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O que é glaucoma: causas, risco e como enxerga quem tem

Publicado em 01 de maio de 2026 · Atualizado em 23 de setembro de 2026 · 13 min de leitura

Revisão médica: Dra. Priscilla Rodrigues de Almeida, médica oftalmologista, CRM-SP 148.173, RQE 59.216 (Oftalmologia), em 23 de setembro de 2026. Como revisamos

Oftalmologista explica ao paciente um diagrama do olho em corte com a pressão intraocular elevada e o dano ao nervo óptico
Dr. Fernando Macei Drudi

Autor

Dr. Fernando Macei Drudi

CRM-SP 139.300 | RQE 50.645

Em resumo

Glaucoma é uma doença que mata aos poucos o nervo que leva a imagem do olho ao cérebro. Não dói e a pessoa não percebe, porque o cérebro preenche as falhas da visão lateral. O principal fator de risco tratável é a pressão do olho, mas pressão alta não é o mesmo que glaucoma. O que se perde não volta; por isso o exame a partir dos 40 anos, ou antes com parente com a doença, é a única forma de descobrir cedo.

Neste artigo

Glaucoma é uma doença que destrói, aos poucos, o nervo que leva a imagem do olho ao cérebro. Na forma mais comum não dói, não deixa o olho vermelho e não embaça a visão no começo. A pessoa segue lendo e enxergando bem no centro enquanto perde, sem notar, partes da visão lateral. O principal fator de risco que dá para tratar é a pressão dentro do olho, mas glaucoma não é sinônimo de pressão alta: há quem tenha pressão alta sem a doença e quem tenha a doença com pressão normal. O que se perdeu não volta; o que ainda existe pode ser protegido, e é por isso que o diagnóstico cedo importa mais do que qualquer sintoma.

PONTOS-CHAVE

O que vale saber antes de continuar

  • Glaucoma é a principal causa de cegueira irreversível no mundo. Cerca de 3,5% das pessoas entre 40 e 80 anos têm a doença.
  • No Brasil, um levantamento populacional encontrou 3,4% de glaucoma acima dos 40 anos, e quase 90% dos casos não tinham diagnóstico.
  • Quem tem glaucoma não enxerga um túnel preto. Nas fases iniciais e moderadas, o que aparece são manchas borradas que o cérebro disfarça; um em cada quatro pacientes com defeito no campo visual não sabia que tinha perda.
  • Os fatores de risco que mais pesam são idade, pressão ocular elevada, parente de primeiro grau com glaucoma, miopia alta e ascendência africana.
  • Baixar a pressão do olho reduz o risco de a doença aparecer e de avançar. Nos ensaios clínicos, o tratamento cortou pela metade o surgimento de glaucoma em quem tinha pressão alta.
  • A consulta de avaliação inclui a medida da pressão e o exame do nervo óptico. Particular, custa R$ 180 no Pix e R$ 200 no cartão.
Ilustração clínica de um olho em corte mostrando a pressão intraocular, o nervo óptico, o exame de OCT e o campo visual, os quatro elementos da avaliação do glaucoma

FIGURA CLÍNICA EM DESTAQUE

A doença acontece no nervo, não na pressão. A pressão é o que se mede e se trata; o nervo óptico e o campo visual são o que se protege.
  1. 01 — O líquido do olhoO humor aquoso é produzido e drenado o tempo todo. Quando a drenagem resiste, a pressão sobe.
  2. 02 — O nervo ópticoMais de um milhão de fibras saem do olho por ele. No glaucoma, elas morrem aos poucos, e a escavação do disco aumenta.
  3. 03 — O campo visualA perda começa na periferia, em manchas. O centro da visão é o último a ser atingido.

O diagnóstico e a conduta só podem ser definidos em consulta, com exame do nervo óptico e medida da pressão.

O que é glaucoma, em uma frase que dá para entender

Glaucoma é uma lesão progressiva do nervo óptico, o cabo que leva ao cérebro tudo o que a retina capta.

