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Cisco no Olho e Corpo Estranho: O Que Fazer e Quando Correr

Publicado em 05 de agosto de 2026 Atualizado em 21 de agosto de 2026 Revisão médica: 06 de agosto de 2026 21 min de leitura Dr. Fernando Macei Drudi
Corpo Estranho no Olho: O Que Fazer e Quando Procurar Médico — ilustração médica sobre primeiros socorros oculares — Instituto Drudi e Almeida Oftalmologia
Dr. Fernando Macei Drudi
Autor Médico
Dr. Fernando Macei Drudi
CRM-SP 139.300 | RQE 50.645

Resumo em linguagem simples

Este artigo explica de forma acessível o que é cisco no olho e corpo estranho: o que fazer e quando correr, incluindo causas, sintomas, diagnóstico e opções de tratamento disponíveis no Instituto D...

CID-10: T15 — Corpo estranho na parte externa do olho

Resposta rápida. Não esfregue. Lave com soro fisiológico ou água limpa por 5 a 10 minutos, piscando bastante. Se sair, ótimo. Mas se o acidente envolveu metal em alta velocidade — martelo, esmerilhadeira, lixadeira, solda —, não lave e não pingue nada: proteja o olho e vá ao pronto-socorro. Nesses casos o fragmento pode ter atravessado o olho doendo pouco.


PARE. Isto foi metal em alta velocidade?

Antes de qualquer instrução, uma pergunta. Ela vem primeiro porque muda tudo o que vem depois.

No momento em que algo entrou no seu olho, você estava:

  • Martelando metal contra metal, ou usando talhadeira?
  • Usando esmerilhadeira, lixadeira, serra ou politriz?
  • Soldando, furando ou cortando metal?
  • Usando roçadeira ou cortador de grama?
  • Perto de uma explosão, fogos de artifício ou estilhaço?

Se a resposta for sim a qualquer uma delas, pare de ler os primeiros socorros e vá para a seção de emergência. Não lave o olho, não pingue nada, não tente remover nada.

O motivo é simples e pouco conhecido: nesses acidentes o fragmento pode ter atravessado a parede do olho e se alojado lá dentro. O furo de entrada costuma ser tão pequeno que se fecha sozinho, quase não sangra e pode doer pouco. Muita gente vai para casa achando que passou.

Nas outras situações — poeira, areia, cílio, inseto, maquiagem, fio de cabelo, vento — o risco é muito menor e os primeiros socorros abaixo resolvem a maioria dos casos.


Cisco, corpo estranho, cisco na vista: são a mesma coisa?

Sim. "Cisco no olho" é o nome popular brasileiro para o que a medicina chama de corpo estranho ocular: qualquer material que não pertence à superfície do olho e ficou preso ali.

Os mais comuns são banais — poeira, areia, cílio, fiapo de tecido, resíduo de maquiagem, casca de tinta, fragmento de vegetal. Os mais perigosos são os que ninguém percebe direito: lascas de metal, estilhaços de vidro, farpas de madeira.

Você também vai ouvir: cisco na vista, sujeira no olho, lasca no olho, entrou algo no olho, areia no olho, machucado no olho. Todos descrevem a mesma situação.

E uma dúvida de grafia que aparece bastante: escreve-se cisco, com C. "Sisco" é erro de escrita, não outra coisa.

Qual o CID de corpo estranho no olho

Na Classificação Internacional de Doenças (CID-10), o grupo T15 cobre corpo estranho na parte externa do olho:

Código Descrição
T15.0 Corpo estranho na córnea
T15.1 Corpo estranho no saco conjuntival
T15.8 Corpo estranho em outras partes e em múltiplas partes da parte externa do olho
T15.9 Corpo estranho na parte externa do olho, parte não especificada

Quando o objeto entrou no olho, o código é outro — e a gravidade também:

Código Descrição
S05.5 Ferimento penetrante do globo ocular com corpo estranho
S05.4 Ferimento penetrante da órbita com ou sem corpo estranho
S05.0 Traumatismo da conjuntiva e abrasão da córnea sem menção de corpo estranho

Essa distinção entre T15 e S05.5 não é burocracia. É a diferença entre um procedimento de consultório e uma cirurgia.

Para quem precisa do código em atestado, guia de convênio ou CAT: na esmagadora maioria dos casos atendidos em consultório, o código correto é T15.0 (córnea) ou T15.1 (saco conjuntival). Peça que ele conste no relatório médico — é ele que sustenta o afastamento e o nexo com o trabalho.


Onde o objeto pode estar

Figura 1 — Corte lateral do olho mostrando cinco profundidades possíveis de um corpo estranho: sobre a conjuntiva, sob a pálpebra, encravado na córnea, dentro da câmara anterior e intraocular no vítreo, cada uma com seu nível de urgência.

Figura 1. A gravidade não depende do tamanho do fragmento, mas de quão fundo ele chegou.

1. Sobre a conjuntiva. O objeto está pousado na membrana transparente que recobre o branco do olho. Lavagem costuma resolver.

2. Sob a pálpebra (subtarsal). Aqui está a maior fonte de frustração. O objeto gruda na superfície interna da pálpebra superior e arranha a córnea a cada piscada. A pessoa lava, lava, e não adianta — porque o objeto não está no olho, está na pálpebra. Só aparece quando a pálpebra é virada.

3. Encravado na córnea. O objeto se fixou no tecido da córnea, o "vidro de relógio" transparente na frente da íris. Dói bastante e exige remoção médica no mesmo dia.

