Seg–Sex: 8h–18h  |  Sáb: 8h–12h
saude-ocular

Síndrome do Olho Seco: Causas, Sintomas, Diagnóstico e Tratamento

Publicado em 05 de agosto de 2026 Atualizado em 21 de agosto de 2026 Revisão médica: 08 de agosto de 2026 20 min de leitura Dra. Priscilla Rodrigues de Almeida
Síndrome do Olho Seco: Causas, Diagnóstico e Tratamento — ilustração médica — Instituto Drudi e Almeida Oftalmologia
Dra. Priscilla Rodrigues de Almeida
Autor Médico
Dra. Priscilla Rodrigues de Almeida
CRM-SP 148.173 | RQE 59.216

Resumo em linguagem simples

Este artigo explica de forma acessível o que é síndrome do olho seco: causas, sintomas, diagnóstico e tratamento, incluindo causas, sintomas, diagnóstico e opções de tratamento disponíveis no Insti...

CID-10: H04.1 — Outros transtornos da glândula lacrimal
Resposta rápida: a síndrome do olho seco (ou doença do olho seco) é uma condição crônica e multifatorial em que a lágrima é produzida em quantidade insuficiente ou evapora rápido demais. Os sintomas típicos são sensação de areia no olho, ardência, vermelhidão, visão embaçada que melhora ao piscar e — parece contraditório — lacrimejamento em excesso. O diagnóstico combina questionários de sintomas com exames do filme lacrimal, e o tratamento é feito em etapas: começa com lágrimas artificiais sem conservantes e higiene das pálpebras e avança, quando necessário, para anti-inflamatórios, plugs lacrimais, soro autólogo e outros recursos. Não costuma ter cura definitiva, mas tem controle — e quanto antes se trata, mais fácil é quebrar o ciclo da doença.

O que é a síndrome do olho seco?

A síndrome do olho seco — que muitos pacientes descrevem como "olho ressecado" — é uma das condições mais comuns em consultórios de oftalmologia no mundo todo. Segundo o consenso internacional TFOS DEWS III, publicado em 2025, trata-se de uma doença multifatorial da superfície ocular na qual a perda do equilíbrio (homeostase) do filme lacrimal gera sintomas de desconforto e alterações visuais, com participação central da instabilidade da lágrima e da inflamação (TFOS DEWS III Digest, 2025).

Em linguagem simples: a lágrima deixa de proteger o olho como deveria — por falta de volume, por má qualidade ou pelas duas coisas — e a superfície ocular fica irritada, inflamada e sensível.

Longe de ser um mero incômodo, o olho seco não tratado prejudica a qualidade de vida, atrapalha a leitura, o trabalho em telas e a direção noturna, e pode danificar a córnea nos casos mais graves.

A lágrima não é só água: as três camadas do filme lacrimal

Diagrama das três camadas do filme lacrimal sobre a córnea: camada lipídica externa, produzida pelas glândulas de Meibomius, que impede a evaporação; camada aquosa intermediária, produzida pela glândula lacrimal, que nutre e protege; e camada de mucina interna, que fixa a lágrima na superfície do olho. Para cada camada, a consequência da sua falha.
O que cada camada faz — e o que acontece quando ela falha.

O filme lacrimal é uma estrutura sofisticada, com três camadas que trabalham juntas:

  • Camada lipídica (externa): um filme de óleo produzido pelas glândulas de Meibomius, localizadas nas bordas das pálpebras. Sua função é impedir a evaporação da lágrima. Quando essas glândulas entopem ou inflamam, surge o olho seco evaporativo — o tipo mais comum.
  • Camada aquosa (intermediária): produzida pela glândula lacrimal, nutre, limpa e protege a córnea. Sua redução caracteriza o olho seco por deficiência aquosa, como ocorre na síndrome de Sjögren.
  • Camada de mucina (interna): produzida por células da conjuntiva, "ancora" a lágrima na superfície do olho. Quando falha, a lágrima não adere à córnea, mesmo sendo produzida em quantidade normal.