O nervo óptico é formado por cerca de um milhão de fibras nervosas. No glaucoma, essas fibras morrem lentamente, e cada fibra perdida apaga um pedacinho do campo de visão. Como a morte é gradual e começa pela periferia, o cérebro preenche as falhas com o que está em volta, e a pessoa não percebe. Quando percebe, em geral já perdeu muito.1

Duas coisas separam o glaucoma de quase todas as outras doenças do olho. A primeira é que a perda é definitiva: as fibras do nervo não se regeneram, e nenhum tratamento atual devolve o que foi perdido. A segunda é que a forma mais comum é silenciosa até fases avançadas. Juntas, essas duas características explicam por que o glaucoma é a principal causa de cegueira irreversível no mundo, e por que o diagnóstico precoce vale mais do que esperar um sintoma.1 2

O termo "glaucoma" reúne várias doenças com mecanismos diferentes. Todas terminam no mesmo lugar, o nervo óptico, mas chegam lá por caminhos diferentes. A mais comum, o glaucoma primário de ângulo aberto, é a que este artigo descreve na maior parte do tempo. As outras formas têm página própria.

O que causa o glaucoma?

A causa mais estudada é a pressão dentro do olho, e é a única que sabemos tratar.

O olho produz continuamente um líquido transparente, o humor aquoso, que nutre as estruturas da frente do olho e sai por um filtro na junção entre a córnea e a íris, chamado ângulo de drenagem. Quando esse filtro oferece mais resistência do que deveria, o líquido se acumula e a pressão intraocular sobe. Pressão alta por tempo prolongado comprime e sufoca as fibras do nervo óptico, que começam a morrer.1 9

Só que a pressão não explica tudo. Há pessoas com pressão acima de 21 mmHg por anos sem nunca desenvolver dano no nervo, uma condição chamada hipertensão ocular. E há pessoas com glaucoma cuja pressão nunca passou de valores considerados normais: é o glaucoma de pressão normal. Nesses casos, entram em cena a fragilidade individual do nervo, a circulação sanguínea que o alimenta e fatores genéticos. A diferença entre pressão ocular alta e glaucoma merece uma explicação à parte, porque confunde muita gente.

Uma forma útil de pensar: a pressão é o peso que o nervo carrega, e cada nervo aguenta um peso diferente. O tratamento consiste em tirar peso das costas de um nervo que já mostrou que não aguenta.

Três componentes do diagnóstico de glaucoma: pressão ocular, nervo óptico e campo visual
Figura 1. Pressão, nervo e campo visual são três medidas diferentes. O glaucoma se define pelas duas últimas; a primeira é o que se trata.

Como enxerga quem tem glaucoma

Não é um túnel preto. Essa é a imagem que aparece em campanhas e é justamente a que os pacientes não reconhecem.

Um estudo com 50 pacientes com glaucoma e perda de campo visual documentada nos dois olhos pediu que cada um escolhesse, entre seis imagens, a que mais parecia com a própria visão. Nenhum escolheu a imagem com túnel preto ou com manchas pretas. Mais da metade, 54%, escolheu uma imagem com manchas borradas espalhadas pela cena, e 16% escolheram uma imagem com partes faltando. E 26% dos participantes, um em cada quatro, disseram não ter percebido nenhuma perda de visão, mesmo com defeitos mensuráveis no exame.4

Isso acontece porque o cérebro não deixa buracos na imagem: ele completa a área que o olho não capta com o que está ao redor, um pouco como um programa que remove um objeto da foto. O resultado é uma cena aparentemente inteira, com regiões menos nítidas que a pessoa atribui a cansaço, óculos ou luz ruim. Na prática, quem tem glaucoma inicial ou moderado pode esbarrar em objetos que vêm pela lateral, ter mais dificuldade em escadas e em ambientes escuros, e demorar a perceber um carro que se aproxima de lado, sem em nenhum momento "ver preto".