4. Dentro da câmara anterior. O objeto atravessou a córnea e está no espaço líquido entre a córnea e a íris. O olho foi perfurado. É emergência.

5. Intraocular, no vítreo ou na retina. O fragmento atravessou tudo e parou no fundo do olho. Exige cirurgia. E, contra toda a intuição, pode doer pouco.


Sintomas — e o sintoma que engana

A córnea é um dos tecidos mais inervados do corpo humano. Por isso partículas microscópicas causam sintomas desproporcionais ao tamanho:

  • Sensação de areia no olho ou de algo raspando
  • Dor no olho ao piscar
  • Sensação de olho arranhando
  • Lacrimejamento abundante — é o olho tentando lavar o invasor
  • Vermelhidão
  • Fotofobia (incômodo com a luz)
  • Visão embaçada
  • Dificuldade de manter o olho aberto

Sensação de areia no olho

É a descrição mais comum, e nem sempre significa que há areia — ou qualquer outra coisa — ali. A sensação vem de terminações nervosas expostas na córnea, e elas ficam expostas por três motivos: um corpo estranho, uma abrasão já causada por ele, ou olho seco.

Se a sensação aparece nos dois olhos, piora ao fim do dia, na frente da tela ou no ar-condicionado, e não houve nenhum acidente, a causa mais provável é olho seco, não cisco.

Se é em um olho só e começou de repente, a suspeita é corpo estranho ou abrasão.

Dor no olho ao piscar

Dor que aparece exatamente no momento de piscar tem um significado bem específico: alguma coisa está sendo arrastada sobre a córnea a cada movimento da pálpebra.

As causas mais frequentes são corpo estranho preso sob a pálpebra superior, abrasão de córnea e cílio crescendo para dentro (triquíase). Se a dor for no canto do olho e não sobre a córnea, pode ser terçol, calázio ou inflamação da glândula lacrimal — quadros diferentes, que também merecem avaliação.

O detalhe que salva olhos

Existe uma exceção perigosa, e ela é a razão de este artigo começar com um alerta.

Quando o fragmento atravessa o olho em alta velocidade, os sintomas podem ser mínimos. A partícula é pequena, está quente e faz um corte limpo. O paciente sente um "tico" no olho, lacrimeja um pouco, e em uma hora está quase normal.

Não é raro que essa pessoa só procure ajuda semanas ou meses depois, quando a visão começa a piorar. A literatura registra casos de perda visual descoberta 7 anos após um trauma com objeto de ferro que passou despercebido [9].

A regra prática: em acidente com metal em alta velocidade, o que decide não é o quanto dói. É o mecanismo.


O que fazer, passo a passo

Figura 2 — Fluxograma dos primeiros minutos: se houve mecanismo de alta velocidade, proteger o olho e ir ao pronto-socorro; caso contrário, lavar com soro e reavaliar se os sintomas persistem.

Figura 2. A primeira pergunta não é o que você sente. É o que você estava fazendo.

Antes de começar, três travas. Se qualquer uma se aplicar, não siga estes passos — vá direto ao pronto-socorro:

  1. O acidente envolveu metal em alta velocidade, vidro, explosão ou fogos
  2. Há dor intensa, perda de visão ou o olho não abre
  3. Você vê o objeto espetado na parte colorida do olho, ou algo escuro saindo dele

Se nada disso se aplica:

1. Lave as mãos

Água e sabão. Infecção introduzida pelo dedo é uma complicação evitável e comum.

2. Retire a lente de contato, se usar

E não recoloque até tudo estar resolvido. A lente pode prender o objeto contra a córnea e piorar o dano.

3. Não esfregue

Este é o reflexo natural e o principal erro. Esfregar arrasta o objeto sobre a córnea, transformando um incômodo em uma abrasão extensa — ou empurrando o fragmento para mais fundo.

4. Pisque bastante

A lágrima é o mecanismo de limpeza que o olho já tem. Muitos ciscos saem só com isso.

5. Lave com soro fisiológico

Soro fisiológico é ideal; água corrente limpa também serve. Incline a cabeça de lado, com o olho afetado para baixo, e deixe o líquido escorrer do canto interno (junto ao nariz) para o externo — assim você não empurra nada para o outro olho.

Lave por 5 a 10 minutos, mantendo a pálpebra aberta com os dedos. A maioria das pessoas lava por 20 segundos e desiste; é pouco.

6. Se ainda incomodar, vire a pálpebra

O passo que quase ninguém conhece — e que resolve boa parte dos casos rebeldes. Veja a seção seguinte.

7. Sobre usar cotonete

Você vai encontrar esse conselho em muitos lugares, inclusive em sites médicos. Ele só é aceitável se todas estas condições forem verdadeiras ao mesmo tempo:

  • Não houve mecanismo de alta velocidade
  • Não há dor intensa nem baixa de visão
  • Você o objeto claramente
  • Ele está na superfície interna da pálpebra, não sobre o olho
  • O cotonete está limpo e umedecido com soro

Nunca encoste um cotonete na córnea — a parte transparente sobre a íris. E se houver qualquer dúvida sobre perfuração, não encoste nada em lugar nenhum. O risco de extravasar o conteúdo do olho é real e irreversível.

Na dúvida, deixe para o médico. Em consultório essa remoção leva segundos e é indolor.


