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Catarata

Lente para catarata: monofocal, multifocal ou EDOF? Qual escolher em 2026

Publicado em 21 de abril de 2026 Atualizado em 21 de abril de 2026 8 min de leitura Dr. Fernando Macei Drudi
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Dr. Fernando Macei Drudi
Autor
Dr. Fernando Macei Drudi
CRM-SP 139.300

Resumo em linguagem simples

Compare lente monofocal, multifocal e EDOF na cirurgia de catarata e entenda qual pode fazer mais sentido para seu estilo de vida em 2026.

CID-10: H26 — Outras cataratas Ver todos os artigos de Catarata

Escolher a lente intraocular é uma das decisões mais importantes da cirurgia de catarata. Isso acontece porque, depois que o cristalino opaco é removido, a qualidade visual do paciente passa a depender em grande parte da lente implantada, da córnea, da retina e da adaptação cerebral ao novo sistema óptico [1] [2]. Em termos práticos, a pergunta deixou de ser apenas “vou operar?” e passou a incluir “com qual lente faz mais sentido operar no meu caso?”.

Hoje, a conversa mais comum gira em torno de três grupos: monofocal, multifocal e EDOF. Cada um tem vantagens, limitações e indicações mais coerentes para determinados perfis visuais. Não existe lente “melhor para todo mundo”. Existe a lente mais adequada para a rotina, o olho e a tolerância óptica de cada paciente.

O que a lente intraocular faz na cirurgia de catarata

A lente intraocular substitui o cristalino retirado durante a cirurgia. Além de restaurar a transparência do eixo visual, ela pode também participar da correção refrativa, reduzindo grau de longe, astigmatismo e, em certos casos, a dependência de óculos para perto ou intermediário [1] [3].

A revisão de Lapp e colaboradores resume bem esse cenário moderno: além das lentes convencionais de foco único, hoje existem lentes multifocais, EDOF e lentes com correção de astigmatismo. Isso amplia as possibilidades, mas também exige informação adequada sobre vantagens e desvantagens de cada sistema [1].

Lente monofocal: a opção mais clássica e previsível

A lente monofocal oferece o melhor desempenho em uma faixa de foco principal, geralmente programada para longe. Isso significa que muitos pacientes enxergam bem para atividades como caminhar, assistir televisão e dirigir, mas continuam precisando de óculos para leitura ou tarefas próximas [3].

Do ponto de vista clínico, a monofocal costuma ser a opção mais previsível quando o paciente dirige muito à noite, valoriza contraste, aceita usar óculos para perto ou apresenta doenças como glaucoma, degeneração macular e outras condições em que lentes com divisão de foco podem não ser a melhor escolha [3].

Lente multifocal: maior chance de independência de óculos, com custo óptico maior

As lentes multifocais distribuem a luz em diferentes focos, permitindo alcance maior para longe e perto, e em alguns modelos também para intermediário. Na prática, isso aumenta a chance de reduzir a dependência de óculos, o que é muito atraente para pacientes ativos e com rotina visual diversificada [3].

Por outro lado, essa mesma divisão de foco pode trazer fenômenos fotônicos, como halos, glare e alguma perda de contraste, especialmente em ambientes escuros ou ao dirigir à noite [3]. Por isso, a pergunta correta não é “multifocal é melhor?”, mas sim “meu perfil visual tolera bem as trocas que a multifocal exige?”.

Lente EDOF: meio-termo estratégico para muitos pacientes

As lentes EDOF, ou de profundidade de foco estendida, procuram ampliar a faixa de nitidez, sobretudo para longe e intermediário, sem replicar exatamente o mesmo mecanismo das multifocais clássicas. Em muitos pacientes, elas oferecem um equilíbrio interessante entre amplitude de foco e qualidade visual [1] [3].

Uma meta-análise comparando EDOF com outros grupos mostrou um padrão útil: em relação às monofocais, as EDOF tendem a melhorar visão intermediária e parte da visão de perto, além de aumentar a independência de óculos. Em contrapartida, podem aumentar halos e reduzir algum contraste. Já em relação às trifocais, tendem a entregar pior visão de perto, porém melhor contraste [4].

