Seg–Sex: 8h–18h  |  Sáb: 8h–13h

Ptose palpebral: causas, avaliação e cirurgia

Publicado em 01 de maio de 2026 · Atualizado em 07 de outubro de 2026 · 9 min de leitura

Revisão médica: Dra. Priscilla Rodrigues de Almeida, médica oftalmologista, CRM-SP 148.173, RQE 59.216 (Oftalmologia), em 07 de outubro de 2026. Como revisamos

Imagem de capa do artigo Ptose palpebral: causas, avaliação e cirurgia, conteúdo da categoria plastica-facial.
Dr. Fernando Macei Drudi

Autor

Dr. Fernando Macei Drudi

CRM-SP 139.300 | RQE 50.645

Em resumo

A ptose é a pálpebra de cima mais baixa do que deveria. No adulto, a causa mais comum é o afrouxamento do tendão que levanta a pálpebra; na criança, a ptose de nascença pode atrapalhar a visão. A cirurgia corrige a altura, e a técnica depende da força do músculo. Ptose que aparece de repente, com visão dupla ou pupilas diferentes, precisa de avaliação urgente.

Neste artigo

Ptose palpebral é a pálpebra de cima mais baixa do que deveria, a ponto de cobrir parte da pupila. É diferente do excesso de pele das pálpebras, a dermatocálase, em que a pele pesa sobre a pálpebra sem que a borda dela desça. No adulto, a causa mais comum é o afrouxamento do tendão que levanta a pálpebra; na criança, a ptose de nascença pode atrapalhar o desenvolvimento da visão. Quando há indicação, o tratamento é cirúrgico, e a técnica depende da força do músculo que levanta a pálpebra.[1][3]

Ptose ou excesso de pele?

As duas deixam o olhar com aspecto cansado, mas não são a mesma condição. Na ptose, a borda da pálpebra de cima está baixa. Na dermatocálase, a borda fica no lugar e o que sobra é pele, que pode cair por cima dela. Para separar uma da outra, o médico levanta o excesso de pele e examina a pálpebra: se a altura e a força do músculo estão normais, não é ptose.[1] As duas podem aparecer juntas, e então a correção da ptose e a blefaroplastia podem ser feitas na mesma cirurgia.[1]

Leia também: Blefaroplastia: indicação, riscos e recuperação.

Quem tem ptose

A ptose está entre as alterações de pálpebra mais comuns no consultório. Estudos regionais encontraram ptose em 4,7% a 13,5% dos adultos, e a frequência sobe com a idade: passa de 20% depois dos 70 anos.[1]

Sintomas

Além do aspecto de olho cansado, a ptose pode tapar a parte de cima do campo de visão. Muita gente passa a levantar o queixo ou as sobrancelhas para enxergar, e o esforço da testa ao longo do dia pode dar dor de cabeça e cansaço visual.[3] Ler e fazer tarefas de perto, com o olhar para baixo, também pode ficar mais difícil.[4]

Causas

A ptose é classificada pelo mecanismo que faz a pálpebra cair.[2][1]

  • Aponeurótica: o tendão do músculo que levanta a pálpebra, a aponeurose, se estica ou se solta. É a forma mais comum no adulto e costuma estar ligada à idade. O uso de lente de contato por muitos anos, rígida ou gelatinosa, e cirurgias anteriores nos olhos também aumentam o risco.[1]
  • Miogênica: o próprio músculo está fraco, como em algumas doenças musculares.[1]
  • Neurogênica: o problema está no nervo ou na transmissão do comando ao músculo, como na paralisia do terceiro nervo craniano, na miastenia gravis e na síndrome de Horner.[1]
  • Mecânica: algo pesa sobre a pálpebra, como um tumor, um cisto ou um inchaço.[1]
  • Congênita: presente desde o nascimento, quase sempre por desenvolvimento incompleto do músculo que levanta a pálpebra.[1][3]

Quando a ptose é urgente

A pálpebra que cai de repente pode ser sinal de um problema neurológico.[1] Ptose de início súbito, sobretudo com visão dupla, uma pupila maior que a outra, dor de cabeça forte ou fraqueza no corpo, precisa de avaliação médica urgente. A ptose que varia ao longo do dia e piora com o cansaço também precisa ser investigada, pela possibilidade de miastenia gravis.[1]

Ptose em crianças

Na criança, a pálpebra caída pode atrapalhar o desenvolvimento da visão e causar ambliopia, o olho preguiçoso. Num estudo com 92 crianças com ptose congênita, 22 (23,9%) tinham ambliopia, quase sempre junto com estrabismo ou diferença de grau entre os olhos, e no olho com a pálpebra mais baixa. Em alguns casos o problema só apareceu ao longo do acompanhamento.[7] Por isso, a criança com ptose precisa de exames regulares. Quando a pálpebra cobre a pupila, a cirurgia costuma ser indicada mais cedo, para não prejudicar a visão.[3]

Como é a avaliação

A consulta mede a posição da pálpebra e procura a causa.

