Resumo em linguagem simples
Este artigo explica de forma acessível o que é buraco macular: sintomas, tamanho, cirurgia e recuperação, incluindo causas, sintomas, diagnóstico e opções de tratamento disponíveis no Instituto Dru...
Resposta rápida. O buraco macular é uma abertura no centro da retina. Causa distorção das linhas retas e uma mancha no meio da visão — sempre em um olho de cada vez, e sem dor. Não existe colírio nem medicamento que o feche: o tratamento é cirúrgico, com taxa de fechamento acima de 90%. O número que mais importa no seu laudo de OCT é o tamanho do buraco em micrômetros, porque é ele que define a técnica e o prognóstico.
O que é o buraco macular
A mácula é a região central da retina, do tamanho aproximado de um grão de arroz, responsável por tudo que você enxerga com detalhe: ler, reconhecer rostos, ver o número do ônibus. No meio dela existe uma depressão chamada fóvea, onde a concentração de fotorreceptores é máxima.
O buraco macular é uma abertura de espessura total exatamente nesse ponto — o tecido se rompe e deixa de existir ali.
Muitos pacientes chamam de "buraco na retina", e não está errado. Mas vale a distinção: existem também rasgaduras na periferia da retina, que são outra doença, com outro tratamento (fotocoagulação a laser) e outro risco (descolamento de retina). Quando o oftalmologista diz "buraco macular", está falando do centro.
A visão periférica não é afetada. Você continua enxergando lateralmente, o que significa que ninguém fica cego por um buraco macular isolado. O que se perde é o centro — justamente a parte que mais faz falta.
Qual o CID do buraco macular
Na CID-10, o buraco macular é codificado em H35.3 — Degeneração da mácula e do polo posterior. Não existe um código exclusivo para buraco macular na CID-10 brasileira, o que às vezes gera confusão em guias de convênio. Peça que o relatório médico descreva o diagnóstico por extenso, junto com o tamanho medido no OCT.
Por que o buraco se forma
Figura 1. O gel que preenche o olho encolhe com a idade. Quando está grudado na mácula, puxa o tecido até romper.
O interior do olho é preenchido por um gel transparente, o vítreo. Com o passar dos anos ele encolhe e se desprende da retina — um processo chamado descolamento posterior do vítreo, que acontece com quase todo mundo depois dos 60 e costuma passar sem consequências, no máximo deixando algumas moscas volantes.
O problema surge quando o vítreo está firmemente aderido justamente no centro da mácula. Ao encolher, ele não solta: puxa.
Essa tração levanta a fóvea, forma cistos dentro do tecido e, se persistir, rompe. O fragmento arrancado às vezes fica visível flutuando acima do buraco — é o opérculo.
Nem toda tração vira buraco. Na maioria das pessoas o vítreo se solta sem causar dano. E existe uma etapa intermediária, a tração vitreomacular, em que há puxão mas ainda não há ruptura — nessa fase, parte dos casos se resolve sozinha quando o vítreo finalmente solta.
Outras causas
- Alta miopia — olhos alongados têm retina mais fina e comportamento próprio (mais adiante)
- Trauma ocular — pancada direta, com mecanismo diferente
- Membrana epirretiniana — a contração do tecido cicatricial pode abrir um buraco
- Após cirurgias ou doenças da retina — oclusão venosa, retinopatia diabética, descolamento prévio
Quando o buraco decorre dessas causas, chama-se secundário. Quando vem da tração vítrea pura, primário — a forma mais comum.
Sintomas — e o teste que você faz em casa
Figura 2. Olhando o ponto central com um olho de cada vez, a distorção aparece.
Os sintomas são exclusivamente centrais e indolores:
- Metamorfopsia — linhas retas parecem tortas, onduladas ou curvadas. Batentes de porta, azulejos, linhas de texto
- Embaçamento central — dificuldade para enxergar detalhes finos
- Escotoma — uma mancha cinza ou escura bem no meio da visão, que não sai ao piscar
- Micropsia — objetos parecem menores com o olho afetado que com o outro
O detalhe que atrasa o diagnóstico: como o outro olho compensa, muita gente só percebe por acaso — tampando um olho na frente do espelho, ou notando que perdeu a visão de um lado ao fazer um exame de rotina.
