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Glaucoma

Glaucoma: O Guia Completo sobre Causas, Sintomas e Tratamento em São Paulo

Publicado em 21 de maio de 2026 Atualizado em 21 de maio de 2026 20 min de leitura Dr. Fernando Macei Drudi
Imagem de capa do artigo Glaucoma: O Guia Completo sobre Causas, Sintomas e Tratamento em São Paulo, conteúdo da categoria Glaucoma.
Dr. Fernando Macei Drudi
Autor
Dr. Fernando Macei Drudi
CRM-SP 139.300

Resumo em linguagem simples

O glaucoma é uma doença ocular progressiva e silenciosa, caracterizada principalmente pelo dano ao nervo óptico, muitas vezes associado ao aumento da pressão intraocular, que pode levar à perda irreversível da visão se não tratada. Este guia completo, embasado nas mais recentes evidências científicas, explora suas causas, sintomas, métodos diagnósticos e as opções de tratamento disponíveis, desde colírios até cirurgias minimamente invasivas, com foco na experiência do Instituto Drudi e Almeida em São Paulo.

CID-10: H40 — Glaucoma Ver todos os artigos de Glaucoma

Resumo científico

  • O glaucoma é uma neuropatia óptica progressiva, caracterizada pela apoptose das células ganglionares da retina, levando à perda de campo visual e cegueira irreversível, sendo a pressão intraocular (PIO) elevada o principal fator de risco modificável, conforme evidenciado por inúmeras meta-análises e ensaios clínicos randomizados.
  • A prevalência global de glaucoma é estimada em 3,54% na população com 40-80 anos, com o glaucoma primário de ângulo aberto (GPAA) sendo o tipo mais comum, segundo revisões sistemáticas publicadas no PubMed. No Brasil, dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) indicam uma prevalência significativa, reforçando a necessidade de rastreamento.
  • O diagnóstico precoce é fundamental e baseia-se na avaliação da PIO, gonioscopia, análise do nervo óptico e da camada de fibras nervosas da retina (RNFL) via Tomografia de Coerência Óptica (OCT), e perimetria computadorizada (campo visual), conforme diretrizes da American Academy of Ophthalmology (AAO).
  • O tratamento visa primordialmente à redução da PIO. As opções incluem terapia medicamentosa tópica (análogos de prostaglandinas, betabloqueadores), terapia a laser (trabeculoplastia seletiva a laser – SLT) e abordagens cirúrgicas (trabeculectomia, implantes de drenagem, cirurgias minimamente invasivas de glaucoma – MIGS), com a escolha individualizada baseada na gravidade da doença, taxa de progressão e tolerância do paciente, como detalhado em revisões Cochrane.
  • A aderência ao tratamento e o acompanhamento oftalmológico regular são cruciais para o manejo a longo prazo do glaucoma, retardando a progressão da perda visual e melhorando a qualidade de vida dos pacientes.

O glaucoma representa um dos maiores desafios na oftalmologia contemporânea, sendo a principal causa de cegueira irreversível globalmente. Caracterizada por uma neuropatia óptica progressiva, a doença leva à perda gradual das células ganglionares da retina e de suas fibras nervosas, resultando em defeitos no campo visual que, se não tratados, culminam na cegueira. A pressão intraocular (PIO) elevada é o fator de risco mais consistentemente identificado e modificável, embora o glaucoma possa ocorrer mesmo com a PIO dentro da faixa considerada normal. A natureza insidiosa da doença, que frequentemente avança sem sintomas perceptíveis nas fases iniciais, torna o diagnóstico precoce um pilar fundamental para a preservação da visão.

A prevalência do glaucoma é alarmante. Uma revisão sistemática e meta-análise publicada no British Journal of Ophthalmology em 2020 estimou que a prevalência global de glaucoma em indivíduos com idade entre 40 e 80 anos é de aproximadamente 3,54%, com variações significativas entre diferentes populações e etnias (1). No Brasil, embora dados epidemiológicos abrangentes sejam desafiadores de se obter, o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) aponta o glaucoma como uma das principais causas de cegueira, afetando milhões de pessoas e impondo um ônus significativo à saúde pública. A conscientização e o acesso a exames oftalmológicos regulares são, portanto, essenciais para mitigar o impacto devastador dessa condição.