Os dois tipos de olho seco

Comparativo entre os dois tipos de olho seco: aquoso-deficiente, em que o olho produz pouca lágrima (Sjögren e doenças autoimunes, idade e alterações hormonais, medicamentos; pista: teste de Schirmer baixo), e evaporativo, em que a lágrima evapora rápido demais (disfunção das glândulas de Meibomius, telas, ar-condicionado e clima seco; pista: BUT curto). As formas mistas são comuns.
Pouca lágrima ou lágrima que evapora — a distinção que define o tratamento.
  • Olho seco aquoso-deficiente: o olho produz pouca lágrima. As principais causas são a síndrome de Sjögren e outras doenças autoimunes, o envelhecimento das glândulas lacrimais e o efeito de medicamentos.
  • Olho seco evaporativo: a lágrima existe, mas evapora rápido demais — quase sempre por disfunção das glândulas de Meibomius (DGM), a causa mais comum de olho seco no mundo.

Na prática, as formas mistas são frequentes: muitos pacientes têm um pouco dos dois mecanismos. Por isso o exame clínico detalhado importa tanto — ele define para onde o tratamento deve mirar.

Causas e fatores de risco

  • Disfunção das glândulas de Meibomius (DGM): blefarite e obstrução das glândulas produtoras do óleo lacrimal. É a causa número um do olho seco evaporativo.
  • Uso intenso de telas: ao fixar o olhar em computador, celular ou tablet, a frequência do piscar cai drasticamente — estudos mostram redução de até 60%. Piscar menos significa espalhar menos a lágrima e deixá-la evaporar.
  • Idade e alterações hormonais: a produção lacrimal diminui com os anos; mulheres na menopausa são particularmente afetadas pelas mudanças hormonais.
  • Doenças autoimunes: síndrome de Sjögren, artrite reumatoide, lúpus e doenças da tireoide podem comprometer as glândulas lacrimais e causar olho seco significativo.
  • Medicamentos: antialérgicos, antidepressivos, ansiolíticos, betabloqueadores, diuréticos e isotretinoína (usada para acne) estão entre os que mais ressecam os olhos.
  • Ambiente: ar-condicionado, vento, clima seco, fumaça e poluição aceleram a evaporação da lágrima.
  • Lentes de contato: o uso prolongado altera a estabilidade do filme lacrimal e reduz a sensibilidade da córnea.
  • Cirurgias oculares: procedimentos como a cirurgia refrativa e a de catarata podem causar ou agravar temporariamente o olho seco no pós-operatório.

Sintomas: como o olho seco se manifesta

  • Sensação de areia no olho — a queixa clássica: parece haver um cisco permanente que não sai. (Se a sensação surgiu de repente, em um olho só, após vento ou atividade ao ar livre, pode ser de fato um corpo estranho — situação diferente, que exige avaliação.)
  • Ardência e queimação, pior no fim do dia e após uso de telas.
  • Olho vermelho pela inflamação da superfície ocular.
  • Visão embaçada flutuante, que melhora temporariamente ao piscar — sinal típico de filme lacrimal instável.
  • Lacrimejamento excessivo — o paradoxo do olho seco: a córnea irritada dispara um "banho" de lágrima reflexa, aquosa e de má qualidade, que escorre sem resolver o ressecamento.
  • Sensibilidade à luz (fotofobia) — a córnea desprotegida reage à claridade. Entenda o mecanismo no nosso artigo sobre fotofobia.
  • Intolerância às lentes de contato, que passam a incomodar cada vez mais cedo no dia.

Por que o olho seco vira um ciclo vicioso

Diagrama circular do ciclo vicioso do olho seco: o filme lacrimal instável leva ao ressecamento da superfície, que gera inflamação crônica, que causa dano às células da córnea, que torna o filme lacrimal ainda mais instável — e o ciclo recomeça.
Cada volta do ciclo piora a anterior — por isso o olho seco tende a se agravar sem tratamento.

O ponto central da doença — e o motivo pelo qual ela não deve ser negligenciada — é o seu caráter autoalimentado: o filme lacrimal instável resseca a superfície; o ressecamento inflama; a inflamação danifica as células que produzem os componentes da lágrima; e o filme fica ainda mais instável. O objetivo de todo o tratamento moderno é quebrar esse ciclo — lubrificando, tratando a inflamação e protegendo a superfície ocular (TFOS DEWS III Management and Therapy, 2025).

