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Chip de Retina PRIMA®: A Tecnologia Fotovoltaica que Restaura a Visão na DMRI Seca

Publicado em 03 de agosto de 2026 Atualizado em 21 de agosto de 2026 Revisão médica: 09 de agosto de 2026 16 min de leitura Dr. Fernando Macei Drudi
Chip de Retina PRIMA: A Tecnologia que Devolve a Visão na DMRI Seca — ilustração médica de saúde ocular — Instituto Drudi e Almeida Oftalmologia
Dr. Fernando Macei Drudi
Autor Médico
Dr. Fernando Macei Drudi
CRM-SP 139.300 | RQE 50.645

Resumo em linguagem simples

Este artigo explica de forma acessível o que é chip de retina prima®: a tecnologia fotovoltaica que restaura a visão na dmri seca, incluindo causas, sintomas, diagnóstico e opções de tratamento dis...

CID-10: H35.31
Resposta rápida: O chip de retina PRIMA® (desenvolvido pela Pixium Vision e Science Corporation) é uma prótese visual biónica sub-retiniana fotovoltaica de última geração. Projetado especificamente para reabilitar pacientes cegos por atrofia geográfica avançada (estágio terminal da Degeneração Macular Relacionada à Idade — DMRI seca), o sistema consiste em um microchip sem fio microscópico (2x2 mm com 378 fotodiodos) implantado sob a mácula, emparelhado com óculos especiais equipados com câmera e projetor de luz infravermelha próxima (850 nm). Em ensaios clínicos históricos publicados no New England Journal of Medicine (NEJM), o sistema PRIMA® demonstrou ser a primeira tecnologia do mundo capaz de devolver visão central útil e capacidade de leitura de letras e formas em áreas de atrofia macular completa, fundindo perfeitamente a visão artificial central com a visão periférica natural preservada.

O Que É o Chip de Retina PRIMA® e a Revolução no Tratamento da Cegueira Central?

Por décadas, receber o diagnóstico de atrofia geográfica — a fase avançada e irreversível da Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI seca) — significava aceitar a perda progressiva e inevitável da visão central. O paciente mantinha a visão periférica (o que permite caminhar sem esbarrar nos móveis), mas perdia a foveal (a capacidade de ler livros, reconhecer os rostos de familiares, ver as horas ou enxergar o prato de comida).

Até recentemente, a medicina não contava com nenhuma terapia capaz de reverter essa perda. Os novos medicamentos anti-complemento (pegcetacoplan/Syfovre® e avacincaptad pegol/Izervay®), aprovados em 2023, atuam desacelerando a velocidade de expansão da mancha de atrofia, mas não conseguem devolver um único ponto de visão que já tenha sido destruído [1].

O sistema PRIMA® surge como a primeira tecnologia de visão artificial sub-retiniana fotovoltaica capaz de substituir a função dos fotorreceptores mortos e restaurar a visão central em olhos previamente cegados pela atrofia geográfica [2].


Entendendo a Atrofia Geográfica na DMRI Seca e o Alvo Anatômico

A retina é o tecido neurológico que forra o fundo do olho, funcionando como o sensor de imagem do corpo. A mácula é a região central da retina, rica em fotorreceptores (cones), responsável por 90% da acuidade visual útil.

Fisiopatologia da Atrofia Geográfica e Alvo do PRIMA

O Que Acontece na Atrofia Geográfica?

Com o envelhecimento e a predisposição genética, ocorre o acúmulo de drusas e a inflamação crônica no epitélio pigmentado da retina (EPR). Com o tempo, as células do EPR e os fotorreceptores (cones e bastonetes) morrem, deixando uma área morta e transparente na mácula chamada atrofia geográfica.

O Achado Anatômico Fundamental para o Chip

Estudos histológicos e de tomografia de coerência óptica (OCT) demonstraram que, mesmo após a morte completa dos fotorreceptores na área de atrofia, as camadas internas da retina — especialmente as células bipolares e ganglionares e o nervo óptico — permanecem vivas e preservadas em mais de 70% dos pacientes!

É exatamente sobre essa "fiação neural intacta" que o chip PRIMA® é implantado. O microchip atua substituindo os fotorreceptores mortos e injetando microcorrentes elétricas diretamente nas células bipolares remanescentes.


Como Funciona o Sistema PRIMA®: Câmera, Luz Infravermelha e Microchip Fotovoltaico

Diferente das próteses biónicas antigas, o sistema PRIMA® funciona de forma totalmente sem fio e sem baterias internas, utilizando energia fotovoltaica transmitida por luz infravermelha.

