Em resumo
O anel intracorneano é um implante em arco colocado dentro da córnea que deixa o formato dela mais regular no ceratocone e pode melhorar a qualidade da visão; óculos ou lente podem continuar necessários. Ele não freia a doença: para isso existe o crosslinking. Na rede custa R$ 9.900 por olho, à vista ou em até 10 vezes no cartão pelo mesmo valor (particular, 2026), com as consultas de pós-operatório incluídas, e é feito no MIRA.
Neste artigo
Resposta rápida: O anel intracorneano (conhecido como anel de Ferrara) é um implante em arco colocado dentro da córnea para deixá-la mais plana e regular no ceratocone. Ele pode melhorar a qualidade da visão, mas não freia a doença, e você pode continuar precisando de óculos ou lente de contato.[1][2] Na Drudi e Almeida, ele custa R$ 9.900 por olho, à vista ou pelo mesmo valor no cartão, em até 10 vezes (particular, 2026, valor final confirmado na avaliação), com as consultas de pós-operatório incluídas, e é feito no MIRA Hospital Oftalmológico, hospital próprio da rede, com laser de femtossegundo.
Qual a função do anel intracorneano?
A função do anel é regularizar a curvatura da córnea no ceratocone. Os segmentos em arco, em geral de acrílico (PMMA), ficam dentro da córnea, em volta da área central, e afastam as fibras de colágeno onde são colocados; com isso, a região cercada por eles fica mais plana.[1] A curvatura e o astigmatismo irregular, que distorce a imagem no ceratocone, costumam diminuir.[1]
A doença continua presente depois do implante, e o acompanhamento segue. Para entender o ceratocone desde o começo, leia o artigo sobre sintomas, diagnóstico e tratamento do ceratocone.
- 1Segmentos do anel, em arco, em geral de acrílico, dentro da córnea.
- 2Área central livre: a pupila fica dentro do anel.
- 3Epitélio, a camada da superfície.
- 4Estroma, a camada mais grossa, de fibras de colágeno.
- 5Endotélio, a camada de trás.
- 6Segmento dentro do estroma, abaixo da superfície e longe da face de trás, no túnel feito com laser de femtossegundo.
- 7Antes: cone saliente e deslocado para baixo; curvatura irregular (astigmatismo irregular).
- 8Os segmentos afastam as fibras de colágeno onde são colocados.
- 9A área cercada pelo anel fica mais plana (tracejado: a forma de antes).
Anel intracorneano no ceratocone: como funciona e quando é indicado
O anel intracorneano é formado por segmentos em arco colocados dentro da córnea, num túnel feito com laser, para deixar a curvatura mais regular no ceratocone. Ele pode melhorar a qualidade da visão de quem não tolera a lente ou não enxerga bem com ela, mas não freia a doença: para isso existe o crosslinking. Óculos ou lente podem continuar necessários.
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Para quem o anel intracorneano é indicado?
Na rede, o anel intracorneano é indicado para quem tem ceratocone e se encaixa em uma destas situações, desde que a córnea ainda tenha espessura suficiente para receber o implante:
- não tolera a lente de contato e tem a córnea muito irregular;
- não alcança boa visão com a lente de contato.
O objetivo é melhorar a qualidade da visão no dia a dia. Mesmo com o anel, você pode continuar precisando de óculos ou de lente de contato, e isso é conversado antes da cirurgia.
A literatura descreve um perfil parecido: o anel é mais útil para quem não tolera a lente e não tem cicatriz no centro da córnea, e a espessura mínima depende da espessura do segmento escolhido, medida nos exames antes da cirurgia.[1] No ceratocone avançado, o resultado é menos previsível quando a córnea já está muito curva ou fina, e a decisão depende da espessura e do mapa da córnea; numa série de 20 olhos com doença moderada a avançada, 30% tiveram complicação.[1] Nesses casos, a conversa inclui as lentes para ceratocone, a lente escleral e o transplante de córnea.
Em crianças e adolescentes, os dados ainda são poucos. A mesma revisão descreve o candidato ideal como adulto, e as séries com menores de 18 anos são poucas e retrospectivas.[1]
Que exames decidem se o anel cabe?
A tomografia de córnea (Pentacam) é um dos exames do planejamento. Pentacam é o nome do aparelho; o exame mede a curvatura das duas faces da córnea e a espessura dela em cada ponto, o que mostra onde o cone está e onde o segmento pode entrar. Na rede, a tomografia é feita só no MIRA, em atendimento particular: R$ 260 à vista ou Pix no MIRA, R$ 363 no cartão, em até 10 vezes, ou R$ 220 no Pix pelo site, pelos dois olhos.
