Resumo em linguagem simples
A catarata é responsável por 51% dos casos de cegueira reversível no mundo. Entenda os sintomas, quando operar e como funciona a cirurgia moderna de facoemulsificação com implante de lente intraocular.
A catarata é uma das condições oftalmológicas mais comuns no mundo — e, ao mesmo tempo, uma das mais tratáveis. Estima-se que ela seja responsável por cerca de 51% dos casos de cegueira reversível no planeta, segundo a Organização Mundial da Saúde. No Brasil, mais de 700 mil cirurgias de catarata são realizadas por ano pelo SUS e pela rede privada, tornando-a o procedimento cirúrgico oftalmológico mais frequente do país.
Apesar de sua prevalência, a catarata ainda gera muita dúvida e, em alguns casos, receio desnecessário. Este artigo explica o que é a catarata, como ela se manifesta, quando operar e como funciona a cirurgia moderna — para que você chegue ao consultório informado e tranquilo.
O que é a Catarata?
O cristalino é a lente natural do olho humano. Transparente e flexível, ele fica posicionado logo atrás da pupila e tem a função de focar a luz na retina, permitindo que enxerguemos com nitidez tanto objetos próximos quanto distantes.
A catarata ocorre quando esse cristalino perde sua transparência e se torna progressivamente opaco. Com o tempo, a opacidade aumenta e a visão vai se deteriorando — como se você estivesse olhando o mundo através de um vidro fosco ou embaçado.
A causa mais comum é o envelhecimento natural: a partir dos 60 anos, as proteínas do cristalino começam a se desnaturar e se agregar, formando áreas de opacidade. Por isso, a catarata é frequentemente chamada de "catarata senil" ou "catarata relacionada à idade". No entanto, ela também pode surgir em outras situações:
- Catarata congênita: presente desde o nascimento, geralmente associada a infecções durante a gestação (rubéola, toxoplasmose) ou a doenças metabólicas.
- Catarata traumática: causada por lesões oculares, cirurgias anteriores ou exposição a radiação.
- Catarata secundária: associada ao uso prolongado de corticosteroides, ao diabetes mellitus mal controlado ou a outras doenças sistêmicas.
- Catarata em jovens: menos comum, mas possível em pacientes com miopia alta, uveíte crônica ou doenças genéticas.
Sintomas da Catarata: Como Identificar
A catarata evolui de forma lenta e silenciosa. Muitos pacientes só percebem os sintomas quando a opacidade já está avançada. Conhecer os sinais precoces é fundamental para buscar tratamento no momento certo.
Visão Embaçada ou Turva
O primeiro e mais característico sintoma é a sensação de que a visão está constantemente embaçada, como se houvesse uma névoa permanente diante dos olhos. Atividades cotidianas como ler, usar o celular, reconhecer rostos ou assistir televisão tornam-se progressivamente mais difíceis. Muitos pacientes relatam que trocar os óculos não resolve o problema — e é exatamente esse sinal que deve levar ao oftalmologista.
Sensibilidade Aumentada à Luz (Fotofobia)
A catarata pode causar um aumento significativo na sensibilidade à luz. Ambientes muito iluminados, a luz solar direta ou flashes de câmera podem provocar desconforto intenso. Isso ocorre porque a opacidade do cristalino dispersa a luz de forma irregular, criando um efeito de "espalhamento" que sobrecarrega a retina.
Dificuldade para Enxergar à Noite
Especialmente ao dirigir, os faróis de outros veículos podem causar ofuscamento intenso, enquanto ruas pouco iluminadas parecem ainda mais escuras. Essa dificuldade noturna — chamada de redução da sensibilidade ao contraste — é um dos sintomas que mais impacta a qualidade de vida dos pacientes. O paciente passa a evitar dirigir à noite, sair sozinho ou frequentar ambientes com iluminação variável.
Diplopia Monocular (Visão Dupla em um Olho)
Em alguns casos, embora menos frequente, a catarata pode causar visão dupla em apenas um dos olhos (diplopia monocular). Isso acontece porque a opacidade irregular do cristalino faz com que a luz se disperse de formas diferentes ao atravessar o olho, criando imagens duplicadas. Esse sintoma é mais comum quando existe associação com luxação ou subluxação do cristalino.
