrectomia pode ser necessária. Neste procedimento, o cirurgião remove o gel vítreo e o sangue ou tecido cicatricial do olho, permitindo que a luz se foque corretamente na retina novamente [2, 4].

Tabela Comparativa: Opções de Tratamento para Retinopatia Diabética

Opção de Tratamento Indicação Principal Mecanismo de Ação Vantagens Desvantagens Referência
Controle Médico Rigoroso Todos os estágios, prevenção Otimização da glicemia, pressão arterial e colesterol Não invasivo, fundamental para todos os pacientes Requer disciplina contínua do paciente [2, 3]
Medicações Intravítreas (Anti-VEGF) Edema macular diabético, RDP Inibe o crescimento de vasos anormais e reduz o inchaço Altamente eficaz, melhora a visão em muitos casos Injeções repetidas, custo [2]
Laser (Fotocoagulação) Edema macular, RDP Sela vasos vazando, destrói vasos anormais Previne a progressão da doença, procedimento ambulatorial Pode causar perda de visão periférica (PRP), cicatrizes [2]
Vitrectomia RDP avançada (hemorragia vítrea, descolamento de retina) Remove sangue e tecido cicatricial do vítreo Pode restaurar a visão em casos graves Cirurgia invasiva, riscos associados [2, 4]

Conclusão

A retinopatia diabética é uma condição séria, mas com o diagnóstico precoce e o tratamento adequado, a perda de visão pode ser prevenida ou minimizada. O controle rigoroso do diabetes e exames oftalmológicos regulares são as suas melhores defesas contra essa doença. Não espere pelos sintomas; a sua visão é um bem precioso que merece ser cuidado.

Se você tem diabetes ou conhece alguém que tenha, incentive o mapeamento de retina anual e a busca por um especialista. No Instituto Drudi e Almeida, em São Paulo e Guarulhos, estamos prontos para oferecer o cuidado oftalmológico de excelência que você merece. Agende sua avaliação e cuide da sua visão.

Referências

[1] Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). Revista Veja Bem, Edição 23, 2019. Disponível em: cbo.net.br
[2] American Academy of Ophthalmology (AAO). Retinopatía diabética: causas, síntomas, diagnóstico, tratamiento. Publicado em 03 de fevereiro de 2026. Disponível em: American Academy of Ophthalmology — Diretriz clínica
[3] Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). Revista Veja Bem, Edição 14, 2017. Disponível em: cbo.com.br
[4] Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). Manejo da Retinopatia Diabética. Publicado em 12 de abril de 2021. Disponível em: diretriz.diabetes.org.br

Diagnóstico e Exames

O diagnóstico precoce da retinopatia diabética é fundamental para prevenir a progressão da doença e preservar a visão. Durante a consulta oftalmológica, o especialista realiza um exame detalhado da retina utilizando instrumentos específicos, como o oftalmoscópio, que permite a visualização direta dos vasos sanguíneos e da estrutura retiniana. Além do exame clínico, métodos complementares são essenciais para avaliar com precisão o grau de comprometimento retinal.

Um dos exames mais utilizados é a angiografia fluoresceínica, que consiste na injeção de um corante fluorescente na veia do braço, permitindo a visualização do fluxo sanguíneo retinal por meio de fotografias especiais. Esse exame ajuda a identificar áreas de vazamento, oclusão vascular e neovascularização. Outro exame importante é a tomografia de coerência óptica (OCT), que fornece imagens em alta resolução da retina, possibilitando a análise detalhada do edema macular e da espessura retiniana.

Além dos exames específicos, pacientes diabéticos devem realizar exames oftalmológicos periódicos, mesmo na ausência de sintomas visuais. O acompanhamento regular permite a detecção precoce de alterações e a intervenção adequada, reduzindo significativamente o risco de complicações graves, como a perda irreversível da visão.

