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Facoemulsificação: Como Funciona na Cirurgia de Catarata

Publicado em 01 de maio de 2026 Atualizado em 21 de agosto de 2026 Revisão médica: 12 de agosto de 2026 12 min de leitura Dr. Fernando Macei Drudi
Facoemulsificação na cirurgia de catarata: ultrassom controlado e lente intraocular
Dr. Fernando Macei Drudi
Autor Médico
Dr. Fernando Macei Drudi
CRM-SP 139.300 | RQE 50.645

Resumo em linguagem simples

A facoemulsificação remove a catarata por uma pequena incisão e permite implantar uma lente intraocular. A avaliação define se a técnica e a lente são adequadas ao seu caso.

CID-10: H26.9
PROCEDIMENTO · CATARATA

Revisão médica: Dr. Fernando Macei Drudi
CRM-SP 139.300 · RQE 50.645

Resposta rápida: a facoemulsificação é uma técnica de cirurgia de catarata em que o cristalino opaco é fragmentado por ultrassom e removido por uma pequena incisão; em seguida, uma lente intraocular é implantada. A indicação, a lente e o plano de recuperação são definidos após avaliação individual do olho e das necessidades visuais.

Prancha anatômica em três etapas mostrando cristalino opaco, fragmentação por ultrassom e lente intraocular após facoemulsificação

FIGURA CLÍNICA EM DESTAQUE

Da catarata à lente intraocular. A prancha sintetiza o objetivo da facoemulsificação: remover o cristalino opaco preservando a cápsula que receberá a lente intraocular.
  1. 1 · OpacidadeA catarata reduz a transparência do cristalino e pode causar embaçamento, brilho ou alteração de contraste.
  2. 2 · FacoemulsificaçãoA ponteira de ultrassom fragmenta o cristalino; o material é aspirado por uma pequena incisão.
  3. 3 · Lente intraocularA lente escolhida no planejamento é implantada no local previsto pelo cirurgião.

Ilustração educativa original. A sequência visual não substitui a explicação do cirurgião para um caso individual.

Quando a facoemulsificação pode ser discutida

A catarata é uma perda de transparência do cristalino. A decisão de operar não deve se basear apenas em uma medida de acuidade visual: o impacto em leitura, direção, trabalho, contrastes, independência e qualidade de vida também importa. A diretriz da American Academy of Ophthalmology descreve a catarata sintomática como uma condição tratada cirurgicamente; a indicação, no entanto, precisa considerar a pessoa e o olho avaliados.[1]

A facoemulsificação é amplamente empregada em cirurgia de catarata por pequena incisão com lente intraocular dobrável. Isso não torna a técnica uma resposta automática para qualquer cenário. Cataratas muito densas, alterações de córnea, fraqueza das estruturas que sustentam o cristalino, doenças de retina, glaucoma e cirurgias oculares prévias podem modificar o planejamento ou a técnica discutida.

Diagrama de três etapas explicando a remoção do cristalino opaco e o implante de lente intraocular
Figura 2. A técnica em linguagem visual: opacidade do cristalino, fragmentação controlada e lente intraocular.

O que é planejado antes da cirurgia

Uma boa conversa pré-operatória começa com a pergunta mais importante: o que a pessoa espera enxergar melhor e em quais atividades? O exame avalia a catarata e procura reconhecer condições que podem limitar o resultado visual, como alterações de córnea, mácula, nervo óptico ou superfície ocular.

A biometria mede características do olho usadas no cálculo da lente intraocular. Estudos de dispositivos ópticos e de otimização de constantes mostram por que esse planejamento é relevante para o resultado refracional, sem significar que o cálculo elimina toda possibilidade de grau residual.[2][3] Quando indicado, exames complementares ajudam a avaliar astigmatismo e estruturas posteriores do olho. Para uma explicação mais ampla sobre decisão cirúrgica, veja o guia de cirurgia de catarata.