O teste de Amsler
É um quadriculado simples, com um ponto no centro. Você pode imprimir ou usar uma folha de papel quadriculado.
- Use os óculos de leitura, se usar
- Segure a folha a cerca de 30 cm dos olhos
- Tape um olho e fixe o ponto central
- Sem desviar o olhar do ponto, observe as linhas ao redor
- Repita com o outro olho
Se as linhas parecerem tortas, borradas, ou se faltar um pedaço da grade, procure um oftalmologista. Esse teste não diagnostica nada sozinho, mas detecta alterações que passariam despercebidas.
O tamanho decide tudo
Figura 3. A classificação atual não é por estágio, é por micrômetros.
Esta é a informação mais útil deste artigo, e a que costuma faltar nas explicações.
Desde 2013, a classificação usada mundialmente é a do International Vitreomacular Traction Study Group (IVTS), baseada em OCT [1]. Ela classifica o buraco por três coisas:
1. Tamanho — medido no menor diâmetro, em micrômetros:
| Tamanho | Medida | O que significa |
|---|---|---|
| Pequeno | até 250 µm | Melhor prognóstico. Fechamento acima de 95% com técnica padrão |
| Médio | 250 a 400 µm | Bom prognóstico. Fechamento em torno de 90% |
| Grande | acima de 400 µm | Fechamento menor com técnica simples. Exige estratégia diferente |
2. Presença de tração vitreomacular — se o vítreo ainda está puxando ou já soltou.
3. Causa — primário (por tração) ou secundário (por outra doença).
Por que isso muda tudo: o tamanho define qual técnica cirúrgica usar, qual a chance de fechamento, quanta visão esperar de volta e até se vale a pena impor posicionamento no pós-operatório. Um laudo que diz "estágio 3" sem dizer se o buraco tem 280 ou 620 µm está omitindo o número que o cirurgião realmente usa.
Se você tem um laudo de OCT em mãos, procure o menor diâmetro em micrômetros. Cuidado para não confundir com a espessura macular central, que é outra medida e aparece em outros exames.
E os estágios de Gass?
Você vai encontrar em muitos textos a classificação em estágios de 1 a 4, descrita por Donald Gass nos anos 1980, antes da existência do OCT:
- Estágio 1 — fóvea cística, buraco iminente. Parte regride sozinha
- Estágio 2 — buraco pequeno de espessura total, vítreo ainda aderido
- Estágio 3 — buraco maior, vítreo ainda parcialmente aderido
- Estágio 4 — buraco com descolamento vítreo completo
Ela não está errada — descreve bem a evolução natural. Mas hoje é complementar. A conduta se baseia no tamanho e na tração, não no estágio.
Não é tudo buraco: lamelar e pseudoburaco
Três coisas diferentes aparecem em laudos e são frequentemente confundidas. A distinção importa porque duas delas geralmente não precisam de cirurgia.
Buraco de espessura total — a abertura atravessa toda a retina, da superfície ao epitélio pigmentar. É o buraco macular propriamente dito, e é o que se opera.
Buraco lamelar — um defeito parcial, que atinge apenas as camadas internas. A retina continua íntegra por baixo. Costuma dar sintomas leves e frequentemente é apenas acompanhado.
Pseudoburaco — não há perda de tecido nenhuma. Uma membrana epirretiniana contraída deixa a fóvea com aparência de buraco, mas é ilusão de forma. Se houver sintoma, trata-se a membrana, não o "buraco".
Se o seu laudo diz lamelar ou pseudo, o cenário é diferente e bem menos preocupante. Vale perguntar ao seu oftalmologista qual dos três é o seu caso.
