Resumo em linguagem simples
Este artigo explica de forma acessível o que é derrame ocular (hifosfagma): causas de sangue no olho e tratamento, incluindo causas, sintomas, diagnóstico e opções de tratamento disponíveis no Inst...
Derrame Ocular (Hiposfagma): O Que É, Causas, Tratamento e Quando Procurar um Médico
Acordar de manhã, olhar no espelho e se deparar com uma mancha vermelha no branco do olho pode ser bastante assustador. A boa notícia é que, na grande maioria dos casos, esse fenômeno — chamado de hiposfagma ou, popularmente, derrame ocular — é inofensivo e se resolve sozinho em poucos dias. Mas isso não significa que deva ser ignorado sempre.
Neste artigo, você vai entender o que é o hiposfagma, por que ele acontece, quais são as causas mais comuns, quanto tempo leva para desaparecer e, principalmente, quando esse "sangue no olho" pode ser sinal de algo mais sério que exige avaliação oftalmológica com urgência.
O Que É o Hiposfagma (Derrame Ocular)?
O hiposfagma é o acúmulo de sangue entre a conjuntiva — a membrana transparente que reveste o branco do olho (esclera) — e a própria esclera. Esse sangramento ocorre quando um pequeno vaso sanguíneo da conjuntiva se rompe espontaneamente ou por algum fator desencadeante.
O resultado visual é marcante: uma mancha vermelha viva, de bordas bem definidas, que pode ocupar uma pequena área ou cobrir praticamente todo o branco do olho. Apesar da aparência alarmante, o sangue fica confinado nesse espaço e não afeta a visão, não entra no interior do olho e não causa dor na maioria dos casos.
É importante não confundir o hiposfagma com outras condições que também deixam o olho vermelho, como a conjuntivite ou o hifema (sangramento dentro da câmara anterior do olho, entre a córnea e a íris), que são situações distintas e que exigem abordagem diferente.
Como Identificar um Hiposfagma?
As características do hiposfagma são bastante específicas e ajudam a diferenciá-lo de outras causas de olho vermelho:
- Mancha vermelha brilhante, de coloração intensa, localizada no branco do olho
- Bordas bem delimitadas, com contorno nítido separando o sangramento do restante da esclera
- Ausência de dor ou desconforto significativo (pode haver leve sensação de corpo estranho)
- Visão preservada — o hiposfagma não compromete a acuidade visual
- Ausência de secreção — diferente da conjuntivite, não há lacrimejamento excessivo com pus ou muco
- A mancha pode parecer maior nos primeiros dois dias, pois o sangue se espalha sob a conjuntiva antes de ser reabsorvido
Se o olho vermelho vier acompanhado de dor intensa, perda ou alteração da visão, sensibilidade à luz ou secreção, procure um oftalmologista imediatamente — esses sinais indicam que pode se tratar de outra condição.
Principais Causas do Derrame Ocular
Os vasos sanguíneos da conjuntiva são extremamente finos e frágeis. Qualquer aumento súbito de pressão ou traumatismo pode romper um desses capilares. Veja as causas mais frequentes:
1. Esforço Físico ou Manobra de Valsalva
Tossir com força, espirrar, vomitar, fazer esforço para evacuar, levantar peso ou praticar atividade física intensa são situações que elevam abruptamente a pressão venosa na cabeça e nos olhos. Esse aumento de pressão pode romper os pequenos vasos da conjuntiva, causando o hiposfagma.
2. Trauma Ocular
Qualquer pancada no olho ou ao redor dele — seja por acidente doméstico, esporte de contato ou atrito com um objeto — pode causar sangramento conjuntival. Nesses casos, é fundamental a avaliação oftalmológica para descartar lesões mais profundas, como o hifema ou lesões na retina.
3. Uso de Medicamentos
Anticoagulantes (como varfarina, rivaroxabana ou apixabana), antiplaquetários (como aspirina e clopidogrel) e até mesmo anti-inflamatórios não esteroidais podem reduzir a capacidade de coagulação do sangue e predispor ao hiposfagma. Se você usa esses medicamentos e apresenta derrames oculares frequentes, informe ao seu médico.
4. Hipertensão Arterial
A pressão arterial elevada é uma das causas mais comuns e subestimadas do hiposfagma. A pressão excessiva dentro dos vasos pode rompê-los com facilidade. Hiposfagmas recorrentes sem causa aparente devem sempre levantar a suspeita de hipertensão não controlada.
5. Uso de Lentes de Contato
O uso incorreto, por tempo prolongado ou sem a devida higienização das lentes de contato pode irritar a conjuntiva e provocar o rompimento de pequenos vasos. A manipulação inadequada ao colocar ou retirar as lentes também pode causar microtraumas.