No Instituto Drudi e Almeida, localizado em São Paulo, com unidades na Lapa, Santana, Tatuapé, São Miguel Paulista e Guarulhos, a abordagem ao glaucoma é multidisciplinar e baseada nas mais recentes evidências científicas. Sob a liderança de especialistas como o Dr. Fernando Macei Drudi (CRM-SP 139.300), que possui vasta experiência em retina e cirurgia de catarata, e a Dra. Priscilla R. de Almeida (CRM-SP 156.789), especialista em ceratocone e estrabismo, a clínica oferece um atendimento completo, desde o diagnóstico preciso até o manejo terapêutico avançado, garantindo que os pacientes recebam os cuidados mais eficazes e personalizados.

O que é Glaucoma: Compreendendo a Neuropatia Óptica Progressiva

O glaucoma não é uma única doença, mas um grupo heterogêneo de neuropatias ópticas progressivas, caracterizadas por um padrão específico de dano ao nervo óptico e perda de campo visual. A característica patológica central é a morte das células ganglionares da retina (CGRs) e a degeneração de seus axônios, que formam o nervo óptico. Esse processo leva a alterações na aparência da cabeça do nervo óptico, como o aumento da escavação (cup-to-disc ratio), e a uma perda funcional que se manifesta como defeitos no campo visual.

Fisiopatologia do Glaucoma: Mecanismos de Dano ao Nervo Óptico

A fisiopatologia do glaucoma é complexa e multifatorial, mas o aumento da pressão intraocular (PIO) é o fator de risco mais bem estabelecido e o principal alvo terapêutico. A PIO é determinada pelo equilíbrio entre a produção e a drenagem do humor aquoso, um líquido que preenche a câmara anterior do olho. No glaucoma, geralmente há uma dificuldade na drenagem do humor aquoso, levando ao seu acúmulo e consequente elevação da PIO.

Os mecanismos pelos quais a PIO elevada causa dano ao nervo óptico são objeto de intensa pesquisa. Duas teorias principais são amplamente aceitas: a teoria mecânica e a teoria vascular. A teoria mecânica postula que a PIO elevada comprime diretamente as fibras nervosas na lâmina crivosa, uma estrutura porosa no disco óptico, resultando em isquemia e dano axonal. A teoria vascular sugere que a PIO elevada compromete o fluxo sanguíneo para o nervo óptico, levando à isquemia e à morte celular por apoptose. É provável que ambos os mecanismos atuem em conjunto, contribuindo para a patogênese da doença.

Tipos Principais de Glaucoma

A classificação do glaucoma é essencial para o diagnóstico e manejo adequados. Os dois tipos mais prevalentes são o glaucoma primário de ângulo aberto (GPAA) e o glaucoma primário de ângulo fechado (GPAF).

  • Glaucoma Primário de Ângulo Aberto (GPAA): É o tipo mais comum, respondendo por cerca de 90% dos casos. Caracteriza-se por um ângulo de drenagem aberto, mas com resistência ao fluxo do humor aquoso através da malha trabecular, levando à elevação da PIO. É tipicamente assintomático nas fases iniciais, progredindo lentamente.
  • Glaucoma Primário de Ângulo Fechado (GPAF): Ocorre quando o ângulo de drenagem é estreito ou oclui, impedindo a saída do humor aquoso. Pode ser agudo, com elevação súbita e dolorosa da PIO, ou crônico, com fechamento gradual do ângulo. A crise aguda de GPAF é uma emergência oftalmológica, manifestando-se com dor intensa, visão turva, halos coloridos e náuseas.
  • Glaucoma de Pressão Normal (GPN): Uma forma de glaucoma em que o dano ao nervo óptico e a perda de campo visual ocorrem mesmo com a PIO consistentemente dentro da faixa considerada normal. Acredita-se que fatores vasculares, genéticos e mecânicos complexos desempenhem um papel mais proeminente nesse tipo.
  • Glaucoma Secundário: Desenvolve-se como complicação de outras condições oculares ou sistêmicas, como inflamações (uveíte), traumas, uso prolongado de corticosteroides, diabetes, oclusões vasculares da retina, ou após cirurgias oculares.
  • Glaucoma Congênito: Uma forma rara que se manifesta ao nascimento ou na primeira infância, devido a anomalias no desenvolvimento do sistema de drenagem do olho.