Na fase avançada a perda chega ao centro. Aí sim leitura, rostos e detalhes ficam comprometidos, e a chamada visão em túnel pode aparecer. Mas esse é o fim de um processo longo, não o começo. Os sintomas de glaucoma, do início ao estágio avançado, estão descritos em detalhe em outra página.

Diagrama do nervo óptico e da perda visual periférica que pode ocorrer no glaucoma
Figura 2. As fibras que morrem primeiro costumam ser as que servem a periferia do campo visual. O centro resiste até tarde.

Quem tem mais risco de ter glaucoma

Idade, pressão ocular, história familiar, miopia e ascendência africana. Nessa ordem de peso, aproximadamente.

Os fatores foram medidos em estudos que acompanharam milhares de pessoas por anos. No Ocular Hypertension Treatment Study, que seguiu 1.636 pessoas com pressão alta e sem dano, os fatores que previram quem desenvolveria glaucoma foram idade mais alta, pressão mais alta, escavação maior do disco óptico e córnea central mais fina, esta última uma surpresa na época e hoje parte de toda avaliação.5 No Barbados Eye Studies, com população de ascendência africana acompanhada por nove anos, o risco subiu 12% para cada mmHg de pressão a mais, e história familiar e pressão de perfusão ocular baixa dobraram o risco.6

FatorO que sabemosO que fazer com a informação
IdadeO risco aumenta a cada década a partir dos 40 anos.Exame oftalmológico completo a partir dos 40, mesmo sem queixa.
Pressão ocular elevadaPrincipal fator modificável. Cada mmHg a mais aumenta o risco.Quem tem hipertensão ocular precisa de acompanhamento, com ou sem tratamento.
Parente de primeiro grau com glaucomaPai, mãe, irmão ou filho com a doença multiplica o risco.Informe na consulta e antecipe a primeira avaliação.
Miopia altaOlhos míopes têm nervo óptico mais vulnerável.Míopes acima de 6 graus merecem exame do nervo com atenção.
Ascendência africanaMaior prevalência, início mais cedo e progressão mais rápida do glaucoma de ângulo aberto.Começar a avaliação mais cedo e revisar com mais frequência.
Córnea finaAlém de subestimar a pressão medida, é fator de risco independente.A paquimetria entra na avaliação de quem tem pressão elevada.
Corticoide por tempo prolongadoColírios, pomadas, sprays nasais e comprimidos com corticoide podem elevar a pressão em pessoas sensíveis.Quem usa deve medir a pressão do olho periodicamente.

Diabetes e pressão arterial entram em muitas listas, mas a evidência para eles é mais fraca e menos consistente do que para os fatores acima. No Barbados, a pressão arterial baixa foi fator de risco, provavelmente porque reduz o sangue que chega ao nervo.6 A lista serve para decidir quem examinar mais cedo, não para adivinhar quem vai ter a doença: ter fatores de risco não é ter glaucoma, e não ter nenhum não descarta.

Glaucoma é comum? Os números no Brasil e no mundo

Sim, e a maior parte das pessoas que têm não sabe.

A revisão que reuniu 50 estudos populacionais estimou que 3,54% das pessoas entre 40 e 80 anos têm glaucoma, o que representava 76 milhões de pessoas em 2020 e deve chegar a 112 milhões em 2040. A prevalência de glaucoma de ângulo aberto é maior na África (4,2%); a de ângulo fechado, na Ásia.2

No Brasil, o Projeto Glaucoma examinou 1.636 pessoas acima de 40 anos no Sul do país e encontrou glaucoma em 3,4%, sendo 2,4% de ângulo aberto e 0,7% de ângulo fechado. O dado que mais importa para quem lê esta página é outro: apenas 12% das pessoas com glaucoma primário sabiam que tinham a doença. Quase nove em cada dez foram descobertas pelo estudo.3

Esse número é a razão de existir uma consulta de rastreamento. Não há dor, não há sintoma, e a única forma de encontrar o glaucoma cedo é procurar por ele em quem não sente nada.

