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Cirurgia de Miopia: LASIK, PRK, SMILE e Quem Pode Fazer

Publicado em 04 de agosto de 2026 Atualizado em 22 de agosto de 2026 Revisão médica: 08 de agosto de 2026 24 min de leitura Dr. Fernando Macei Drudi
Cirurgia de miopia — ilustração médica sobre cirurgia refrativa — Instituto Drudi e Almeida Oftalmologia
Dr. Fernando Macei Drudi
Autor Médico
Dr. Fernando Macei Drudi
CRM-SP 139.300 | RQE 50.645

Resumo em linguagem simples

Este artigo explica de forma acessível o que é cirurgia de miopia: lasik, prk, smile e quem pode fazer, incluindo causas, sintomas, diagnóstico e opções de tratamento disponíveis no Instituto Drudi...

Resposta rápida.A cirurgia de miopia remodela a córnea com laser para que a luz volte a focar sobre a retina. Funciona bem: mais de 90% dos pacientes bem selecionados dispensam óculos para longe. Mas **a cirurgia muda a córnea, não o olho**. Em quem tem miopia alta, o olho continua alongado — e o risco de descolamento de retina permanece o mesmo. Quem opera miopia alta precisa continuar fazendo mapeamento de retina pelo resto da vida.


Como a cirurgia corrige a miopia

Figura 1 — Comparação entre olho normal com foco sobre a retina, olho míope com foco à frente da retina, e olho míope após a cirurgia, em que a córnea achatada traz o foco para a retina.

Figura 1. Na miopia, a luz foca antes da retina. A cirurgia achata a córnea para atrasar esse foco.

Na miopia, o olho tem poder de foco maior do que precisa — seja porque o globo ocular é mais longo que o normal, seja porque a córnea é mais curva. O resultado é o mesmo: a luz se encontra num ponto antes da retina, e a imagem que chega ao fundo do olho já está desfocada.

A córnea é responsável por cerca de dois terços do poder de foco do olho. É por isso que ela é o alvo: mudando levemente a curvatura dela, muda-se todo o sistema.

O laser excimer remove tecido do estroma, a camada intermediária da córnea, achatando o centro. Com a córnea mais plana, a luz converge um pouco mais tarde — e passa a se encontrar exatamente sobre a retina.

Repare no detalhe que a Figura 1 mostra: no painel C, depois da cirurgia, o olho continua exatamente do mesmo tamanho. O grau saiu; o alongamento não. Isso importa, e é o assunto de uma seção inteira mais adiante.

Qual o CID da miopia

Na CID-10, a miopia é codificada em H52.1. Quando há astigmatismo associado — o que é a regra —, também aparece o H52.2.


Você é candidato?

Figura 2 — Critérios objetivos de elegibilidade para cirurgia refrativa e as situações que impedem ou adiam o procedimento.

Figura 2. A avaliação pré-operatória existe para encontrar o que contraindica.

O que precisa estar presente:

  • Idade a partir de 18 a 21 anos, com refração estável
  • Grau que não mudou: variação menor que 0,50 dioptria nos últimos 12 meses
  • Córnea com espessura suficiente para o tratamento planejado
  • Topografia normal, sem sinal de ceratocone ou ectasia
  • Superfície ocular saudável, com olho seco tratado antes, se houver
  • Retina avaliada sob dilatação, especialmente na miopia alta

O que impede ou adia:

  • Ceratocone ou suspeita — contraindicação absoluta ao laser
  • Grau ainda mudando — operar cedo é operar duas vezes
  • Córnea fina demais para a correção pretendida
  • Olho seco grave, que tende a piorar
  • Gravidez ou amamentação — o grau oscila; adiar
  • Doenças autoimunes não controladas, pela cicatrização imprevisível
  • Herpes ocular prévio, pelo risco de reativação
  • Glaucoma não controlado ou catarata significativa

Impedido para o laser não é impedido para tudo. Quem tem córnea fina ou miopia muito alta pode ser candidato à lente fácica implantável — assunto adiante.


