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Pterígio: carne no olho, sintomas e quando a cirurgia pode ser considerada

Publicado em 01 de maio de 2026 Atualizado em 21 de agosto de 2026 Revisão médica: 18 de agosto de 2026 12 min de leitura Dra. Priscilla Rodrigues de Almeida
Ilustração 3D de paciente usando óculos de sol, médica oftalmologista e diagrama de pterígio no olho
Dra. Priscilla Rodrigues de Almeida
Autor Médico
Dra. Priscilla Rodrigues de Almeida
CRM-SP 148.173 | RQE 59.216

Resumo em linguagem simples

Pterígio é um tecido que cresce da parte branca do olho em direção à córnea. Pode não causar sintomas ou provocar ardor, vermelhidão e alterações visuais. A consulta define se basta acompanhar, cuidar da superfície ocular ou discutir cirurgia.

CID-10: H11.0 — Pterígio Ver todos os artigos de cornea
GUIA CLÍNICO

Revisão médica: Dra. Priscilla Rodrigues de Almeida, CRM-SP 148.173 | RQE 59.216

Pterígio é um crescimento de tecido da conjuntiva — a membrana que recobre a parte branca do olho — em direção à córnea. Pode ficar estável por anos ou provocar ardor, vermelhidão, sensação de areia e, em alguns casos, alterar a curvatura da córnea e a qualidade da visão. A presença da lesão não significa que a cirurgia seja sempre necessária: o exame avalia extensão, sintomas, mudança ao longo do tempo e impacto visual.

Ilustração clínica com anatomia do pterígio, proteção solar e avaliação na lâmpada de fenda
Figura clínica em destaque. O pterígio nasce na conjuntiva e pode se aproximar da córnea. A avaliação combina sintomas, exame da superfície ocular e observação da evolução; proteção contra luz solar é uma medida de cuidado, não um substituto da consulta.

O que é pterígio, a chamada “carne no olho”?

O termo popular “carne no olho” costuma descrever um tecido fibrovascular triangular que parte da conjuntiva e cresce em direção à córnea. A conjuntiva é transparente e cobre a esclera, a área branca do olho; a córnea é a estrutura transparente central por onde a luz entra. Quando o tecido chega à córnea, pode alterar sua regularidade e, dependendo da posição e da extensão, interferir no foco da imagem.

É uma alteração benigna da superfície ocular. Isso não significa, porém, que toda lesão avermelhada seja pterígio. Pinguecula, pseudopterígio, inflamações da conjuntiva e, raramente, outras lesões exigem diferenciação no exame. Por isso, fotografias caseiras ou a aparência no espelho não substituem a avaliação em lâmpada de fenda.

Diagrama mostrando o pterígio avançando da conjuntiva sobre a córnea
Figura 1. A lesão começa na conjuntiva e pode avançar sobre a córnea; o exame identifica localização, aspecto e proximidade do eixo visual.

Pterígio é o mesmo que pinguecula?

Não. A pinguecula é uma elevação amarelada ou esbranquiçada da conjuntiva que, em geral, não invade a córnea. O pterígio ultrapassa a borda entre conjuntiva e córnea. As duas condições podem estar associadas a irritação ambiental e podem coexistir, mas não devem ser tratadas como equivalentes.

Ardor, olho vermelho e sensação de corpo estranho também podem ocorrer em olho seco, alergia ocular, blefarite ou exposição a irritantes. A conduta adequada depende da causa predominante; usar colírios anti-inflamatórios por conta própria pode mascarar sinais, trazer efeitos adversos ou atrasar o diagnóstico.

Comparação educativa entre pterígio, pinguecula e sintomas de olho irritado
Figura 2. Alterações diferentes da superfície ocular podem parecer semelhantes para quem observa o olho. O diagnóstico é definido no exame clínico.

Quais sintomas o pterígio pode causar?

Muitos pterígios pequenos não provocam sintomas. Quando há desconforto, as queixas mais comuns são vermelhidão localizada, ardor, lacrimejamento, sensação de areia, ressecamento ou incômodo ao vento e à claridade. A percepção estética também pode incomodar e merece ser acolhida durante a conversa clínica, embora não substitua os critérios anatômicos e funcionais da decisão.

Se o tecido altera a curvatura da córnea, pode induzir astigmatismo e levar a visão embaçada ou oscilação de nitidez. Quando se aproxima do centro corneano, a avaliação deve ser mais atenta. Queda súbita de visão, dor intensa, secreção ou fotofobia importante não são sintomas que devem ser atribuídos automaticamente ao pterígio; são motivos para procurar atendimento oftalmológico.

Quais fatores se associam ao pterígio?

Revisões epidemiológicas associam pterígio a exposição cumulativa à luz solar e a atividades em ambientes externos. Vento, poeira, ar seco e outros irritantes podem contribuir para instabilidade da superfície ocular e para o desconforto. Esses achados são associações populacionais: não permitem prever com precisão se uma pessoa específica terá pterígio ou se uma lesão individual irá crescer.

A orientação prática é reduzir exposição desnecessária. Óculos que ofereçam filtro UV e boa cobertura lateral, chapéu de aba e proteção em atividades com vento, areia ou poeira são medidas razoáveis. A proteção não elimina o tecido já existente e não substitui o acompanhamento quando há sintomas ou mudança observada.

Ilustração de medidas de proteção ambiental para a superfície ocular
Figura 3. Medidas físicas de proteção ajudam a reduzir a exposição ocular a luz solar e irritantes ambientais; o tipo de óculos deve ser adequado à atividade.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico costuma ser clínico. Na consulta, o oftalmologista pergunta sobre tempo de evolução, sintomas, rotina de exposição, uso de lentes de contato e doenças oculares prévias. A lâmpada de fenda permite avaliar a superfície do olho com ampliação e luz dirigida, observando a extensão do tecido, seu aspecto e a relação com a córnea.