Qual é o CID do olho seco?

Na CID-10, a síndrome do olho seco é classificada em H04.1 — Outros transtornos da glândula lacrimal, código que engloba a síndrome do olho seco e a hipossecreção lacrimal. É o CID que costuma constar em receitas, guias de convênio e relatórios.

Dois códigos relacionados aparecem em situações específicas: H19.3 (ceratoconjuntivite seca) quando há acometimento corneano em doenças sistêmicas, e M35.0 (síndrome seca de Sjögren) quando o olho seco faz parte dessa doença autoimune.

Como o olho seco é diagnosticado

O consenso TFOS DEWS III padronizou o caminho diagnóstico: sintomas medidos por questionário + pelo menos um sinal objetivo de alteração do filme lacrimal (TFOS DEWS III Diagnostic Methodology, 2025). No Instituto Drudi e Almeida, a avaliação inclui:

Quatro cartões com os exames do olho seco: tempo de ruptura do filme lacrimal (BUT), que mede a qualidade; teste de Schirmer, que mede a quantidade; osmolaridade lacrimal, disponível no Instituto, que mede a concentração da lágrima; e meibografia, que fotografa as glândulas de Meibomius.
Os exames que medem quantidade, qualidade e concentração da lágrima.
  • Questionários padronizados de sintomas, que quantificam o desconforto e permitem acompanhar a resposta ao tratamento.
  • Biomicroscopia (lâmpada de fenda): avalia a margem das pálpebras (procurando blefarite e sinais de DGM), a conjuntiva e a córnea. Corantes vitais como a fluoresceína e a lissamina verde revelam áreas de ressecamento e microlesões.
  • Tempo de ruptura do filme lacrimal (BUT): mede em quantos segundos a lágrima "rompe" entre um piscar e outro — avalia a qualidade. Valores curtos apontam para o componente evaporativo.
  • Teste de Schirmer: uma fita de papel milimetrada fica na pálpebra por 5 minutos e mede o volume produzido — avalia a quantidade. Valores baixos apontam para deficiência aquosa.
  • Osmolaridade lacrimal: mede a concentração da lágrima — quando o olho está seco, a lágrima fica "mais salgada" (hiperosmolar). É um dos critérios objetivos do DEWS III e um exame rápido e indolor, disponível no Instituto.
  • Meibografia: exame de imagem que fotografa as glândulas de Meibomius, usado em casos selecionados em centros especializados para mapear a extensão da DGM.

Tratamento: uma escada de etapas, não uma lista de colírios

O erro mais comum no manejo do olho seco é tratá-lo como um problema único, com um colírio qualquer. As diretrizes internacionais organizam o tratamento em etapas progressivas — só se avança quando a etapa anterior não controla os sintomas (TFOS DEWS III Management and Therapy, 2025).

Escada terapêutica do olho seco em quatro etapas, segundo o TFOS DEWS III: etapa 1 com lágrimas artificiais sem conservantes, higiene palpebral, compressas mornas e ajuste de ambiente; etapa 2 com anti-inflamatórios tópicos, ciclosporina, plugs lacrimais e luz pulsada; etapa 3 com soro autólogo, lentes esclerais e secretagogos; etapa 4 com medidas para casos refratários.
A escada terapêutica do olho seco — começa simples e avança conforme a necessidade.

Etapa 1 — a base, para todos os pacientes

  • Lágrimas artificiais, preferencialmente sem conservantes quando o uso passa de 4 vezes ao dia — o conservante, em uso frequente, irrita a superfície que se quer tratar. Géis e pomadas lubrificantes ajudam à noite.
  • Higiene palpebral e compressas mornas: na DGM, o calor (5 a 10 minutos) amolece o óleo endurecido das glândulas; a massagem suave e a limpeza da borda dos cílios completam o cuidado.
  • Ajuste de ambiente e hábitos: pausas nas telas, umidificação do ar, revisão de medicamentos com efeito ressecante (junto ao médico que os prescreveu).