As técnicas: LASIK, PRK e SMILE

Figura 3 — Cortes da córnea mostrando o que cada técnica faz: no LASIK cria-se um retalho, no PRK remove-se o epitélio e no SMILE retira-se um lentículo por microincisão.

Figura 3. As três corrigem o mesmo grau. O que muda é o caminho até o estroma.

Um ponto que a Figura 3 deixa claro: as três técnicas agem no mesmo lugar — o estroma corneano. A diferença está em como se chega até ele.

LASIK

Cria-se um retalho (flap) na superfície da córnea, com laser de femtossegundo ou microcerátomo. O retalho é levantado, o laser é aplicado no estroma exposto, e o retalho é reposicionado — sem pontos.

A favor: visão funcional já no primeiro dia, pouca dor.

Contra: exige espessura corneana maior. E há um detalhe pouco dito: o retalho nunca cola por completo. Ele adere por forças de superfície, mas permanece uma zona de fragilidade — por isso o cuidado permanente com trauma ocular.

PRK

O epitélio — a camada mais superficial — é removido, e o laser é aplicado diretamente. O epitélio se regenera em 3 a 5 dias, sob lente de contato terapêutica.

A favor: serve para córneas mais finas, não tem risco algum relacionado a retalho, e é preferido para quem pratica esportes de contato ou tem profissão de risco.

Contra: recuperação visual mais lenta e dor moderada nos primeiros 3 a 5 dias. Isso precisa ser dito com clareza — é a principal queixa de quem faz PRK sem ter sido avisado.

SMILE

Um lentículo — um pequeno disco de tecido — é criado dentro do estroma e retirado por uma microincisão de poucos milímetros. Não há retalho e não há remoção do epitélio.

A favor: sem complicações de retalho, menos olho seco, biomecânica preservada.

Contra: não trata todos os casos. Não corrige hipermetropia com a mesma facilidade, e tem limitações em astigmatismos altos ou irregulares.


Qual escolher

A comparação clássica entre LASIK e PRK tem uma resposta consolidada, mas com uma ressalva que costuma ser omitida.

Segundo o PubMed, a revisão Cochrane sobre o tema reuniu 13 ensaios randomizados, 1.135 participantes e 1.923 olhos. A conclusão: o LASIK proporciona recuperação visual mais rápida e é menos doloroso que o PRK, mas os resultados um ano após a cirurgia são semelhantes entre as duas técnicas [1].

A ressalva: os próprios autores classificam a qualidade geral da evidência como baixa para a maioria dos desfechos, por risco de viés nos ensaios incluídos. Isso não invalida a conclusão — mas significa que a superioridade do LASIK está no conforto e na velocidade, não na qualidade final da visão.

Uma revisão comparando as três técnicas resume bem os perfis, segundo o PubMed [2]:

Trans-PRK LASIK SMILE
Estabilidade biomecânica A maior Menor Intermediária
Recuperação visual A mais lenta A mais rápida Intermediária
Conforto no pós-operatório O pior Bom Bom
Retorno da sensibilidade corneana O mais precoce O mais lento Intermediário
Risco relacionado a retalho Nenhum Possivelmente vitalício Nenhum

A escolha é individual. Depende da espessura da córnea, do grau, da topografia, da profissão, do esporte que a pessoa pratica e do quanto ela pode ficar afastada do trabalho.


Quando o laser não é a resposta: a lente fácica

Esta seção existe porque a lente fácica costuma ser apresentada como "prêmio de consolação" — e a evidência não sustenta isso.

A lente fácica implantável é uma lente colocada dentro do olho, na frente do cristalino natural, sem remover nenhum tecido da córnea. É a principal alternativa para miopia alta e córneas finas.

Segundo o PubMed, uma revisão Cochrane comparou cirurgia a laser com lente fácica em miopias de -6,0 a -20,0 dioptrias, reunindo 3 ensaios randomizados e 228 olhos [3]. Os achados:

  • A proporção de olhos com visão 20/20 ou melhor aos 12 meses não diferiu entre as duas
  • A lente fácica foi mais segura, com significativamente menos perda de melhor visão corrigida
  • Proporcionou melhor sensibilidade ao contraste
  • Teve pontuação mais alta em questionários de satisfação e preferência do paciente
  • Em contrapartida, há baixo risco de catarata precoce

E os autores vão além: sugerem que vale considerar a lente fácica mesmo em miopias moderadas — igual ou abaixo de 7 dioptrias —, não apenas nas altas.