Para a tomografia, a rede orienta 48 horas sem lente de contato, de qualquer tipo, porque a lente deforma a córnea por algum tempo e pode falsear o mapa. Antes do planejamento da cirurgia, o médico pode pedir um prazo maior sem lente, principalmente para quem usa lente rígida há anos.[1] A página da tomografia de córnea explica o preparo, e o artigo sobre a tomografia de córnea (Pentacam) ensina a ler o resultado.
Como é a cirurgia do anel no MIRA?
No MIRA, o túnel em que o anel é colocado é aberto com laser de femtossegundo; a técnica mecânica, com instrumento manual, não é mais feita na rede. Uma revisão de 2025 descreve uma metanálise de 115 estudos: o ganho de visão foi parecido com as duas técnicas, mas as complicações foram bem mais frequentes com a dissecção mecânica, entre elas lesão da superfície da córnea e perfuração.[1] Segundo a mesma revisão, o laser dá mais controle sobre a profundidade e a regularidade do túnel.[1]
Existe também um anel feito de tecido de córnea doadora, descrito pela primeira vez em 2018. Os estudos indicam que ele é seguro, mas ainda faltam resultados de longo prazo.[1]
Quanto tempo de repouso depois do anel?
Na rede, em geral, a recuperação do anel tem dor leve nos primeiros dias, volta ao trabalho em cerca de 7 dias e volta à lente de contato depois de cerca de 15 dias. A orientação do médico que acompanha você prevalece, porque a cicatrização varia. Como o formato da córnea muda, o médico confere no retorno se a lente que você usava ainda serve.
Evite coçar os olhos. Há relatos de complicação em pessoas que esfregavam os olhos com frequência depois do anel, incluindo um caso em que o segmento passou para dentro do olho sete anos depois do implante.[1]
- 1Implante no MIRA, com o túnel feito por laser de femtossegundo.
- 2Primeiros dias: dor leve; colírios receitados.
- 3Volta ao trabalho: cerca de 7 dias.
- 4Volta à lente de contato: cerca de 15 dias; o médico confere se a lente ainda serve.
- 5Retornos e tomografia de controle por muito tempo, porque algumas complicações aparecem tarde.
- 6Não coce os olhos, em nenhuma fase.
Como enxerga uma pessoa com anel intracorneano?
Em geral, a pessoa enxerga melhor do que antes, com óculos ou lente, mas o resultado varia e nem todos têm o mesmo ganho.[1] Num estudo com 36 olhos acompanhados por 10 anos, a curvatura máxima média caiu de 55,0 para 50,6 dioptrias em 5 anos e estava em 50,7 aos 10 anos; a visão com correção melhorou, e a média aos 10 anos continuava melhor do que antes da cirurgia.[5] É um estudo pequeno, feito a partir de prontuários, por um grupo que inclui o criador desse modelo de anel.
Parte da irregularidade da córnea pode continuar depois do implante, e por isso os óculos ou a lente costumam completar a correção.[1] Algumas pessoas notam halos, ofuscamento ou visão que oscila, e esses sintomas estão entre os motivos de retirada do anel.[6]
O anel intracorneano freia o ceratocone?
Não. O anel muda o formato da córnea, mas não impede a doença de avançar; quem freia a progressão é o crosslinking.[2] Um estudo acompanhou por 5 anos 18 olhos de adultos jovens, com idade média perto de 26 anos e progressão confirmada antes da cirurgia: a curvatura média caiu 4,48 dioptrias em 6 meses e depois voltou a subir 3,36 dioptrias até o quinto ano, e os autores concluíram que o anel sozinho não mudou a evolução da doença.[7]
Quando os exames mostram que o ceratocone está piorando, o crosslinking pode ser feito no mesmo dia do anel ou meses depois. Uma revisão de 7 estudos comparou as duas formas e encontrou o mesmo ganho de visão entre 6 e 12 meses.[4] A melhor forma de combinar os dois ainda não está definida.[2]
Quais são os riscos do anel intracorneano?
