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Mounjaro e Ozempic Fazem Mal aos Olhos? O Que a Ciência Diz

Publicado em 03 de agosto de 2026 Atualizado em 21 de agosto de 2026 Revisão médica: 09 de agosto de 2026 22 min de leitura Dr. Fernando Macei Drudi
Mounjaro e Ozempic Causam Perda de Visão? Entenda a Relação com a Neuropatia Ópt — ilustração médica de saúde ocular — Instituto Drudi e Almeida Oftalmologia
Dr. Fernando Macei Drudi
Autor Médico
Dr. Fernando Macei Drudi
CRM-SP 139.300 | RQE 50.645

Resumo em linguagem simples

Este artigo explica de forma acessível o que é mounjaro e ozempic fazem mal aos olhos? o que a ciência diz, incluindo causas, sintomas, diagnóstico e opções de tratamento disponíveis no Instituto D...

CID-10: H47.0
Resposta rápida. Existe uma associação descrita entre a **semaglutida** (Ozempic, Wegovy) e uma doença do nervo óptico chamada NAION. Ela foi levantada em 2024 e reavaliada em 2025 num estudo com **3,3 milhões de pacientes**, que encontrou risco **cerca de duas vezes maior** — e **nenhum aumento no primeiro ano de uso**. Para a **tirzepatida** (Mounjaro), não há estudo equivalente. O risco absoluto permanece baixo. **Não interrompa o medicamento por conta própria:** procure atendimento no mesmo dia se houver perda súbita de visão em um olho, e converse com quem prescreveu.

A pergunta direta: esses remédios fazem mal aos olhos?

A resposta honesta tem três partes.

Sim, existe um sinal descrito. Dois estudos independentes encontraram associação entre semaglutida e neuropatia óptica isquêmica. Não é boato de internet.

Mas a magnitude é menor do que as manchetes sugeriram. O estudo maior, com milhões de pacientes, encontrou risco cerca de duas vezes maior — não sete.

E o risco absoluto continua baixo. A doença em questão é rara na população geral. Dobrar um número pequeno ainda resulta num número pequeno.

O que segue explica cada um desses pontos com os dados na mesa.


Os dois estudos que sustentam o debate

Figura 1 — Comparação entre o estudo de Harvard de 2024, com 16.827 pacientes de um único centro, e o estudo de 2025 com 3,3 milhões de pacientes.

Figura 1. O primeiro gerou as manchetes. O segundo, bem maior, encontrou um risco bastante menor.

2024 — o estudo que começou tudo

Segundo o PubMed, pesquisadores do Massachusetts Eye and Ear, ligado à Harvard Medical School, publicaram em JAMA Ophthalmology — e não no New England Journal of Medicine, como circulou em várias reportagens — um estudo de coorte retrospectivo com 16.827 pacientes [1].

Os resultados que viraram manchete:

  • Em pacientes com diabetes tipo 2: risco 4,3 vezes maior (IC 95% 1,62–11,29)
  • Em pacientes com sobrepeso ou obesidade: risco 7,6 vezes maior (IC 95% 2,21–26,36)

O que as reportagens não contaram: o estudo teve 17 e 20 casos de NAION nos grupos expostos. E foi feito em um único centro — que é justamente um serviço de referência em neuro-oftalmologia. Ou seja: a população estudada já concentra, por definição, pacientes com doenças do nervo óptico.

Os próprios autores concluem que, sendo um estudo observacional, é necessário investigar causalidade em trabalhos futuros.

2025 — o estudo que recalibrou o alarme

Um ano depois, segundo o PubMed, um grupo de Taiwan publicou na mesma revista um estudo com a base TriNetX, analisando 3.344.205 pacientes com diabetes — comparando 174.584 usuários de semaglutida com igual número de controles pareados [2].

O risco encontrado foi de cerca de duas vezes, não quatro nem sete. E surgiu um achado que muda a conversa: o tempo de uso importa.


O tempo de uso muda o quadro

Figura 2 — Gráfico mostrando ausência de risco aumentado nos primeiros doze meses de uso, com aumento significativo a partir de dois anos.

Figura 2. No estudo com 3,3 milhões de pacientes, não houve risco aumentado no primeiro ano.