Alteração na Percepção das Cores
As cores podem parecer mais amareladas, desbotadas ou menos vibrantes do que o normal. Isso ocorre porque o cristalino opaco filtra a luz de forma irregular, alterando a percepção cromática. Curiosamente, muitos pacientes só percebem essa mudança após a cirurgia, quando voltam a ver as cores em toda a sua vivacidade. Esse pode ser um dos primeiros sintomas da catarata — muitas vezes, antes da diminuição da acuidade visual, o paciente já nota perda da sensibilidade ao contraste e das cores.
Melhora Temporária da Visão de Perto ("Segunda Visão")
Em alguns pacientes, especialmente no início da catarata nuclear (que afeta o centro do cristalino), pode ocorrer um fenômeno chamado de "segunda visão": a visão de perto melhora temporariamente, e o paciente consegue ler sem óculos por um período. Isso acontece porque a opacidade central aumenta o poder de refração do cristalino, criando um efeito de miopia transitória. Essa melhora é passageira e não deve ser confundida com recuperação da visão.
Diagnóstico: Como a Catarata é Detectada
O diagnóstico da catarata é realizado por um oftalmologista durante uma consulta de rotina. O exame inclui:
| Exame | O que avalia |
|---|---|
| Acuidade visual (tabela de Snellen) | Grau de comprometimento da visão |
| Biomicroscopia (lâmpada de fenda) | Tipo, localização e grau da opacidade |
| Tonometria | Pressão intraocular (descarta glaucoma associado) |
| Mapeamento de retina | Saúde da retina antes da cirurgia |
| Biometria ocular | Cálculo da lente intraocular ideal para implante |
| Topografia de córnea | Avaliação da superfície corneana |
Na Drudi e Almeida, os exames pré-operatórios podem ser realizados no mesmo dia da consulta, agilizando o planejamento cirúrgico e reduzindo o número de visitas necessárias.
Quando Operar a Catarata?
Não existe uma regra única que determine o momento ideal para a cirurgia. A decisão é sempre individualizada e leva em conta:
- Grau de comprometimento da visão: quando a acuidade visual cai abaixo de 20/40 (ou 0,5 na escala decimal), a cirurgia geralmente é indicada.
- Impacto na qualidade de vida: se a catarata está impedindo o paciente de exercer suas atividades profissionais, dirigir, ler ou realizar tarefas cotidianas, a cirurgia é indicada independentemente do grau.
- Risco de complicações: cataratas muito avançadas (hipermaduras) são tecnicamente mais difíceis de operar e aumentam o risco de complicações. Por isso, não é recomendável aguardar demais.
- Condições associadas: a presença de glaucoma, diabetes ou outras doenças oculares pode antecipar a indicação cirúrgica.
A mensagem mais importante é: não espere "ficar cego" para operar. A cirurgia é mais segura, mais precisa e com melhor resultado visual quando realizada antes que a catarata atinja estágios muito avançados.
A Cirurgia de Facoemulsificação com Implante de Lente Intraocular
A facoemulsificação com implante da lente intraocular é o padrão-ouro mundial para o tratamento da catarata. Trata-se de um procedimento minimamente invasivo, realizado em regime ambulatorial (sem internação), com duração média de 15 a 20 minutos por olho.
Como Funciona a Cirurgia
1. Anestesia tópica (colírio)
A cirurgia começa com a aplicação de colírios anestésicos, eliminando qualquer dor ou desconforto. Não é necessária anestesia geral, e hoje raramente precisamos de anestesia com agulhas. O paciente permanece acordado durante todo o procedimento, mas não sente dor.
2. Microincisão na córnea
O cirurgião realiza uma microincisão de aproximadamente 2,4 mm na córnea, utilizando bisturis especiais de precisão. Essa incisão é tão pequena que geralmente não necessita de pontos e cicatriza naturalmente em poucos dias.
3. Facoemulsificação do cristalino
Através da técnica de facoemulsificação, o cristalino opaco é fragmentado por ultrassom e aspirado com precisão. Todo o material opaco é removido, preservando a cápsula do cristalino — a "bolsa" que sustentará a nova lente intraocular.
4. Implante da lente intraocular (LIO)
Uma lente intraocular artificial é implantada no lugar do cristalino removido. A lente é dobrada e inserida pela mesma microincisão, onde se desdobra e se posiciona perfeitamente dentro do olho. Com o avanço tecnológico, dispomos hoje de uma vasta opção de lentes que podem corrigir, além da catarata, os erros refracionais do paciente — incluindo miopia, hipermetropia, astigmatismo e presbiopia (dificuldade para enxergar de perto).