Como virar a pálpebra superior

Figura 3 — Três passos da eversão palpebral: olhar para baixo e segurar os cílios, apoiar um cotonete na dobra, e virar a pálpebra expondo a conjuntiva tarsal onde o objeto costuma ficar.

Figura 3. A maioria dos objetos que "não saem" está presa aqui.

Se você sente riscos a cada piscada e a lavagem não resolveu, provavelmente há algo grudado na face interna da pálpebra superior.

  1. Olhe para baixo e mantenha assim. Isso relaxa o músculo que levanta a pálpebra.
  2. Segure os cílios superiores entre o polegar e o indicador, puxando levemente para fora.
  3. Apoie um cotonete (ou a ponta do dedo) sobre a dobra da pálpebra, cerca de um centímetro acima dos cílios.
  4. Puxe os cílios para cima enquanto o cotonete faz o eixo. A pálpebra vira do avesso.
  5. Procure o objeto na superfície rosada exposta. Se estiver visível, retire com um cotonete umedecido.

Para desvirar, basta olhar para cima e piscar.

Faça isso com as mãos limpas, sem pressionar o olho — e nunca se houver suspeita de perfuração.


O cisco sai sozinho? Quanto tempo dura?

Depende de onde ele parou — e a Figura 1 já mostrou por quê.

Sai sozinho, geralmente em minutos a poucas horas: poeira, cílio, fiapo, grão de areia solto sobre a conjuntiva. A lágrima empurra o material para o canto interno do olho, onde ele vira aquela "remela" que você retira de manhã. Piscar e lavar aceleram o processo.

Não sai sozinho, por mais que você lave: objeto grudado na face interna da pálpebra superior, ou encravado na córnea. Nesses casos a lavagem falha porque não alcança o problema — e é aí que a maioria das pessoas fica frustrada.

O cisco no olho não sai. E agora?

Se você já lavou por 5 a 10 minutos de verdade e o incômodo continua, pare de lavar. Continuar não vai funcionar, e esfregar entre as tentativas vai piorar.

Duas hipóteses, nessa ordem:

  1. Ainda há algo sob a pálpebra superior. Vire a pálpebra e procure — o passo a passo está na seção seguinte.
  2. O objeto já saiu, mas deixou um arranhão. A sensação é idêntica à de ter algo no olho, porque a origem é a mesma: terminações nervosas expostas.

Nas duas situações a conduta é a mesma: oftalmologista em até 24 horas.

Quanto tempo dura o incômodo

Situação Prazo esperado
Cisco superficial que saiu com a lavagem Alívio imediato ou em poucos minutos
Abrasão pequena que ficou depois 24 a 48 horas
Abrasão maior 3 a 5 dias
Objeto ainda preso sob a pálpebra Não passa — piora a cada piscada
Corpo estranho encravado na córnea Não passa — exige remoção

A regra prática: incômodo que melhora progressivamente costuma ser cicatrização. Incômodo que não muda ou piora significa que o problema ainda está lá.


Sinto um cisco no olho mas não tem nada

Essa é uma das queixas mais frequentes no consultório, e quase sempre há uma explicação concreta. "Não tem nada" normalmente significa "ninguém encontrou ainda".

1. Abrasão de córnea. O objeto já saiu, mas raspou. É a causa mais comum. A sensação dura de um a três dias e melhora progressivamente.

2. Objeto sob a pálpebra superior. Não aparece em nenhum exame que não inclua virar a pálpebra. Se você foi atendido, saiu com a queixa e ninguém everteu sua pálpebra, essa hipótese não foi descartada.

3. Olho seco. A causa mais frequente quando não houve acidente nenhum. Costuma ser nos dois olhos, piora ao longo do dia, com telas, ar-condicionado e vento.

4. Triquíase. Um cílio nascendo para dentro raspa a córnea a cada piscada. Como é fino e transparente contra a luz, passa despercebido.

5. Lente de contato deslocada ou dobrada sob a pálpebra superior. A sensação é idêntica à de um cisco.

6. Após cirurgia de catarata. Sentir areia no olho nos primeiros dias é esperado e ocorre com muita gente. As microincisões da córnea cicatrizam ao longo de dias e, enquanto isso, incomodam. Some-se a isso o colírio usado no pós-operatório e o olho seco temporário que a cirurgia provoca. Costuma melhorar em uma a duas semanas com lubrificante. Mas se vier acompanhada de dor forte, piora da visão, vermelhidão intensa ou secreção, ligue para o seu cirurgião no mesmo dia — não espere o retorno agendado.

7. Blefarite. Inflamação da borda da pálpebra, com sensação persistente de areia e crostas nos cílios ao acordar.

Cada uma dessas causas tem tratamento próprio, e todas exigem exame para diferenciar. O que elas têm em comum: nenhuma melhora com lavagem repetida, que é o que a maioria das pessoas fica fazendo por semanas.


O que nunca fazer

Não esfregue. Já foi dito, mas é o erro que mais causa dano.

Não use pinça, palito, agulha, canivete ou unha. O risco de perfurar é altíssimo, e a córnea tem meio milímetro de espessura.

Não tente remover objeto encravado. Se está fixado na córnea ou parece ter entrado, não toque.

Não use colírio anestésico. Este merece parágrafo próprio, logo abaixo.

Não use colírio "que estava na gaveta". Colírios com corticoide podem transformar uma abrasão simples em úlcera de córnea, sobretudo se houver herpes ou fungo. Colírio vasoconstritor apenas disfarça a vermelhidão.

