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Retinopatia diabética: sintomas e quando fazer o exame de retina

Publicado em 01 de maio de 2026 Atualizado em 21 de agosto de 2026 Revisão médica: 17 de agosto de 2026 12 min de leitura Dr. Fernando Macei Drudi
Ilustração 3D de paciente e oftalmologista em exame de retina, com diagrama anatômico do olho para artigo sobre retinopatia diabética.
Dr. Fernando Macei Drudi
Autor Médico
Dr. Fernando Macei Drudi
CRM-SP 139.300 | RQE 50.645

Resumo em linguagem simples

A retinopatia diabética pode não causar sintomas no início. O exame de retina ajuda a identificar alterações, e mudanças visuais devem ser comunicadas ao oftalmologista para orientação.

CID-10: H36.0 — Retinopatia diabética
GUIA CLÍNICO

Revisão médica: Dr. Fernando Macei Drudi, CRM-SP 139.300 · RQE 50.645

A retinopatia diabética é uma alteração dos vasos da retina relacionada ao diabetes. Ela pode não causar sintoma nas fases iniciais; por isso, o exame de retina programado é importante mesmo quando a visão parece estável. Embaçamento novo, manchas, sombra, distorção ou perda visual merecem contato com o oftalmologista para orientação. O sintoma sozinho não confirma a causa, e a ausência de queixa não exclui alteração na retina.

Prancha clínica que relaciona ausência de sintomas, exame de retina e antecipação de contato diante de mudança visual.
Figura clínica em destaque. Mudanças visuais podem orientar um contato antecipado, mas a avaliação de retina é que identifica os achados e ajuda a definir o acompanhamento.

O que é retinopatia diabética?

A retina é o tecido sensível à luz localizado no fundo do olho. Ela recebe a imagem formada pelas estruturas anteriores do olho e envia sinais ao cérebro pelo nervo óptico. Na retinopatia diabética, mudanças relacionadas ao diabetes podem afetar os vasos sanguíneos da retina. O exame pode encontrar, por exemplo, microaneurismas, pequenas hemorragias, áreas de alteração vascular ou edema na região macular.

Essas palavras descrevem achados do exame, não um diagnóstico que possa ser feito em casa. A mesma sensação de visão embaçada pode ter várias causas, e pessoas com alterações retinianas podem não perceber nada inicialmente. Por esse motivo, esta página foi organizada para ajudar a reconhecer quando vale antecipar contato e como manter o rastreamento da retina, sem substituir o guia amplo de retinopatia diabética: sintomas, exames e tratamento.

Por que a doença pode não causar sintomas no começo?

A retina não é observada diretamente quando você se olha no espelho. Alterações pequenas nos vasos ou fora da região central podem não modificar a nitidez percebida de imediato. A American Academy of Ophthalmology destaca que o exame de fundo de olho dilatado é uma referência para o rastreamento; métodos digitais validados também podem apoiar a detecção em contextos apropriados [1].

Isso não significa que todo exame terá um achado nem que qualquer pessoa com diabetes terá perda visual. Significa apenas que esperar a visão piorar não é uma estratégia segura para decidir se a retina precisa ser avaliada. O resultado do exame anterior, o tipo e a duração do diabetes, a gestação, alterações clínicas recentes e o histórico geral ajudam a equipe a propor o próximo passo.

Ilustração de fundo de olho com vasos da retina e cartões explicando o que o exame pode identificar.
Figura 1. O exame observa estruturas que não podem ser confirmadas apenas pela sensação de enxergar bem ou mal.

Quais sintomas merecem ser relatados?

Embaçamento que não melhora como esperado, manchas ou pontos escuros, uma sombra no campo visual, distorção de linhas, percepção de cores diferente ou redução visual podem justificar orientação oftalmológica. Algumas pessoas descrevem “moscas volantes”; outras percebem a visão central menos nítida para leitura. O significado dessas mudanças depende de como começaram, se atingem um ou ambos os olhos, se persistem e do que é encontrado ao exame.

Ao perceber uma mudança, anote quando ela começou, se ocorreu de modo súbito ou gradual e se há dor, trauma ou outros sintomas associados. Essa informação ajuda a equipe a classificar a prioridade. Evite usar testes improvisados ou comparar somente um olho com o outro como forma de excluir doença.

Figura comparando ausência de sintomas e mudanças visuais, explicando que ambas precisam ser interpretadas junto ao exame.
Figura 2. Sintomas podem orientar contato, mas não definem sozinhos o estágio ou a causa da alteração.

Quando uma mudança visual exige orientação sem esperar?

