Em resumo
A prótese ocular é uma peça de resina feita sob medida pelo ocularista depois que um olho cego e doente é retirado. Ela não enxerga, mas devolve a aparência. Na cirurgia, um implante repõe o volume da órbita. A evisceração preserva a parede do olho; a enucleação retira o olho inteiro e é a escolha quando há suspeita de tumor.
Neste artigo
A prótese ocular, o “olho artificial”, é uma peça de resina acrílica feita sob medida pelo ocularista e pintada para combinar com o outro olho. Ela é usada depois que um olho cego e doente precisa ser retirado. A prótese não enxerga: ela devolve a aparência e ajuda a manter as pálpebras no lugar. Por baixo dela, um implante esférico colocado na cirurgia repõe o volume da órbita.[7][9]
Quando o olho precisa ser retirado
Retirar um olho é uma das decisões mais difíceis da oftalmologia e costuma ser a última opção. As indicações mais comuns são o olho cego e doloroso, o trauma grave e o tumor maligno dentro do olho.[2] Infecções e inflamações graves e o glaucoma em fase final também estão entre as causas.[1]
Evisceração, enucleação e exenteração
- Evisceração: retira o conteúdo de dentro do olho e mantém a esclera, a parede branca, com os músculos presos a ela.[1]
- Enucleação: retira o globo ocular inteiro, com a córnea e a esclera.[1] É a escolha quando há suspeita de tumor dentro do olho, porque a evisceração não é indicada nesses casos.[3]
- Exenteração: retira também os tecidos da órbita, em doenças que passaram do olho, como alguns tumores.[1]
Quando não há tumor, a evisceração é uma alternativa aceita à enucleação.[3] Num hospital público da Austrália, em 73 olhos operados ao longo de 10 anos, houve complicação em 15,6% das eviscerações e em 35,7% das enucleações, e a exposição ou a saída do implante foi mais rara na evisceração: 3,1% contra 21,7%.[5]
E o risco para o outro olho?
A oftalmia simpática é uma inflamação rara que pode atingir o olho saudável depois de um trauma ou de cirurgias no outro olho. Numa metanálise com 7.620 traumas em que o olho foi aberto, a taxa estimada foi de 0,12%, e não houve evidência de que retirar o olho logo no início diminua esse risco.[4] Depois da evisceração, o risco é só um pouco maior que depois da enucleação.[13] Mesmo sendo raro, é um motivo para manter os retornos e procurar o médico se o olho que enxerga ficar vermelho, dolorido ou com a visão embaçada.
O implante que repõe o volume
Na cirurgia, o médico coloca dentro da órbita um implante esférico, que fica coberto pelos tecidos do próprio paciente e repõe o volume que o olho ocupava. Há implantes porosos e não porosos, e os dois têm resultados aceitáveis; faltam estudos que comparem os dois em pacientes parecidos.[7]
A exposição do implante, quando ele aparece através da conjuntiva, é a complicação que mais preocupa. Ela pode acontecer anos depois: num acompanhamento médio de 9 anos em Taiwan, dois terços das exposições surgiram mais de 2 anos após a cirurgia.[6] Por isso, secreção que muda, dor ou uma área diferente na cavidade pedem consulta, mesmo muito tempo depois.
A prótese feita pelo ocularista
Logo depois da cirurgia, uma peça provisória e transparente, o conformador, mantém o espaço atrás das pálpebras enquanto a cavidade cicatriza. Quando o médico libera, o ocularista tira um molde da cavidade e faz a prótese em resina acrílica, pintada à mão para combinar com o outro olho.[9] O cuidado é feito em conjunto: o oftalmologista acompanha a cavidade, e o ocularista, a adaptação da prótese.[1]
A prótese acompanha parte do movimento do olhar, porque se apoia sobre o tecido que cobre o implante, mas costuma se mexer menos que o olho natural. Com o tempo, a gordura da órbita pode diminuir e a prótese deixar de assentar bem; quando isso acontece, há cirurgias para repor o volume.[8]
Cuidados com a prótese
- Lave as mãos antes de tocar na prótese ou na cavidade.[11]
- Não retire a prótese todos os dias sem orientação. Num estudo com 101 usuários de prótese de vidro, limpar com mais frequência se associou a mais secreção e mais inflamação.[11] A frequência da limpeza é combinada com o médico e o ocularista.