Buraco macular míope e traumático
Na alta miopia, o buraco tem comportamento próprio: a retina é mais fina, o olho é mais alongado e existe risco associado de descolamento de retina. O fechamento é mais difícil, as técnicas usadas são mais elaboradas e o prognóstico é mais reservado. É uma situação clínica distinta, que não deve ser comparada com o buraco macular idiopático do idoso.
No buraco traumático, tipicamente em pessoas jovens após pancada no olho, existe uma particularidade importante: parte dos casos fecha espontaneamente, sobretudo nos primeiros meses. Por isso, em pacientes jovens com buraco recente por trauma, uma conduta expectante de algumas semanas a meses pode ser razoável antes de indicar cirurgia.
O diagnóstico: OCT
Figura 4. O exame demora segundos, não toca no olho e entrega o número que orienta a cirurgia.
O diagnóstico começa no exame de fundo de olho, mas a confirmação e o planejamento vêm da tomografia de coerência óptica.
O OCT produz cortes micrométricos da retina usando luz, sem contato e sem contraste. É o que permite:
- Medir o menor diâmetro — o número que classifica o buraco
- Medir o diâmetro da base — a extensão do descolamento das bordas
- Ver se ainda há tração vitreomacular
- Avaliar os cistos nas bordas, sinal de atividade
- Avaliar a camada dos fotorreceptores, um dos melhores preditores de quanta visão será recuperada
- Diferenciar buraco de espessura total de lamelar e pseudoburaco
O exame do outro olho faz parte da avaliação: em cerca de 20% dos casos há alterações da interface vitreomacular também do lado assintomático.
Existe tratamento sem cirurgia?
Praticamente não — e vale explicar por quê, porque essa pergunta tem uma história.
Não existe colírio, comprimido ou vitamina que feche um buraco macular. Isso é definitivo.
Houve um medicamento injetável. A ocriplasmina (Jetrea) foi aprovada em 2012 nos Estados Unidos e em 2013 na Europa para tração vitreomacular, incluindo quando associada a buracos de até 400 µm. Ela dissolvia enzimaticamente a aderência entre o vítreo e a retina. Funcionava em uma minoria de casos muito selecionados.
Ela não está mais disponível. A Agência Europeia de Medicamentos retirou a autorização de comercialização em 30 de agosto de 2023, a pedido do próprio fabricante, por razões comerciais [7]. No Reino Unido, o NHS já havia descontinuado em 2020. Se você encontrar referências ao Jetrea pesquisando em inglês, é por isso que ele não é oferecido.
Observação tem lugar em duas situações: tração vitreomacular sem buraco ainda formado, onde parte dos casos se resolve espontaneamente; e buraco traumático recente em paciente jovem.
Fora isso, o tratamento é cirúrgico.
A cirurgia: vitrectomia
Figura 5. A cirurgia não é uma só. O que muda é o que se faz com a membrana que recobre a mácula.
A operação chama-se vitrectomia via pars plana. É feita em centro cirúrgico, geralmente com anestesia local e sedação, por microincisões que na maioria das vezes não precisam de pontos.
1. Vitrectomia
O gel vítreo é removido, eliminando qualquer tração sobre a mácula. Isso vale para todos os casos.
2. Peeling da membrana limitante interna
A membrana limitante interna (MLI) é uma película finíssima que recobre a superfície da retina. Removê-la ao redor do buraco elimina a tração residual e aumenta a chance de fechamento. É o padrão em buracos pequenos e médios.
3. Flap invertido de MLI — para buracos grandes
Em vez de retirar a membrana, o cirurgião a solta parcialmente e a dobra sobre o buraco, criando um andaime que serve de suporte para as células fecharem a abertura.
A evidência é específica quanto a quando usar. Uma metanálise de 5 ensaios randomizados com 316 olhos e buracos acima de 400 µm encontrou taxa de fechamento significativamente maior com o flap invertido (razão de chances 3,10) e melhor acuidade visual pós-operatória [4].