Durante a cirurgia, pode haver lesão da superfície da córnea, dano ao segmento, túnel em profundidade desigual ou perfuração; esses riscos diminuíram com o uso do laser de femtossegundo.[1] Depois da cirurgia, os problemas descritos nos estudos são estes:[1][6]
- deslocamento do segmento dentro do túnel ou saída dele pela superfície da córnea (extrusão);
- afinamento ou derretimento da córnea perto do segmento;
- infecção da córnea (ceratite), rara e mais comum no começo do pós-operatório;
- vasos que crescem na entrada do túnel, depósitos dentro do túnel e perda de transparência da córnea;
- halos, ofuscamento, visão que oscila e sensação de corpo estranho.
Numa revisão sistemática, os serviços com grande número de cirurgias (2.124 olhos no total) precisaram retirar o anel em até 14 de cada mil olhos.[6] Algumas complicações aparecem tarde: há relato de extrusão 20 anos depois do implante, um dos motivos para manter o acompanhamento.[1]
O anel intracorneano pode ser retirado?
Sim. O anel pode ser retirado, trocado ou reposicionado em nova cirurgia, em geral por complicação ou porque halos, ofuscamento e sensação de corpo estranho incomodam.[1] Num estudo com 37 olhos reoperados, a visão com correção melhorou em média depois da troca, do acréscimo, do reposicionamento ou da retirada dos segmentos.[8]
Qual o valor da cirurgia do anel intracorneano?
Na rede, o anel intracorneano custa R$ 9.900 por olho, à vista, ou o mesmo valor no cartão, em até 10 vezes (particular, 2026, valor final confirmado na avaliação). O valor inclui o procedimento e as consultas de pós-operatório, sem custo adicional.
A consulta e os exames feitos antes da indicação têm valores próprios:
| Etapa | Onde | À vista ou Pix na unidade | No cartão | Pix pelo site |
|---|---|---|---|---|
| Consulta oftalmológica | 5 unidades | R$ 180 | R$ 200 | não se aplica |
| Consulta com a Dra. Priscilla, às quintas | MIRA | R$ 220 | R$ 250 | não se aplica |
| Tomografia de córnea (os dois olhos), só particular | MIRA | R$ 260 | R$ 363, em até 10 vezes | R$ 220 |
| Anel intracorneano, por olho, com as consultas de pós-operatório | MIRA | R$ 9.900 | R$ 9.900, em até 10 vezes | não se aplica |
| Crosslinking, por olho, quando há progressão | MIRA | R$ 4.300 | R$ 4.300, em até 10 vezes | não se aplica |
Os exames pedidos variam de caso para caso. Os outros valores estão na tabela de preços dos exames e no resumo de preços do Instituto do Ceratocone.
O plano de saúde cobre o anel intracorneano?
Nos planos regulados pela ANS, sim, quando o caso cumpre a diretriz de utilização nº 34 do Rol de Procedimentos, a lista do que os planos de saúde são obrigados a cobrir.[3] A diretriz vale para quem tem ceratocone com visão ruim com óculos e lentes de contato, ou intolerância à lente, depois de tentados os tratamentos clínicos, e pede todos estes critérios:[3]
- curvatura máxima da face da frente da córnea acima de 53 e abaixo de 75 dioptrias;
- nenhuma cicatriz no centro da córnea;
- espessura da córnea acima de 300 micrômetros.
Pela mesma diretriz, o anel fica de fora quando há opacidade severa da córnea, hidropsia (inchaço agudo da córnea), infecção em atividade no olho ou no corpo, ou erosão recorrente da córnea.[3] Os 300 micrômetros são a regra de cobertura; a espessura que permite o implante depende do segmento escolhido e é avaliada nos exames.[1] O Rol vale para planos contratados a partir de 2 de janeiro de 1999 e para os planos antigos adaptados à Lei dos Planos de Saúde, e a cobertura depende também do tipo de plano contratado.[3] A diretriz diz o que o plano é obrigado a cobrir, não em que hospital o implante é feito: para usar o plano, peça a autorização à sua operadora, que informa os serviços da rede credenciada dela.
- 1Visão ruim com óculos e lentes, ou intolerância à lente, depois de tentados os tratamentos clínicos? Sim: desce. Não: vai para o lado.
- 2Todos estes? Curvatura máxima da face da frente acima de 53 e abaixo de 75 dioptrias; nenhuma cicatriz no centro da córnea; espessura acima de 300 µm. Sim: desce. Não: vai para o lado.
- 3Alguma exclusão? Opacidade severa da córnea, hidropsia, infecção em atividade no olho ou no corpo, erosão recorrente da córnea. Nenhuma: desce. Alguma: vai para o lado.