Painel educativo sobre exame ocular, biometria e avaliação de retina no planejamento de catarata
Figura 3. O planejamento reúne exame clínico, medidas para a lente e avaliação de estruturas que influenciam o prognóstico.

Como funciona a facoemulsificação

Em linhas gerais, o cirurgião prepara o olho, realiza uma incisão pequena e cria uma abertura controlada na cápsula anterior do cristalino. Uma ponteira de facoemulsificação utiliza energia ultrassônica para fragmentar o conteúdo opaco, enquanto o sistema aspira o material. A cápsula posterior é preservada sempre que possível para receber a lente intraocular.

Depois da remoção do cristalino, uma lente dobrável pode ser introduzida pelo acesso cirúrgico e posicionada na cápsula. O ambiente, a anestesia, os medicamentos e os detalhes técnicos são definidos pela equipe cirúrgica. O paciente não deve interpretar uma descrição geral como roteiro para o próprio caso.

Linha do tempo educativa das etapas de facoemulsificação: preparação, microincisão, remoção da catarata e implante de lente
Figura 4. Etapas essenciais do procedimento. A duração e a sequência assistencial podem variar.

Como é escolhida a lente intraocular

A lente intraocular não é escolhida apenas por marca ou promessa de independência de óculos. A decisão combina biometria, curvatura corneana, astigmatismo, hábitos, atividades prioritárias, olho seco, retina, glaucoma e tolerância a fenômenos visuais como halos. O objetivo é alinhar as possibilidades da lente a expectativas realistas.

Família de lenteObjetivo que pode orientar a conversaPonto a discutir
MonofocalUm foco principal, definido no planejamentoUso de óculos para outras distâncias pode ser necessário
TóricaCorreção de astigmatismo corneano em casos selecionadosMedidas e estabilidade da córnea são relevantes
Multifocal ou EDOFAmpliação de faixas de foco em perfis apropriadosAdaptação visual, qualidade óptica e condições oculares precisam ser discutidas

Não existe uma lente “melhor” para todos. A recomendação só é responsável quando explica o benefício provável, o que a lente não entrega e a possibilidade de ainda precisar de óculos. Compare os objetivos de cada opção no artigo sobre lentes intraoculares para catarata.

Comparação educativa entre lentes intraoculares monofocal, tórica e multifocal ou EDOF
Figura 5. Famílias de lentes intraoculares e os objetivos visuais que podem orientar a conversa pré-operatória.

Resultados, riscos e limites

A cirurgia de catarata costuma proporcionar melhora visual quando a opacidade do cristalino é a principal causa da limitação. Entretanto, o resultado final também é influenciado por retina, córnea, nervo óptico, grau residual, superfície ocular e resposta de cicatrização. Em um estudo comparativo, facoemulsificação e cirurgia manual por pequena incisão apresentaram bons resultados visuais e baixas taxas de complicações no contexto estudado; isso reforça que a escolha da técnica depende do cenário clínico e de recursos, não de um rótulo absoluto de superioridade.[4]

Como em qualquer cirurgia intraocular, há riscos. Inflamação, aumento da pressão ocular, edema corneano ou macular, ruptura capsular, deslocamento de material do cristalino e infecção são exemplos de eventos que fazem parte da conversa de consentimento. Estudos observacionais de complicações reforçam que olhos mais complexos exigem planejamento cuidadoso e que eventos pouco frequentes ainda podem afetar a recuperação.[5]

DECISÃO CLÍNICA

Uma técnica bem executada não substitui o diagnóstico do potencial visual. Se retina, córnea ou nervo óptico já apresentam alterações, a equipe deve explicar como isso pode influenciar a visão após a cirurgia.

Recuperação e acompanhamento

Em muitos casos, a pessoa vai para casa no mesmo dia. A nitidez pode mudar nos primeiros dias ou semanas; não há um calendário idêntico para todos. O uso de colírios, a proteção ocular, os retornos e o retorno às atividades devem seguir a prescrição entregue pela equipe.