Etapa 2 — quando a base não basta

  • Anti-inflamatórios tópicos: o olho seco é uma doença inflamatória. A ciclosporina tópica — que prescrevemos tanto na apresentação comercial quanto manipulada, conforme o caso — trata a inflamação de base e melhora a produção lacrimal com o uso contínuo. Cursos curtos de corticoide tópico podem ser usados nas crises, sempre sob supervisão.
  • Plugs lacrimais: pequenos tampões inseridos nos pontos de drenagem da lágrima, no canto das pálpebras, para mantê-la mais tempo sobre o olho. Procedimento rápido, feito em consultório, realizado no Instituto.
  • Luz intensa pulsada (IPL): aplicada na região das pálpebras, reduz a inflamação e melhora a função das glândulas de Meibomius nos casos de DGM; meta-análises recentes mostram benefício em sintomas e sinais (revisão sistemática, 2025). É uma tecnologia em implantação no Instituto — em breve disponível para nossos pacientes.

Etapa 3 — casos moderados a graves

  • Colírio de soro autólogo: produzido a partir do sangue do próprio paciente, rico em fatores de crescimento que regeneram a superfície ocular. Utilizamos no Instituto em casos selecionados.
  • Lentes esclerais: lentes rígidas de grande diâmetro que se apoiam na esclera (parte branca), sem tocar a córnea, criando um reservatório contínuo de líquido sobre ela. Adaptamos na clínica para olho seco severo e outras doenças da superfície.
  • Secretagogos e outras medicações que estimulam a produção lacrimal, conforme disponibilidade e indicação.

Etapa 4 — casos refratários

Para a minoria que não responde às etapas anteriores: oclusão definitiva dos pontos lacrimais, cirurgias palpebrais e outras medidas especializadas, avaliadas caso a caso.

E o ômega-3? A resposta honesta

Durante anos os suplementos de ômega-3 foram recomendados quase automaticamente para olho seco. O maior e mais rigoroso estudo já feito sobre o tema — o ensaio clínico DREAM, publicado no New England Journal of Medicine com 535 pacientes — não mostrou vantagem do ômega-3 sobre o placebo na melhora dos sintomas e sinais (Asbell et al., 2018).

Isso não significa que o ômega-3 faça mal — significa que ele não substitui o tratamento e que não vale investir em suplementos caros esperando resolver o olho seco. Uma alimentação equilibrada e boa hidratação seguem valendo para a saúde geral; a decisão sobre suplementar deve ser individualizada com seu médico.

Rotina diária: o tratamento que acontece em casa

Quatro cartões com a rotina diária contra o olho seco: regra 20-20-20 nas telas; compressa morna de 5 a 10 minutos seguida de massagem; higiene diária das pálpebras; e ajuste do ambiente com umidificador, evitando ar-condicionado e ventilador no rosto. Nota sobre o ômega-3: o estudo DREAM não mostrou vantagem sobre placebo.
Medidas simples que fazem parte do tratamento — todos os dias.
  • Regra 20-20-20: a cada 20 minutos de tela, olhe para algo a 6 metros (20 pés) por 20 segundos — e pisque de verdade, fechando completamente os olhos.
  • Compressa morna + massagem: 5 a 10 minutos por dia, especialmente em quem tem DGM.
  • Higiene das pálpebras: limpeza diária da borda dos cílios com produto específico.
  • Ambiente: umidificador de ar; evite ventilador e ar-condicionado soprando no rosto; use óculos com proteção lateral em dias de vento.

Casos especiais

  • Síndrome de Sjögren: quando o olho seco é intenso, começa cedo ou vem acompanhado de boca seca e dores articulares, investigamos doença autoimune. Nesses casos, encaminhamos o paciente a reumatologista parceiro e conduzimos o tratamento ocular em conjunto.
  • Antes e depois de cirurgias oculares: o olho seco não diagnosticado é uma das principais causas de insatisfação após cirurgia refrativa e de catarata — por isso avaliamos e tratamos a superfície ocular antes de operar.
  • Usuários de lentes de contato: ajuste do material e do tempo de uso, lubrificação compatível e, quando necessário, pausa programada das lentes durante o tratamento.