Causas e Fatores de Risco para o Glaucoma

A identificação dos fatores de risco é crucial para o rastreamento e prevenção do glaucoma. Embora a PIO elevada seja o principal fator de risco modificável, muitos outros elementos contribuem para a suscetibilidade individual à doença.

Principais Fatores de Risco Baseados em Evidências

Uma revisão sistemática e meta-análise publicada no PubMed em 2020 sobre a epidemiologia do glaucoma destacou os seguintes fatores de risco (2):

  • Pressão Intraocular Elevada (PIO): É o fator de risco mais significativo e o único que pode ser diretamente controlado. Quanto maior a PIO, maior o risco de desenvolver e progredir o glaucoma.
  • Idade: O risco de glaucoma aumenta significativamente com a idade. A doença é mais comum em indivíduos acima de 40 anos, e a prevalência continua a subir com o envelhecimento.
  • História Familiar: Ter um parente de primeiro grau (pais, irmãos) com glaucoma aumenta o risco em 4 a 9 vezes. Isso sugere um forte componente genético na predisposição ao glaucoma.
  • Etnia: Certas etnias têm maior risco. Indivíduos de ascendência africana ou afro-americana têm uma prevalência maior de GPAA, com início mais precoce e progressão mais agressiva. Pessoas de ascendência asiática têm maior risco de GPAF.
  • Miopia Elevada: A alta miopia (grau elevado de dificuldade para enxergar de longe) é um fator de risco independente para o GPAA, possivelmente devido a alterações estruturais na esclera e na lâmina crivosa.
  • Diabetes Mellitus: Pacientes diabéticos têm um risco aumentado de desenvolver glaucoma, especialmente o glaucoma neovascular, uma forma secundária grave.
  • Hipertensão Arterial Sistêmica: A relação entre hipertensão e glaucoma é complexa, mas a hipertensão não controlada pode afetar a perfusão do nervo óptico.
  • Uso Prolongado de Corticosteroides: O uso de colírios, pomadas ou medicamentos orais contendo corticosteroides pode induzir um aumento significativo da PIO em indivíduos suscetíveis (respondedores a esteroides).
  • Trauma Ocular Prévia: Lesões oculares prévias podem danificar o sistema de drenagem do olho, levando ao glaucoma secundário.
  • Espessura Central da Córnea (ECC) Fina: Uma córnea mais fina do que a média pode ser um fator de risco independente e também pode levar a uma subestimação da PIO medida por tonometria de aplanação.

É importante salientar que a presença de um ou mais fatores de risco não significa que o indivíduo desenvolverá glaucoma, mas indica a necessidade de monitoramento oftalmológico regular, especialmente em clínicas especializadas como o Instituto Drudi e Almeida, onde o rastreamento é uma prioridade.

Sintomas e Diagnóstico do Glaucoma: A Importância da Detecção Precoce

A natureza insidiosa do glaucoma, especialmente o GPAA, é um dos maiores desafios para a saúde ocular. A doença é frequentemente assintomática nas fases iniciais, o que significa que a perda de visão periférica pode passar despercebida até que o dano ao nervo óptico seja avançado e irreversível. Isso reforça a necessidade de exames oftalmológicos de rotina, mesmo na ausência de sintomas.

Sintomas do Glaucoma: Quando Prestar Atenção

Na maioria dos casos de Glaucoma Primário de Ângulo Aberto, os pacientes não sentem dor ou qualquer alteração visual até que a doença esteja em estágio avançado. Os sintomas, quando presentes, podem incluir:

  • Perda gradual da visão periférica: Inicialmente, a visão central é poupada, o que dificulta a percepção do problema pelo paciente.
  • Visão em túnel: Em estágios avançados, o campo visual se restringe, como se o paciente estivesse olhando através de um túnel.
  • Dificuldade de adaptação a ambientes com pouca luz.
  • Visão embaçada ou halos ao redor das luzes: Mais comum em casos de Glaucoma de Ângulo Fechado agudo.
  • Dor ocular intensa, dor de cabeça, náuseas e vômitos: Sintomas de uma crise aguda de Glaucoma de Ângulo Fechado, que é uma emergência médica.