Não sopre no olho de outra pessoa. Ar da boca carrega bactérias.

Não use leite materno, chá, urina, saliva ou "água benta". São contaminantes.

Não dirija se a visão estiver embaçada ou o olho lacrimejando muito.

Não tape o olho com curativo oclusivo. Uma revisão Cochrane com 12 ensaios e 1.080 participantes concluiu que o curativo não acelera a cicatrização nem alivia a dor em abrasões simples de córnea — e pode até retardar levemente a cicatrização em 24 horas [1]. A prática de "tapar o olho" sobrevive por tradição, não por evidência.

Exceção importante: diante de suspeita de perfuração, o olho deve ser protegido com um escudo rígido que não encosta no globo — um copo plástico apoiado na testa e no osso da face. Isso não é curativo, é blindagem.

O colírio anestésico: alívio que destrói a córnea

Esta é a advertência mais importante desta seção.

Durante a consulta, o oftalmologista pinga um colírio anestésico e a dor desaparece em segundos. É natural que o paciente peça uma receita. Ela não existe, e por um bom motivo.

O anestésico tópico é tóxico para o epitélio da córnea quando usado repetidamente. Ele impede a cicatrização, mata as células que deveriam fechar a ferida e cria um ciclo: mais dor, mais colírio, mais dano.

Um caso publicado no BMJ Case Reports descreve uma paciente com dor intensa nos dois olhos, tratada por meses como se fosse ceratite herpética. O diagnóstico só apareceu quando ela admitiu estar usando proparacaína por conta própria. Os dois olhos apresentavam falha epitelial quase total e precisaram de transplante de membrana amniótica e, depois, de transplante de córnea. Os autores destacam que pacientes costumam omitir esse uso, o que atrasa o diagnóstico [10].

Se alguém oferecer "aquele colírio que tira a dor na hora" para você levar para casa, recuse.


Quando é emergência {#quando-e-emergencia}

Figura 4 — Quatro sinais de perfuração ocular: pupila em gota, hemorragia subconjuntival em 360 graus, tecido escuro saindo pela ferida e teste de Seidel positivo.

Figura 4. Se qualquer um destes aparecer: não lave, não pingue nada, proteja o olho e vá ao pronto-socorro.

Sinais de que o olho pode estar perfurado

  • Pupila deformada, em formato de gota ou pera, apontando para algum lado
  • Tecido escuro aparecendo na ferida ou na superfície do olho
  • Hemorragia que toma todo o branco do olho (360°)
  • Líquido escorrendo do olho
  • Perda de visão, mesmo parcial
  • Objeto visivelmente espetado no olho
  • O olho parece "murcho" ou com formato alterado

O que fazer diante de qualquer um desses sinais

  1. Não lave, não pingue nada, não tente remover
  2. Não comprima o olho nem coloque gaze pressionando
  3. Proteja com escudo rígido — corte o fundo de um copo plástico e apoie na testa e no osso da face
  4. Não coma nem beba — pode ser necessária anestesia geral
  5. Não tome anti-inflamatório nem aspirina por conta própria
  6. Vá ao pronto-socorro oftalmológico imediatamente
  7. Se souber, informe qual material era e há quanto tempo

E se nenhum desses sinais estiver presente?

A ausência deles não descarta perfuração. É o ponto central deste artigo.

Numa lesão por metal em alta velocidade, o olho pode estar perfeitamente normal ao exame superficial. Só o exame com lâmpada de fenda, dilatação de pupila e, quando indicado, tomografia é capaz de descartar.


Metal: dois destinos muito diferentes

Figura 5 — Painel A: fragmento encravado na córnea com anel de ferrugem. Painel B: fragmento que atravessou a parede do olho e se alojou no vítreo, deixando orifício de entrada mínimo.

Figura 5. O mesmo acidente pode parar na córnea ou atravessar o olho. A dor não distingue os dois.

Trabalhadores da construção civil, soldadores, serralheiros, mecânicos e marceneiros formam o grupo de maior risco. E o problema com metal tem duas faces.

Destino 1: o fragmento para na córnea

O ferro em contato com a lágrima oxida rapidamente — às vezes em poucas horas. Forma-se um anel de ferrugem ao redor do ponto de entrada.

Essa ferrugem é tóxica para a córnea: mantém a inflamação, atrasa a cicatrização e, se ficar, deixa uma cicatriz permanente. Se estiver no eixo visual, essa cicatriz atrapalha a visão para sempre.

Por isso a remoção precisa acontecer no mesmo dia — e não basta tirar o fragmento, é preciso remover o anel de ferrugem também.

Destino 2: o fragmento atravessa o olho

Este é o cenário que o artigo anterior não cobria e que mais preocupa.

Martelar metal contra metal lança partículas em velocidade suficiente para perfurar o olho. O orifício é minúsculo, autosselante, quase não sangra. E o fragmento fica lá dentro.

Endoftalmite — infecção dentro do olho — é o risco imediato. Uma série publicada em Retina com 231 pacientes mostrou incidência de 13,6% de endoftalmite em corpos estranhos magnéticos de segmento posterior; com antibiótico intravítreo profilático no reparo primário, essa taxa caiu para 4,7% [5]. Outra série mostrou que, mesmo com remoção cirúrgica em até 24 horas, 3,7% desenvolveram endoftalmite pós-operatória [6].

