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Conjuntivite Alérgica: Sintomas, Causas, Colírios e Tratamento

Publicado em 04 de agosto de 2026 Atualizado em 21 de agosto de 2026 Revisão médica: 08 de agosto de 2026 16 min de leitura Dra. Priscilla Rodrigues de Almeida
Conjuntivite Alérgica: Sintomas, Causas, Colírios e Tratamento — ilustração médica sobre conjuntivite — Instituto Drudi e Almeida Oftalmologia
Dra. Priscilla Rodrigues de Almeida
Autor Médico
Dra. Priscilla Rodrigues de Almeida
CRM-SP 148.173 | RQE 59.216

Resumo em linguagem simples

Este artigo explica de forma acessível o que é conjuntivite alérgica: sintomas, causas, colírios e tratamento, incluindo causas, sintomas, diagnóstico e opções de tratamento disponíveis no Institut...

CID-10: H10.1 — Conjuntivite aguda atópica (alérgica)

Conjuntivite Alérgica: Sintomas, Causas, Colírios e Tratamento

Resposta rápida: a conjuntivite alérgica — a famosa "alergia no olho" — é a inflamação da conjuntiva causada por uma reação do sistema imunológico a substâncias como pólen, ácaros e pelos de animais. O sinal que a diferencia das outras conjuntivites é a coceira intensa nos dois olhos, geralmente com vermelhidão, lacrimejamento e inchaço das pálpebras. Ela não é contagiosa. O tratamento vai de compressas frias e colírios de dupla ação (como a olopatadina) até imunomoduladores nas formas graves — e coçar o olho, além de piorar a crise, é fator de risco para o ceratocone. Corticoide ocular, só com receita e acompanhamento.

O que é a conjuntivite alérgica ("alergia no olho")?

A conjuntivite alérgica é a inflamação da conjuntiva — a membrana transparente que reveste a parte branca do olho e a face interna das pálpebras — desencadeada por uma reação de hipersensibilidade a substâncias inofensivas para a maioria das pessoas, os alérgenos.

É a forma mais comum de alergia ocular e uma das queixas mais frequentes no consultório oftalmológico: estima-se que afete de 10% a 30% da população. Ao contrário das conjuntivites viral e bacteriana, ela não é contagiosa — ninguém "pega" alergia de ninguém.

Apesar de tão comum, é uma condição subdiagnosticada e frequentemente mal tratada: muita gente convive anos com os olhos coçando, alternando colírios por conta própria, sem saber que existe tratamento eficaz — e que o hábito de coçar tem consequências que vão além da alergia.

Por que a alergia faz o olho coçar

Fluxo em quatro etapas do mecanismo da conjuntivite alérgica: o alérgeno entra em contato com o olho; a IgE reconhece a substância como inimiga; os mastócitos da conjuntiva disparam e liberam histamina; e surge a crise alérgica com coceira intensa, olho vermelho, inchaço e lágrimas. Alerta sobre o ciclo do coçar.
Do alérgeno à crise: o mecanismo da alergia ocular — e o ciclo do coçar.

O mecanismo é uma reação de hipersensibilidade mediada pela imunoglobulina E (IgE). Em pessoas predispostas, o sistema imunológico "marca" o alérgeno como inimigo. No contato seguinte com o olho, a IgE aciona os mastócitos da conjuntiva, que liberam histamina e outros mediadores inflamatórios em segundos — provocando coceira, dilatação dos vasos (olho vermelho), inchaço e lacrimejamento (Leonardi et al., 2024).

Aqui está o detalhe que todo paciente alérgico precisa conhecer — o ciclo do coçar: esfregar o olho rompe mecanicamente mais mastócitos, liberando mais histamina. Ou seja, coçar dá alívio por segundos e piora a crise nos minutos seguintes. Quebrar esse ciclo — com compressa fria e o colírio certo — é parte central do tratamento.