Segundo o PubMed, os resultados por tempo de uso foram [2]:

Tempo após iniciar Risco relativo Estatisticamente significativo?
1 mês 2,99 Não
3 meses 1,33 Não
6 meses 1,79 Não
1 ano 1,94 Não
2 anos 2,39 Sim
3 anos 2,44 Sim
4 anos 2,05 Sim

Duas leituras que importam para você:

Não se detectou aumento de risco no primeiro ano. Isso contraria a impressão, criada pela cobertura da imprensa, de que o risco seria imediato — algo que aconteceria logo nas primeiras aplicações.

A partir de dois anos, o aumento aparece e se mantém em torno de duas vezes. É um sinal consistente, mas de magnitude bem menor que a divulgada em 2024.

O estudo também encontrou risco aumentado especificamente em pacientes com diabetes e hipertensão associados — o que faz sentido, já que ambos são fatores de risco conhecidos para a doença.


Mounjaro e Ozempic têm o mesmo risco?

Esta pergunta merece uma resposta que quase ninguém dá com clareza.

Os estudos são de semaglutida — o princípio ativo do Ozempic e do Wegovy. Ambos os trabalhos citados acima avaliaram semaglutida.

Para a tirzepatida — o princípio ativo do Mounjaro — não existe estudo equivalente com o mesmo porte investigando NAION.

Isso não significa que o Mounjaro seja seguro nesse aspecto, nem que seja arriscado. Significa que a evidência ainda não existe. As duas moléculas são diferentes: a semaglutida atua no receptor de GLP-1; a tirzepatida atua em dois receptores, GLP-1 e GIP.

A leitura honesta: transferir automaticamente o achado de um medicamento para o outro é uma suposição, não uma conclusão. Quem afirma que "Mounjaro causa cegueira" com base nos estudos de semaglutida está indo além do que os dados permitem.


O que é essa doença do nervo óptico

A neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica — sigla NAION — acontece quando o fluxo de sangue para a cabeça do nervo óptico cai de forma crítica. As fibras nervosas sofrem por falta de oxigênio e parte delas morre.

Como se apresenta:

  • Perda de visão súbita, em um olho
  • Indolor — não dói nada, e isso confunde
  • Frequentemente notada ao acordar
  • Costuma comprometer uma parte do campo visual, tipicamente a metade inferior
  • As cores podem parecer desbotadas naquele olho

Na CID-10, os transtornos do disco óptico são codificados em H47.0, e a neuropatia óptica isquêmica especificamente em H47.01.

É uma das principais causas de perda visual súbita em adultos acima de 50 anos — independentemente de qualquer medicamento.


O "disco em risco": quem tem mais chance

Figura 3 — Comparação entre disco óptico normal com escavação, disco em risco sem escavação e disco com edema na fase aguda.

Figura 3. Algumas pessoas nascem com o nervo óptico apertado na saída do olho.

O fator anatômico mais importante tem um nome próprio: disco em risco (disc at risk).

O nervo óptico é um cabo com cerca de um milhão de fibras que precisa atravessar uma abertura na parede do olho. Em algumas pessoas, essa abertura é naturalmente pequena e as fibras passam apertadas, sem a escavação central que normalmente existe.

Quando há uma queda de perfusão, esse nervo apertado tem menos espaço para inchar — e o inchaço comprime ainda mais a circulação, num ciclo que agrava o dano.

Isso não é doença. É uma variação anatômica comum, que a maioria das pessoas tem sem nunca desenvolver nada. Mas é identificável em minutos, num exame de fundo de olho, antes de qualquer sintoma.

Os outros fatores de risco

  • Hipertensão arterial
  • Diabetes
  • Apneia obstrutiva do sono — muito frequente em quem tem obesidade
  • Dislipidemia
  • Hipotensão noturna — queda excessiva da pressão durante o sono
  • Episódio prévio de NAION no outro olho

Note uma ironia importante: diabetes e obesidade — as condições tratadas por esses medicamentos — já são fatores de risco por si sós. Isso é exatamente o que torna difícil separar o efeito do remédio do efeito da doença que ele trata.


"Duas vezes mais" é quanto, afinal?

Figura 4 — Representação visual do risco absoluto, mostrando que a condição permanece rara mesmo com o aumento relativo observado.

Figura 4. Risco relativo assusta. Risco absoluto informa.

Esta é a distinção que separa entender de se assustar.

Imagine um evento que acontece em 2 pessoas a cada 10.000 por ano. Se o risco dobra, ele passa a acontecer em 4 a cada 10.000.