Siderose bulbar: o dano que aparece anos depois

Se o fragmento de ferro fica dentro do olho, começa um processo lento e silencioso.

O ferro se dissolve nos tecidos oculares e gera radicais livres que destroem progressivamente os fotorreceptores da retina e o epitélio pigmentar. Isso se chama siderose bulbar.

Uma revisão publicada em Documenta Ophthalmologica descreve o quadro: pode surgir de 18 dias a vários anos após o trauma; a causa mais comum é justamente o diagnóstico perdido ou a apresentação tardia; e os sinais incluem heterocromia da íris (um olho muda de cor), pupila dilatada, catarata e degeneração pigmentar da retina que imita retinose pigmentar. As alterações no eletrorretinograma aparecem antes dos sinais clínicos [8].

É isso que está em jogo quando alguém decide "esperar para ver" depois de martelar metal.


Como é a consulta

Figura 6 — Três padrões de coloração com fluoresceína sob luz azul: abrasão puntiforme difusa, riscos lineares verticais indicando corpo estranho sob a pálpebra, e leito com anel de ferrugem.

Figura 6. O desenho da lesão conta o que aconteceu.

1. Anamnese dirigida. A primeira pergunta não é sobre o sintoma, é sobre o mecanismo: o que você estava fazendo, com que material, usava proteção, há quanto tempo.

2. Medida da visão. Antes de qualquer manipulação, por razões clínicas e também legais.

3. Colírio anestésico. A dor desaparece em segundos e permite o exame. É usado uma vez, no consultório.

4. Fluoresceína. Um corante amarelo que adere apenas onde o epitélio da córnea foi perdido. Sob luz azul, essas áreas brilham em verde. O padrão desenha a história:

  • Pontos espalhados → abrasão superficial difusa, típica de poeira ou areia
  • Riscos lineares verticais → há algo sob a pálpebra superior, arrastando a cada piscada
  • Leito único com halo alaranjado → corpo estranho metálico com anel de ferrugem

5. Lâmpada de fenda. Um microscópio que examina o olho em camadas, localiza o objeto e avalia sua profundidade.

6. Eversão da pálpebra. Feita de rotina, mesmo que o objeto já tenha sido encontrado. Corpos estranhos múltiplos são comuns.

7. Remoção. Com agulha fina ou espátula, sob visão microscópica. Se houver ferrugem, uma pequena broca oftalmológica remove o anel.

8. Fundo de olho. Quando o mecanismo levanta suspeita de penetração, a pupila é dilatada e a retina examinada.

9. Medicação e retorno. Antibiótico tópico enquanto o epitélio cicatriza, lubrificante, e retorno em 24 a 48 horas.

Sobre analgesia, a evidência é modesta: uma revisão Cochrane com nove ensaios e 637 participantes encontrou que os anti-inflamatórios tópicos reduzem a necessidade de analgésico oral (risco relativo 0,46), mas com evidência de baixa certeza e a ressalva de que custam bem mais que analgésico comum por via oral [2].


Quando é preciso fazer tomografia

Quando há suspeita de corpo estranho intraocular, o exame de imagem indicado é a tomografia computadorizada de órbitas com cortes finos.

Dois pontos que todo paciente e todo médico não oftalmologista deveriam saber:

A ressonância magnética é contraindicada enquanto houver suspeita de fragmento metálico. O campo magnético pode deslocar o metal dentro do olho e causar dano catastrófico.

Uma tomografia negativa não descarta corpo estranho intraocular. Uma revisão sistemática publicada no British Journal of Ophthalmology em 2026, com 11 estudos e 1.126 pacientes, encontrou sensibilidade de 74% da tomografia para detectar globo aberto e de apenas 69% para detectar corpo estranho intraocular, usando o achado cirúrgico como padrão-ouro. Os autores são explícitos: a tomografia não substitui a avaliação clínica pelo oftalmologista [3]. Uma metanálise em Emergency Radiology com 937 pacientes chegou a números próximos — sensibilidade de 75% e especificidade de 83% [4].

Traduzindo: se você martelou metal e a tomografia veio normal, isso ajuda, mas não encerra o assunto. O exame oftalmológico completo continua necessário.

O ultrassom ocular também detecta fragmentos, mas exige cautela: a pressão da sonda sobre um olho perfurado pode extravasar conteúdo intraocular.


Olho arranhando depois que o cisco saiu

Mesmo depois que o objeto sai, o incômodo pode continuar. Isso é esperado: ficou uma abrasão de córnea — popularmente, um arranhão no olho ou um machucado no olho —, uma área onde o revestimento da córnea foi raspado.

É por isso que tanta gente diz "tirei o cisco mas o olho continua arranhando". O cisco saiu; a marca que ele deixou, não.

Prazo típico: abrasões pequenas fecham em 24 a 48 horas. Maiores podem levar de 3 a 5 dias. No braço controle de um dos ensaios da revisão Cochrane, nove em cada dez abrasões estavam cicatrizadas em 24 horas, e todas em 48 [2].

O que é normal nesse período: sensação residual de areia, lacrimejamento, incômodo com a luz, visão levemente embaçada.

O que não é normal e exige retorno: dor que aumenta em vez de diminuir, secreção purulenta, mancha branca sobre a córnea, piora da visão, vermelhidão que se intensifica. Esses sinais sugerem infecção.