Ou seja: para graus elevados, a lente fácica não é o plano B. É frequentemente a melhor opção.


A avaliação pré-operatória

Figura 4 — Topografia, paquimetria, aberrometria, avaliação do filme lacrimal, tonometria e mapeamento de retina, com o risco que cada exame afasta.

Figura 4. A avaliação não serve para confirmar que dá certo. Serve para encontrar o motivo de não operar.

Topografia corneana — mapeia a curvatura. Descarta ceratocone e ectasias. É o exame mais importante de todos.

Paquimetria — mede a espessura. Define quanto tecido pode ser removido com segurança.

Aberrometria — analisa as aberrações ópticas. Planeja o tratamento personalizado e prevê sintomas noturnos.

Avaliação do filme lacrimal — teste de Schirmer e exame da superfície. Olho seco prévio piora depois.

Tonometria — mede a pressão intraocular. Precisa ser feita antes, porque depois da cirurgia a leitura fica falsamente baixa.

Mapeamento de retina sob dilatação — essencial na miopia alta. Uma rotura encontrada antes é tratada com laser antes.


Ectasia: o risco que a avaliação existe para prevenir

A ectasia pós-cirurgia refrativa é o enfraquecimento progressivo da córnea, que passa a se deformar como num ceratocone. É a complicação mais temida, e é largamente evitável com boa seleção.

Segundo o PubMed, um estudo com 171 casos de ectasia publicado em Ophthalmology comparou esses pacientes com controles operados sem intercorrência [4]. Os achados:

  • 95,9% ocorreram após LASIK e apenas 4,1% após PRK
  • 35,7% tinham topografia pré-operatória anormal — contra nenhum dos controles
  • Eram significativamente mais jovens (34,4 contra 40,0 anos)
  • Eram mais míopes (-8,53 contra -5,09 dioptrias)
  • Tinham córneas mais finas antes da cirurgia (521,0 contra 546,5 µm)
  • Tinham menos leito estromal residual (256,3 contra 317,3 µm)

A topografia anormal foi o fator mais discriminante de todos.

Um refinamento de autoria brasileira. Um trabalho conduzido por pesquisadores da UFRJ e da USP, publicado no American Journal of Ophthalmology, propôs uma métrica chamada percentual de tecido alterado — que soma a espessura do retalho e a profundidade da ablação, dividindo pela espessura original da córnea [5].

Em olhos com topografia pré-operatória normal que desenvolveram ectasia, o percentual de tecido alterado igual ou maior que 40% estava presente em 97% dos casos, com razão de chances de 223 — o preditor isolado mais robusto, superando todos os outros fatores conhecidos.

Ou seja: mesmo com topografia normal, remover tecido demais é perigoso. É por isso que existe um limite, e é por isso que às vezes a resposta honesta é "não dá para operar o seu grau com segurança".


Recuperação

Figura 5 — Linha do tempo comparando a recuperação do LASIK, do SMILE e do PRK.

Figura 5. A diferença entre as técnicas não está no resultado final. Está nos primeiros dias.

LASIK. Visão funcional já no primeiro dia. Desconforto leve por algumas horas. Retorno ao trabalho em 1 a 2 dias.

SMILE. Visão funcional em 2 a 3 dias. Desconforto leve.

PRK. Visão funcional em 1 a 2 semanas. Dor moderada nos primeiros 3 a 5 dias, com lente de contato terapêutica.

Em todas: evitar esfregar os olhos, nada de piscina, mar ou sauna nas primeiras semanas, e evitar esportes de contato no primeiro mês. A estabilização final do grau leva de 1 a 3 meses, podendo chegar a 6 no PRK.