  • Altura da pálpebra: a distância entre o reflexo de luz na pupila e a borda da pálpebra, chamada MRD1. No olho normal, ela fica entre 4 e 5 mm.[1] Quando é de 2 mm ou menos, a ptose costuma atrapalhar a visão.[4]
  • Força do músculo que levanta a pálpebra: o quanto a pálpebra sobe do olhar para baixo ao olhar para cima, com a sobrancelha segura. É o dado que mais pesa na escolha da técnica.[1][3]
  • Teste com colírio de fenilefrina: se a pálpebra sobe depois da gota, uma técnica feita por dentro da pálpebra pode ser uma opção.[1][5]
  • Campo visual: feito com a pálpebra na posição natural e levantada, mostra quanto da visão de cima ela tapa. É um dos exames que documentam a finalidade funcional da cirurgia.[4]
  • Teste do gelo: quando há suspeita de miastenia, uma bolsa de gelo sobre a pálpebra fechada por alguns minutos pode fazer a ptose melhorar. Num estudo com 155 pacientes, o teste foi positivo em 86% dos que tinham miastenia e negativo em 79% dos que não tinham; ele ajuda, mas não fecha o diagnóstico sozinho.[8]
  • Lágrima e fechamento: a cirurgia deixa o olho mais aberto, então o olho seco e o fechamento das pálpebras são avaliados antes.

Como é a cirurgia

A técnica depende do grau da ptose, da causa e da força do músculo que levanta a pálpebra.[1][3]

  • Ressecção do músculo de Müller e da conjuntiva: para a ptose leve em que a pálpebra sobe com a fenilefrina. É feita por dentro da pálpebra, sem corte na pele.[5][1]
  • Reinserção ou avanço da aponeurose: quando o músculo tem boa força e o tendão se soltou. O corte fica no sulco da pálpebra.[6][1]
  • Encurtamento do músculo levantador: quando a força do músculo é moderada.[1][3]
  • Suspensão ao músculo da testa: quando a força é muito pequena, abaixo de 5 mm, como em parte das ptoses congênitas. Um material liga a pálpebra ao músculo da testa, que passa a levantá-la.[3][1]

Quando a ptose atrapalha a visão, a correção melhora o campo visual e as atividades do dia a dia, segundo uma revisão da Academia Americana de Oftalmologia.[4]

Riscos e recuperação

Os riscos incluem sangramento, roxo, infecção, cicatriz, alteração do sulco da pálpebra, correção a mais ou a menos e diferença de altura entre os dois lados. Quando a pálpebra fica alta demais, o olho pode não fechar por completo e a córnea ressecar.[1] Numa análise de 1.519 pacientes operados, 8,7% precisaram de uma nova cirurgia, quase sempre por correção a mais ou a menos.[1]

Inchaço e roxo são comuns nas primeiras semanas. Nesse período, o médico orienta colírios e pomadas lubrificantes, e os retornos acompanham a altura da pálpebra e a cicatrização. Dor forte, piora da visão ou sangramento que não para pedem contato imediato com a equipe.

Onde fazer, quanto custa e convênio

Na Drudi e Almeida, a consulta é feita nas unidades Tatuapé, Lapa e São Miguel Paulista, e a cirurgia de ptose, no MIRA Hospital Oftalmológico, hospital próprio da rede.

No particular, a correção de ptose palpebral custa R$ 7.392 à vista no Pix ou R$ 8.400 no cartão (valores de 2026). O valor da cirurgia inclui os honorários médicos, o MIRA, a anestesia, os exames pré-operatórios e os retornos em até 2 meses. À parte, só o exame anatomopatológico, a análise do tecido retirado, quando é necessário: R$ 900.

Quando a pele ou a pálpebra caída atrapalha a visão, a cirurgia tem finalidade funcional e pode ser feita pelo convênio, sempre com autorização prévia da operadora. Quando a queixa é só estética, a cirurgia e os procedimentos no consultório são particulares. Na rede, Amil, Ameplan Saúde, Bradesco Saúde, Mediservice e Instituto Pró-PM cobrem a cirurgia funcional no MIRA, com autorização prévia; o Prevent Senior não cobre as cirurgias de plástica ocular.