Onde tratar o olho seco em São Paulo

O Instituto Drudi e Almeida oferece avaliação completa da superfície ocular — incluindo osmolaridade lacrimal, plugs lacrimais, soro autólogo e adaptação de lentes esclerais — em 5 unidades na Grande São Paulo: Santana, Tatuapé, Lapa, São Miguel Paulista e Guarulhos. A condução é feita pela equipe de córnea e superfície ocular, liderada pela Dra. Priscilla Rodrigues de Almeida.

Perguntas Frequentes (FAQ)

A síndrome do olho seco tem cura?

Na maioria dos casos é uma condição crônica, sem cura definitiva — mas com controle muito bom quando o tratamento é dirigido ao mecanismo certo (falta de lágrima ou evaporação). Muitos pacientes ficam sem sintomas seguindo a rotina de cuidados e o tratamento de manutenção.

Por que meu olho lacrimeja tanto se ele é "seco"?

É o lacrimejamento reflexo: a córnea ressecada e irritada dispara um sinal de socorro, e o olho responde com um jato de lágrima aquosa, sem a camada de óleo. Essa lágrima de má qualidade escorre e evapora sem resolver o problema — e o ciclo recomeça. Lacrimejar muito, paradoxalmente, é um sintoma clássico de olho seco.

Posso usar colírio tipo Moura Brasil para olho seco?

Não é recomendado. Colírios que "clareiam" o olho contêm vasoconstritores: eles disfarçam a vermelhidão, mas não lubrificam, e o uso contínuo causa efeito rebote — o olho volta ainda mais vermelho. O correto são as lágrimas artificiais, de preferência sem conservantes.

Qual é o melhor colírio para olho seco?

Não existe um único "melhor": depende do tipo do seu olho seco. Lágrimas mais aquosas ajudam na deficiência de volume; as com componente lipídico, no olho seco evaporativo; e casos inflamatórios pedem medicações como a ciclosporina — que exigem receita. Por isso a resposta certa começa no exame, não na prateleira da farmácia.

O uso de telas causa olho seco?

As telas são o grande agravante moderno: ao fixar o olhar, piscamos até 60% menos, a lágrima não se espalha e evapora. Em quem já tem predisposição, o uso intenso de telas transforma um desconforto ocasional em sintoma diário. A regra 20-20-20 e as pausas conscientes fazem parte do tratamento.

Qual é o CID do olho seco?

H04.1 — Outros transtornos da glândula lacrimal, que inclui a síndrome do olho seco. Em situações específicas usam-se também o H19.3 (ceratoconjuntivite seca) e o M35.0 (síndrome de Sjögren).

Como é feito o teste de Schirmer? Dói?

Uma fita de papel milimetrada é apoiada na pálpebra inferior por 5 minutos, medindo quanto de lágrima o olho produz. Pode dar uma sensação de cócega ou leve incômodo, mas não dói — e pode ser feito com colírio anestésico, conforme o protocolo do exame.

O que é a osmolaridade lacrimal?

É a medida da concentração da lágrima. No olho seco, a lágrima fica hiperosmolar ("mais salgada"), o que agride a superfície ocular. É um dos critérios diagnósticos objetivos do consenso TFOS DEWS III — o exame é rápido, indolor e está disponível no Instituto.

Luz pulsada (IPL) para olho seco funciona?

A evidência recente é favorável nos casos de olho seco evaporativo por DGM: meta-análises mostram melhora de sintomas e da função das glândulas de Meibomius. Não é indicada para todos os tipos de olho seco — a seleção do paciente é essencial. A tecnologia está em implantação no Instituto.

Plugs lacrimais incomodam? São definitivos?

Os plugs são minúsculos e, bem indicados, não são percebidos pelo paciente. Existem versões absorvíveis (de colágeno, temporárias) e de silicone (duráveis e removíveis). A colocação é rápida, em consultório, sem cortes.

É um colírio produzido a partir do sangue do próprio paciente: o soro contém fatores de crescimento e proteínas que ajudam a regenerar a superfície ocular. É usado em olho seco moderado a grave e em outras doenças da córnea, sob acompanhamento especializado.