Os tipos de glaucoma, em uma linha cada

A classificação importa porque muda a urgência, os exames e o tratamento.

  • Primário de ângulo aberto. O mais comum. O ângulo de drenagem está aberto, mas o filtro resiste. Lento e silencioso.
  • De pressão normal. Dano típico no nervo com pressão sempre dentro da faixa habitual. Tratado da mesma forma: baixando a pressão que existe.
  • De ângulo fechado. A íris bloqueia o filtro. Pode ser crônico ou fechar de repente, em uma crise aguda com dor forte, olho vermelho, visão embaçada e enjoo, que é emergência.
  • Secundário. Consequência de outra condição: inflamação, trauma, corticoide, diabetes avançado, catarata madura, cirurgias prévias.
  • Congênito e infantil. Raro. Aparece em bebês e crianças, com lacrimejamento, aversão à luz e olhos grandes, e tem tratamento próprio.

Cada tipo tem uma página detalhada em tipos de glaucoma. O que vale reter aqui é que "glaucoma" sem sobrenome quase sempre se refere ao primário de ângulo aberto.

Como o glaucoma é diagnosticado

Com quatro exames que se completam: pressão, nervo óptico, ângulo e campo visual.

A tonometria mede a pressão intraocular. O exame de fundo de olho mostra o disco óptico e a escavação, a marca visível da perda de fibras. A gonioscopia vê se o ângulo de drenagem está aberto ou fechado, o que define o tipo. O campo visual mede a função: onde a pessoa deixou de enxergar. E o OCT, uma tomografia por luz, mede a espessura das fibras nervosas com precisão de micrômetros; em uma revisão de 150 estudos com mais de 16 mil olhos, a medida da camada de fibras pelo OCT distinguiu olhos com e sem glaucoma com acurácia de cerca de 0,90, numa escala em que 1,0 é perfeito.10

Nenhum deles fecha o diagnóstico sozinho, e resultados alterados costumam ser repetidos antes de qualquer decisão. As diretrizes europeia e americana são explícitas: o diagnóstico é a soma de estrutura, função e contexto, não um valor de corte de pressão.11 12 O guia de exames para glaucoma explica como cada um é feito e o que significa o resultado.

Tabela visual que diferencia hipertensão ocular, suspeita de glaucoma e glaucoma confirmado
Figura 3. Pressão alta sem dano é hipertensão ocular. Nervo alterado sem defeito funcional é suspeita. Nervo e campo alterados é glaucoma.

Dá para evitar o glaucoma?

Não dá para impedir que ele apareça. Dá para impedir que ele avance, e isso depende de descobri-lo cedo.

Não existe alimento, colírio, exercício ou suplemento que previna o glaucoma. O que existe é evidência forte de que baixar a pressão do olho, em quem tem pressão alta, reduz o risco de a doença surgir. No Ocular Hypertension Treatment Study, quem usou colírio para reduzir a pressão em cerca de 20% teve 4,4% de chance de desenvolver glaucoma em cinco anos, contra 9,5% de quem não tratou. O risco caiu para menos da metade.7 O próprio estudo ressalva que isso não significa tratar toda pressão limítrofe: a decisão depende do risco individual, calculado com idade, pressão, espessura da córnea e aspecto do nervo.

Duas medidas concretas estão ao alcance de qualquer pessoa. A primeira é fazer o exame a partir dos 40 anos, ou antes se houver parente de primeiro grau com a doença. A segunda é não usar corticoide por conta própria, em nenhuma forma, sem controle da pressão ocular.

O que acontece depois do diagnóstico

O tratamento não cura, mas muda a história da doença. Os números ajudam a entender quanto.

No Early Manifest Glaucoma Trial, pessoas com glaucoma recém-descoberto foram sorteadas para tratar de imediato ou aguardar. Depois de seis anos, a doença progrediu em 45% das tratadas e em 62% das não tratadas, e quando progrediu, progrediu mais tarde.8 Baixar a pressão funcionou em pessoas mais velhas e mais jovens, com pressão alta e normal, com pouca e com mais perda inicial.