  • O aumento relativo é de 100% — "o risco dobrou"
  • O aumento absoluto é de 2 pessoas em 10.000 — ou 0,02%

As duas frases descrevem o mesmo fato. A primeira vira manchete. A segunda ajuda a decidir.

A NAION é uma doença rara na população geral. Um aumento de duas vezes sobre um número pequeno continua sendo um número pequeno.

Do outro lado da balança está o benefício comprovado desses medicamentos sobre o controle do diabetes e do peso — com impacto documentado em infarto, AVC, doença renal e sobre a própria retinopatia diabética.

Essa ponderação é individual, e é exatamente por isso que ela deve ser feita com o seu médico, não com uma manchete.


Os sintomas que exigem atendimento hoje

Figura 5 — Sinais que exigem avaliação oftalmológica no mesmo dia e sinais que merecem consulta sem urgência.

Figura 5. A neuropatia óptica costuma ser percebida ao acordar, em um olho só, e não dói.

Procure atendimento no mesmo dia

  • Perda de visão súbita em um olho
  • Mancha escura fixa no campo de visão
  • Alteração percebida logo ao acordar
  • Cores desbotadas em um olho só
  • Sensação de que falta um pedaço do campo visual

Merece consulta, sem urgência

  • Visão oscilando conforme a glicemia muda — comum no início do tratamento e geralmente transitório
  • Vista cansada ao ler, que melhora com descanso
  • Olho seco ou ardendo
  • Necessidade de trocar o grau dos óculos
  • Moscas volantes antigas, sem mudança

Uma observação sobre a visão que oscila: quando a glicemia cai rápido, o cristalino muda de hidratação e o grau varia temporariamente. Isso é esperado, é reversível e não é neuropatia óptica. Não é motivo de pânico — mas vale mencionar na consulta.


A outra questão ocular: a retinopatia

A NAION não é a única discussão oftalmológica sobre esses medicamentos, e talvez nem seja a mais relevante para a maioria dos pacientes.

Existe um fenômeno conhecido: quando a glicemia de um paciente diabético com controle muito ruim melhora muito rápido, a retinopatia diabética pode piorar transitoriamente antes de estabilizar.

Isso não é exclusivo dos análogos de GLP-1 — acontece com qualquer intervenção que reduza a glicemia rapidamente, incluindo insulina.

O que isso significa na prática:

  • Não é motivo para evitar o tratamento — o controle glicêmico protege a retina a longo prazo
  • É motivo para avaliar a retina antes de iniciar, especialmente em quem tem diabetes de longa data ou hemoglobina glicada muito alta
  • E para acompanhar mais de perto nos primeiros meses

Se você tem diabetes, esse acompanhamento já era indicado independentemente do medicamento. Conheça o Centro do Paciente Diabético.


Devo parar o medicamento?

Esta é a pergunta real por trás de toda a busca sobre o tema, e ela merece resposta direta.

Não pare por conta própria.

Interromper sozinho um tratamento que controla o diabetes ou a obesidade costuma trazer mais risco do que o problema que se quer evitar. A descompensação glicêmica tem consequências imediatas e documentadas — inclusive para os olhos.

A decisão é conjunta. Se você teve um evento ocular ou tem fatores de risco importantes, a conduta se define entre o oftalmologista e quem cuida do seu metabolismo — endocrinologista, clínico ou nutrólogo. Os dois lados da balança são reais e precisam ser pesados juntos.

O que você pode fazer sozinho: levar a informação. Se apareceu sintoma ocular, comunique quem prescreveu. Se você tem disco em risco identificado, mencione. Informação circulando entre os médicos é o que produz boa decisão.


O que fazer, na prática

Figura 6 — Fluxo de conduta para quem vai iniciar, para quem já usa e para quem apresentou sintoma ocular.

Figura 6. Três situações diferentes, três condutas diferentes.

Se você vai começar

Vale uma avaliação oftalmológica antes, sobretudo se você tem diabetes, hipertensão, apneia do sono ou já teve neuropatia óptica em um olho.

O exame identifica o disco em risco e o estado da retina — dois dados que mudam a conversa com quem prescreve.

Se você já usa há algum tempo

Mantenha o acompanhamento oftalmológico de rotina. Se você tem diabetes, ele já era indicado de qualquer forma.

Nenhum dado sustenta interromper um tratamento que está funcionando por causa do risco descrito.