Olho seco pode causar sensibilidade à luz?

Sim — a córnea desprotegida reage à claridade, e a fotofobia é um sintoma frequente do olho seco. Se a sensibilidade à luz é a sua queixa principal, veja nosso artigo completo sobre fotofobia.

Olho seco piora na menopausa?

Sim. As alterações hormonais da menopausa afetam tanto a produção aquosa quanto as glândulas de Meibomius, e o olho seco é significativamente mais comum em mulheres a partir dessa fase. O tratamento segue a mesma lógica de etapas, com atenção às condições associadas.

Maquiagem e extensão de cílios pioram o olho seco?

Podem piorar. Delineador aplicado na linha d'água obstrui a saída das glândulas de Meibomius, e a extensão de cílios dificulta a higiene palpebral, favorecendo blefarite. Quem tem olho seco deve preferir maquiagem hipoalergênica, aplicá-la fora da linha d'água e reforçar a limpeza diária.

Olho seco pode causar perda de visão?

Nos casos leves e moderados, não — o impacto é no conforto e na qualidade visual (visão flutuante). Casos graves e não tratados, porém, podem evoluir com lesões da córnea, cicatrizes e queda de visão. É mais um motivo para tratar cedo e quebrar o ciclo da doença.

Criança pode ter olho seco?

Pode, embora seja menos comum. Em crianças e adolescentes, o uso intenso de telas, alergias oculares e o piscar incompleto são os fatores mais frequentes. Sintomas persistentes de ardência e olho vermelho em criança merecem avaliação oftalmológica.

Referências

  1. Stapleton F, et al. TFOS DEWS III: Digest. American Journal of Ophthalmology. 2025. DOI: 10.1016/j.ajo.2025.05.040
  2. Wolffsohn JS, et al. TFOS DEWS III: Diagnostic Methodology. American Journal of Ophthalmology. 2025. DOI: 10.1016/j.ajo.2025.05.033
  3. Jones L, et al. TFOS DEWS III: Management and Therapy. American Journal of Ophthalmology. 2025. DOI: 10.1016/j.ajo.2025.05.039
  4. Jones L, et al. TFOS DEWS II Management and Therapy Report. The Ocular Surface. 2017;15(3):575-628. DOI: 10.1016/j.jtos.2017.05.006
  5. Dry Eye Assessment and Management Study Research Group; Asbell PA, et al. n-3 Fatty Acid Supplementation for the Treatment of Dry Eye Disease. New England Journal of Medicine. 2018;378(18):1681-1690. DOI: 10.1056/NEJMoa1709691
  6. Wolffsohn JS, et al. Clinical practice patterns in the management of dry eye disease: A TFOS international survey 2023-24. The Ocular Surface. 2025. DOI: 10.1016/j.jtos.2024.12.008
  7. Akpek EK, Amescua G, et al. Dry Eye Syndrome Preferred Practice Pattern®. Ophthalmology. 2019;126(1):P286-P334. DOI: 10.1016/j.ophtha.2018.10.023
  8. Dry Eye Disease Management Via Technological Methods: A Systematic Review and Network Meta-analysis. Ophthalmology and Therapy. 2025. DOI: 10.1007/s40123-025-01187-y

Revisão médica: este artigo foi escrito pela Dra. Priscilla Rodrigues de Almeida (CRM-SP 148.173 · RQE 59.216), especialista em córnea e doenças externas oculares e responsável técnica do Instituto, e revisado pelo Dr. Fernando Macei Drudi (CRM-SP 139.300 · RQE 50.645), especialista em retina. Última revisão médica: 08 de agosto de 2026.

Aviso importante: este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico oftalmologista. Em caso de sintomas ou dúvidas sobre sua saúde ocular, procure atendimento médico especializado.

Aviso importante: Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico oftalmologista. Em caso de sintomas ou dúvidas sobre sua saúde ocular, procure atendimento médico especializado.

Ficou com dúvidas ou quer agendar uma consulta?

Fale com nossos especialistas

Agendar pelo WhatsApp