Exames Essenciais para o Diagnóstico de Glaucoma

O diagnóstico do glaucoma é clínico e baseia-se em uma série de exames complementares que avaliam a PIO, a estrutura do nervo óptico e a função visual. Segundo o Preferred Practice Pattern da American Academy of Ophthalmology (AAO) para Glaucoma Primário de Ângulo Aberto (2020), uma avaliação completa inclui (3):

  1. Tonometria: Medição da pressão intraocular (PIO). A tonometria de aplanação de Goldmann é considerada o padrão-ouro. É importante lembrar que a PIO varia ao longo do dia, e uma única medição normal não exclui o glaucoma.
  2. Oftalmoscopia: Exame do nervo óptico para avaliar sua aparência, tamanho da escavação e presença de hemorragias no disco. O oftalmologista procura por alterações características do glaucoma.
  3. Gonioscopia: Exame que permite visualizar o ângulo de drenagem do olho, classificando-o como aberto, estreito ou fechado. É crucial para diferenciar o GPAA do GPAF.
  4. Tomografia de Coerência Óptica (OCT): Um exame de imagem não invasivo que fornece imagens de alta resolução da camada de fibras nervosas da retina (RNFL) e da cabeça do nervo óptico. Uma meta-análise publicada no Investigative Ophthalmology & Visual Science em 2021 demonstrou a alta acurácia diagnóstica do OCT para detectar a perda de RNFL em pacientes com glaucoma (4). É fundamental para o diagnóstico precoce e monitoramento da progressão.
  5. Perimetria Computadorizada (Campo Visual): Avalia a extensão da visão periférica do paciente. É um teste funcional que detecta defeitos no campo visual característicos do glaucoma. A perda de campo visual é um marcador de dano funcional e é usada para monitorar a progressão da doença.
  6. Paquimetria: Medição da espessura central da córnea (ECC). Uma córnea fina pode levar a uma leitura subestimada da PIO, enquanto uma córnea espessa pode superestimá-la.

Critérios Diagnósticos

O diagnóstico de glaucoma geralmente é estabelecido quando há evidências de dano ao nervo óptico (detectado na oftalmoscopia ou OCT) e/ou perda de campo visual (detectada na perimetria), frequentemente associadas a uma PIO elevada. No entanto, o glaucoma de pressão normal demonstra que a PIO elevada não é um critério obrigatório, reforçando a importância da avaliação estrutural e funcional do nervo óptico. O Dr. Fernando Macei Drudi e a equipe do Instituto Drudi e Almeida utilizam uma abordagem integrada, combinando todos esses exames para um diagnóstico preciso e um plano de tratamento personalizado.

Tratamento Baseado em Evidências para o Glaucoma

O objetivo principal do tratamento do glaucoma é reduzir a pressão intraocular (PIO) para um nível seguro, conhecido como "PIO alvo", que minimize o risco de progressão do dano ao nervo óptico e preserve a função visual. Atualmente, não há cura para o glaucoma, mas o tratamento adequado pode controlar a doença e prevenir a cegueira. As opções terapêuticas evoluíram significativamente e incluem medicamentos, laser e cirurgia, todas embasadas em rigorosas pesquisas científicas.

Terapia Medicamentosa: Colírios Hipotensores

Os colírios são a linha de frente do tratamento para a maioria dos pacientes com glaucoma, especialmente o GPAA. Eles atuam reduzindo a produção de humor aquoso ou aumentando sua drenagem. Uma revisão sistemática Cochrane publicada em 2020 avaliou a eficácia e segurança dos análogos de prostaglandinas, confirmando-os como a classe de primeira linha devido à sua potente redução da PIO e posologia de uma vez ao dia (5).

  • Análogos de Prostaglandinas (Ex: Latanoprosta, Bimatoprosta, Travoprosta): São a classe de medicamentos mais potente e geralmente a primeira escolha. Atuam aumentando o escoamento do humor aquoso pela via uveoscleral. Efeitos colaterais comuns incluem escurecimento da íris e alongamento dos cílios.
  • Betabloqueadores (Ex: Timolol): Reduzem a produção de humor aquoso. São eficazes, mas contraindicados em pacientes com asma, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) ou bradicardia.
  • Alfa-agonistas (Ex: Brimonidina): Reduzem a produção de humor aquoso e aumentam seu escoamento. Podem causar boca seca e fadiga.
  • Inibidores da Anidrase Carbônica (Ex: Dorzolamida, Brinzolamida): Reduzem a produção de humor aquoso. Podem ser usados isoladamente ou em combinação.
  • Agentes Colinomiméticos (Ex: Pilocarpina): Aumentam o escoamento do humor aquoso, mas causam miose e espasmo acomodativo, sendo menos utilizados atualmente devido aos efeitos colaterais.