Erosão recorrente de córnea

Uma sequela pouco conhecida e bastante incômoda. Semanas ou meses depois de uma abrasão aparentemente curada, a pessoa acorda com dor súbita e intensa — o epitélio que cicatrizou frouxamente descolou ao abrir os olhos.

Costuma acontecer ao acordar, porque durante o sono a pálpebra adere ao epitélio frágil. O tratamento envolve lubrificação intensa e pomada à noite por meses. Vale mencionar ao seu oftalmologista se você já teve uma abrasão no passado.


Se você usa lente de contato

O cenário muda em alguns pontos importantes.

Retire a lente antes de qualquer coisa, e não recoloque até a alta.

Nunca use curativo oclusivo. Usuários de lente têm risco aumentado de infecção por Pseudomonas aeruginosa, uma bactéria agressiva que pode perfurar a córnea em 24 a 48 horas. Ocluir o olho cria o ambiente ideal para ela.

A cobertura antibiótica é diferente, com colírios específicos contra Pseudomonas.

O limiar para procurar atendimento é mais baixo. Se você usa lente e sentiu algo no olho, não espere para ver se melhora.

Há também um diagnóstico diferencial simples que resolve muitos sustos: a lente pode ter deslocado e estar dobrada sob a pálpebra superior. A sensação é idêntica à de um cisco.


Criança com cisco no olho

Crianças representam um desafio próprio: não descrevem bem o sintoma, não colaboram com o exame e às vezes não contam o que aconteceu.

Sinais indiretos: piscar excessivo, manter um olho fechado, lacrimejamento persistente de um lado só, esfregar sempre o mesmo olho, evitar a luz, irritabilidade sem causa.

O que fazer: lavar com soro em ambiente calmo, com a criança deitada. Se não resolver, levar ao oftalmologista — a tentativa de segurar a criança à força costuma piorar tudo.

Quando é urgente: brinquedo pontiagudo, lápis, tesoura, estilhaço, fogos de artifício. O estudo do Zhongshan Ophthalmic Center com 484 crianças com corpo estranho intraocular encontrou os fogos de artifício como causa mais comum (28,5%), e endoftalmite em 24% dos casos [7]. Em crianças de 13 a 17 anos, o respingo de metal foi o mecanismo dominante.


Respingo químico é outra coisa

Se o que entrou no olho foi produto químico — soda cáustica, cal, cimento, água sanitária, desentupidor, ácido de bateria, amônia —, esqueça tudo o que foi dito acima.

Lave imediatamente, por pelo menos 20 a 30 minutos, antes de sair de casa. Água corrente, torneira, chuveiro, mangueira: o que estiver disponível. Cada segundo conta, e o tempo de lavagem tem impacto direto no resultado final.

Só depois vá ao pronto-socorro — e leve a embalagem do produto.

Álcalis são piores que ácidos. Cal, cimento e soda cáustica penetram profundamente e continuam causando dano por horas. Cimento é especialmente traiçoeiro porque forma grumos que ficam presos sob a pálpebra e seguem liberando álcali.


Trabalho: CAT, EPI e seus direitos

Se o acidente aconteceu no trabalho, existem consequências práticas que raramente são explicadas.

Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT)

A CAT deve ser emitida pelo empregador até o primeiro dia útil seguinte ao acidente — e imediatamente, em caso de óbito. Se a empresa não emitir, a comunicação pode ser feita pelo próprio trabalhador, por dependente, pelo sindicato, pelo médico assistente ou por autoridade pública.

Emitir a CAT importa mesmo quando o afastamento é curto. Ela registra o nexo entre a lesão e o trabalho — e é isso que sustenta qualquer direito futuro, inclusive se aparecer uma sequela meses depois.

Peça ao oftalmologista o relatório médico com diagnóstico, CID e descrição do mecanismo. Guarde cópia de tudo.

Equipamento de proteção individual

A NR-6 obriga o empregador a fornecer EPI adequado, gratuitamente, em perfeito estado, e a treinar o trabalhador para usá-lo.

Nem todo óculos serve para toda tarefa:

Tarefa Proteção adequada
Esmerilhar, lixar, cortar metal Óculos de segurança com proteção lateral — idealmente sobreposto por protetor facial
Martelar, talhar Óculos de segurança com proteção lateral
Soldar Máscara de solda com filtro adequado ao processo
Manipular químicos Ampla visão vedado, não óculos de hastes
Jardinagem, roçadeira Óculos de segurança ou protetor facial
Marcenaria Óculos de segurança com proteção lateral

Óculos de grau comum não são EPI. A lente pode estilhaçar e virar parte do problema.

O dado que resume o problema: um estudo com trabalhadores da construção civil publicado em 2026 encontrou que 99,2% sabiam que o trabalho podia causar lesão ocular, mas a adesão à proteção era baixa. O fator mais associado ao uso foi ter sofrido uma lesão anterior — razão de chances de 3,89 [11]. Outro estudo com 1.236 trabalhadores encontrou que 38,3% já haviam tido lesão ocular no trabalho e 68,3% nunca usavam proteção [12].

Ou seja: quase todo mundo sabe do risco, e quase ninguém se protege até se machucar.