6. Cirurgias e Procedimentos Oculares
É bastante comum o aparecimento de hiposfagma após cirurgias oculares, como a cirurgia de catarata ou procedimentos a laser. Nesse contexto, o sangramento faz parte do processo de cicatrização e costuma ser esperado e monitorado pelo médico.
7. Olho Seco e Fricção Ocular
Esfregar os olhos com força — seja por hábito, coceira ou ressecamento ocular — pode traumatizar os vasos da conjuntiva. Pessoas com síndrome do olho seco têm maior tendência a friccionar os olhos e, consequentemente, maior risco de hiposfagma.
8. Distúrbios de Coagulação
Doenças como trombocitopenia (baixa contagem de plaquetas), hemofilia e outras coagulopatias podem se manifestar com sangramentos em vários locais do corpo, incluindo os olhos. Nesses casos, o hiposfagma é apenas um dos sinais de um problema sistêmico que precisa ser investigado.
9. Causa Idiopática (Espontânea)
Em muitos casos, especialmente em pessoas mais jovens e saudáveis, o hiposfagma ocorre sem nenhuma causa identificável. O vaso simplesmente se rompe durante o sono ou em repouso, e a pessoa só percebe a mancha ao acordar. Essa forma espontânea é geralmente benigna e não requer tratamento específico.
Hiposfagma em Crianças e Recém-Nascidos
Nos recém-nascidos, o hiposfagma é relativamente comum e ocorre em decorrência do esforço do parto, especialmente em partos normais com uso de fórceps ou vácuo. Nesses casos, o sangramento desaparece espontaneamente nas primeiras semanas de vida e não representa risco para a visão do bebê.
Em crianças maiores, o hiposfagma pode ser causado por trauma, esforço físico intenso ou, mais raramente, por doenças sistêmicas. Se a criança apresentar derrames oculares frequentes, uma avaliação pediátrica e oftalmológica é recomendada.
Quanto Tempo Demora para o Derrame Ocular Sumir?
O hiposfagma se resolve sozinho, sem necessidade de tratamento na maioria dos casos. O sangue é gradualmente reabsorvido pelo organismo, e a mancha vai mudando de cor ao longo dos dias — do vermelho vivo para um tom mais amarelado ou esverdeado, antes de desaparecer completamente.
O tempo médio de resolução varia conforme a extensão do sangramento:
- Hiposfagmas pequenos: costumam desaparecer em 7 a 10 dias
- Hiposfagmas de tamanho médio: podem levar de 2 a 3 semanas
- Hiposfagmas extensos: podem demorar até 4 semanas para ser completamente reabsorvidos
É importante saber que, nos primeiros dias, a mancha pode parecer maior. Isso acontece porque o sangue se redistribui sob a conjuntiva antes de começar a ser absorvido. Não é sinal de piora — faz parte do processo natural de resolução.
Como Tratar o Hiposfagma?
Na maioria dos casos, o hiposfagma não precisa de tratamento específico. O organismo cuida sozinho da reabsorção do sangue. No entanto, algumas medidas podem ajudar a aliviar o desconforto:
- Lágrimas artificiais: colírios lubrificantes sem conservantes podem aliviar a sensação de corpo estranho ou ardência leve
- Evitar esfregar os olhos: a fricção pode piorar o sangramento ou atrasar a cicatrização
- Não usar colírios vasoconstritores sem orientação médica: esses produtos mascaram o vermelho, mas não tratam a causa
- Controlar fatores de risco: manter a pressão arterial controlada, revisar medicamentos com o médico e tratar o olho seco são medidas importantes para prevenir recorrências
Não existe compressa fria ou quente comprovada como eficaz para acelerar a reabsorção do hiposfagma. O que realmente ajuda é evitar novos traumas e aguardar o processo natural de cura.
Quando o Derrame Ocular É Perigoso? Sinais de Alerta
Embora o hiposfagma seja geralmente benigno, existem situações em que ele pode indicar algo mais grave. Procure um oftalmologista com urgência se:
- O sangramento ocorreu após um trauma ocular, mesmo que aparentemente leve
- Há dor ocular intensa associada à mancha vermelha
- Você nota alteração ou perda de visão
- O olho apresenta sensibilidade excessiva à luz (fotofobia)
- O hiposfagma é recorrente (aparece várias vezes sem causa identificada)
- A mancha vermelha está localizada na córnea (parte colorida do olho) ou parece estar dentro do olho
- Você tem histórico de doença hematológica ou uso de anticoagulantes
- O sangramento não melhora após 3 a 4 semanas
Nesses casos, a avaliação oftalmológica é fundamental para descartar condições como hifema, descolamento de retina, glaucoma agudo ou outras emergências oculares.
Como Prevenir o Hiposfagma?