Se você teve um sintoma

Perda súbita de visão, mancha escura ou cores desbotadas em um olho: procure atendimento no mesmo dia. E leve a informação a quem prescreveu — sem suspender por conta própria.


Onde avaliar em São Paulo

O Instituto Drudi e Almeida realiza avaliação oftalmológica de pacientes em uso de análogos de GLP-1 quando solicitada — pelo próprio paciente ou por encaminhamento de quem prescreve.

A avaliação inclui exame do disco óptico, mapeamento de retina sob dilatação, medida da pressão intraocular e, quando indicado, OCT do nervo óptico e campo visual.

O acompanhamento de pacientes diabéticos acontece no Centro do Paciente Diabético, e as avaliações são realizadas nas cinco unidades da Grande São Paulo — Santana, Tatuapé, Lapa, São Miguel Paulista e Guarulhos.

(11) 5430-2421 · WhatsApp (11) 91654-4653

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Perguntas frequentes

Quais são os efeitos colaterais do Mounjaro?

Os mais comuns são gastrointestinais: náusea, vômito, diarreia, constipação e dor abdominal, especialmente nas primeiras semanas e a cada aumento de dose. Do ponto de vista ocular, a discussão atual envolve a neuropatia óptica isquêmica — mas os estudos disponíveis avaliaram semaglutida (Ozempic), não tirzepatida (Mounjaro).

Quanto tempo duram os efeitos colaterais do Mounjaro?

Os efeitos gastrointestinais costumam ser mais intensos nas primeiras semanas e após cada aumento de dose, melhorando com a adaptação. Sintomas visuais não seguem esse padrão: visão oscilando conforme a glicemia é transitória e reversível, mas perda súbita de visão em um olho exige avaliação no mesmo dia, a qualquer momento do tratamento.

Como diminuir os efeitos colaterais do Mounjaro?

Para os efeitos digestivos, a orientação usual é aumentar a dose gradualmente, fracionar as refeições e evitar alimentos gordurosos — sempre conforme orientação de quem prescreveu. Do lado ocular, não há medida que "reduza" o risco de neuropatia óptica além de controlar pressão arterial, glicemia e apneia do sono.

Qual dá mais efeito colateral ocular, Ozempic ou Mounjaro?

Não há comparação direta publicada. Os estudos sobre neuropatia óptica avaliaram semaglutida (Ozempic, Wegovy). Para a tirzepatida (Mounjaro) não existe estudo equivalente do mesmo porte. Transferir o achado de um para o outro é suposição, não conclusão.

Ozempic causa cegueira?

Não da forma como a pergunta sugere. Existe associação descrita com a NAION, que pode causar perda visual permanente em parte do campo de um olho — raramente cegueira completa. O estudo maior, com 3,3 milhões de pacientes, encontrou risco cerca de duas vezes maior, sobre uma doença que já é rara.

Mounjaro causa cegueira?

Não há estudo que estabeleça essa associação para a tirzepatida. As pesquisas disponíveis avaliaram a semaglutida. Isso não garante ausência de risco — significa que a evidência ainda não foi produzida.

Quanto tempo de uso é preciso para haver risco?

No estudo com 3,3 milhões de pacientes, não se detectou aumento de risco no primeiro ano de uso. O aumento estatisticamente significativo apareceu a partir de dois anos, mantendo-se em torno de duas vezes.

Devo parar de tomar Ozempic ou Mounjaro por causa disso?

Não por conta própria. Interromper sozinho um tratamento que controla diabetes ou obesidade costuma trazer mais risco do que o problema que se quer evitar. Se houver sintoma ocular ou fator de risco importante, a decisão é conjunta entre o oftalmologista e quem prescreve.

Preciso fazer exame de vista antes de começar?

É recomendável, especialmente se você tem diabetes, hipertensão, apneia do sono ou já teve neuropatia óptica em um olho. O exame identifica o "disco em risco" e o estado da retina antes de qualquer sintoma.

O que é o "disco em risco"?

É uma variação anatômica em que a abertura por onde o nervo óptico sai do olho é naturalmente pequena, sem a escavação central habitual. Não é doença — a maioria das pessoas que tem nunca desenvolve nada. Mas é o principal fator anatômico associado à NAION, e é identificável em minutos no exame de fundo de olho.

Minha visão fica embaçada depois de começar o medicamento. É grave?