Tratamentos Disponíveis

O tratamento da retinopatia diabética varia conforme o estágio da doença e as alterações encontradas na retina. Em estágios iniciais, o controle rigoroso da glicemia, pressão arterial e colesterol pode retardar ou até mesmo impedir a progressão da retinopatia. Essa abordagem multidisciplinar é essencial para a saúde geral do paciente e para a preservação da visão.

Em casos de retinopatia moderada a avançada, tratamentos específicos são indicados. A fotocoagulação a laser é uma técnica amplamente utilizada para selar vasos sanguíneos com vazamentos e reduzir a neovascularização, prevenindo hemorragias e descolamento de retina. Esse procedimento é realizado ambulatorialmente e tem como objetivo estabilizar a doença, evitando a perda visual.

Outra alternativa terapêutica são as injeções intravítreas de medicamentos antiangiogênicos, que bloqueiam o crescimento dos vasos anormais e reduzem o edema macular. Em situações mais graves, como hemorragias vítreas extensas ou descolamento de retina, pode ser necessária a cirurgia vitreorretiniana para restaurar a anatomia ocular e melhorar a visão. O acompanhamento próximo por um oftalmologista especialista é imprescindível para definir o tratamento mais adequado e garantir o melhor prognóstico.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da retinopatia diabética?

Nos estágios iniciais, a retinopatia diabética pode não apresentar sintomas perceptíveis. Com a progressão, o paciente pode notar visão embaçada, manchas ou pontos escuros no campo visual, dificuldade para enxergar cores e, em casos mais graves, perda da visão.

Com que frequência um diabético deve realizar exames oftalmológicos?

Recomenda-se que pacientes com diabetes realizem exames oftalmológicos completos pelo menos uma vez ao ano. Em casos com retinopatia já diagnosticada ou outros fatores de risco, o intervalo pode ser reduzido conforme orientação médica.

É possível reverter a retinopatia diabética?

Embora os danos causados pela retinopatia diabética sejam, em grande parte, irreversíveis, o tratamento adequado pode controlar a doença, prevenir complicações e preservar a visão. A detecção precoce e o controle rigoroso do diabetes são fundamentais para evitar a progressão.

Como posso prevenir a retinopatia diabética?

O principal método de prevenção é o controle rigoroso dos níveis de açúcar no sangue, aliado ao acompanhamento médico regular. Além disso, manter a pressão arterial e o colesterol sob controle, evitar o tabagismo, praticar exercícios físicos e ter uma alimentação saudável são

Referências Científicas

  1. Lim JI, Kim SJ, Bailey ST (2025). Diabetic Retinopathy Preferred Practice Pattern®.. PubMed — Referência científica
  2. Chen KY, Chan HC, Chan CM (2025). Which treatment modality offers the best outcomes for diabetic retinopathy? A systematic review and network meta-analysis.. PubMed — Referência científica
  3. Macaron MM, Al Sabbakh N, Shami MZ (2024). Anti-VEGF Injections vs. Panretinal Photocoagulation Laser Therapy for Proliferative Diabetic Retinopathy: A Systematic Review and Meta-Analysis.. PubMed — Referência científica
  4. Seo H, Park SJ, Song M (2025). Diabetic Retinopathy (DR): Mechanisms, Current Therapies, and Emerging Strategies.. PubMed — Referência científica
  5. National Institute for Health and Care Excellence (NICE) (2024). Diabetic retinopathy: management and monitoring.. NCBI — Referência científica

Aviso importante: Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico oftalmologista. Em caso de sintomas ou dúvidas sobre sua saúde ocular, procure atendimento médico especializado.

PDF
Guia Baseado em Evidências

Guia Definitivo: Retina em São Paulo (2026)

Retinopatia diabética, DMRI, anti-VEGF e vitrectomia. Elaborado com 8 referências científicas de alto impacto.

3.100 palavras · 8 referências · PDF gratuito

Ficou com dúvidas ou quer agendar uma consulta?

Fale com nossos especialistas

Agendar pelo WhatsApp