Mas outra metanálise, com 269 olhos e buracos abaixo de 400 µm, não encontrou diferença entre flap invertido e peeling convencional, nem no fechamento nem na visão [5].
A leitura prática é direta: o flap invertido é para buraco grande. Em buraco pequeno ou médio, não acrescenta e complica sem necessidade.
4. Enxerto autólogo de retina — para casos refratários
Quando o buraco é muito grande, ou quando já houve uma cirurgia que não fechou, existe uma técnica de resgate: retira-se um pequeno retalho da periferia da própria retina do paciente e ele é posicionado sobre o buraco, funcionando como um enxerto que preenche o defeito.
Não é transplante de doador. Não há fila, não há doador, não há risco de rejeição — o tecido é do próprio olho. Na literatura, a técnica aparece como autologous retinal transplant ou transplante autólogo de retina neurossensorial.
Os resultados em casos que já haviam falhado são consistentes:
- Uma série com 9 olhos refratários a vitrectomia prévia com peeling obteve fechamento em 8 de 9 (89%), com a visão média subindo de 20/1600 para 20/200 [10]
- Outra série de 9 olhos com seguimento de 24 meses manteve o fechamento em todos, com melhora visual estável [9]
- Uma terceira, com buracos de diâmetro basal médio de 1.146 µm, obteve fechamento em todos [8]
É uma cirurgia de resgate, não de primeira linha. No Instituto Drudi e Almeida, tanto o flap invertido quanto o enxerto autólogo fazem parte do arsenal, e a escolha é feita conforme o tamanho e a história do buraco.
5. O tamponamento com gás
Ao final, o olho é preenchido com uma bolha de gás. Ela funciona como um curativo interno: mantém a área seca e pressiona suavemente as bordas do buraco enquanto elas se aproximam.
O gás e o que esperar dele
Usamos dois gases, escolhidos conforme o caso:
| Gás | Duração aproximada | Quando é preferido |
|---|---|---|
| SF6 (hexafluoreto de enxofre) | 2 a 3 semanas | Buracos menores, quando basta um tamponamento mais curto |
| C3F8 (perfluorpropano) | 6 a 8 semanas | Buracos grandes, casos refratários, quando se quer suporte prolongado |
Como fica a visão nesse período: enquanto o olho está cheio de gás, a visão é muito baixa — frequentemente só percepção de luz e vultos. Conforme o gás é absorvido, você passa a ver uma linha horizontal atravessando o campo, que é a superfície da bolha. Essa linha desce progressivamente, até desaparecer.
É desconcertante para quem não foi avisado, e completamente normal.
Não voe de avião enquanto houver gás
Esta é a orientação de segurança mais importante do pós-operatório, e a mais esquecida.
O gás dentro do olho expande quando a pressão externa cai. Numa cabine de avião, essa expansão pode elevar a pressão intraocular a níveis que interrompem a circulação da retina e causar perda visual irreversível.
Enquanto houver qualquer gás no olho, está proibido:
- Viajar de avião
- Subir serras e regiões de altitude
- Mergulhar
- Anestesia geral com óxido nitroso — informe qualquer equipe cirúrgica
Muitos serviços fornecem uma pulseira de identificação informando a presença de gás intraocular. Use-a, e informe qualquer médico que for atendê-lo nesse período.
Quem libera o voo é o seu cirurgião, com o exame confirmando que o gás foi absorvido — não a contagem de dias no calendário.
Posicionamento: o que a evidência realmente diz
Aqui vale uma conversa honesta, porque a orientação mudou e muitos textos ainda repetem a versão antiga.
Durante décadas, orientou-se manter a cabeça voltada para baixo por vários dias após a cirurgia, para que a bolha de gás ficasse exatamente sobre a mácula. A posição é desconfortável, atrapalha dormir, comer e trabalhar, e alguns pacientes precisam alugar equipamentos específicos.
A evidência atual não sustenta essa exigência de forma generalizada.