Arquitetura Integrada do Sistema PRIMA

A Tríade Tecnológica do Sistema:

  1. Óculos Inteligentes com Câmera e Processador: O paciente utiliza óculos especiais que contêm uma câmera de alta definição embutida na armação. A câmera grava o ambiente em tempo real. O processador de bolso otimiza o contraste e permite ao paciente aplicar zoom digital ajustável para aproximar palavras, placas e objetos.
  2. Projetor de Luz Infravermelha Próxima (850 nm): Um microprojetor invisível acoplado aos óculos projeta a cena visual processada através da pupila utilizando pulsos de luz infravermelha próxima (comprimento de onda de 850 nm). A luz infravermelha é completamente invisível aos fotorreceptores periféricos naturais do olho, evitando qualquer ofuscamento.
  3. Microchip Fotovoltaico Sub-retiniano (2x2 mm): Implantado cirurgicamente sob a retina na área atrófica, o chip de silício mede apenas 2x2 milímetros e 30 micrômetros de espessura (menor que um grão de arroz). Ele contém 378 fotodiodos independentes que funcionam como painéis solares microscópicos: ao receberem a luz infravermelha, convertem-na instantaneamente em impulsos elétricos locais.

Ciclo de Processamento do Sinal Visual no PRIMA


Evolução Tecnológica: O PRIMA® em Comparação a Próteses Antigas e Drogas Anti-Complemento

Para compreender a magnitude deste avanço, é preciso comparar o PRIMA® com as tecnologias anteriores e com os medicamentos atuais:

Evolução Tecnológica: Argus II vs Anti-Complemento vs PRIMA

Abordagens Terapêuticas na Atrofia Geográfica

Diferenciais do PRIMA® em relação ao Argus II® (1ª Geração):

  • Localização: O Argus II® era epirretiniano (ficava sobre a retina interna) e exigia um cabo elétrico perfurando a parede do olho. O PRIMA® é sub-retiniano e 100% sem fio.
  • Resolução: O Argus II® possuía apenas 60 eletrodos (permitindo ver apenas vultos). O PRIMA® possui 378 pixels fotovoltaicos, atingindo resolução suficiente para a leitura de palavras e frases com zoom.
  • Preservação da Visão Periférica: O PRIMA® permite que o cérebro integre a visão periférica natural remanescente com a visão central artificial criada pelo chip, algo impossível nas tecnologias passadas.

O Que Dizem as Evidências Científicas? Os Resultados Publicados no NEJM e Nature Medicine

Os resultados clínicos do sistema PRIMA® foram publicados no periódico médico de maior prestígio do mundo, o New England Journal of Medicine (NEJM), e apresentados na American Academy of Ophthalmology (AAO) e na EURETINA [2, 3].

Resultados do Estudo Pivô PRIMAvera (Fase II/III):

  • Restauração de Leitura Central: Em pacientes cegos por atrofia geográfica que não conseguiam ler uma única linha da tabela de visão, o uso do sistema PRIMA® com zoom ativado permitiu atingir acuidade visual de leitura média de 20/63 a 20/80.
  • Ganho Significativo de Letras: A maioria esmagadora dos pacientes apresentou um ganho estatisticamente e clinicamente significativo de mais de 23 a 32 letras na tabela de visão na área de atrofia.
  • Integração Perceptual Binocular: Os pacientes relataram que a visão artificial central projetada em tons de cinza/luz sobrepunha-se perfeitamente ao seu campo de visão periférico natural, sem causar confusão mental ou supressão cortical.
  • Estabilidade do Implante: O microchip manteve-se perfeitamente fixado sob a retina sem sinais de rejeição, fibrose grave ou migração ao longo de 12 a 36 meses de acompanhamento.

Quem É Candidato ao Implante do Chip de Retina PRIMA®?

Nem todo paciente com DMRI pode receber o implante. Os critérios de inclusão rígidos estabelecidos pelos ensaios clínicos do NEJM exigem avaliação minuciosa por retinólogo:

Critérios de Elegibilidade ao Implante PRIMA

Requisitos Clínicos e Anatômicos:

  1. Diagnóstico de DMRI Seca Avançada: Atrofia geográfica macular foveal bilateral sem componente neovascular úmido ativo.
  2. Perda Visual Central Acentuada: Acuidade visual no olho a ser operado igual ou inferior a 20/320 (logMAR ≥ 1.2), provocada pelo escotoma central.
  3. Preservação Neural no OCT: Confirmação por Tomografia de Coerência Óptica de que as camadas bipolares e ganglionares da retina interna estão preservadas.
  4. Visão Periférica Preservada: Campo visual periférico funcional que permita a navegação espacial.
  5. Aptidão e Motivação para Reabilitação: Disponibilidade do paciente para aprender a utilizar os óculos especiais com zoom e realizar o treinamento de visão sub-retiniana.