Veja valores, convênios e unidades em Blefaroplastia e plástica ocular em São Paulo.

Agendar avaliação

Perguntas frequentes

Ptose tem tratamento sem cirurgia?

Na maioria dos casos, o tratamento que corrige a altura da pálpebra é a cirurgia. Quando a ptose vem de outra doença, como a miastenia, tratar a causa vem primeiro.[1]

A cirurgia de ptose deixa cicatriz?

Na técnica feita por dentro da pálpebra, não há corte na pele. Nas técnicas pela frente, o corte fica no sulco da pálpebra de cima. A cicatrização varia de pessoa para pessoa.

A ptose pode voltar depois da cirurgia?

A altura pode mudar com o tempo, e uma parte dos pacientes precisa de uma nova cirurgia; numa análise de 1.519 pacientes, foram 8,7%.[1] Os retornos servem para acompanhar isso.

Depende de quanto a pálpebra cobre a pupila e de como a visão está se desenvolvendo. A criança precisa de exames regulares, porque a ambliopia pode aparecer com o tempo.[7]

O convênio cobre a cirurgia de ptose?

Quando a ptose atrapalha a visão, a cirurgia tem finalidade funcional e pode ser feita pelo convênio, sempre com autorização prévia da operadora. Na Drudi e Almeida, Amil, Ameplan Saúde, Bradesco Saúde, Mediservice e Instituto Pró-PM cobrem a cirurgia funcional no MIRA; o Prevent Senior não cobre as cirurgias de plástica ocular.

Referências

  1. Bacharach J, Lee WW, Harrison AR, Freddo TF. A review of acquired blepharoptosis: prevalence, diagnosis, and current treatment options. Eye (Lond). 2021;35(9):2468-81. PMID 33927356. doi 10.1038/s41433-021-01547-5
  2. Frueh BR. The mechanistic classification of ptosis. Ophthalmology. 1980;87(10):1019-21. PMID 7017524. doi 10.1016/s0161-6420(80)35135-x
  3. Finsterer J. Ptosis: causes, presentation, and management. Aesthetic Plast Surg. 2003;27(3):193-204. PMID 12925861. doi 10.1007/s00266-003-0127-5
  4. Cahill KV, Bradley EA, Meyer DR, et al. Functional indications for upper eyelid ptosis and blepharoplasty surgery: a report by the American Academy of Ophthalmology. Ophthalmology. 2011;118(12):2510-7. PMID 22019388. doi 10.1016/j.ophtha.2011.09.029
  5. Putterman AM, Urist MJ. Müller muscle-conjunctiva resection: technique for treatment of blepharoptosis. Arch Ophthalmol. 1975;93(8):619-23. PMID 1156223. doi 10.1001/archopht.1975.01010020595007
  6. Anderson RL, Dixon RS. Aponeurotic ptosis surgery. Arch Ophthalmol. 1979;97(6):1123-8. PMID 375893. doi 10.1001/archopht.1979.01020010577015
  7. Srinagesh V, Simon JW, Meyer DR, Zobal-Ratner J. The association of refractive error, strabismus, and amblyopia with congenital ptosis. J AAPOS. 2011;15(6):541-4. PMID 22153397. doi 10.1016/j.jaapos.2011.08.006
  8. Giannoccaro MP, Paolucci M, Zenesini C, et al. Comparison of ice pack test and single-fiber EMG diagnostic accuracy in patients referred for myasthenic ptosis. Neurology. 2020;95(13):e1800-e1806. PMID 32788239. doi 10.1212/WNL.0000000000010619

Revisão médica: Dr. Fernando Macei Drudi, médico oftalmologista, CRM-SP 139.300, RQE 50.645 (Oftalmologia), e Dra. Priscilla Rodrigues de Almeida, médica oftalmologista, CRM-SP 148.173, RQE 59.216 (Oftalmologia). Atualizado em 7 de outubro de 2026.

Revisão médica: Dra. Priscilla Rodrigues de Almeida (CRM-SP 148.173, RQE 59.216), em 07 de outubro de 2026. Como revisamos o conteúdo.

Aviso importante: Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico oftalmologista. Em caso de sintomas ou dúvidas sobre sua saúde ocular, procure atendimento médico especializado.

Ficou com dúvidas ou quer agendar uma consulta?

Fale com a nossa equipe

Agendar pelo WhatsApp