Prevenção

  • Use óculos de proteção adequados à tarefa — não os que estiverem à mão
  • Proteção lateral não é luxo. Boa parte dos fragmentos entra pelas laterais
  • Troque o óculos riscado. Visão ruim leva a levantar o óculos "só um instante" — que é quando o acidente acontece
  • Jardinagem também conta. Roçadeira e cortador de grama lançam pedras e fragmentos vegetais em alta velocidade
  • Fogos de artifício: nunca com crianças por perto, nunca sem proteção
  • Ao pedalar ou andar de moto, óculos ou viseira
  • Na praia e em dias de vento, óculos de sol funcionam como barreira física
  • Não coce os olhos com as mãos sujas. Boa parte dos "ciscos" é introduzida pela própria pessoa

Onde tratar em São Paulo

O Instituto Drudi e Almeida mantém cinco unidades na Grande São Paulo — Santana, Tatuapé, Lapa, São Miguel Paulista e Guarulhos — com lâmpada de fenda, material para remoção de corpo estranho e broca para anel de ferrugem.

Casos com suspeita de corpo estranho intraocular ou perfuração contam com a retaguarda do MIRA Hospital Oftalmológico, com estrutura de vitrectomia.

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Perguntas frequentes

Cisco no olho: como tirar em casa?

Lave as mãos, retire lentes de contato, pisque bastante e lave o olho com soro fisiológico ou água limpa por 5 a 10 minutos, com a cabeça inclinada para o lado. Se não sair, vire a pálpebra superior e procure. Nunca esfregue e nunca use pinça ou objeto pontiagudo. Se o acidente envolveu metal em alta velocidade, não lave — vá ao pronto-socorro.

Cisco no olho pode cegar?

Um cisco comum de poeira ou areia, não. O risco vem de três situações: infecção após arranhão profundo, cicatriz permanente no eixo visual (típica de ferrugem não removida) e fragmento que atravessou o olho. Nessa última, o dano pode aparecer anos depois na forma de siderose bulbar [8].

Quanto tempo dura um cisco no olho?

Ciscos superficiais saem em minutos com lavagem. Se persistir mais de algumas horas apesar da lavagem correta, provavelmente está preso sob a pálpebra ou encravado na córnea — e não vai sair sozinho. Após a remoção, a abrasão costuma cicatrizar em 24 a 48 horas.

Machucado no olho: quanto tempo demora para sarar?

Depende da profundidade. Um machucado superficial na córnea — abrasão — fecha em 24 a 48 horas; os maiores levam de 3 a 5 dias. Machucados que atingem camadas mais profundas podem deixar cicatriz e demoram semanas. Machucado no branco do olho (conjuntiva) costuma cicatrizar rápido, mas exige checagem para descartar perfuração por baixo.

Cisco no olho sai sozinho?

Os superficiais sim — poeira, cílio, fiapo saem em minutos com a lágrima, piscando e lavando. Os que estão presos sob a pálpebra superior ou encravados na córnea não saem, por mais que você lave. Se o incômodo persiste depois de 5 a 10 minutos de lavagem correta, pare de lavar e procure um oftalmologista.

Dormi com cisco no olho, é grave?

Geralmente não, mas piora o desconforto: durante a noite a pálpebra arrasta o objeto repetidamente sobre a córnea. Ao acordar é comum haver mais dor e vermelhidão do que na véspera. Lave e, se não resolver, procure atendimento no mesmo dia.

Sinto um cisco no olho mas não tem nada. O que pode ser?

Situação frequente. As causas mais comuns são: uma abrasão de córnea que ficou depois que o cisco já saiu; olho seco; um objeto sob a pálpebra superior que ninguém virou para procurar; triquíase (cílio crescendo para dentro); ou lente de contato deslocada. Todas exigem exame para diferenciar.

Qual o CID de corpo estranho no olho?

T15.0 para córnea, T15.1 para saco conjuntival, T15.9 quando não especificado. Se o objeto penetrou o globo ocular, o código é S05.5 — situação bem mais grave.

Posso usar colírio anestésico em casa?

Não. O uso repetido de anestésico tópico impede a cicatrização e pode destruir a córnea. Há casos publicados de pacientes que precisaram de transplante de membrana amniótica e de córnea após usar esses colírios por conta própria [10]. Se alguém oferecer, recuse.

Preciso tapar o olho depois de tirar o cisco?

Não em abrasões simples. Uma revisão Cochrane com 12 ensaios e 1.080 participantes mostrou que o curativo não acelera a cicatrização nem reduz a dor [1]. A exceção é a suspeita de perfuração, quando o olho deve ser protegido com escudo rígido — que é blindagem, não curativo.

Lasca de metal no olho: preciso ir ao médico no mesmo dia?

Sim, sempre. Dois motivos: o ferro oxida em horas e o anel de ferrugem precisa ser removido; e é preciso descartar que o fragmento tenha atravessado o olho. Não espere passar.

Fiz tomografia e não apareceu nada. Estou liberado?

Não necessariamente. A tomografia tem sensibilidade de cerca de 69% para corpo estranho intraocular — ou seja, deixa passar aproximadamente um em cada três casos [3]. O exame oftalmológico completo, com dilatação da pupila, continua indispensável.

O que é anel de ferrugem?

Quando um fragmento de ferro fica na córnea, ele oxida em contato com a lágrima e deixa um halo alaranjado ao redor. Essa ferrugem é tóxica, mantém a inflamação e, se não for removida, vira cicatriz permanente. É retirada com uma pequena broca oftalmológica, sob anestesia tópica.

A remoção dói?

Não. O olho é anestesiado com colírio e o procedimento leva poucos minutos. Nas horas seguintes, quando o anestésico passa, volta o desconforto da abrasão — que é tratado com analgésico comum e melhora em um a dois dias.