Olho seco

É a queixa mais comum depois da cirurgia, e vale entender por quê: o laser secciona nervos da córnea, e nervo cortado significa menos sinal para produzir lágrima. A sensibilidade se recupera à medida que os nervos se regeneram.

Segundo o PubMed, uma metanálise com 18 estudos comparou SMILE e LASIK com laser de femtossegundo quanto a parâmetros de olho seco [6]. O SMILE mostrou:

  • Tempo de ruptura do filme lacrimal significativamente maior aos 3 e aos 6 meses
  • Melhor preservação da sensibilidade corneana ao 1º e ao 6º mês
  • Melhor resultado no teste de Schirmer

Uma metanálise anterior, com 772 olhos, encontrou a mesma direção: olho seco e sensibilidade corneana se recuperam melhor no grupo SMILE nos primeiros três meses [7].

Na prática: quem já tem tendência a olho seco tende a se dar melhor com PRK ou SMILE do que com LASIK. É um dos fatores que orientam a escolha da técnica.


Resultados: o que esperar

Com boa seleção de candidatos, a grande maioria dos pacientes dispensa óculos para longe. Mas vale calibrar duas coisas.

"Visão 20/20" não é garantia. É um resultado esperado na maioria, não prometido a ninguém. Nenhum cirurgião sério garante resultado — inclusive porque a legislação de publicidade médica veda promessa ou garantia de resultado.

Sub e supercorreção acontecem. Uma parcela dos pacientes fica com grau residual e pode precisar de retoque. Isso não é falha: é a biologia respondendo de forma individual à mesma quantidade de laser.

Halos e brilhos noturnos são comuns nos primeiros meses e costumam ceder. São mais prováveis em quem tem pupila grande no escuro e em quem corrigiu graus altos — a aberrometria ajuda a prever.


O que a cirurgia NÃO resolve

Figura 6 — O olho continua alongado após a cirurgia: o risco retiniano permanece, a pressão intraocular passa a ser subestimada e a presbiopia continua a chegar.

Figura 6. Sair do óculos não é o mesmo que deixar de ser míope.

Esta é a seção mais importante do artigo.

A retina continua esticada

A cirurgia remodela a córnea. Ela não encurta o olho. O comprimento axial — a medida que define o quanto o olho é alongado — permanece exatamente o mesmo depois da cirurgia.

E é o comprimento axial, não o grau nos óculos, que determina o risco retiniano. Segundo o PubMed, um estudo populacional sueco com 58.624 cirurgias encontrou correlação muito forte entre comprimento axial e descolamento de retina: média de 25,13 mm nos olhos que descolaram contra 23,73 mm nos que não descolaram [8].

O estudo é sobre cirurgia de catarata, não refrativa — mas o ponto que ele demonstra é justamente o que importa aqui: o fator de risco é o tamanho do olho, e a cirurgia refrativa não altera essa medida.

Portanto, permanecem iguais os riscos de:

  • Descolamento de retina
  • Degenerações periféricas e roturas
  • Maculopatia míope
  • Glaucoma, cuja prevalência é maior em míopes

Quem tem miopia alta e operou continua precisando de mapeamento de retina periódico pelo resto da vida. Sair do óculos não muda isso — e é a informação que mais se perde.

Se você notar moscas volantes novas, flashes de luz ou uma sombra no campo de visão, procure avaliação imediatamente, tenha ou não feito cirurgia.

A pressão do olho passa a enganar

Depois da ablação, a córnea fica mais fina e a medida da pressão intraocular sai falsamente baixa. Um paciente com pressão real de 22 mmHg pode medir 16.

Isso pode mascarar um glaucoma por anos. Por isso a tonometria pré-operatória é registrada — e por isso é essencial avisar qualquer oftalmologista futuro de que você fez cirurgia refrativa.

A presbiopia chega igual

A vista cansada que surge por volta dos 40 anos não é evitada pela cirurgia de miopia. Ela vem do cristalino, não da córnea.

Há uma nuance cruel aqui: o míope não operado costuma enxergar bem de perto sem óculos justamente por ser míope. Ao corrigir a miopia, essa vantagem some — e a presbiopia, quando chega, é percebida de forma mais abrupta.