Os 5 tipos de conjuntivite alérgica

Cinco cartões com os tipos de conjuntivite alérgica: sazonal, a mais comum, ligada ao pólen; perene, o ano todo, por ácaros e pelos; vernal, forma grave de crianças que pode atingir a córnea; atópica, forma grave de adultos com dermatite atópica; e papilar gigante, ligada às lentes de contato.
Da forma sazonal comum às formas graves que atingem a córnea.
  • Conjuntivite alérgica sazonal (CAS): a mais comum. Piora na primavera e no verão, nas épocas de polinização de gramíneas e árvores.
  • Conjuntivite alérgica perene (CAP): ocorre o ano inteiro, desencadeada principalmente por ácaros do pó doméstico, pelos de animais e mofo. Costuma ser mais leve, porém constante.
  • Ceratoconjuntivite vernal (CCV): a forma grave da infância — predomina em meninos de 5 a 10 anos, em climas quentes. Pode atingir a córnea e causar a úlcera em escudo, com risco para a visão. Exige acompanhamento especializado.
  • Ceratoconjuntivite atópica (CCA): a forma grave do adulto, associada à dermatite atópica. É crônica e, sem tratamento, pode cicatrizar e vascularizar a córnea.
  • Conjuntivite papilar gigante (CPG): reação a depósitos de proteína em lentes de contato ou próteses oculares, com formação de papilas gigantes na conjuntiva da pálpebra superior.

Alérgica, viral ou bacteriana? Como diferenciar

Quadro comparativo das conjuntivites alérgica, viral e bacteriana: na alérgica a coceira é intensa, a secreção é clara e mucosa, afeta os dois olhos, não é contagiosa e vem com rinite; na viral a secreção é aquosa, começa em um olho, é muito contagiosa e acompanha resfriado; na bacteriana a secreção é amarela e purulenta, gruda os cílios e é contagiosa.
Coceira, secreção e contágio: os três sinais que separam os três tipos.

A regra prática: alergia coça, vírus lacrimeja, bactéria gruda os cílios.

  • Alérgica: coceira intensa, nos dois olhos ao mesmo tempo, secreção clara e mucosa em "fios", sem contágio, geralmente com espirros e rinite juntos. Não causa febre.
  • Viral: muito contagiosa, começa em um olho e pode passar ao outro, secreção aquosa abundante, costuma acompanhar resfriado e gânglio pré-auricular. Veja o artigo completo sobre conjuntivite viral.
  • Bacteriana: secreção amarelada/purulenta que gruda os cílios ao acordar, em um ou nos dois olhos, também contagiosa.

Na dúvida — especialmente se houver dor, baixa de visão ou secreção purulenta — o exame oftalmológico define o diagnóstico, porque o tratamento é diferente em cada caso.

Causas e gatilhos mais comuns

  • Pólen de gramíneas e árvores — o gatilho clássico da forma sazonal.
  • Ácaros do pó doméstico — colchões, travesseiros, tapetes e cortinas; principal causa da forma perene.
  • Pelos e caspa de animais — cães e gatos, mesmo quando o animal não está mais no ambiente.
  • Mofo e fungos — ambientes úmidos e mal ventilados.
  • Cosméticos e conservantes — maquiagem, demaquilantes e até conservantes de colírios.
  • Lentes de contato — depósitos de proteína na lente (mecanismo da papilar gigante).
  • Poluição do ar — partículas finas potencializam a resposta inflamatória.
  • Histórico de atopia — quem tem (ou tem na família) rinite alérgica, asma ou dermatite atópica tem risco bem maior; é a chamada marcha atópica.