Uma revisão Cochrane atualizada em 2023 reuniu 8 ensaios randomizados com 709 olhos. O fechamento ocorreu em 95 de cada 100 olhos com posicionamento e em 85 de cada 100 sem — diferença que não atingiu significância estatística (risco relativo 1,05; IC 95% 0,99–1,12), com certeza da evidência classificada como baixa [2].
E os autores mediram também o custo humano da recomendação:
- Dor: escore médio 6,52 no grupo posicionado contra 2,53 no grupo livre
- Facilidade: mediana 6 contra 9, numa escala de 0 a 10
- Compressão de nervo: cerca de 3 em cada 1.000
Uma metanálise independente publicada em Ophthalmology Retina chegou ao mesmo resultado e acrescentou o refinamento que orienta a prática: o benefício visual observado foi dirigido pelos buracos grandes [3].
Como isso se traduz na conduta: em buracos grandes, o posicionamento continua fazendo sentido e é recomendado. Em buracos pequenos e médios, a evidência não justifica impor dias de sofrimento — e a orientação pode ser mais flexível, frequentemente limitada a evitar dormir de barriga para cima.
Essa é uma decisão que deve ser conversada individualmente, considerando o tamanho do seu buraco e a sua capacidade de manter a posição. Se você recebeu uma orientação rígida, pergunte o tamanho do seu buraco — a resposta muda a conversa.
Recuperação visual
Figura 6. A visão não volta no dia seguinte. Ela melhora por meses.
A taxa de fechamento anatômico é superior a 90% com técnica adequada. Mas fechar o buraco e recuperar a visão são coisas diferentes, e o intervalo entre uma e outra é longo.
Primeiros dias: visão muito baixa por causa do gás. Colírios várias vezes ao dia. Algum desconforto é esperado.
Primeiras semanas: conforme o gás é absorvido, a visão começa a aparecer. A distorção costuma melhorar antes da nitidez — muitos pacientes notam que as linhas voltaram a ficar retas antes de conseguirem ler melhor.
Primeiros meses: melhora progressiva. Retornos com OCT para confirmar o fechamento e acompanhar a reconstrução das camadas.
Até 12 meses: o ganho continua. É comum a visão do sexto mês ser melhor que a do terceiro, e a do décimo segundo melhor ainda.
O que determina o resultado final: o tamanho do buraco, o tempo que ele ficou aberto e a integridade da camada dos fotorreceptores no OCT pré-operatório. Buracos pequenos e recentes recuperam mais. Buracos grandes e antigos recuperam menos — mas quase sempre recuperam alguma coisa.
Uma expectativa honesta: a maioria dos pacientes melhora, mas poucos voltam exatamente ao que era antes. A distorção costuma diminuir muito, o escotoma central costuma reduzir, e a leitura frequentemente volta a ser possível.
A catarata que vem depois
Esta informação precisa ser dita antes da cirurgia, e frequentemente não é.
Remover o vítreo acelera a formação de catarata. O mecanismo é bem conhecido: sem o gel, a exposição do cristalino ao oxigênio aumenta.
Um estudo do registro americano IRIS analisou 181.540 olhos fácicos submetidos a vitrectomia e encontrou que 46% precisaram de cirurgia de catarata em até 2 anos. Para a vitrectomia por buraco macular especificamente, o risco foi ainda maior que o da vitrectomia padrão (risco relativo 1,27) [6].
O que isso significa na prática:
- Se você já operou catarata, isso não se aplica — o cristalino já foi substituído
- Se você ainda tem cristalino, é bastante provável que precise operar catarata nos próximos 1 a 2 anos
- Isso não é complicação nem erro — é evolução esperada, e a cirurgia de catarata é resolutiva
- Em alguns casos, faz sentido combinar as duas cirurgias no mesmo tempo, evitando um segundo procedimento. Isso é discutido caso a caso
Vale registrar o incômodo real: um paciente que recuperou visão após a vitrectomia pode vê-la piorar de novo alguns meses depois — não por falha, mas pela catarata. Saber disso de antemão evita angústia desnecessária.