Quem opera perto dos 40 precisa entender isso antes. Existe a monovisão — corrigir um olho para longe e deixar o outro levemente míope para perto —, que funciona bem para parte das pessoas e é mal tolerada por outras. Testa-se com lente de contato antes de decidir.


Retoque

Uma parcela dos pacientes fica com grau residual e pode se beneficiar de um novo tratamento.

Quando: em geral após 3 a 6 meses, com o grau estável.

Se é possível: depende do tecido corneano restante. Nem sempre há espessura suficiente — e aqui a métrica do percentual de tecido alterado volta a pesar.

O que perguntar antes de operar: o retoque está incluído no valor? Por quanto tempo? Há critérios? Essa é uma pergunta comercial legítima e deve ser feita na consulta.


E a catarata, lá na frente?

Todo mundo desenvolve catarata eventualmente. E em olhos que já fizeram cirurgia refrativa, o cálculo da lente intraocular é mais difícil.

O motivo: as fórmulas de cálculo assumem uma relação normal entre as superfícies da córnea, e a ablação altera essa relação. Existem fórmulas específicas para olhos pós-refrativa, mas a margem de erro é maior.

O que fazer: guarde os exames pré-operatórios da sua cirurgia refrativa — topografia e refração de antes. Décadas depois, esses dados melhoram muito a precisão do cálculo. Poucas pessoas são avisadas disso.


Quanto custa: o que faz o preço variar

Em vez de uma tabela que envelhece, vale entender o que compõe o valor — porque é isso que permite comparar orçamentos de verdade:

A técnica. PRK, LASIK com microcerátomo, LASIK com femtossegundo, SMILE e lente fácica têm custos progressivamente maiores, sobretudo pelo custo do equipamento e dos insumos descartáveis.

Se o valor é por olho ou pelos dois. Parece óbvio, e é a principal fonte de confusão em comparações.

O que está incluído: - Os exames pré-operatórios entram no valor? - As consultas de retorno do primeiro ano? - Os colírios do pós-operatório? - O retoque está incluído? Por quanto tempo?

A tecnologia do laser e se o tratamento é personalizado por aberrometria.

Convênios geralmente não cobrem cirurgia refrativa para correção de miopia, por ser considerada eletiva. Há exceções em situações específicas — vale consultar o seu plano diretamente.

Ao comparar orçamentos, compare o pacote completo, não o número isolado.


Onde tratar em São Paulo

O Instituto Drudi e Almeida realiza a cirurgia refrativa completa — LASIK, PRK, SMILE e implante de lente fácica —, além da avaliação pré-operatória completa: topografia, paquimetria, aberrometria, avaliação do filme lacrimal, tonometria e mapeamento de retina sob dilatação.

Para pacientes com miopia alta, o acompanhamento da retina é conduzido pelo Instituto da Retina, com Dr. Fernando Macei Drudi (CRM-SP 139.300 · RQE 50.645). Casos com suspeita de ceratocone são avaliados pelo Instituto do Ceratocone.

Atendemos em cinco unidades da Grande São Paulo — Santana, Tatuapé, Lapa, São Miguel Paulista e Guarulhos.

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Perguntas frequentes

A cirurgia de miopia é permanente?

A remodelação da córnea é permanente. Mas pode haver regressão parcial ao longo dos anos, especialmente em graus altos. E a cirurgia não impede o surgimento da presbiopia depois dos 40, nem da catarata mais tarde.

A cirurgia de miopia dói?

O procedimento em si não dói — é feito com colírio anestésico. Depois: no LASIK e no SMILE o desconforto é leve e dura horas. No PRK há dor moderada por 3 a 5 dias, enquanto o epitélio se regenera. Esse é o principal fator na escolha da técnica para muitos pacientes.

Qual a diferença entre LASIK, PRK e SMILE?