Sintomas: como a alergia ocular se manifesta

  • Coceira intensa nos olhos — o sintoma número um, quase sempre nos dois olhos. Sem coceira, desconfie do diagnóstico de alergia.
  • Olho vermelho pela dilatação dos vasos da conjuntiva.
  • Lacrimejamento claro e abundante.
  • Inchaço das pálpebras — principalmente ao acordar, ou após esfregar muito.
  • Secreção mucosa em fios, diferente da secreção purulenta da conjuntivite bacteriana.
  • Sensação de areia e desconforto ao piscar.
  • Sensibilidade à luz leve nas crises — quando a fotofobia é intensa, é sinal de alerta (córnea). Entenda no artigo sobre fotofobia.
  • Rinite junto: espirros, coriza e nariz entupido — a rinoconjuntivite alérgica, apresentação mais comum em quem tem atopia.

Quando não é "só alergia": sinais de alarme

Cinco sinais de alarme na alergia ocular: dor ocular importante; fotofobia intensa ou baixa de visão; secreção amarela ou purulenta; criança com coceira intensa o ano todo, com suspeita de ceratoconjuntivite vernal; e coçar compulsivo em quem tem ceratocone na família.
Sinais que pedem avaliação especializada — não colírio por conta própria.
  • Dor ocular importante — alergia coça, não dói. Dor pede exame.
  • Fotofobia intensa ou queda de visão — podem indicar acometimento da córnea.
  • Secreção amarela/purulenta — sugere infecção, e o tratamento muda completamente.
  • Criança com coceira intensa o ano todo — suspeita de ceratoconjuntivite vernal; sem tratamento, há risco de úlcera em escudo na córnea.
  • Coçar compulsivo — principalmente em quem tem ceratocone na família: o ato de coçar o olho é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento e a progressão do ceratocone.

Qual é o CID da conjuntivite alérgica?

Na CID-10, a conjuntivite alérgica é classificada em H10.1 — Conjuntivite aguda atópica, o código mais usado para as crises alérgicas típicas. Conforme a apresentação, o médico pode registrar também: H10.4 (conjuntivite crônica, para as formas perenes persistentes) e H16.2 (ceratoconjuntivite, quando há acometimento da córnea — caso da vernal e da atópica graves). Quando a rinite acompanha, o código da rinite alérgica (J30) costuma aparecer junto.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico é essencialmente clínico — história + exame:

  • História dirigida: padrão dos sintomas (sazonal ou o ano todo), bilateralidade, contato com animais, atopia pessoal e familiar (rinite, asma, dermatite).
  • Biomicroscopia (lâmpada de fenda): o oftalmologista procura papilas na conjuntiva da pálpebra, quemose (inchaço gelatinoso), e — fundamental nas formas graves — sinais de acometimento da córnea, como os pontos de Horner-Trantas e a úlcera em escudo da vernal.
  • Testes alérgicos: quando é importante identificar o gatilho (prick test, IgE específica), encaminhamos diretamente a alergologista parceiro do Instituto, que também conduz a imunoterapia quando indicada.

Tratamento: da compressa fria aos imunomoduladores

Escada terapêutica da conjuntivite alérgica em quatro etapas: etapa 1 com afastamento do gatilho, compressas frias, lágrimas artificiais geladas e controle do ambiente; etapa 2 com colírio de dupla ação como a olopatadina e anti-histamínico oral se houver rinite; etapa 3 com corticoide tópico em curso curto com receita; etapa 4 com imunomoduladores tópicos, ciclosporina ou tacrolimus, e imunoterapia com alergologista.
O tratamento é em etapas — conforme o tipo e a gravidade.

Etapa 1 — medidas básicas (para todos)

  • Afastar o gatilho quando identificado — a medida isolada mais eficaz.
  • Compressas frias sobre os olhos fechados: aliviam a coceira e o inchaço em minutos, quebrando o ciclo do coçar.
  • Lágrimas artificiais geladas (guarde o frasco na geladeira): diluem e "lavam" o alérgeno da superfície ocular.
  • Controle ambiental: capas antiácaros, lavagem semanal da roupa de cama com água quente, redução de tapetes e cortinas no quarto.