Provavelmente não. Quando a glicemia cai rápido, o cristalino muda de hidratação e o grau oscila temporariamente. É reversível e esperado. O que exige atenção imediata é diferente: perda súbita de visão em um olho, mancha escura fixa ou cores desbotadas.

A perda de visão da NAION é reversível?

O dano ao nervo óptico costuma ser permanente em graus variáveis. Parte dos pacientes tem alguma recuperação espontânea nas primeiras semanas, mas recuperação completa é incomum. Não há tratamento com eficácia comprovada para reverter o dano — o manejo foca em controlar fatores de risco e proteger o outro olho.

Se eu tive NAION em um olho, o outro corre risco?

Sim, e esse é um dos motivos pelos quais o controle dos fatores de risco se torna prioritário: pressão arterial, glicemia, apneia do sono e dislipidemia. O acompanhamento oftalmológico passa a ser regular.

Esses medicamentos pioram a retinopatia diabética?

Pode haver piora transitória quando a glicemia cai muito rápido em quem tinha controle muito ruim — fenômeno que ocorre com qualquer tratamento que reduza rapidamente a glicemia, inclusive insulina. A longo prazo o controle glicêmico protege a retina. Por isso avalia-se a retina antes e acompanha-se mais de perto nos primeiros meses.

Qual o CID da neuropatia óptica isquêmica?

Os transtornos do disco óptico são codificados em H47.0 na CID-10, e a neuropatia óptica isquêmica especificamente em H47.01.

Quem usa esses medicamentos para emagrecer corre o mesmo risco?

O estudo de 2024 encontrou risco maior justamente no grupo com sobrepeso e obesidade sem diabetes. Já o estudo de 2025, muito maior, analisou pacientes com diabetes. A obesidade em si é fator de risco para apneia do sono e hipertensão, que são fatores de risco para NAION — o que dificulta separar o efeito do medicamento do efeito da condição.

Posso usar Ozempic se já tenho glaucoma?

Glaucoma e NAION são doenças diferentes, ambas do nervo óptico. Não há contraindicação estabelecida, mas quem tem glaucoma já faz acompanhamento oftalmológico regular — e vale mencionar o uso do medicamento nessas consultas.

O que a ANVISA e as agências reguladoras dizem?

Agências reguladoras acompanham esse sinal de segurança desde 2024. Como orientações regulatórias podem mudar, o mais seguro é consultar a bula atualizada do seu medicamento e conversar com quem prescreveu.


Referências

  1. Hathaway JT, Shah MP, Hathaway DB, Zekavat SM, Krasniqi D, Gittinger JW, Cestari D, Mallery R, Abbasi B, Bouffard M, Chwalisz BK, Estrela T, Rizzo JF. Risk of Nonarteritic Anterior Ischemic Optic Neuropathy in Patients Prescribed Semaglutide. JAMA Ophthalmol. 2024;142(8):732-739. doi:10.1001/jamaophthalmol.2024.2296

  2. Hsu AY, Kuo HT, Wang YH, Lin CJ, Shao YC, Chiang CC, Hsia NY, Lai CT, Tseng H, Wu BQ, Chen HS, Tsai YY, Hsu MY, Wei JC. Semaglutide and Nonarteritic Anterior Ischemic Optic Neuropathy Risk Among Patients With Diabetes. JAMA Ophthalmol. 2025;143(5):400-407. doi:10.1001/jamaophthalmol.2025.0349

  3. American Academy of Ophthalmology. Nonarteritic Anterior Ischemic Optic Neuropathy — clinical overview. aao.org

  4. Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). cbo.net.br

  5. Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). Diretrizes sobre rastreamento de complicações oculares no diabetes. diabetes.org.br


Revisão médica. Conteúdo escrito e revisado por Dr. Fernando Macei Drudi, CRM-SP 139.300 · RQE 50.645. Revisão adicional por Dra. Priscilla Rodrigues de Almeida, CRM-SP 148.173 · RQE 59.216. Última revisão médica: 9 de agosto de 2026. Consulte nossa Política Editorial.

Aviso importante. Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento médico. Não interrompa nem altere qualquer medicamento por conta própria. Se você apresentar perda súbita de visão em um olho, procure atendimento oftalmológico no mesmo dia.

Aviso importante: Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico oftalmologista. Em caso de sintomas ou dúvidas sobre sua saúde ocular, procure atendimento médico especializado.

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