Status Regulatório: ANVISA, FDA e Acesso no Brasil

Uma das dúvidas mais frequentes dos pacientes no consultório diz respeito à disponibilidade prática do tratamento:

O Chip PRIMA® Já Está Disponível Comercialmente no Brasil?

  • Estados Unidos (FDA): O sistema PRIMA® recebeu a prestigiada designação de Breakthrough Device pelo FDA, acelerando a fase final de aprovação regulatória após os resultados do NEJM.
  • Europa (Marcação CE): O dispositivo obteve aprovação regulatória europeia para uso em centros médicos selecionados.
  • Brasil (ANVISA): Até 2026, o implante PRIMA® encontra-se em fase de trâmites regulatórios e preparação de ensaios clínicos para a aprovação junto à ANVISA. A expectativa da comunidade oftálmica é de que o acesso ocorra nos próximos anos nos principais centros de referência em retina.

Prevenção e Acompanhamento Especializado da DMRI Seca

Enquanto as tecnologias de visão artificial avançam, o acompanhamento preventivo continua sendo o pilar fundamental para evitar que a DMRI progrida para fases atróficas terminais:

  1. Fórmula Suplementar AREDS2: O uso de antioxidantes específicos (luteína 10mg, zeaxantina 2mg, vitamina C, vitamina E e zinco) demonstrou reduzir em até 25% o risco de progressão da DMRI intermediária para formas avançadas.
  2. Cessação Total do Tabagismo: O cigarro é o principal fator de risco modificável, triplicando a taxa de atrofia macular.
  3. Uso de Óculos com Filtro UV400: Proteção contra o estresse fotóxico solar na macula.
  4. Monitoramento Domiciliar com a Grade de Amsler: Permite identificar a metamorfopsia (linhas tortas) precocemente, indicando se a forma seca está se transformando em forma úmida (neovascular).

Onde Tratar Doenças da Retina com Especialista em São Paulo

O acompanhamento da DMRI seca com exames de autofluorescência e Tomografia de Coerência Óptica (OCT) de alta resolução é essencial para definir o prognóstico e a elegibilidade a futuras tecnologias.

O Instituto Drudi e Almeida Oftalmologia conta com equipe especializada em retina sob coordenação do Dr. Fernando Macei Drudi (retinólogo pelo HSPE/IAMSPE).

Unidades na Grande São Paulo:

  • Santana: Zona Norte de São Paulo – SP
  • Tatuapé: Zona Leste de São Paulo – SP
  • Lapa: Zona Oeste de São Paulo – SP
  • São Miguel Paulista: Zona Leste de São Paulo – SP
  • Guarulhos: Centro – Guarulhos – SP

Centro Cirúrgico: Cirurgias e procedimentos retinianos complexos são realizados no MIRA Hospital Oftalmológico.

Contato e Agendamento:


Perguntas Frequentes sobre o Chip de Retina PRIMA®

1. O chip PRIMA® devolve a visão 100% normal?

Não. O chip oferece uma forma de visão artificial prostética em tons de luz/cinza na região central. Ele não devolve a visão perfeita de um jovem, mas restaura a capacidade de identificar formas, ler letras grandes e reconhecer objetos centrais que estavam completamente invisíveis devido ao escotoma.

2. O paciente enxerga cores com o chip de retina?

Na versão atual de 378 pixels, a projeção infravermelha gera estímulos luminosos percebidos em padrões de contraste e escala de cinza/luz. Futuras gerações com milhares de pixels fotovoltaicos visam incorporar discriminação de cores.

3. A cirurgia de implantação do chip é perigosa?

Como qualquer vitrectomia posterior com descolamento de retina localizado para inserção sub-retiniana, existem riscos cirúrgicos (como hemorragia, infecção ou elevação da pressão). Porém, nos ensaios do NEJM, o procedimento demonstrou um perfil de segurança cirúrgica aceitável e bem tolerado pelos pacientes idosos.

4. O chip precisa ser recarregado na tomada?

Não. O microchip sub-retiniano é fotovoltaico puro: ele não possui bateria interna nem fios. Toda a energia necessária para gerar a corrente elétrica vem da própria luz infravermelha projetada pelos óculos especiais em tempo real.

5. O que acontece se o paciente tirar os óculos?

Sem os óculos especiais, o chip não recebe os pulsos de luz infravermelha e permanece inativo. O paciente volta a enxergar apenas a sua visão periférica natural com o escotoma central habitual da atrofia geográfica.

6. O chip PRIMA® serve para quem tem DMRI Úmida?

Os estudos clínicos focaram prioritariamente na DMRI seca com atrofia geográfica, onde as camadas profundas morreram mas a retina interna está preservada. Em casos de DMRI úmida com cicatrizes disciformes espessas, a fibrose pode dificultar a transmissão elétrica, exigindo avaliação individualizada.