Etapa 2 — colírios antialérgicos

  • Colírios de dupla ação — anti-histamínico + estabilizador de mastócito no mesmo frasco — são a primeira linha farmacológica pelas diretrizes atuais (Leonardi et al., 2024). Na nossa prática, a olopatadina é o princípio ativo que mais prescrevemos; cetotifeno e outros agentes da classe também são opções. Agem rápido na coceira e previnem novas crises com o uso regular.
  • Anti-histamínicos orais ajudam quando a rinite vem junto, mas são menos eficazes no olho do que o colírio — e podem ressecar a superfície ocular, o que às vezes piora o desconforto em quem também tem olho seco.
  • Atenção aos conservantes: em uso prolongado, colírios com conservantes podem agredir a superfície ocular; formulações sem conservantes são preferíveis quando o uso é contínuo (Suárez-Cortés et al., 2024).

Etapa 3 — corticoide tópico (com regras)

Nos casos moderados a graves, o oftalmologista pode prescrever corticoide em colírio por período curto. Funciona muito bem — e é justamente por isso que é perigoso na automedicação: o uso sem controle pode elevar a pressão intraocular (glaucoma) e acelerar catarata. Corticoide ocular: sempre com receita e retorno marcado.

Etapa 4 — formas graves: vernal e atópica

  • Imunomoduladores tópicos: a ciclosporina colírio e o tacrolimus tratam a inflamação de base sem os riscos do corticoide contínuo — ambos fazem parte da nossa prática no manejo da vernal e da atópica. Na ceratoconjuntivite vernal pediátrica, o ensaio clínico VEKTIS demonstrou eficácia e segurança da ciclosporina tópica em crianças, com melhora da ceratite e da qualidade de vida (Bremond-Gignac et al., 2020).
  • Imunoterapia alérgeno-específica ("vacina da alergia"): única abordagem capaz de modificar a resposta imunológica a longo prazo — conduzida pelo alergologista parceiro, em conjunto com o acompanhamento oftalmológico.

O que evitar: colírios vasoconstritores ("clareadores") mascaram a vermelhidão, causam efeito rebote e não tratam a alergia. Não têm lugar no tratamento contínuo.

Conjuntivite alérgica em crianças

Na infância, a alergia ocular costuma vir no pacote da tríade atópica — rinite, asma e dermatite. Duas mensagens importantes para os pais:

  1. Criança que coça o olho o ano inteiro precisa de oftalmologista, não só de antialérgico. A ceratoconjuntivite vernal, típica de meninos entre 5 e 10 anos, pode lesar a córnea — e é tratável, inclusive com ciclosporina tópica de eficácia comprovada em estudos pediátricos.
  2. Coçar o olho na infância e adolescência é fator de risco para o ceratocone — doença que deforma a córnea e pode exigir transplante. Controlar a alergia é também prevenir o ceratocone.

O Instituto Drudi e Almeida conta com oftalmologistas pediátricos para o atendimento de crianças com alergia ocular.

Alergia ocular e lentes de contato

Usuários de lentes têm um tipo próprio de alergia — a conjuntivite papilar gigante, reação aos depósitos de proteína que se acumulam na lente. Os sinais: coceira, muco e sensação de que a lente "sobe" ou se move demais.

O manejo: pausar as lentes durante as crises, revisar a adaptação com o oftalmologista e, muitas vezes, migrar para lentes descartáveis diárias, que não acumulam depósitos. Dormir com lente e esticar a vida útil além do indicado são os dois hábitos que mais alimentam o problema.

Prevenção: o que fazer — e o que evitar

Duas colunas com hábitos na alergia ocular. Fazer: compressa fria, lágrima artificial gelada, capa antiácaro, lavar roupa de cama com água quente, óculos em dias de vento e pólen, pausar lentes nas crises. Evitar: coçar os olhos, colírio clareador por conta própria, corticoide sem receita, dormir com lentes, maquiagem nas crises, automedicar crianças.
Hábitos que aliviam as crises — e erros que as alimentam.