Tipos de Lentes Intraoculares
A escolha da lente intraocular é uma das decisões mais importantes do planejamento cirúrgico. As principais opções são:
| Tipo de Lente | Indicação | Característica |
|---|---|---|
| Monofocal | Visão para longe ou para perto | Mais utilizada; óculos para a distância não corrigida |
| Tórica | Astigmatismo | Corrige o astigmatismo além da catarata |
| Multifocal | Visão para longe e perto | Reduz ou elimina a necessidade de óculos |
| Trifocal | Longe, intermediário e perto | Visão em todas as distâncias |
| EDOF (Profundidade de foco estendida) | Visão contínua | Menos halos e glare que as multifocais |
A escolha depende do estilo de vida do paciente, das características anatômicas do olho e das expectativas em relação à dependência de óculos após a cirurgia.
Recuperação Pós-Operatória
A recuperação da cirurgia de catarata é, em geral, rápida e tranquila. A maioria dos pacientes já percebe melhora significativa na visão no dia seguinte à cirurgia.
Primeiras 24 horas: repouso relativo, evitar esforço físico e não coçar o olho. Use óculos escuros sempre que sair de casa nos primeiros dias — isso trará mais conforto ao pós-operatório.
Primeira semana: uso de colírios antibióticos e anti-inflamatórios conforme prescrição. Evitar piscinas, praias e ambientes empoeirados.
Primeiro mês: a visão continua melhorando progressivamente. Consultas de retorno são essenciais para acompanhar a cicatrização e ajustar o tratamento se necessário.
Após 30 dias: na maioria dos casos, a visão já está estabilizada e o paciente pode retomar todas as atividades normais, incluindo exercícios físicos e dirigir.
Perguntas Frequentes sobre Catarata
A cirurgia de catarata dói?
Não. Com a anestesia tópica (colírio), o procedimento é indolor. O paciente pode sentir uma leve pressão durante a cirurgia, mas sem dor.
A catarata pode voltar após a cirurgia?
A catarata em si não volta, pois o cristalino natural é removido. No entanto, cerca de 20 a 30% dos pacientes desenvolvem a chamada "catarata secundária" (opacificação da cápsula posterior), que pode ser tratada com um procedimento simples a laser (capsulotomia YAG) em poucos minutos, sem necessidade de nova cirurgia.
Posso operar os dois olhos ao mesmo tempo?
Na maioria dos centros, os olhos são operados com um intervalo de 7 a 15 dias entre eles, por segurança. Isso permite avaliar o resultado do primeiro olho antes de operar o segundo.
Qual é o melhor momento para operar?
O melhor momento é quando a catarata está impactando sua qualidade de vida — não é necessário esperar "ficar cego". Quanto antes for tratada, mais segura e precisa é a cirurgia.
Conclusão
A catarata é uma condição tratável, com cirurgia segura, rápida e de alta eficácia. O diagnóstico precoce e o acompanhamento regular com um oftalmologista são fundamentais para garantir que o tratamento seja realizado no momento ideal, com os melhores resultados possíveis.
Na Drudi e Almeida Oftalmologia, o Instituto da Catarata conta com equipamentos de última geração, cirurgiões especializados e uma equipe dedicada a oferecer o cuidado mais humanizado e tecnicamente avançado para cada paciente.
Se você ou alguém da sua família apresenta algum dos sintomas descritos neste artigo, agende uma consulta. A visão é um bem precioso — e cuidar dela é um ato de amor próprio.
Artigo elaborado pela equipe médica da Drudi e Almeida Clínicas Oftalmológicas. As informações aqui contidas têm caráter educativo e não substituem a consulta com um médico oftalmologista.
Referências Científicas
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- Gurnani B, Kaur K (2023). Phacoemulsification. NCBI — Referência científica
- Zhang S, He W, Lu P, Xu F, Zhong H, Zhong S, Jiang L (2025). Optimizing the sequential approach of combined phacoemulsification and gonioscopy-assisted transluminal trabeculotomy (GATT) in primary open-angle glaucoma. PubMed — Referência científica
- Li X, Li X, Tan L, Chen H, Lai Y (2025). The corneal biomechanical changes of phacoemulsification in cataract patients: A systematic review and meta-analysis. PubMed — Referência científica
Aviso importante: Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico oftalmologista. Em caso de sintomas ou dúvidas sobre sua saúde ocular, procure atendimento médico especializado.
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