7. Quem tem Glaucoma avançado pode colocar o chip PRIMA®?

Geralmente não. O glaucoma danifica diretamente as células ganglionares e o nervo óptico (a "fiação" que leva o sinal ao cérebro). Para o PRIMA® funcionar, é indispensável que o nervo óptico e a retina interna estejam saudáveis.

8. Qual a diferença entre o Syfovre®/Izervay® e o Chip PRIMA®?

O Syfovre® e o Izervay® são medicamentos em injeção que frenam a expansão da atrofia geográfica, mas não devolvem a visão já perdedida. O chip PRIMA® é uma prótese biónica que restaura a visão central na mancha de atrofia onde a visão já havia sido destruída.

9. Os óculos do sistema PRIMA® pesam muito?

Não. Os óculos modernos de visão artificial parecem óculos escuros elegantes de armação leve, contendo a microcâmera central e os diodos projetores infravermelhos.

10. O chip de retina é visível por fora quando olham para o paciente?

Não. O microchip fica posicionado sob a retina, no fundo do olho. A córnea e a íris permanecem normais e o chip não é visível em conversas do dia a dia (só pode ser visto pelo oftalmologista no exame de mapeamento de retina ou OCT).

11. O paciente precisa fazer treinamento depois da cirurgia?

Sim. A reabilitação visual com especialistas em baixa visão é fundamental. O cérebro precisa de algumas semanas para aprender a interpretar os novos padrões de luz artificial projetados pelo chip e utilizar a função de zoom dos óculos para leitura.

12. O chip pode causar rejeição no corpo?

Não. O microchip PRIMA® é fabricado em silício e materiais biocompatíveis inertes que não provocam rejeição imunológica pelo organismo.

13. O que é o zoom digital dos óculos PRIMA®?

É um recurso ativável pelo paciente na armação dos óculos que amplia a imagem capturada em até 8x, permitindo ler palavras de livros, rótulos de remédios e placas de rua com facilidade.

14. O plano de saúde ou SUS cobrem o chip de retina no Brasil?

Atualmente, por se tratar de uma tecnologia em fase de aprovação regulatória final e ensaios clínicos, o procedimento ainda não consta no Rol de coberturas obrigatórias da ANS ou do SUS no Brasil.

15. Onde posso fazer exames para avaliar a atrofia geográfica em São Paulo?

No Instituto Drudi e Almeida pelo telefone (11) 5430-2421 ou pelo WhatsApp Oficial do Instituto, com exames de OCT e mapeamento nas unidades Santana, Tatuapé, Lapa, São Miguel Paulista e Guarulhos.


Referências Científicas

  1. Jaffe GJ, et al. C5 Inhibitor Avacincaptad Pegol for Geographic Atrophy Secondary to Age-Related Macular Degeneration: GATHER2 Phase 3 Trial. Ophthalmology, 2023; 130(11): 1152-1163. DOI: 10.1016/j.ophtha.2023.07.001
  2. Holz FG, Le Mer Y, Muqit MMK, Palanker D, Sahel JA, et al. Subretinal Photovoltaic Implant to Restore Vision in Geographic Atrophy Due to AMD. New England Journal of Medicine, 2025; 393: 1605–1615. DOI: 10.1056/NEJMoa2501396
  3. Muqit MMK, et al. Prosthetic Visual Acuity with the PRIMA Subretinal Microchip in Geographic Atrophy. Ophthalmology, 2024; 131(6): 680-692. DOI: 10.1016/j.ophtha.2023.12.015
  4. Palanker D, et al. Photovoltaic restoration of central vision in atrophic age-related macular degeneration. Nature Medicine, 2025; 31: 450-462. DOI: 10.1038/s41591-024-03120-w
  5. Goldberg F, et al. Complement Inhibition in Geographic Atrophy: Clinical Evidence for Pegcetacoplan and Avacincaptad Pegol. Cureus, 2026; 18(5): e109282. DOI: 10.7759/cureus.109282

Revisão médica e autoria: Dr. Fernando Macei Drudi — CRM-SP 139.300 · RQE 50.645. Especialista em Retina e Cirurgia Vitreorretiniana pelo HSPE/IAMSPE.

Última atualização médica: 9 de agosto de 2026.

Aviso importante: Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educativo. Ele não substitui a consulta médica presencial, o exame de tomografia de retina (OCT) e a avaliação individualizada por oftalmologista especialista em retina.

Aviso importante: Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico oftalmologista. Em caso de sintomas ou dúvidas sobre sua saúde ocular, procure atendimento médico especializado.

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