Perda visual súbita, uma sombra extensa, dor ocular importante, trauma no olho ou uma piora rápida são situações em que não é apropriado apenas aguardar a próxima consulta programada. Procure orientação de um serviço de saúde para entender onde e quando deve ser avaliado. A prioridade não pode ser definida à distância por esta página.

Nem toda mudança visual representa retinopatia diabética, e nem toda retinopatia causa os mesmos sintomas. A mensagem prática é direta: se houve uma alteração relevante ou persistente, informe-a. O exame determinará se há relação com retina, córnea, cristalino, vítreo, pressão ocular ou outra causa.

Como organizar o rastreamento de retina?

O rastreamento começa por informar que você tem diabetes ao marcar a consulta e por manter os resultados anteriores disponíveis. Diretrizes internacionais recomendam avaliação inicial e seguimento periódico, mas o intervalo preciso pode mudar conforme o tipo de diabetes, os achados prévios, a presença de retinopatia e outras situações clínicas [1]. Por isso, a recomendação registrada para você deve prevalecer sobre regras gerais da internet.

Em uma grande coorte norte-americana, a não adesão repetida ao rastreamento associou-se a maior chance de retinopatia ameaçadora à visão; esse achado observacional reforça a importância de não perder o acompanhamento, mas não permite prever o risco individual de uma pessoa [4]. Outra coorte mostrou que a adesão a rotinas de rastreamento ainda é incompleta em muitos pacientes, o que torna lembretes e organização de agenda úteis [5].

Fluxo educativo mostrando diabetes, exame de retina programado e antecipação de contato diante de mudança visual.
Figura 3. O exame programado e a comunicação de mudanças visuais são partes complementares do cuidado.

Quais exames podem fazer parte da avaliação?

A consulta costuma começar por história clínica e medida da visão. Conforme a situação, o oftalmologista pode examinar o fundo de olho com a pupila dilatada, registrar imagens da retina ou indicar exames complementares. A decisão não depende de um único aparelho: o objetivo é responder à pergunta clínica daquele momento e comparar achados com exames anteriores quando disponíveis.

A dilatação da pupila pode ser necessária em algumas avaliações. A equipe orientará sobre preparo, possíveis efeitos temporários e cuidados para sair da consulta. Se quiser aprofundar o tema, leia também mapeamento de retina: o que é e para que serve.

O que define o intervalo de acompanhamento?

Não existe um intervalo universal que possa ser aplicado a todas as pessoas com diabetes. Quem não apresenta alterações pode receber uma orientação diferente de quem já tem retinopatia, edema macular, mudança recente no exame, gravidez ou alguma dificuldade de visualização da retina. O histórico de glicemia e pressão arterial também pertence ao contexto clínico, mas não substitui o exame ocular.

InformaçãoComo ajuda na decisãoLimite importante
Exame de retina atualMostra se há achados e onde estão localizados.O resultado precisa ser interpretado no contexto da consulta.
Comparação com exames anterioresAjuda a reconhecer estabilidade ou mudança.Nem toda diferença técnica significa progressão.
Qualidade da visão relatadaOrienta perguntas e prioridade de avaliação.Sintoma não confirma diagnóstico sozinho.
Histórico do diabetesIntegra o cuidado ocular ao cuidado sistêmico.Não define, por si só, o achado da retina.
Tabela ilustrada com informações clínicas usadas para individualizar o acompanhamento de retina.
Figura 4. A frequência de acompanhamento é definida por uma combinação de achados, visão relatada e histórico clínico.

Qual é o papel do controle do diabetes e da pressão arterial?

O cuidado ocular e o cuidado sistêmico são complementares. Estudos clínicos históricos e de seguimento mostraram relação entre estratégias de controle glicêmico, pressão arterial e evolução de retinopatia em populações específicas [6–8]. Esses resultados não servem como receita de meta glicêmica ou de pressão para cada pessoa e não justificam alterar remédios por conta própria.

Se o controle do diabetes vai mudar de forma relevante, converse com a equipe que o acompanha. A própria diretriz da AAO chama atenção para o fato de que mudanças rápidas no controle glicêmico podem exigir atenção em alguns contextos [1]. O papel do oftalmologista é avaliar a retina; endocrinologista, clínico e outros profissionais integram as decisões sistêmicas conforme a sua situação.

Retinopatia diabética é igual a edema macular diabético?

Não. Retinopatia diabética é um termo que abrange alterações retinianas relacionadas ao diabetes. O edema macular diabético é uma condição específica que pode ocorrer quando há acúmulo de líquido na mácula, região importante para visão central detalhada. O exame diferencia essas situações e a conversa terapêutica depende de localização, visão, imagens e acompanhamento.