Faça: compressa fria nas crises; lágrima artificial gelada; capa antiácaro em colchão e travesseiro; lavar roupa de cama com água quente semanalmente; óculos (de grau ou escuros) em dias de vento e pólen; pausa nas lentes de contato durante as crises.

Evite: coçar ou esfregar os olhos; colírio "clareador" por conta própria; corticoide sem receita; dormir com lentes; maquiagem nos olhos durante as crises; usar em criança colírio indicado para adulto sem orientação.

Onde tratar a alergia ocular em São Paulo

O Instituto Drudi e Almeida oferece avaliação completa da superfície ocular e tratamento de todas as formas de conjuntivite alérgica — incluindo ciclosporina e tacrolimus tópicos para vernal e atópica, atendimento oftalmopediátrico e encaminhamento direto a alergologista parceiro para testes e imunoterapia — em 5 unidades na Grande São Paulo: Santana, Tatuapé, Lapa, São Miguel Paulista e Guarulhos.

Perguntas Frequentes (FAQ)

A conjuntivite alérgica é contagiosa?

Não. Ela é uma reação do sistema imunológico a alérgenos, não uma infecção — não passa de pessoa para pessoa. As conjuntivites viral e bacteriana, essas sim, são contagiosas.

Qual a diferença entre conjuntivite alérgica e viral?

A alérgica coça intensamente, afeta os dois olhos ao mesmo tempo, tem secreção clara em fios e costuma vir com rinite. A viral é muito contagiosa, geralmente começa em um olho, tem secreção aquosa abundante e acompanha quadros de resfriado.

Qual colírio é indicado para conjuntivite alérgica?

Os colírios de dupla ação (anti-histamínico + estabilizador de mastócito), como a olopatadina, são a primeira escolha das diretrizes atuais. A escolha exata depende do tipo e da gravidade — e colírios de corticoide só entram com receita e acompanhamento. Evite os "clareadores" vasoconstritores.

Colírio antialérgico precisa de receita?

Alguns antialérgicos são vendidos sem retenção de receita, mas isso não significa que a automedicação seja segura: o diagnóstico errado (alergia × infecção × olho seco) leva a semanas de tratamento inútil. E o corticoide, que muitas vezes é vendido indevidamente sem receita, pode causar glaucoma e catarata.

A conjuntivite alérgica tem cura?

É uma condição crônica ligada à predisposição alérgica, então o objetivo é o controle — que costuma ser excelente com o tratamento certo. A imunoterapia com alergologista é a única abordagem capaz de modificar a resposta imunológica a longo prazo.

Quanto tempo dura uma crise de conjuntivite alérgica?

Com o afastamento do gatilho e o colírio adequado, a crise típica melhora em poucos dias. Sintomas que persistem por semanas indicam exposição contínua ao alérgeno (ácaros, animal em casa) ou outro diagnóstico — e merecem reavaliação.

Coçar o olho faz mal mesmo?

Faz, por dois motivos. No curto prazo, coçar rompe mais mastócitos e libera mais histamina — a coceira volta pior (o "ciclo do coçar"). No longo prazo, o hábito de coçar é um dos principais fatores de risco para o ceratocone, doença que deforma a córnea.

Qual é o CID da conjuntivite alérgica?

H10.1 — Conjuntivite aguda atópica. Nas formas crônicas usa-se o H10.4, e quando a córnea é acometida (vernal e atópica graves), o H16.2 (ceratoconjuntivite).

Posso usar lentes de contato durante a crise?

Não é recomendado. A lente retém alérgenos e mediadores inflamatórios contra a córnea e piora a inflamação. Pause as lentes até a crise passar e converse com o oftalmologista — em quem tem crises frequentes, as descartáveis diárias costumam ser a melhor opção.