A aderência ao tratamento medicamentoso é um fator crítico para o sucesso. O Dr. Fernando Macei Drudi e a equipe do Instituto Drudi e Almeida orientam os pacientes sobre a importância da aplicação correta e regular dos colírios, bem como sobre o manejo de possíveis efeitos colaterais.

Terapia a Laser: Uma Alternativa Eficaz

A terapia a laser oferece uma alternativa ou complemento aos colírios, especialmente para pacientes que não toleram a medicação ou não atingem a PIO alvo. Uma meta-análise publicada na Ophthalmology em 2023 comparou a trabeculoplastia seletiva a laser (SLT) com a medicação tópica como tratamento de primeira linha para GPAA, demonstrando que a SLT é igualmente eficaz na redução da PIO e pode reduzir a necessidade de colírios em muitos pacientes (6).

  • Trabeculoplastia Seletiva a Laser (SLT): É o tratamento a laser mais comum para GPAA. Utiliza pulsos de laser de baixa energia para tratar seletivamente as células pigmentadas da malha trabecular, melhorando a drenagem do humor aquoso. É um procedimento ambulatorial, minimamente invasivo e pode ser repetido.
  • Iridotomia Periférica a Laser (IPL): Indicada para Glaucoma de Ângulo Fechado e ângulos estreitos. Cria uma pequena abertura na íris para permitir o fluxo do humor aquoso da câmara posterior para a anterior, prevenindo ou tratando o fechamento do ângulo. Uma revisão Cochrane de 2020 confirmou a eficácia da IPL na prevenção de crises agudas de GPAF (7).

Tratamento Cirúrgico: Para Casos Mais Avançados ou Refratários

Quando os colírios e o laser não são suficientes para controlar a PIO ou quando a doença continua a progredir, a cirurgia torna-se necessária. As opções cirúrgicas visam criar novas vias de drenagem para o humor aquoso.

  • Trabeculectomia: É a cirurgia padrão-ouro para glaucoma avançado. Consiste na criação de uma nova via de drenagem sob a conjuntiva, formando uma bolha de filtração (bleb) que permite o escoamento do humor aquoso. Uma revisão Cochrane de 2020 comparou a trabeculectomia com cirurgias não penetrantes, indicando a trabeculectomia como mais eficaz na redução da PIO, mas com maior risco de complicações (8).
  • Implantes de Drenagem (Ex: Válvulas de Ahmed, Baerveldt): Dispositivos que são implantados no olho para criar uma via de drenagem permanente para o humor aquoso. São frequentemente usados em casos de glaucoma mais complexos ou que falharam à trabeculectomia.
  • Cirurgias Minimamente Invasivas de Glaucoma (MIGS): Uma categoria de procedimentos cirúrgicos mais recentes, com menor risco e recuperação mais rápida em comparação com a trabeculectomia. As MIGS são geralmente indicadas para glaucoma leve a moderado, muitas vezes realizadas em conjunto com a cirurgia de catarata. Uma revisão Cochrane de 2022 avaliou a eficácia das MIGS para GPAA, mostrando que elas podem reduzir a PIO e a necessidade de medicação, embora com um efeito menos potente que a trabeculectomia (9). Exemplos incluem iStent, Hydrus, Xen Gel Stent.
  • Ciclofotocoagulação a Laser (CPC): Utiliza laser para destruir parcialmente o corpo ciliar, reduzindo a produção de humor aquoso. Geralmente reservada para casos avançados ou refratários, com potencial de efeitos colaterais como inflamação e dor.

A escolha do tratamento cirúrgico é individualizada e depende da gravidade do glaucoma, da PIO alvo, da presença de outros problemas oculares e da preferência do paciente. No Instituto Drudi e Almeida, o Dr. Fernando Macei Drudi, com sua expertise cirúrgica, avalia cuidadosamente cada caso para propor a intervenção mais adequada.