Nem sempre é possível evitar o hiposfagma, especialmente quando ele ocorre de forma espontânea. Mas algumas medidas podem reduzir o risco de recorrência:
- Controle da pressão arterial: mantenha consultas regulares com seu clínico e siga o tratamento prescrito
- Evite esfregar os olhos: se sentir coceira ou irritação, use colírios lubrificantes e consulte um oftalmologista
- Use lentes de contato corretamente: siga as orientações do seu oftalmologista quanto ao tempo de uso e higienização
- Informe seu médico sobre todos os medicamentos em uso: anticoagulantes e antiplaquetários podem precisar de ajuste de dose
- Trate o olho seco: a síndrome do olho seco aumenta a tendência de friccionar os olhos
- Proteja os olhos durante atividades de risco: use óculos de proteção em esportes de contato e em ambientes com risco de impacto
Diferença Entre Hiposfagma, Hifema e Conjuntivite
É comum a confusão entre essas três condições, pois todas podem deixar o olho vermelho. Veja as principais diferenças:
- Hiposfagma: sangue entre a conjuntiva e a esclera (branco do olho). Mancha vermelha bem delimitada, sem dor, sem alteração de visão. Geralmente benigno.
- Hifema: sangue dentro da câmara anterior do olho (entre a córnea e a íris). Pode causar dor, fotofobia e redução da visão. É uma emergência oftalmológica.
- Conjuntivite: inflamação da conjuntiva por infecção, alergia ou irritação. O olho fica vermelho de forma difusa, com vasos dilatados visíveis, além de secreção, lacrimejamento e coceira.
Se tiver dúvida sobre qual condição está presente, sempre prefira buscar avaliação médica a tentar tratar por conta própria.
Perguntas Frequentes Sobre Derrame Ocular (FAQ)
1. O derrame ocular dói?
Na maioria dos casos, o hiposfagma não causa dor. Pode haver uma leve sensação de pressão, corpo estranho ou desconforto, mas dor intensa não é característica dessa condição. Se houver dor significativa, procure um oftalmologista para descartar outras causas.
2. Posso usar colírio para fazer o sangue sumir mais rápido?
Não existe colírio que acelere a reabsorção do sangue no hiposfagma. Colírios vasoconstritores podem reduzir o vermelho ao redor da mancha, mas não tratam o sangramento em si. O uso de lágrimas artificiais pode ajudar no conforto, mas a resolução depende do processo natural do organismo.
3. O derrame ocular pode afetar minha visão?
O hiposfagma típico não afeta a visão, pois o sangramento fica confinado entre a conjuntiva e a esclera, sem atingir as estruturas internas do olho. Se houver qualquer alteração visual, isso indica uma condição diferente e mais grave, que exige avaliação urgente.
4. Preciso ir ao oftalmologista toda vez que tiver um derrame ocular?
Se for o primeiro episódio, a consulta é recomendada para confirmar o diagnóstico e investigar possíveis causas. Se os episódios forem recorrentes, a avaliação é ainda mais importante para identificar doenças sistêmicas como hipertensão ou distúrbios de coagulação. Em caso de trauma, dor ou alteração visual, a consulta é urgente.
5. Crianças podem ter derrame ocular?
Sim. Em recém-nascidos, é comum após o parto e se resolve espontaneamente. Em crianças maiores, pode ocorrer por trauma, esforço físico ou, raramente, doenças sistêmicas. Episódios recorrentes em crianças devem sempre ser investigados por um médico.
6. O hiposfagma pode voltar no mesmo olho?
Sim, especialmente se a causa subjacente não for tratada. Pessoas com hipertensão arterial não controlada, que usam anticoagulantes ou que têm o hábito de esfregar os olhos têm maior chance de recorrência. Identificar e tratar a causa é a melhor forma de evitar novos episódios.
Conclusão: Derrame Ocular Merece Atenção Profissional
O hiposfagma é, na maioria das vezes, uma condição benigna que se resolve sem tratamento. No entanto, sua aparência assustadora e a possibilidade de ser sinal de algo mais sério justificam uma avaliação oftalmológica, especialmente quando ocorre após trauma, de forma recorrente ou acompanhado de outros sintomas.
Cuidar da saúde ocular é um investimento no seu bem-estar e na sua qualidade de vida. Não ignore os sinais que seus olhos enviam — eles podem estar comunicando algo importante sobre sua saúde geral.
No Instituto Drudi e Almeida Oftalmologia, contamos com oftalmologistas experientes para avaliar, diagnosticar e orientar o tratamento adequado para o derrame ocular e outras condições que afetam a saúde dos seus olhos. Atendemos com os principais convênios, incluindo Bradesco Sa
Aviso importante: Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico oftalmologista. Em caso de sintomas ou dúvidas sobre sua saúde ocular, procure atendimento médico especializado.