O que é a ceratoconjuntivite vernal?

É a forma grave da alergia ocular na infância, típica de meninos de 5 a 10 anos em climas quentes. Causa coceira intensa o ano todo, fotofobia e pode lesar a córnea (úlcera em escudo). Tem tratamento específico — incluindo ciclosporina tópica com eficácia comprovada em crianças — e exige acompanhamento especializado.

Compressa fria ou quente para alergia no olho?

Fria. O frio contrai os vasos, reduz o inchaço e "anestesia" a coceira, ajudando a quebrar o ciclo do coçar. Compressas mornas são indicadas para outras condições, como terçol e disfunção das glândulas de Meibomius — não para a crise alérgica.

Alergia no olho pode causar olho seco?

As duas condições andam juntas com frequência: a inflamação alérgica desestabiliza o filme lacrimal, e alguns tratamentos (como anti-histamínicos orais) ressecam o olho. Quem tem coceira + ardência + sensação de areia fora das crises deve investigar as duas coisas.

Criança pode usar colírio antialérgico?

Pode, com orientação médica — há colírios de dupla ação liberados para uso pediátrico. O que não se deve fazer é usar na criança o colírio do adulto, por conta própria, nem corticoide sem receita. Coceira ocular persistente em criança pede consulta.

Maquiagem pode causar alergia nos olhos?

Pode — tanto por reação aos componentes (pigmentos, conservantes) quanto por acúmulo de resíduos na margem das pálpebras. Na crise, suspenda a maquiagem dos olhos; fora dela, prefira produtos hipoalergênicos, evite a linha d'água e remova tudo antes de dormir.

Rinite e conjuntivite alérgica sempre vêm juntas?

Muito frequentemente — é a rinoconjuntivite alérgica, a apresentação mais comum em quem tem atopia. Tratar só o nariz e esquecer os olhos (ou vice-versa) é um erro comum; o plano ideal cobre os dois, às vezes com oftalmologista e alergologista em conjunto.

Referências

  1. Leonardi A, Quintieri L, Jáuregui Presa I, et al. Allergic Conjunctivitis Management: Update on Ophthalmic Solutions. Current Allergy and Asthma Reports. 2024;24(7):347-360. DOI: 10.1007/s11882-024-01150-0
  2. Suárez-Cortés T, Gonzalo A, Arana E, Guillén V, Andollo N. Ophthalmic Formulations for the Treatment of Allergic Conjunctivitis and Their Effect on the Ocular Surface: A Review of Safety and Tolerability Assessments in Clinical Trials. Journal of Clinical Medicine. 2024;13(22):6903. DOI: 10.3390/jcm13226903
  3. Bremond-Gignac D, Doan S, Amrane M, et al. Twelve-Month Results of Cyclosporine A Cationic Emulsion in a Randomized Study in Patients With Pediatric Vernal Keratoconjunctivitis (VEKTIS). American Journal of Ophthalmology. 2020;212:116-126. DOI: 10.1016/j.ajo.2019.11.020
  4. American Academy of Ophthalmology. Conjunctivitis Preferred Practice Pattern®. Ophthalmology. 2024;131(4):P134-P204. Disponível em: aao.org — Conjunctivitis PPP

Revisão médica: este artigo foi escrito pela Dra. Priscilla Rodrigues de Almeida (CRM-SP 148.173 · RQE 59.216), especialista em córnea e doenças externas oculares e responsável técnica do Instituto, e revisado pelo Dr. Fernando Macei Drudi (CRM-SP 139.300 · RQE 50.645), especialista em retina. Última revisão médica: 08 de agosto de 2026.

Aviso importante: este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico oftalmologista. Em caso de sintomas ou dúvidas sobre sua saúde ocular, procure atendimento médico especializado.

Aviso importante: Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico oftalmologista. Em caso de sintomas ou dúvidas sobre sua saúde ocular, procure atendimento médico especializado.

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