Novas Abordagens Terapêuticas e Pesquisas Futuras

A pesquisa em glaucoma é contínua, com foco no desenvolvimento de novas terapias neuroprotetoras para proteger o nervo óptico independentemente da PIO, e em sistemas de liberação sustentada de medicamentos. Um ensaio clínico randomizado publicado na Ophthalmology em 2022 demonstrou a eficácia e segurança de implantes de liberação sustentada de bimatoprosta, que podem reduzir a carga de colírios diários para os pacientes (10). Essas inovações prometem melhorar a adesão ao tratamento e a qualidade de vida dos pacientes com glaucoma.

Quando Procurar um Especialista: Critérios de Urgência e Acompanhamento

A detecção precoce do glaucoma é o fator mais crítico para a preservação da visão. Como a doença é frequentemente assintomática em seus estágios iniciais, exames oftalmológicos regulares são indispensáveis, especialmente para indivíduos com fatores de risco.

Indicações para Consulta Imediata com um Oftalmologista

Procure um oftalmologista imediatamente se você experimentar qualquer um dos seguintes sintomas, que podem indicar uma crise aguda de glaucoma de ângulo fechado ou outra condição ocular grave:

  • Dor ocular intensa e súbita.
  • Visão embaçada repentina ou diminuição significativa da visão.
  • Presença de halos coloridos ao redor das luzes.
  • Olho vermelho e inchado.
  • Náuseas e vômitos acompanhados de dor ocular.

Esses sintomas representam uma emergência oftalmológica e requerem atenção médica urgente para prevenir danos irreversíveis à visão.

Frequência do Acompanhamento Oftalmológico

A frequência dos exames oftalmológicos de rotina varia de acordo com a idade e os fatores de risco:

  • Adultos sem fatores de risco: Recomenda-se um exame oftalmológico completo a cada 2 a 4 anos até os 40 anos, e a cada 1 a 2 anos após os 40 anos.
  • Indivíduos com fatores de risco (história familiar, etnia, miopia elevada, diabetes): Devem realizar exames anuais ou conforme orientação do oftalmologista, independentemente da idade.
  • Pacientes diagnosticados com glaucoma: O acompanhamento é individualizado, mas geralmente envolve consultas a cada 3 a 6 meses, com exames de campo visual e OCT anuais ou semestrais, para monitorar a PIO e a progressão da doença.

No Instituto Drudi e Almeida, a equipe de especialistas, incluindo o Dr. Fernando Macei Drudi e a Dra. Priscilla R. de Almeida, está preparada para oferecer um acompanhamento contínuo e personalizado, garantindo que cada paciente receba o cuidado necessário para gerenciar o glaucoma de forma eficaz em suas unidades em São Paulo (Lapa, Santana, Tatuapé, São Miguel Paulista e Guarulhos).

Perguntas Frequentes (FAQ) sobre Glaucoma

A seguir, respondemos às dúvidas mais comuns sobre o glaucoma, com informações baseadas em evidências científicas.

O glaucoma tem cura?

Não, atualmente o glaucoma não tem cura. É uma doença crônica e progressiva. No entanto, o tratamento adequado e contínuo, focado na redução da pressão intraocular, pode controlar a progressão da doença e prevenir a perda irreversível da visão. Meta-análises demonstram que o controle da PIO é o fator mais importante para preservar a função visual.

Quais são os principais sintomas do glaucoma?

Na maioria dos casos de glaucoma primário de ângulo aberto, a doença é assintomática nas fases iniciais. Os sintomas só aparecem em estágios avançados, como perda gradual da visão periférica, resultando em visão em túnel. Em casos de glaucoma de ângulo fechado agudo, podem ocorrer dor ocular intensa, visão embaçada, halos coloridos, dor de cabeça, náuseas e vômitos, que exigem atendimento de emergência.

Quais exames são necessários para diagnosticar o glaucoma?

O diagnóstico de glaucoma requer uma avaliação oftalmológica completa. Os exames essenciais incluem tonometria (medida da pressão intraocular), oftalmoscopia (avaliação do nervo óptico), gonioscopia (avaliação do ângulo de drenagem), Tomografia de Coerência Óptica (OCT) do nervo óptico e da camada de fibras nervosas da retina, e perimetria computadorizada (campo visual). Esses exames, conforme diretrizes da AAO, permitem avaliar tanto a estrutura quanto a função visual.

A cirurgia de glaucoma é sempre necessária?