Todas aplicam o laser no mesmo lugar — o estroma da córnea. O LASIK cria um retalho, tem recuperação mais rápida e menos dor. O PRK remove o epitélio, tem recuperação mais lenta e mais dor, mas serve para córneas finas e não tem risco de retalho. O SMILE retira um lentículo por microincisão, sem retalho, com menos olho seco — mas não trata todos os casos.

Fiz cirurgia de miopia. Ainda preciso ir ao oftalmologista?

Sim, e este é o ponto mais importante do artigo. A cirurgia mudou a córnea, não o comprimento do olho. Quem tinha miopia alta continua com o mesmo risco de descolamento de retina e precisa de mapeamento periódico pelo resto da vida.

A cirurgia de miopia elimina o risco de descolamento de retina?

Não. O risco vem do alongamento do olho, e a cirurgia não encurta o olho. Em estudo populacional, o comprimento axial médio dos olhos que descolaram foi de 25,13 mm contra 23,73 mm nos que não descolaram — e essa medida permanece igual depois da cirurgia refrativa.

A partir de qual idade posso operar?

Em geral a partir dos 18 a 21 anos, com o grau estável há pelo menos um ano — variação menor que 0,50 dioptria em 12 meses. Não há limite máximo, mas acima dos 40 é preciso considerar o impacto da presbiopia no planejamento.

Posso operar se tiver astigmatismo?

Sim. O laser corrige miopia e astigmatismo no mesmo procedimento. A maioria dos míopes tem algum astigmatismo associado.

Tenho olho seco. Posso operar?

Depende da gravidade. Olho seco leve, tratado antes, geralmente não impede. Olho seco moderado a grave é contraindicação relativa, especialmente ao LASIK. Nesses casos, PRK ou SMILE tendem a ser melhores — metanálises mostram que o SMILE preserva melhor o filme lacrimal e a sensibilidade da córnea.

Tenho ceratocone. Posso fazer LASIK?

Não. Ceratocone é contraindicação absoluta ao laser, porque a cirurgia enfraquece ainda mais uma córnea já frágil. Existem outros caminhos — crosslinking, anéis intraestromais, lentes especiais e, em casos selecionados, lente fácica.

Minha córnea é fina. O que posso fazer?

Córnea fina limita a quantidade de tecido que pode ser removida com segurança. As alternativas são PRK (que poupa a espessura do retalho), SMILE em casos selecionados, ou lente fácica implantável, que não mexe na córnea. Em miopias de -6 a -20 dioptrias, a Cochrane mostrou que a lente fácica é mais segura que o laser, com menos perda de visão corrigida e maior satisfação.

O que é ectasia e qual é o risco?

É o enfraquecimento progressivo da córnea depois da cirurgia. É a complicação mais temida e a mais evitável: em estudo com 171 casos, 35,7% tinham topografia pré-operatória anormal, contra nenhum dos controles. Também pesam idade jovem, grau alto, córnea fina e remoção excessiva de tecido. A avaliação pré-operatória existe para identificar isso.

Vou precisar de óculos para perto depois?

Se você tem menos de 40 anos, não imediatamente — mas a presbiopia chega para todos. E há uma particularidade: o míope não operado costuma ler bem sem óculos justamente por ser míope. Ao corrigir a miopia, essa vantagem some, e a presbiopia é sentida de forma mais marcada quando chega.

Existe cirurgia que corrige miopia e vista cansada juntas?

Existe a monovisão — corrigir um olho para longe e deixar o outro levemente míope para perto. Funciona bem para parte das pessoas e é mal tolerada por outras, especialmente por quem dirige à noite. Testa-se com lente de contato antes de decidir cirurgicamente.

Quanto tempo até voltar a trabalhar?

LASIK: 1 a 2 dias. SMILE: 2 a 3 dias. PRK: 1 a 2 semanas, dependendo da atividade. Trabalhos com poeira, esforço físico ou risco de trauma exigem prazo maior.

Posso praticar esportes depois?

Sim, respeitando os prazos. Esportes de contato — artes marciais, boxe, futebol — merecem atenção especial após LASIK, porque o retalho corneano nunca cola por completo e pode deslocar com trauma. Para quem pratica essas modalidades, PRK ou SMILE costumam ser mais indicados.