O que está em jogo também tem número. Em uma coorte sueca de 592 pacientes acompanhados até a morte, 42% ficaram cegos de pelo menos um olho por glaucoma e 16%, um em cada seis, dos dois olhos; na maioria a cegueira chegou muito tarde na vida, e a duração mediana da cegueira bilateral foi de dois anos.13 Diagnóstico tardio e falta de acompanhamento pesam mais nesse desfecho do que a doença em si.

As ferramentas são três: colírios, laser e cirurgia. A escolha depende do tipo de glaucoma, do estágio, da velocidade de progressão e da vida de cada pessoa. A pergunta que todo mundo faz, glaucoma tem cura?, tem resposta detalhada, com o que cada tratamento consegue e o que não consegue.

Quando procurar o oftalmologista

Em dois cenários bem diferentes: com urgência e sem urgência.

Com urgência, no mesmo dia: dor forte em um olho, olho vermelho, visão embaçada de repente, halos coloridos ao redor das luzes, dor de cabeça, náusea ou vômito. Esse conjunto pode ser uma crise de fechamento angular, e cada hora conta.1

Sem urgência, mas sem adiar: quem tem 40 anos ou mais e nunca examinou o nervo óptico; quem tem parente próximo com glaucoma; quem tem miopia alta; quem usa corticoide; quem já ouviu que a pressão do olho estava alta ou que a escavação era grande. Para essas pessoas a consulta é a única forma de saber, porque não vai haver sintoma.

A consulta de avaliação inclui a medida da acuidade visual, a pressão intraocular, o exame na lâmpada de fenda e o fundo de olho, com exame do nervo óptico. Exames complementares, como OCT e campo visual, são pedidos a partir dela quando há indicação. A consulta particular custa R$ 180 no Pix ou R$ 200 no cartão, nas cinco unidades; com plano de saúde, a consulta com oftalmologista da rede credenciada é de cobertura obrigatória.

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Perguntas frequentes

O que é glaucoma no olho?

É uma doença que destrói progressivamente o nervo óptico, o cabo que leva a imagem do olho ao cérebro. A perda começa pela visão lateral, não dói e não é percebida no início. O principal fator de risco tratável é a pressão dentro do olho.

Glaucoma é a mesma coisa que pressão alta no olho?

Não. Pressão alta sem dano no nervo é hipertensão ocular; é fator de risco, não doença. Glaucoma é o dano no nervo, que pode acontecer com pressão alta ou normal. Muitas pessoas com pressão alta nunca terão glaucoma, e algumas com pressão normal terão.

Como é a visão de quem tem glaucoma?

Nas fases iniciais e moderadas, a pessoa não percebe falha nenhuma: o cérebro preenche as áreas perdidas. Quando algo é notado, são manchas borradas ou partes faltando na cena, não um túnel preto. Em um estudo, 26% dos pacientes com defeito no campo visual não sabiam que tinham perda.

Quais são as causas do glaucoma?

A mais importante é a pressão intraocular elevada, causada pela dificuldade de drenagem do líquido do olho. Contribuem a fragilidade individual do nervo, a circulação que o alimenta e a genética. Formas secundárias podem ser causadas por inflamação, trauma, corticoide ou outras doenças do olho.

Glaucoma é hereditário?

Existe forte componente familiar. Ter pai, mãe, irmão ou filho com glaucoma multiplica o risco, e por isso parentes de primeiro grau devem ser examinados mais cedo e com mais frequência. Não é uma herança certa: ter um parente com a doença não significa que você terá.

Com que idade o glaucoma aparece?

O glaucoma primário de ângulo aberto fica mais comum a partir dos 40 anos e aumenta a cada década. Pode aparecer antes, sobretudo em quem tem história familiar, miopia alta ou ascendência africana. As formas congênita e juvenil são raras e começam na infância ou na adolescência.

O que é glaucoma inicial?