- 4Cobertura obrigatória nos planos regulados pela ANS, conforme o tipo de plano.
- 5Fora da diretriz 34.
O SUS faz o anel intracorneano?
No SUS, o implante de anel intraestromal consta da tabela de procedimentos com o código 04.05.05.014-3.[9] Cada estado e cada município define onde ele é feito e como o paciente é encaminhado. Nenhuma unidade da rede nem o MIRA atende pelo SUS.
Onde fazer o anel intracorneano em São Paulo?
Na rede, o implante do anel é feito no MIRA Hospital Oftalmológico, hospital próprio da rede, na Alameda dos Maracatins, 404, Indianópolis, São Paulo, onde também se faz a tomografia de córnea. A consulta acontece nas 5 unidades: Tatuapé, Santana, Lapa, São Miguel Paulista e Guarulhos.
Se você já tem diagnóstico de ceratocone ou pedido médico, o contato da consultora está na página do Instituto do Ceratocone, que também reúne os valores. Se ainda não tem diagnóstico, marque uma consulta numa das unidades. O Guia do ceratocone explica todos os tratamentos.
Perguntas frequentes
Depois do anel, ainda vou precisar de óculos ou lente de contato?
O objetivo é melhorar a qualidade da visão no dia a dia. Mesmo com o anel, você pode continuar precisando de óculos ou de lente de contato, e isso é conversado antes da cirurgia.
Referências
- Hayat UK, Shiwani HA, Memon D, Walkden A. Intracorneal ring segments in keratoconus: a narrative literature review. Clin Ophthalmol. 2025;19:2249-2257. DOI: 10.2147/OPTH.S520174. PMID: 40666275.
- Avni-Zauberman N, Rootman DS. Cross-linking and intracorneal ring segments: review of the literature. Eye Contact Lens. 2014;40(6):365-370. DOI: 10.1097/ICL.0000000000000091. PMID: 25320956.
- Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde, Anexo II: Diretrizes de Utilização (RN nº 465/2021, atualizada até a RN nº 681/2026). Item 34: Implante de anel intraestromal. 2026. Documento oficial (PDF).
- Bonajmah H, Aljassar F, Taqi AA, AlSabah DH. Timing of corneal cross-linking in eyes undergoing intracorneal ring segments for keratoconus: same-day versus staged CXL: a systematic review and meta-analysis. Int Ophthalmol. 2026;46(1). DOI: 10.1007/s10792-026-04040-8. PMID: 41874765.
- Torquetti L, Ferrara G, Almeida F, Cunha L, et al. Intrastromal corneal ring segments implantation in patients with keratoconus: 10-year follow-up. J Refract Surg. 2014;30(1):22-26. DOI: 10.3928/1081597X-20131217-02. PMID: 24864323.
- Bautista-Llamas MJ, Sánchez-González MC, López-Izquierdo I, et al. Complications and explantation reasons in intracorneal ring segments (ICRS) implantation: a systematic review. J Refract Surg. 2019;35(11):740-747. DOI: 10.3928/1081597X-20191010-02. PMID: 31710377.
- Vega-Estrada A, Alió JL, Plaza-Puche AB. Keratoconus progression after intrastromal corneal ring segment implantation in young patients: five-year follow-up. J Cataract Refract Surg. 2015;41(6):1145-1152. DOI: 10.1016/j.jcrs.2014.08.045. PMID: 26189375.
- Torquetti L, Ferrara G, Almeida F, Cunha L, et al. Clinical outcomes after intrastromal corneal ring segments reoperation in keratoconus patients. Int J Ophthalmol. 2013;6(6):796-800. DOI: 10.3980/j.issn.2222-3959.2013.06.10. PMID: 24392327.
- Ministério da Saúde, CONITEC. Protocolo de Uso da Radiação para Cross-Linking Corneano no Tratamento do Ceratocone. Relatório nº 250, novembro de 2016; aprovado pela Portaria SAS/MS nº 486, de 6 de março de 2017. 2016. Documento oficial (PDF).
Revisão médica: Dra. Priscilla Rodrigues de Almeida, médica oftalmologista, CRM-SP 148.173, RQE 59.216 (Oftalmologia). Revisado em AAAA-MM-DD. Conteúdo educativo; não substitui a consulta, o exame dos olhos e a orientação individual do seu médico.
Aviso importante: Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico oftalmologista. Em caso de sintomas ou dúvidas sobre sua saúde ocular, procure atendimento médico especializado.