Para não misturar intenções de busca e decisões clínicas, o tema é aprofundado na página sobre edema macular diabético: causas, sintomas e tratamento. Esta página mantém foco em sintomas, rastreamento e quando antecipar a avaliação.

O que acontece se o exame encontrar retinopatia?

O resultado pode variar desde ausência de retinopatia até achados que pedem observação mais próxima, novos exames ou discussão de tratamento. Não é adequado presumir a conduta sem ver o exame. Quando tratamento é considerado, as opções podem incluir observação planejada, fotocoagulação, medicamentos intraoculares ou cirurgia em cenários selecionados; a escolha é individual e deve incluir explicação de objetivo, riscos, alternativas e necessidade de seguimento.

O artigo retinopatia diabética: como se escolhe o tratamento explica por que anti-VEGF, laser ou cirurgia não são intercambiáveis nem indicados para todos os casos.

Gestação, puberdade e mudanças de saúde exigem atenção extra?

Algumas fases exigem discussão mais individualizada. A AAO recomenda avaliação precoce e seguimento próximo para pessoas com diabetes que engravidam, pois a retinopatia pode progredir mais rapidamente na gestação; diabetes gestacional isolado tem uma orientação diferente [1]. Na puberdade, também pode haver necessidade de acompanhamento mais atento. Informe essas situações ao oftalmologista e à equipe que acompanha o diabetes.

Como se preparar para a consulta?

Leve a lista de medicamentos, a informação sobre o tipo de diabetes, a data do último exame de retina e, se possível, relatórios ou imagens anteriores. Conte exatamente o que mudou na visão e quando começou. Perguntas úteis incluem: “Há alteração na minha retina?”, “Qual exame foi feito hoje?”, “Quando devo repetir?” e “Quais sintomas justificam antecipar contato?”.

Três cartões com orientações de preparo para consulta de retina: histórico, sintomas e registros anteriores.
Figura 5. Informações organizadas tornam a avaliação mais objetiva e facilitam a comparação ao longo do tempo.

Quais cuidados não substituem o exame?

Não há colírio, suplemento, exercício ocular ou teste doméstico que substitua a avaliação de retina quando ela está indicada. Manter o cuidado geral do diabetes é importante, mas não permite concluir que a retina está normal. Da mesma forma, enxergar bem em um dia não garante ausência de alterações silenciosas.

Desconfie de promessas de “limpar os vasos”, reverter qualquer estágio em pouco tempo ou dispensar consultas. Decisões seguras se baseiam em exame, comparação com histórico e diálogo entre paciente e profissionais.

Como manter um cuidado contínuo?

Guarde os resultados, confirme a próxima etapa antes de sair da consulta e mantenha seus profissionais informados sobre mudanças relevantes. A retina, a visão relatada e o cuidado do diabetes se complementam. A pessoa com diabetes participa ativamente ao não interromper seguimentos sem orientação e ao relatar sintomas novos de forma clara.

Diagrama mostrando a pessoa com diabetes conectada ao acompanhamento da retina, ao histórico de exames e ao cuidado sistêmico.
Figura 6. O cuidado ocular e o cuidado do diabetes compartilham informações, mas têm papéis complementares.

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Perguntas frequentes sobre retinopatia diabética

1. Quem tem diabetes precisa examinar a retina mesmo enxergando bem?

Sim. A retinopatia diabética pode não causar sintomas no início. O intervalo do exame deve ser definido pela equipe conforme seu histórico e os achados anteriores.

2. Visão embaçada sempre significa retinopatia diabética?

Não. Visão embaçada pode ter várias causas oculares e sistêmicas. Ela deve ser relatada para que a avaliação indique a origem e a prioridade.

3. Quais sintomas devem ser comunicados ao oftalmologista?

Embaçamento novo, manchas, sombras, distorção de linhas, alteração de cores ou redução visual persistente merecem comunicação com a equipe.

4. Retinopatia diabética pode causar dor?

Em geral, a retinopatia em si não é definida pela dor. Dor ocular importante exige orientação porque pode estar relacionada a outras situações que precisam de avaliação.

5. O exame de retina precisa dilatar a pupila?

Em algumas situações, sim. A necessidade depende do exame planejado e da qualidade da visualização. A equipe explicará o preparo e os cuidados após a dilatação quando indicada.

6. Com que frequência devo fazer exame de retina?

Não há uma regra única aplicável a todas as pessoas. O intervalo depende do tipo de diabetes, da presença de alterações, de exames anteriores e de situações clínicas específicas.