Comparação prática entre monofocal, multifocal e EDOF

Tipo de lente Melhor característica Limitação principal Perfil que costuma se beneficiar
Monofocal Contraste e previsibilidade Geralmente exige óculos para perto Paciente que prioriza segurança visual, custo e nitidez de longe
Multifocal Maior chance de independência de óculos para longe e perto Halos, glare e redução de contraste Paciente bem selecionado, sem doença ocular relevante e com alta motivação para reduzir óculos
EDOF Bom equilíbrio entre longe e intermediário Perto pode não ser tão forte quanto em lentes multifocais/trifocais Paciente que usa muito computador e busca redução parcial de óculos

E a lente tórica?

A lente tórica não é um quarto grupo concorrente com os anteriores, mas uma característica adicional importante para quem tem astigmatismo corneano relevante. Existem monofocais tóricas e algumas lentes premium com componente tórico. Corrigir bem o astigmatismo pode fazer tanta diferença quanto escolher entre monofocal e EDOF [3].

Quem não costuma ser bom candidato a lente premium?

A seleção inadequada da lente é uma das principais causas de frustração pós-operatória. A própria AAO orienta cautela maior em pessoas com glaucoma, degeneração macular ou outras doenças que reduzem a qualidade visual, pois lentes multifocais e EDOF podem permitir menos entrada útil de luz e piorar a percepção subjetiva em olhos já comprometidos [3].

Também merece cautela o paciente que dirige intensamente à noite, tem padrão perfeccionista muito elevado ou baixa tolerância a halos e glare. Em muitos desses casos, a monofocal continua sendo a escolha mais inteligente, ainda que menos “sedutora” comercialmente.

Como decidir de forma madura

A melhor lente não é a mais cara, e sim a mais coerente com seu estilo de vida. O Dr. Fernando Drudi e a Dra. Priscilla Almeida costumam transformar essa decisão em perguntas concretas: você aceita usar óculos para leitura? dirige muito à noite? usa computador por longas horas? tem doença de retina? se incomoda com qualquer halo? quer priorizar nitidez máxima ou independência de óculos?

Essa conversa é mais valiosa do que qualquer propaganda de lente “premium”. Em oftalmologia, sofisticação sem indicação correta pode significar arrependimento.

O papel da biometria e do planejamento refrativo

Mesmo a melhor lente falha quando o cálculo não é adequado. Diretrizes brasileiras reforçam o valor de biometria, topografia corneana e OCT no pré-operatório conforme o caso, porque a previsibilidade do resultado depende de medida correta, escolha adequada da lente e detecção prévia de doenças que limitem visão [2].

Qual lente escolher em 2026?

Em 2026, a tendência mais inteligente não é “premium para todos”, mas personalização real. Monofocais seguem fundamentais e excelentes em muitos pacientes. Multifocais continuam úteis quando o objetivo central é independência de óculos para perto e longe em olhos muito bem selecionados. EDOF ganham espaço em pacientes que valorizam visão intermediária e aceitam uma solução equilibrada, embora não mágica.

A resposta ideal nasce da consulta, não do anúncio. E ela deve considerar não apenas o desejo do paciente, mas o que o olho dele efetivamente consegue entregar com segurança.

FAQ

Lente multifocal é sempre melhor que monofocal?

Não. Multifocal oferece mais independência de óculos em pacientes selecionados, mas pode aumentar halos e reduzir contraste [3] [4].

EDOF substitui multifocal?

Não necessariamente. EDOF costuma ter proposta de equilíbrio entre amplitude de foco e qualidade visual, com desempenho de perto geralmente inferior ao de algumas multifocais/trifocais [4].

Quem tem retina ou glaucoma pode colocar lente premium?

Em alguns casos, até pode, mas a indicação precisa ser muito cautelosa. Muitas vezes a monofocal é mais segura e previsível [3].

Lente tórica serve para quem?

Para pacientes com astigmatismo relevante, quando essa correção faz sentido dentro do planejamento cirúrgico [3].

Referências

  1. Lapp T, et al. Cataract Surgery-Indications, Techniques, and Intraocular Lens Selection. Europe PMC, 2023
  2. Conselho Brasileiro de Oftalmologia, AMB e ABCCR. Diretriz de tratamento da Catarata
  3. American Academy of Ophthalmology. Factors to Consider in Choosing an IOL for Cataract Surgery
  4. Europe PMC. Efficacy and safety of extended depth of focus intraocular lenses in cataract surgery: systematic review and meta-analysis

Aviso importante: Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico oftalmologista. Em caso de sintomas ou dúvidas sobre sua saúde ocular, procure atendimento médico especializado.

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