É a fase em que o nervo já mostra sinais de dano e o campo visual tem defeitos pequenos, em geral na periferia, sem que a pessoa perceba. É a fase em que o tratamento tem mais a proteger, porque a visão central está intacta.

Glaucoma tem cura?

Não. As fibras do nervo perdidas não voltam. O que existe é controle: com colírios, laser ou cirurgia, a pressão é reduzida e a progressão desacelera ou para. Quem descobre cedo e trata tende a manter visão útil pela vida inteira.

Como evitar o glaucoma?

Não há como impedir que ele surja. O que se evita é a perda de visão, descobrindo a doença cedo: exame a partir dos 40 anos, ou antes com fatores de risco, e nunca usar corticoide sem controle da pressão ocular.

Glaucoma dói?

A forma mais comum não dói em nenhuma fase. Dor forte no olho com vermelhidão, visão embaçada e enjoo é típica da crise de glaucoma agudo de ângulo fechado, uma emergência que precisa de atendimento no mesmo dia.

Quem tem glaucoma pode ficar cego?

Pode, se a doença não for tratada ou avançar apesar do tratamento. Em uma coorte sueca acompanhada até o fim da vida, cerca de um em cada seis pacientes ficou cego dos dois olhos por glaucoma. O diagnóstico precoce e o tratamento reduzem muito esse risco.

Qual exame detecta o glaucoma?

Nenhum sozinho. O diagnóstico combina medida da pressão, exame do nervo óptico no fundo de olho, gonioscopia, campo visual e OCT. Os dois últimos são os que documentam o dano e permitem acompanhar se ele avança.

Referências científicas e institucionais

  1. Jonas JB, Aung T, Bourne RR, Bron AM, Ritch R, Panda-Jonas S. Glaucoma. Lancet. 2017;390(10108):2183-2193. DOI: 10.1016/S0140-6736(17)31469-1. PMID: 28577860.
  2. Tham YC, Li X, Wong TY, Quigley HA, Aung T, Cheng CY. Global prevalence of glaucoma and projections of glaucoma burden through 2040: a systematic review and meta-analysis. Ophthalmology. 2014;121(11):2081-2090. DOI: 10.1016/j.ophtha.2014.05.013. PMID: 24974815.
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  7. Kass MA, Heuer DK, Higginbotham EJ, et al. The Ocular Hypertension Treatment Study: a randomized trial determines that topical ocular hypotensive medication delays or prevents the onset of primary open-angle glaucoma. Arch Ophthalmol. 2002;120(6):701-713. DOI: 10.1001/archopht.120.6.701. PMID: 12049574.
  8. Heijl A, Leske MC, Bengtsson B, et al.; Early Manifest Glaucoma Trial Group. Reduction of intraocular pressure and glaucoma progression: results from the Early Manifest Glaucoma Trial. Arch Ophthalmol. 2002;120(10):1268-1279. DOI: 10.1001/archopht.120.10.1268. PMID: 12365904.
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  11. Pazos M, Traverso CE, Viswanathan A, et al. European Glaucoma Society – Terminology and guidelines for glaucoma, 6th Edition. Br J Ophthalmol. 2025;109(Suppl 1):1-212. DOI: 10.1136/bjophthalmol-2025-egsguidelines. PMID: 41026937.
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  13. Peters D, Bengtsson B, Heijl A. Lifetime risk of blindness in open-angle glaucoma. Am J Ophthalmol. 2013;156(4):724-730. DOI: 10.1016/j.ajo.2013.05.027. PMID: 23932216.

Revisão médica: Dr. Fernando Macei Drudi, médico oftalmologista, CRM-SP 139.300 · RQE 50.645. Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui consulta, exame ou orientação médica individual.

Revisão médica: Dra. Priscilla Rodrigues de Almeida (CRM-SP 148.173, RQE 59.216), em 23 de setembro de 2026. Como revisamos o conteúdo.

Aviso importante: Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico oftalmologista. Em caso de sintomas ou dúvidas sobre sua saúde ocular, procure atendimento médico especializado.

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