Se não fechar na primeira cirurgia
Em menos de 10% dos casos o buraco não fecha, ou reabre. Isso se chama buraco macular refratário, e não é o fim da linha.
As opções incluem:
- Nova vitrectomia com ampliação do peeling de MLI
- Flap invertido, se não tiver sido usado
- Enxerto autólogo de retina — a técnica descrita acima, com os melhores resultados publicados justamente nesse cenário
- Troca do tamponamento para gás de duração mais longa ou, em situações específicas, óleo de silicone
O fator que mais pesa contra é o tempo: buracos que ficam abertos por muitos meses ou anos têm mais dificuldade em fechar e menos tecido viável para recuperar. Por isso a reoperação, quando indicada, não deve ser adiada indefinidamente.
E o outro olho?
É a pergunta que todo paciente faz, e tem resposta.
O risco de desenvolver buraco macular no olho contralateral existe, mas é modesto — a maior parte das séries situa esse risco em torno de 10% a 15% ao longo de anos. O risco é maior quando o outro olho ainda tem o vítreo aderido à mácula, e praticamente desaparece quando o vítreo já se descolou completamente daquele lado.
Isso significa que o OCT do olho bom faz parte da avaliação, e que ele deve ser reavaliado periodicamente.
O que você pode fazer: o teste de Amsler, uma vez por semana, tapando um olho de cada vez. É a forma mais simples de detectar precocemente uma alteração no olho bom — e no caso do buraco macular, detectar cedo significa operar um buraco pequeno em vez de um grande.
Onde tratar em São Paulo
O Instituto Drudi e Almeida realiza cirurgia de buraco macular com todas as técnicas descritas neste artigo — vitrectomia com peeling de MLI, flap invertido para buracos grandes e enxerto autólogo de retina para casos refratários.
As cirurgias são realizadas no MIRA Hospital Oftalmológico. A avaliação e o acompanhamento acontecem nas cinco unidades da Grande São Paulo — Santana, Tatuapé, Lapa, São Miguel Paulista e Guarulhos.
O serviço de retina é conduzido pelo Dr. Fernando Macei Drudi (CRM-SP 139.300 · RQE 50.645).
📞 (11) 5430-2421 · 💬 WhatsApp (11) 91654-4653
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Perguntas frequentes
Buraco macular tem cura?
Tem tratamento com alta taxa de sucesso. A cirurgia fecha o buraco em mais de 90% dos casos, e a maioria dos pacientes recupera parte importante da visão central. A palavra "cura" é imprecisa aqui: o buraco fecha, mas a recuperação visual depende do tamanho, do tempo que ficou aberto e do estado dos fotorreceptores.
Buraco macular cega?
Não causa cegueira. A visão periférica permanece intacta, então a pessoa continua se locomovendo e enxergando lateralmente. O que se perde é a visão central detalhada — leitura, rostos, direção.
Buraco macular pode fechar sozinho?
É incomum, mas acontece em duas situações: buracos muito pequenos, em estágio inicial, quando o vítreo solta espontaneamente; e buracos traumáticos em pacientes jovens, em que o fechamento espontâneo é bem mais frequente. Fora esses cenários, esperar significa deixar o buraco crescer.
Qual o tamanho do meu buraco e por que isso importa?
Está no seu laudo de OCT, em micrômetros, geralmente descrito como menor diâmetro. Até 250 µm é pequeno, de 250 a 400 é médio, acima de 400 é grande. Esse número define a técnica cirúrgica, a chance de fechamento, a expectativa de recuperação e até a necessidade de posicionamento no pós-operatório.
Preciso mesmo ficar de cabeça para baixo?
Depende do tamanho do buraco. Uma revisão Cochrane de 2023 com 709 olhos não encontrou diferença estatisticamente significativa no fechamento entre posicionar e não posicionar, e o benefício visual observado veio dos buracos grandes. Em buracos pequenos e médios, a orientação pode ser mais flexível. Pergunte ao seu cirurgião qual é o tamanho do seu buraco.