Preciso guardar os exames de antes da cirurgia?

Sim, e poucas pessoas são avisadas disso. Décadas depois, quando você precisar operar catarata, o cálculo da lente intraocular é mais difícil em olhos já operados de refrativa. Ter a topografia e a refração de antes melhora muito a precisão desse cálculo.

Qual o CID da miopia?

H52.1 na CID-10. Quando há astigmatismo associado, aparece também o H52.2.


Referências

  1. Shortt AJ, Allan BDS, Evans JR. Laser-assisted in-situ keratomileusis (LASIK) versus photorefractive keratectomy (PRK) for myopia. Cochrane Database Syst Rev. 2013;(1):CD005135. doi:10.1002/14651858.CD005135.pub3

  2. Chang JY, Lin PY, Hsu CC, Liu CJL. Comparison of clinical outcomes of LASIK, Trans-PRK, and SMILE for correction of myopia. J Chin Med Assoc. 2022;85(2):145-151. doi:10.1097/JCMA.0000000000000674

  3. Barsam A, Allan BDS. Excimer laser refractive surgery versus phakic intraocular lenses for the correction of moderate to high myopia. Cochrane Database Syst Rev. 2014;(6):CD007679. doi:10.1002/14651858.CD007679.pub4

  4. Randleman JB, Woodward M, Lynn MJ, Stulting RD. Risk assessment for ectasia after corneal refractive surgery. Ophthalmology. 2008;115(1):37-50. doi:10.1016/j.ophtha.2007.03.073

  5. Santhiago MR, Smadja D, Gomes BF, Mello GR, Monteiro MLR, Wilson SE, Randleman JB. Association between the percent tissue altered and post-laser in situ keratomileusis ectasia in eyes with normal preoperative topography. Am J Ophthalmol. 2014;158(1):87-95.e1. doi:10.1016/j.ajo.2014.04.002

  6. Chen KY, Chan HC, Chan CM. How Effective is Keratorefractive Lenticule Extraction Surgery (KLEx) in Reducing Dry Eye Outcomes Compared to LASIK? A Systematic Review and Meta-analysis. J Refract Surg. 2025;41(8):e839-e854. doi:10.3928/1081597X-20250506-07

  7. Cai WT, Liu QY, Ren CD, et al. Dry eye and corneal sensitivity after small incision lenticule extraction and femtosecond laser-assisted keratomileusis: a Meta-analysis. Int J Ophthalmol. 2017;10(4):632-638. doi:10.18240/ijo.2017.04.21

  8. Thylefors J, Jakobsson G, Zetterberg M, Sheikh R. Retinal detachment after cataract surgery: a population-based study. Acta Ophthalmol. 2022;100(8):e1595-e1599. doi:10.1111/aos.15142

  9. Kuryan J, Cheema A, Chuck RS. Laser-assisted subepithelial keratectomy (LASEK) versus laser-assisted in-situ keratomileusis (LASIK) for correcting myopia. Cochrane Database Syst Rev. 2017;2(2):CD011080. doi:10.1002/14651858.CD011080.pub2

  10. American Academy of Ophthalmology. Refractive Errors & Refractive Surgery Preferred Practice Pattern. aao.org

  11. Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). cbo.net.br

  12. Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.336/2023 — publicidade médica. portal.cfm.org.br


Revisão médica. Conteúdo escrito e revisado por Dr. Fernando Macei Drudi, CRM-SP 139.300 · RQE 50.645. Revisão adicional por Dra. Priscilla Rodrigues de Almeida, CRM-SP 148.173 · RQE 59.216. Última revisão médica: 8 de agosto de 2026. Consulte nossa Política Editorial.

Aviso importante. Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico oftalmologista. Os resultados variam conforme cada caso e nenhum resultado é garantido. Se você tem miopia alta, mantenha o acompanhamento periódico da retina mesmo após a cirurgia refrativa.

Aviso importante: Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico oftalmologista. Em caso de sintomas ou dúvidas sobre sua saúde ocular, procure atendimento médico especializado.

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