- Faça as revisões com o ocularista. Num estudo espanhol com 62 cavidades, próteses trocadas ou ajustadas havia menos de um ano se associaram a menos desconforto.[10]
- Secreção amarelada, dor, inchaço ou cheiro forte pedem avaliação oftalmológica.
O olho que enxerga e a adaptação
Com um olho só, a noção de profundidade muda, e o olho que enxerga merece proteção: óculos de proteção em atividades de risco e consultas regulares.
A perda de um olho também pesa no emocional. Num estudo com 217 usuários de prótese, cerca de 18% tinham sinais de depressão moderada a grave, e os autores recomendam apoio psicológico junto com o cuidado médico.[12]
Na Drudi e Almeida
A consulta é feita nas unidades da rede, e a evisceração, no MIRA Hospital Oftalmológico, hospital próprio da rede. Depois que a cavidade cicatriza, a equipe encaminha a pessoa a um ocularista, que faz a prótese sob medida.
Pelo convênio, a cirurgia depende de autorização prévia da operadora, e a recepção confirma a cobertura do seu plano antes de marcar. O Prevent Senior não cobre a plástica ocular na rede, e a evisceração faz parte dela.
Veja também Blefaroplastia e plástica ocular em São Paulo.
Perguntas frequentes
O olho artificial enxerga?
Não. A prótese devolve a aparência e ajuda a manter as pálpebras no lugar, mas não recupera a visão.
Qual a diferença entre evisceração e enucleação?
Na evisceração, sai o conteúdo do olho e fica a esclera, com os músculos presos a ela. Na enucleação, sai o globo ocular inteiro; ela é a escolha quando há suspeita de tumor dentro do olho.[1][3]
Quanto tempo depois da cirurgia a prótese é feita?
Depois que a cavidade cicatriza e o médico libera o molde. Até lá, o conformador mantém o espaço atrás das pálpebras.
Preciso tirar a prótese para limpar todo dia?
Em geral, não. Limpar com muita frequência se associou a mais secreção e inflamação num estudo com usuários de prótese de vidro; a rotina é combinada com o médico e o ocularista.[11]
Onde é feita a cirurgia na Drudi e Almeida?
No MIRA Hospital Oftalmológico, hospital próprio da rede. A consulta é feita nas unidades, e a prótese, por um ocularista indicado pela equipe.
Referências
- Kowanz DH, Wawer Matos PA, Gordon E, et al. Evisceration, enucleation and exenteration: indications, techniques, and postoperative care [em alemão]. Ophthalmologie. 2023;120(2):126-38. PMID 36635593. doi 10.1007/s00347-022-01791-4
- Moshfeghi DM, Moshfeghi AA, Finger PT. Enucleation. Surv Ophthalmol. 2000;44(4):277-301. PMID 10667436. doi 10.1016/s0039-6257(99)00112-5
- Jordan DR, Dutton JJ. The ruptured globe, sympathetic ophthalmia, and the 14-day rule. Ophthalmic Plast Reconstr Surg. 2022;38(4):315-24. PMID 34593714. doi 10.1097/IOP.0000000000002068
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Revisão médica: Dr. Fernando Macei Drudi, médico oftalmologista, CRM-SP 139.300, RQE 50.645 (Oftalmologia), e Dra. Priscilla Rodrigues de Almeida, médica oftalmologista, CRM-SP 148.173, RQE 59.216 (Oftalmologia). Atualizado em 7 de outubro de 2026.
Revisão médica: Dra. Priscilla Rodrigues de Almeida (CRM-SP 148.173, RQE 59.216), em 07 de outubro de 2026. Como revisamos o conteúdo.
Aviso importante: Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico oftalmologista. Em caso de sintomas ou dúvidas sobre sua saúde ocular, procure atendimento médico especializado.