Sensação de areia no olho depois da cirurgia de catarata é normal?

Sim, é comum nos primeiros dias e melhora em uma a duas semanas com lubrificante. As microincisões da córnea cicatrizam e o olho fica temporariamente seco. Mas dor forte, piora da visão, vermelhidão intensa ou secreção não são esperados — nesses casos, ligue para o seu cirurgião no mesmo dia.

Posso usar lente de contato depois?

Só após a alta do oftalmologista, com a córnea completamente cicatrizada. Usar antes aumenta muito o risco de infecção, especialmente por Pseudomonas.

É acidente de trabalho. O que eu faço?

Comunique à empresa e exija a emissão da CAT, que deve ocorrer até o primeiro dia útil seguinte. Se a empresa não emitir, você mesmo, um dependente, o sindicato, o médico assistente ou autoridade pública podem fazê-lo. Peça relatório médico com diagnóstico, CID e descrição do mecanismo, e guarde cópias.


Referências

  1. Lim CHL, Turner A, Lim BX. Patching for corneal abrasion. Cochrane Database Syst Rev. 2016;7(7):CD004764. doi:10.1002/14651858.CD004764.pub3

  2. Wakai A, Lawrenson JG, Lawrenson AL, et al. Topical non-steroidal anti-inflammatory drugs for analgesia in traumatic corneal abrasions. Cochrane Database Syst Rev. 2017;5(5):CD009781. doi:10.1002/14651858.CD009781.pub2

  3. Mair J, Bush L, Halliday S, et al. Use of preoperative imaging in open globe injury management: a systematic review. Br J Ophthalmol. 2026;110(7):842-848. doi:10.1136/bjo-2025-327387

  4. Foroughi E, Fathi M, Pourazizi M, et al. Diagnostic assessment of computed tomography (CT) in open globe injuries: a systematic review and meta-analysis. Emerg Radiol. 2025;32(5):785-796. doi:10.1007/s10140-025-02368-9

  5. Wen Y, Wang T, Liu L, et al. Magnetic intraocular foreign body injuries: intravitreal antibiotic prophylaxis, endophthalmitis risk and prognostic factors. Retina. 2026;46(7):1290-1297. doi:10.1097/IAE.0000000000004808

  6. Zhu W, Tian J, Lu X, et al. Incidence and risk factors of postoperative endophthalmitis after primary surgical repair combined with intraocular foreign body removal. Retina. 2022;42(6):1144-1150. doi:10.1097/IAE.0000000000003440

  7. Yang Y, Yang C, Zhao R, et al. Intraocular foreign body injury in children: clinical characteristics and factors associated with endophthalmitis. Br J Ophthalmol. 2020;104(6):780-784. doi:10.1136/bjophthalmol-2019-314913

  8. Casini G, Sartini F, Loiudice P, Benini G, Menchini M. Ocular siderosis: a misdiagnosed cause of visual loss due to ferrous intraocular foreign bodies — epidemiology, pathogenesis, clinical signs, imaging and available treatment options. Doc Ophthalmol. 2020;142(2):133-152. doi:10.1007/s10633-020-09792-x

  9. Temkar S, Mukhija R, Venkatesh P, Chawla R. Pseudo retinitis pigmentosa in a case of missed intraocular foreign body. BMJ Case Rep. 2017;2017:bcr2017220385. doi:10.1136/bcr-2017-220385

  10. Sharma S, Nagpal V, Dandekar P, Murthy SI. Bilateral topical anaesthetic abuse keratopathy. BMJ Case Rep. 2025;18(5):e264619. doi:10.1136/bcr-2024-264619

  11. Pattebahadur R, Singh K, Snehi S, Panjwani P, Iyer V. Assessing awareness, protective eyewear utilization, and associated factors among construction workers. Cureus. 2026;18(6):e111254. doi:10.7759/cureus.111254

  12. Limbu B, Moore G, Marvasti AH, Poole ME, Saiju R. Work related ocular injury. Nepal J Ophthalmol. 2018;10(19):47-56. doi:10.3126/nepjoph.v10i1.21689

  13. Baradad-Jurjo MC, Planas-Domenech N, Barnils-Garcia N, López-López M, Martí-Huguet T. Topical anesthetic abuse keratopathy in a contact lens wearer. J Fr Ophtalmol. 2022;45(1):154-156. doi:10.1016/j.jfo.2021.06.013

  14. Minhaz AT, Orge FH, Wilson DL, Bayat M. Assessment of intraocular foreign body using high resolution 3D ultrasound imaging. Sci Rep. 2024;14(1):12011. doi:10.1038/s41598-024-62362-y

  15. American Academy of Ophthalmology. Eye Trauma and Ocular Emergencies — Preferred Practice Pattern. aao.org

  16. Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). cbo.net.br

  17. Ministério do Trabalho e Emprego. Norma Regulamentadora nº 6 — Equipamento de Proteção Individual. gov.br


Revisão médica. Conteúdo escrito e revisado por Dr. Fernando Macei Drudi, CRM-SP 139.300 · RQE 50.645. Revisão adicional por Dra. Priscilla Rodrigues de Almeida, CRM-SP 148.173 · RQE 59.216 — Córnea e Doenças Externas. Última revisão médica: 6 de agosto de 2026. Consulte nossa Política Editorial.

Aviso importante. Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico oftalmologista. Em caso de trauma ocular, procure atendimento médico especializado imediatamente.

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