Quanto tempo até enxergar de novo?
Enquanto houver gás no olho, a visão fica muito baixa: 2 a 3 semanas com SF6, 6 a 8 semanas com C3F8. Depois disso a visão começa a voltar e continua melhorando por até 12 meses. A distorção geralmente melhora antes da nitidez.
Posso viajar de avião depois da cirurgia?
Não enquanto houver gás no olho. A queda de pressão na cabine faz o gás expandir e pode causar perda visual irreversível. A liberação é dada pelo cirurgião após confirmar no exame que o gás foi absorvido — não por contagem de dias. A mesma restrição vale para altitude e mergulho.
Vou precisar operar catarata depois?
Provavelmente sim, se você ainda tem o cristalino. Um estudo com 181.540 olhos mostrou que 46% dos pacientes fácicos operaram catarata em até 2 anos após a vitrectomia. Não é complicação, é evolução esperada — e a cirurgia de catarata resolve. Em alguns casos vale combinar as duas cirurgias.
E se o buraco não fechar?
Acontece em menos de 10% dos casos e há alternativas: nova vitrectomia com peeling ampliado, flap invertido de MLI se ainda não usado, enxerto autólogo de retina, ou troca do tamponamento. Os melhores resultados publicados com enxerto autólogo vêm justamente de olhos refratários a cirurgia prévia.
O que é enxerto autólogo de retina? É transplante de doador?
Não. O tecido vem da periferia da retina do próprio paciente — não existe fila, doador nem risco de rejeição. Um pequeno retalho é posicionado sobre o buraco e funciona como enxerto. É uma cirurgia de resgate, indicada em buracos muito grandes ou que não fecharam em cirurgias anteriores.
Meu laudo diz buraco lamelar. É a mesma coisa?
Não. O buraco lamelar é um defeito parcial, que atinge só as camadas internas da retina, com o tecido íntegro por baixo. Costuma dar sintomas leves e frequentemente é apenas acompanhado, sem cirurgia. É importante confirmar com seu oftalmologista qual é o seu caso.
O outro olho corre risco?
Existe risco, mas modesto — em torno de 10% a 15% ao longo de anos. É maior quando o vítreo ainda está aderido à mácula daquele lado, e praticamente desaparece quando o vítreo já se descolou. O teste de Amsler semanal é a forma mais simples de vigiar.
Existe colírio ou remédio para buraco macular?
Não. Nenhum colírio, comprimido ou suplemento fecha um buraco macular. Houve um medicamento injetável, a ocriplasmina (Jetrea), aprovado em 2012, mas ele teve a autorização de comercialização retirada na Europa em agosto de 2023 e não está mais disponível.
A cirurgia dói?
O procedimento é feito com anestesia local e sedação, e não dói. No pós-operatório é comum haver desconforto leve, sensação de areia e vermelhidão, controlados com analgésico comum. O maior incômodo relatado costuma ser o posicionamento, quando ele é necessário.
Qual o CID do buraco macular?
H35.3 na CID-10 — degeneração da mácula e do polo posterior. Não há código exclusivo para buraco macular na CID-10 brasileira, o que às vezes gera dúvidas em convênios. Peça que o relatório descreva o diagnóstico por extenso e informe o tamanho medido no OCT.
Referências
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Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo (SBRV). sbrv.org.br
Revisão médica. Conteúdo escrito e revisado por Dr. Fernando Macei Drudi, CRM-SP 139.300 · RQE 50.645 — Retina cirúrgica. Revisão adicional por Dra. Priscilla Rodrigues de Almeida, CRM-SP 148.173 · RQE 59.216. Última revisão médica: 7 de agosto de 2026. Consulte nossa Política Editorial.
Aviso importante. Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico oftalmologista. Se você notou distorção nas linhas retas ou uma mancha no centro da visão, procure avaliação com um especialista em retina.
Aviso importante: Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico oftalmologista. Em caso de sintomas ou dúvidas sobre sua saúde ocular, procure atendimento médico especializado.