Há evidência de que medidas de prevenção de infecção são parte importante da segurança cirúrgica; por exemplo, grande coorte observacional encontrou associação entre antibiótico intracameral e menor risco de endoftalmite quando comparado a antibiótico tópico isolado.[6] Esse dado não autoriza autoadaptação de medicamentos: a prescrição é individual e pertence ao protocolo cirúrgico. Consulte também os cuidados após a cirurgia de catarata.

Painel educativo de recuperação após facoemulsificação mostrando colírios, proteção, retornos e evolução visual
Figura 6. A recuperação é acompanhada com prescrição, proteção e retornos definidos para cada caso.

Quando entrar em contato após a cirurgia

Dor importante ou em aumento, queda perceptível da visão, secreção, vermelhidão relevante, trauma ocular ou sintomas que gerem preocupação merecem contato rápido com a equipe conforme os canais informados no pós-operatório. Em emergência, procure o serviço adequado. Não acrescente, troque ou suspenda colírios sem orientação.

Sinais de alerta após cirurgia de catarata: dor importante, queda visual, secreção ou vermelhidão relevante
Figura 7. Sinais de alerta devem ser comunicados sem esperar uma próxima consulta agendada.
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Perguntas frequentes sobre facoemulsificação

O que é facoemulsificação?

É uma técnica de cirurgia de catarata em que uma ponteira de ultrassom fragmenta o cristalino opaco para que ele seja aspirado por uma pequena incisão. Em seguida, o cirurgião implanta uma lente intraocular. A indicação depende da avaliação do olho e do contexto clínico.

A facoemulsificação é indicada para toda catarata?

Não necessariamente. É uma técnica muito utilizada, mas a escolha depende da densidade e do tipo de catarata, da córnea, das estruturas de suporte do cristalino, da retina, do glaucoma e de outros fatores examinados antes da cirurgia.

A cirurgia é feita com anestesia geral?

Muitas cirurgias são realizadas com anestesia local ou tópica, conforme o caso e o protocolo assistencial. A estratégia de anestesia é definida pela equipe responsável depois da avaliação pré-operatória.

A pessoa volta para casa no mesmo dia?

Em muitos casos, a cirurgia é ambulatorial. Ainda assim, a orientação de saída, o acompanhante e os cuidados imediatos dependem da condição clínica e das recomendações da equipe.

Como é calculada a lente intraocular?

A escolha considera medidas como comprimento do olho e curvatura da córnea, além de astigmatismo, saúde ocular e objetivos visuais. A biometria é uma parte importante desse planejamento, mas não elimina toda possibilidade de grau residual.

Qual é a diferença entre lente monofocal, tórica e multifocal ou EDOF?

A lente monofocal é planejada para um foco principal. A tórica pode ser considerada quando há astigmatismo. Lentes multifocais ou de foco estendido podem ampliar faixas de foco em perfis selecionados, mas exigem avaliação criteriosa de expectativas e saúde ocular.

Ainda posso precisar de óculos depois da cirurgia?

Sim. A necessidade de óculos depende da lente escolhida, do objetivo visual, do grau residual e de outras condições oculares. O planejamento deve incluir uma conversa clara sobre essa possibilidade.

Quanto tempo a visão leva para melhorar?

A percepção visual pode evoluir ao longo dos primeiros dias ou semanas, e o ritmo varia. Inflamação, superfície ocular, retina, grau residual e condições prévias podem influenciar a recuperação.

Quais cuidados são importantes após a facoemulsificação?

Use os colírios exatamente como prescritos, não esfregue nem pressione o olho e compareça aos retornos. As restrições de atividades e a proteção ocular devem seguir a orientação individual recebida no pós-operatório.

Quais sinais exigem contato rápido com a equipe?

