Resumo em linguagem simples
Calázio é uma bolinha firme e, em geral, indolor na pálpebra, que aparece quando uma glândula de óleo da pálpebra entope. Não é infecção e não é contagioso. Muitos começam como um terçol que parou de doer. Compressa morna, massagem e higiene das pálpebras resolvem a maioria em 2 a 8 semanas; antibiótico não faz o calázio sumir. Quando ele persiste, atrapalha a visão ou volta no mesmo lugar, o oftalmologista pode injetar corticoide ou drenar no consultório. Em adultos, calázio que recidiva sempre no mesmo ponto precisa de avaliação para excluir tumor de pálpebra.
Calázio é a bolinha firme e, em geral, indolor que fica na pálpebra quando uma glândula de óleo (glândula de Meibômio) entope. Não é infecção e não passa de uma pessoa para outra.[1] Muitos começam como um terçol que parou de doer e "não foi embora". Compressa morna, massagem suave e higiene das pálpebras resolvem a maioria em algumas semanas; antibiótico não faz o calázio sumir.[2] Quando ele persiste, atrapalha a visão ou volta no mesmo lugar, o oftalmologista pode injetar corticoide no nódulo ou drená-lo no consultório, com anestesia local.[2] Em adultos, um "calázio" que recidiva sempre no mesmo ponto precisa de avaliação para excluir tumor de pálpebra.[3]
Pontos-chave
- Calázio é inflamação lenta ao redor de óleo preso numa glândula da pálpebra; terçol (hordéolo) é infecção aguda, dolorida, na borda da pálpebra.[1]
- É uma das doenças de pálpebra mais comuns em todas as idades, e mais frequente em quem tem blefarite, rosácea ou disfunção das glândulas de Meibômio.[1]
- A base do tratamento é calor: compressa morna por 10 a 15 minutos, 3 a 4 vezes ao dia, seguida de massagem suave e limpeza da borda dos cílios.[2]
- Em crianças, o tratamento conservador resolveu 85,7% dos calázios num estudo com 91 pacientes; quanto menor a criança e a lesão, maior a chance de sumir sem procedimento.[4]
- Injeção de corticoide e drenagem com curetagem têm resultados comparáveis em muitos casos; a escolha depende do tamanho, do tempo de evolução e da preferência de médico e paciente.[2]
- Lesão que recidiva no mesmo lugar, perde cílios, sangra ou cresce de forma irregular precisa de biópsia.[3]
O que é o calázio
A pálpebra tem dezenas de glândulas que produzem a parte oleosa da lágrima, as glândulas de Meibômio, com saída na borda da pálpebra, atrás dos cílios. Quando a saída de uma delas entope, o óleo fica preso e o organismo reage com uma inflamação lenta ao redor dele. O resultado é um nódulo firme, geralmente indolor, no meio da pálpebra, que pode aparecer em cima ou embaixo.[1]
O calázio é uma das doenças de pálpebra mais comuns em todas as idades. Ele é mais frequente em quem tem blefarite (inflamação crônica da borda das pálpebras), rosácea ou disfunção das glândulas de Meibômio, porque essas condições deixam o óleo mais espesso e as saídas entopem com mais facilidade.[1]
Calázio ou terçol: como diferenciar
Os dois começam parecidos, com a pálpebra inchada e sensível, e nos primeiros dias nem o médico consegue separá-los com certeza. Depois disso, o comportamento muda.[3]
| Terçol (hordéolo) | Calázio | |
|---|---|---|
| Causa | Infecção de uma glândula, em geral por bactéria da própria pele | Glândula entupida, sem infecção |
| Dor | Dói, principalmente ao toque | Costuma não doer depois da fase inicial |
| Onde fica | Na borda da pálpebra, perto dos cílios | No meio da pálpebra, mais afastado da borda |
| Aparência | Vermelho, com ponto de pus | Bolinha firme sob a pele, sem pus |
| Tempo | Melhora em 1 a 2 semanas | Pode durar semanas ou meses |
Muitos calázios começam como um terçol que "cicatrizou" deixando o óleo preso. Por isso é comum o paciente dizer que o terçol não foi embora. Se a sua dúvida é o terçol, veja o artigo Terçol no olho: causas, tratamento e como curar.
Sintomas
- Bolinha ou caroço na pálpebra, de alguns milímetros a mais de um centímetro.
- Pálpebra um pouco inchada ou pesada.
- Em calázios grandes da pálpebra de cima, visão embaçada, porque o nódulo pressiona a córnea e muda temporariamente o grau (astigmatismo).[1]
- Se a pele sobre o nódulo fica vermelha e dolorida, pode ter havido infecção secundária, ou o calázio está drenando por conta própria.
O que fazer em casa
A base do tratamento é calor e massagem, para amolecer o óleo preso e ajudar a glândula a esvaziar.[2]
- Compressa morna: uma gaze ou toalha limpa umedecida em água morna (não quente), sobre a pálpebra fechada, por 10 a 15 minutos, 3 a 4 vezes ao dia.
- Massagem suave logo depois da compressa, com o dedo limpo, no sentido da borda da pálpebra.