7. Diabetes tipo 1 e tipo 2 exigem o mesmo acompanhamento ocular?

As recomendações de início e periodicidade podem diferir. A programação deve ser individualizada e registrada pelo profissional que acompanha sua saúde ocular.

8. Controle de glicemia substitui o exame oftalmológico?

Não. O cuidado da glicemia integra a saúde geral, mas não mostra diretamente como está a retina. A avaliação oftalmológica continua necessária quando indicada.

9. Pressão alta interfere na retinopatia diabética?

Pressão arterial faz parte do contexto sistêmico considerado no cuidado de pessoas com diabetes. Metas e medicamentos devem ser definidos pela equipe assistente.

10. O que é edema macular diabético?

É o acúmulo de líquido na mácula relacionado ao diabetes. Nem toda retinopatia envolve edema macular, e o diagnóstico depende de exame apropriado.

11. Toda retinopatia diabética precisa de injeção ou laser?

Não. A conduta pode ser observação, acompanhamento mais próximo ou tratamento, conforme o achado, a visão e outras informações clínicas.

12. Posso usar um teste de visão em casa para saber se está tudo bem?

Não. Um teste caseiro não substitui o exame de retina nem exclui alterações silenciosas. Se houver mudança, ele não deve atrasar o contato com a equipe.

13. Gestação muda o acompanhamento da retina?

Pessoas com diabetes que engravidam devem informar a equipe cedo, pois podem precisar de acompanhamento mais próximo. A orientação é individual.

14. O que devo levar para a consulta de retina?

Leve lista de medicamentos, data do último exame, relatórios ou imagens anteriores e uma descrição de qualquer mudança visual percebida.

15. Retinopatia diabética tem cura?

Não é adequado prometer cura ou resultado individual. O objetivo do acompanhamento é identificar alterações, discutir opções quando necessárias e organizar o cuidado de forma segura.

Referências científicas

  1. American Academy of Ophthalmology. Diabetic Retinopathy Preferred Practice Pattern 2024. Atualização publicada em 2025. Disponível em: aao.org.
  2. Chong DD, Das N, Singh RP. Diabetic retinopathy: Screening, prevention, and treatment. Cleveland Clinic Journal of Medicine. 2024;91(8):503-510. PMID: 39089852. DOI: 10.3949/ccjm.91a.24028.
  3. Mansberger SL, et al. Long-term Comparative Effectiveness of Telemedicine in Providing Diabetic Retinopathy Screening Examinations: A Randomized Clinical Trial. JAMA Ophthalmology. 2015;133(5):518-525. PMID: 25741666. DOI: 10.1001/jamaophthalmol.2015.1.
  4. Forster AS, et al. Non-attendance at diabetic eye screening and risk of sight-threatening diabetic retinopathy: a population-based cohort study. Diabetologia. 2013;56(10):2187-2193. PMID: 23793717. DOI: 10.1007/s00125-013-2975-0. Errata de afiliação: DOI 10.1007/s00125-013-2990-1.
  5. An J, et al. Adherence to the American Diabetes Association retinal screening guidelines for population with diabetes in the United States. Ophthalmic Epidemiology. 2018;25(3):257-265. PMID: 29333897. DOI: 10.1080/09286586.2018.1424344.
  6. ACCORDION Eye Study Group. Persistent Effects of Intensive Glycemic Control on Retinopathy in Type 2 Diabetes in the ACCORD Follow-On Study. Diabetes Care. 2016;39(7):1089-1100. PMID: 27289122. DOI: 10.2337/dc16-0024.
  7. Diabetes Control and Complications Trial. The effect of intensive diabetes treatment on the progression of diabetic retinopathy in insulin-dependent diabetes mellitus. Archives of Ophthalmology. 1995;113(1):36-51. PMID: 7826293. DOI: 10.1001/archopht.1995.01100010038019.
  8. Matthews DR, et al. Risks of progression of retinopathy and vision loss related to tight blood pressure control in type 2 diabetes mellitus: UKPDS 69. Archives of Ophthalmology. 2004;122(11):1631-1640. PMID: 15534123. DOI: 10.1001/archopht.122.11.1631.
  9. Teo ZL, et al. Global Prevalence of Diabetic Retinopathy and Projection of Burden through 2045: Systematic Review and Meta-analysis. Ophthalmology. 2021;128(11):1580-1591. PMID: 33940045. DOI: 10.1016/j.ophtha.2021.04.027.

Este conteúdo é educativo e não substitui consulta, exame ocular ou orientação individualizada. Em caso de mudança visual importante, procure orientação profissional.

Aviso importante: Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico oftalmologista. Em caso de sintomas ou dúvidas sobre sua saúde ocular, procure atendimento médico especializado.

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