Resumo em linguagem simples
O campo visual mede a extensão da visão periférica. É essencial para diagnosticar e acompanhar o glaucoma. Dura cerca de 15 minutos, não precisa dilatar e requer atenção do paciente.
O que é o exame de campo visual?
O campo visual (ou perimetria) é um exame que mapeia toda a extensão da visão — central e periférica — de cada olho separadamente. Ele detecta áreas onde a sensibilidade visual está reduzida ou ausente (escotomas), que podem indicar danos ao nervo óptico, à retina ou às vias visuais cerebrais.
No Instituto Drudi e Almeida, utilizamos o Humphrey Field Analyzer 750i (Zeiss), o aparelho de referência mundial para perimetria computadorizada, com o protocolo SITA-Standard (Swedish Interactive Thresholding Algorithm) — o mais validado na literatura científica para glaucoma.
Para que serve o campo visual?
O campo visual é indispensável para:
- Glaucoma — detecta e quantifica a perda de campo visual funcional; essencial para estadiamento e monitoramento da progressão
- Neuropatia Óptica — isquêmica, inflamatória, compressiva ou hereditária
- Retinose Pigmentar — documenta o estreitamento tubular do campo visual
- Lesões das Vias Visuais — tumores hipofisários, AVC, esclerose múltipla
- Retinopatia por Hidroxicloroquina — rastreamento de toxicidade macular em pacientes com lúpus ou artrite reumatoide
- Avaliação de Motoristas — exame obrigatório para renovação da CNH em casos específicos
Como é feito o exame de campo visual?
O paciente senta em frente ao aparelho com um olho ocluído. O olho examinado fica posicionado diante de uma cúpula branca (bowl), com o olhar fixo em um ponto central. O aparelho projeta pontos de luz de diferentes intensidades em posições aleatórias dentro do campo visual, e o paciente pressiona um botão cada vez que percebe um ponto. O computador registra quais pontos foram detectados e com qual intensidade, construindo um mapa de sensibilidade visual.
Como interpretar o resultado?
O laudo inclui vários mapas e índices:
- Mean Deviation (MD) — desvio médio da sensibilidade em relação ao normal para a idade. Valores mais negativos indicam maior perda.
- Pattern Standard Deviation (PSD) — variabilidade local da perda. Elevado em glaucoma focal.
- Visual Field Index (VFI) — percentual de campo visual funcional preservado (100% = normal, 0% = cegueira total).
- Glaucoma Hemifield Test (GHT) — compara os hemicampos superior e inferior para detectar o padrão assimétrico típico do glaucoma.
| Estágio do Glaucoma | MD (dB) | VFI (%) |
|---|---|---|
| Inicial | 0 a −6 | > 85% |
| Moderado | −6 a −12 | 50–85% |
| Avançado | < −12 | < 50% |
O exame de campo visual é difícil?
Requer atenção e concentração, mas não é difícil. O maior desafio é manter o olhar fixo no centro enquanto percebe os estímulos periféricos. É normal que o primeiro exame seja menos confiável — o paciente aprende a técnica ao longo do exame. Por isso, o médico frequentemente solicita pelo menos dois exames antes de tomar decisões clínicas baseadas no campo visual.
Com que frequência devo repetir o campo visual?
Para glaucoma, as diretrizes da European Glaucoma Society recomendam pelo menos 2 exames por ano nos primeiros 2 anos após o diagnóstico, para estabelecer a taxa de progressão. Após estabilização documentada, pode ser reduzido para 1 exame anual. Em casos de progressão rápida ou suspeita de progressão, pode ser necessário repetir a cada 3 a 4 meses.
Aviso importante: Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico oftalmologista. Em caso de sintomas ou dúvidas sobre sua saúde ocular, procure atendimento médico especializado.
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