- Higiene das pálpebras: limpar a borda dos cílios com xampu neutro diluído ou produto próprio para pálpebras, principalmente em quem tem blefarite.
Antibiótico, em colírio ou pomada, não resolve o calázio, porque não há infecção; ele pode ser indicado pelo médico quando há blefarite ou infecção secundária.[2] Também não adianta apertar ou tentar furar a bolinha: isso machuca a pálpebra e pode infectar.
Com esses cuidados, a maioria dos calázios regride em algumas semanas. Em crianças com menos de 15 anos, um estudo com 101 calázios em 91 pacientes encontrou resolução com tratamento conservador em 85,7% dos casos: 96,7% até os 2 anos, 86,8% dos 3 aos 6 e 69,7% dos 7 aos 15. Quanto menor a criança e menor a lesão, maior a chance de o calázio sumir sem procedimento.[4]
Quando procurar o oftalmologista
- A bolinha não melhorou depois de 3 a 4 semanas de compressas.
- Está grande, atrapalha a visão ou incomoda ao piscar.
- Voltou no mesmo lugar depois de drenada, ou aparece repetidamente.
- Há dor forte, pele muito vermelha e quente, febre ou o inchaço se espalhou para além da pálpebra: pode ser celulite palpebral e precisa de atendimento no mesmo dia.
- A bolinha tem aspecto diferente: perde cílios ao redor, sangra, ulcera ou cresce de forma irregular. Em adultos, um "calázio" que recidiva sempre no mesmo lugar pode ser outra lesão e precisa de biópsia para excluir tumor de pálpebra, como o carcinoma sebáceo.[3]
Como o oftalmologista trata
Quando o calázio persiste, há duas opções principais, feitas no consultório com anestesia local.[2]
- Injeção de corticoide no nódulo: reduz a inflamação e o tamanho da lesão em boa parte dos casos e pode ser repetida. Em pessoas de pele mais escura, há risco pequeno de clareamento da pele no local da injeção.[2]
- Drenagem com curetagem: uma pequena incisão por dentro da pálpebra, sem cicatriz visível, para esvaziar o conteúdo e raspar a cápsula. O procedimento leva alguns minutos; a pálpebra fica inchada por alguns dias e a pessoa volta às atividades normais logo depois.[1]
Uma revisão de ensaios clínicos publicada em 2024 concluiu que a injeção de corticoide e a drenagem cirúrgica têm resultados comparáveis em muitos casos, e que a escolha depende do tamanho, do tempo de evolução e da preferência de médico e paciente. Técnicas como luz intensa pulsada com expressão das glândulas vêm sendo estudadas para calázios de repetição, mas ainda não substituem os tratamentos padrão.[2] Em todos os casos, tratar a blefarite associada é o que reduz o risco de novos calázios.[1]
Perguntas frequentes
Calázio é contagioso?
Não. Não há infecção envolvida, então ele não passa de uma pessoa para outra nem de um olho para o outro.
Posso usar pomada de terçol no calázio?
As pomadas com antibiótico tratam infecção, e o calázio não é infecção. Elas podem ser indicadas pelo médico quando há blefarite ou infecção secundária, mas não fazem o nódulo desaparecer.
Calázio pode virar câncer?
O calázio em si não vira tumor. O cuidado é outro: uma lesão que parece calázio, mas volta sempre no mesmo lugar ou tem aspecto atípico, pode ser um tumor de pálpebra desde o início. Por isso, calázios recorrentes em adultos são examinados com mais atenção e, se preciso, biopsiados.
Quanto tempo depois da drenagem o olho volta ao normal?
O inchaço diminui em poucos dias. O médico costuma indicar compressas frias nas primeiras 24 horas e uma pomada por alguns dias.
Criança pode ter calázio?
Sim, é comum. Na maioria das crianças, compressas mornas e higiene resolvem; o procedimento fica para lesões grandes ou que não melhoram com o tratamento conservador.
Referências
- Kim ES, Afshin EE, Elahi E. The lowly chalazion. Surv Ophthalmol. 2023;68(4):784-793. DOI: 10.1016/j.survophthal.2022.11.002. PMID: 36395826.
- Tashbayev B, Chen X, Utheim TP. Chalazion Treatment: A Concise Review of Clinical Trials. Curr Eye Res. 2024;49(2):109-118. DOI: 10.1080/02713683.2023.2279014. PMID: 37937798.
- Loth C, Miller CV, Haritoglou C, Messmer EM. Hordeolum and chalazion: (differential) diagnosis and treatment. Ophthalmologe. 2022;119(1):97-108. DOI: 10.1007/s00347-021-01436-y. PMID: 34379160.
- Yang SA, Chambers CB, Kang MS, Ahn JH. Conservative Treatment of Chalazion in Pediatric Patients. J Craniofac Surg. 2024 (publicado on-line em 17 set. 2024). DOI: 10.1097/SCS.0000000000010644. PMID: 39287407.
Revisão médica: Dr. Fernando Macei Drudi (CRM-SP 139.300, RQE 50.645), em 17 de outubro de 2026. Como revisamos o conteúdo.
Aviso importante: Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico oftalmologista. Em caso de sintomas ou dúvidas sobre sua saúde ocular, procure atendimento médico especializado.