Dor importante ou em aumento, piora perceptível da visão, secreção, vermelhidão relevante, trauma ocular ou sintomas que preocupem o paciente devem motivar contato conforme os canais e orientações fornecidos pela equipe.

Quais riscos a cirurgia pode ter?

Como qualquer cirurgia ocular, há riscos de inflamação, alteração de pressão, edema de córnea ou retina, ruptura capsular, infecção e outros eventos menos frequentes. O risco individual é discutido antes do procedimento; não existe cirurgia sem risco.

A catarata pode voltar depois da facoemulsificação?

O cristalino opaco é removido, portanto a catarata não volta da mesma forma. Com o tempo, algumas pessoas desenvolvem opacificação da cápsula posterior, que pode ser avaliada e tratada quando indicada.

A facoemulsificação é sempre melhor que outras técnicas?

Não. A facoemulsificação é muito utilizada em diversos cenários, mas outras técnicas podem ser apropriadas em cataratas densas ou situações anatômicas específicas. A melhor opção é a que se ajusta com segurança ao caso avaliado.

Diabetes ou doenças da retina interferem no resultado?

Podem interferir. Alterações de retina, córnea, nervo óptico ou glaucoma podem limitar a qualidade visual mesmo após uma cirurgia tecnicamente bem-sucedida. Por isso, a avaliação prévia procura reconhecer essas condições.

O convênio cobre a cirurgia de catarata?

A cobertura depende da indicação, do contrato e das regras da operadora. A equipe administrativa pode orientar a documentação necessária, mas a confirmação deve ser feita com o convênio antes do procedimento.

Referências bibliográficas

  1. Miller KM, et al. Cataract in the Adult Eye Preferred Practice Pattern. Ophthalmology. 2022;129(1):P1-P126. DOI: 10.1016/j.ophtha.2021.10.006. PMID: 34780842.
  2. Kaswin G, et al. Biometry and intraocular lens power calculation results with a new optical biometry device. J Cataract Refract Surg. 2014;40(4):593-600. DOI: 10.1016/j.jcrs.2013.09.015. PMID: 24680520.
  3. Aristodemou P, et al. Intraocular lens formula constant optimization and partial coherence interferometry biometry. J Cataract Refract Surg. 2011;37(1):50-62. DOI: 10.1016/j.jcrs.2010.07.037. PMID: 21183099.
  4. Ruit S, et al. A prospective randomized clinical trial of phacoemulsification vs manual small-incision cataract surgery. Am J Ophthalmol. 2007;143(1):32-38. DOI: 10.1016/j.ajo.2006.07.023. PMID: 17188040.
  5. Nampradit K, Kongsap P. The visual outcomes and complications of manual small incision cataract surgery and phacoemulsification. Rom J Ophthalmol. 2021;65(1):31-37. DOI: 10.22336/rjo.2021.7. PMID: 33817431.
  6. Herrinton LJ, et al. Comparative Effectiveness of Antibiotic Prophylaxis in Cataract Surgery. Ophthalmology. 2016;123(2):287-294. DOI: 10.1016/j.ophtha.2015.08.039. PMID: 26459998.
  7. Helayel HB, et al. Risk factors, complications, and outcomes of phacoemulsification surgery complicated by retained lens fragments. Saudi J Ophthalmol. 2022;36(2):171-176. DOI: 10.4103/sjopt.sjopt_122_22. PMID: 36211313.
  8. Narayan A, et al. Laser-assisted cataract surgery versus standard ultrasound phacoemulsification cataract surgery. Cochrane Database Syst Rev. 2023;6:CD010735. DOI: 10.1002/14651858.CD010735.pub3.

Este conteúdo é educativo e não substitui consulta, exame ocular ou a orientação individual de um médico oftalmologista.

Aviso importante: Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico oftalmologista. Em caso de sintomas ou dúvidas sobre sua saúde ocular, procure atendimento médico especializado.