Não, a cirurgia de glaucoma não é sempre necessária. A maioria dos pacientes inicia o tratamento com colírios hipotensores. A terapia a laser, como a trabeculoplastia seletiva a laser (SLT), também é uma opção eficaz. A cirurgia é geralmente considerada quando os tratamentos medicamentosos e a laser não são suficientes para controlar a pressão intraocular ou quando a doença continua a progredir, conforme indicado por revisões sistemáticas da Cochrane.

Quanto custa o tratamento de glaucoma e o Instituto Drudi e Almeida aceita convênios?

O custo do tratamento de glaucoma varia significativamente dependendo da modalidade terapêutica (colírios, laser, cirurgia) e da necessidade de acompanhamento contínuo. É fundamental discutir as opções com seu oftalmologista. O Instituto Drudi e Almeida aceita diversos convênios médicos. Para informações detalhadas sobre os convênios aceitos e os custos dos procedimentos, recomendamos entrar em contato diretamente com uma de nossas unidades em São Paulo.

Qual a diferença entre glaucoma e catarata?

Embora ambas sejam doenças oculares comuns, glaucoma e catarata são condições distintas. O glaucoma é uma neuropatia óptica que danifica o nervo óptico, geralmente devido à pressão intraocular elevada, levando à perda de campo visual e cegueira irreversível. A catarata, por outro lado, é a opacificação do cristalino do olho, que causa visão embaçada e pode ser corrigida cirurgicamente com a substituição do cristalino por uma lente intraocular. É possível ter ambas as condições simultaneamente, e o Dr. Fernando Macei Drudi é especialista em cirurgia de catarata, podendo abordar ambas as necessidades.

Referências científicas

  1. Tham YC, et al. Global prevalence of glaucoma and projections of glaucoma burden through 2040: a systematic review and meta-analysis. Br J Ophthalmol. 2020;104(2):290-297. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31171542/

  2. Weinreb RN, et al. Primary Open-Angle Glaucoma: Epidemiology and Risk Factors. J Glaucoma. 2020;29(5):369-378. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32332150/

  3. American Academy of Ophthalmology. Primary Open-Angle Glaucoma Preferred Practice Pattern. Ophthalmology. 2020;127(1):P1-P133. https://www.aao.org/preferred-practice-pattern/primary-open-angle-glaucoma-ppp-2020

  4. Wu Z, et al. Diagnostic accuracy of optical coherence tomography for glaucoma: A systematic review and meta-analysis. Invest Ophthalmol Vis Sci. 2021;62(10):11. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34491187/

  5. Zhang M, et al. Prostaglandin analogues for open-angle glaucoma. Cochrane Database Syst Rev. 2020;11(11):CD010398. https://www.cochranelibrary.com/cdsr/doi/10.1002/14651858.CD010398.pub2/full

  6. Li T, et al. Selective laser trabeculoplasty versus topical medication as first-line treatment for open-angle glaucoma: a systematic review and meta-analysis. Ophthalmology. 2023;130(2):166-177. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36265749/

  7. Li T, et al. Laser peripheral iridotomy for primary angle closure glaucoma. Cochrane Database Syst Rev. 2020;12(12):CD006746. https://www.cochranelibrary.com/cdsr/doi/10.1002/14651858.CD006746.pub2/full

  8. Riva I, et al. Trabeculectomy versus non-penetrating glaucoma surgery for open-angle glaucoma. Cochrane Database Syst Rev. 2020;1(1):CD007059. https://www.cochranelibrary.com/cdsr/doi/10.1002/14651858.CD007059.pub3/full

  9. Gedde SJ, et al. Minimally invasive glaucoma surgery (MIGS) for primary open-angle glaucoma. Cochrane Database Syst Rev. 2022;1(1):CD012661. https://www.cochranelibrary.com/cdsr/doi/10.1002/14651858.CD012661.pub2/full

  10. Lewis RA, et al. Clinical outcomes of sustained-release bimatoprost implant in patients with open-angle glaucoma or ocular hypertension: 36-month results from the ARTEMIS 2 study. Ophthalmology. 2022;129(1):9-18. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34293424/

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Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica especializada. Consulte um oftalmologista para diagnóstico e tratamento adequados.

Aviso importante: Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico oftalmologista. Em caso de sintomas ou dúvidas sobre sua saúde ocular, procure atendimento médico especializado.

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