Acuidade visual e refração ajudam a identificar se há repercussão funcional. Quando existe suspeita de alteração da curvatura corneana, exames como a topografia corneana podem contribuir para documentar irregularidades e auxiliar na comparação em retornos. Nem todas as pessoas precisam dos mesmos exames; a indicação parte do achado clínico.

Fluxo de avaliação do pterígio com sintomas, exame, registro e plano de acompanhamento
Figura 4. Documentar sintomas e aspecto da lesão ajuda a comparar mudanças entre consultas e definir o plano de acompanhamento.

O pterígio pode afetar a visão?

Pode, mas não necessariamente. O risco de repercussão visual depende da extensão, da posição e do efeito sobre a forma da córnea. Um pterígio periférico e estável pode não alterar a visão; outro, maior ou em crescimento, pode induzir astigmatismo irregular antes mesmo de alcançar a região central da córnea.

Visão embaçada também tem muitas outras causas. Catarata, problemas de grau, alterações da retina e inflamações da superfície ocular precisam ser considerados conforme os sintomas e o exame. Se o principal sinal for visão embaçada, a investigação não deve se limitar ao que é visível na conjuntiva.

Quando o tratamento clínico é usado?

O tratamento clínico busca controlar sintomas de superfície ocular e reduzir irritação; ele não remove o pterígio. Lubrificantes podem ser considerados pelo oftalmologista quando há sensação de ressecamento ou corpo estranho. Em períodos de inflamação mais acentuada, medicamentos tópicos podem ser prescritos em contextos selecionados, com tempo e acompanhamento definidos pela equipe.

Evite usar colírios vasoconstritores repetidamente para “tirar o vermelho” ou corticoides sem orientação. A escolha do produto, a frequência e a duração dependem do exame, das doenças associadas e dos riscos oculares de cada pessoa.

Quando a cirurgia de pterígio pode ser considerada?

A cirurgia não é automática. Ela pode ser discutida quando há crescimento documentado em direção à córnea, alteração visual atribuível à lesão, astigmatismo induzido, irritação persistente apesar do manejo clínico, dificuldade funcional relevante ou necessidade de esclarecer uma lesão de aspecto atípico. A indicação depende do conjunto: tamanho, localização, córnea, sintomas, histórico ocular, atividade diária e expectativas.

Estudos compararam técnicas de remoção e estratégias para cobrir a área após a excisão. Ensaios e revisões apontam que técnicas com enxerto conjuntival ou outros adjuvantes podem ter perfis de recorrência diferentes da excisão com esclera nua. Esses dados não escolhem sozinhos uma técnica para uma pessoa; cada abordagem envolve características do olho, experiência cirúrgica, possíveis efeitos adversos e plano pós-operatório.

Quadro de decisão individual sobre acompanhamento, reavaliação e discussão de cirurgia de pterígio
Figura 5. A presença de pterígio não equivale, por si só, à indicação cirúrgica. O impacto anatômico e funcional orienta a conversa.

Como costuma ser a recuperação após a cirurgia?

O plano de recuperação varia conforme a técnica empregada, o tamanho da lesão, a resposta inflamatória e o histórico de cada olho. O paciente recebe orientações sobre colírios prescritos, higiene, proteção e retornos. Vermelhidão, lacrimejamento e sensação de corpo estranho podem ocorrer nos primeiros dias, mas a intensidade e a duração devem ser acompanhadas pela equipe responsável.

Não interrompa ou reinicie medicamentos sem orientação. Dor forte ou crescente, redução visual importante, secreção ou piora acentuada da vermelhidão merecem contato com a equipe que realizou o procedimento. A proteção contra sol, poeira e vento continua relevante depois da recuperação inicial.

Orientações gerais e sinais de contato após cirurgia de pterígio
Figura 6. Orientações gerais não substituem a prescrição e os retornos definidos para a cirurgia realizada em cada paciente.

O pterígio pode voltar depois da cirurgia?

Recorrência é possível. Estudos de técnicas cirúrgicas relatam resultados diferentes conforme o tipo de pterígio, o método de cobertura, a fixação do enxerto, o tempo de acompanhamento e a população estudada. Por isso, números isolados não devem ser usados para prometer um resultado individual. A equipe discute o risco relativo, as medidas de proteção e a necessidade de retornos conforme o caso.

Manter proteção ocular, evitar irritantes quando possível e comparecer às consultas de revisão são cuidados úteis. Eles não garantem ausência de recorrência, mas fazem parte do acompanhamento responsável da superfície ocular.

O que não fazer diante de um pterígio

Um olho vermelho costuma levar à busca por soluções rápidas, mas alguns hábitos podem dificultar o cuidado. Colírios que “branqueiam” o olho por vasoconstrição podem dar melhora passageira da aparência sem tratar a causa da irritação. Seu uso repetido pode piorar o ressecamento ou produzir vermelhidão de rebote. Corticoides e antibióticos também não devem ser usados sem prescrição: a necessidade, a dose e o tempo de tratamento dependem de exame e de fatores como pressão ocular, integridade da córnea e presença de infecção.

Evite esfregar os olhos quando há ardor ou coceira. A fricção aumenta a irritação mecânica de uma superfície já sensível. Se o sintoma é recorrente, vale investigar olho seco, alergia, blefarite ou exposição ambiental. Também não é seguro adiar a consulta apenas porque a área avermelhada parece pequena: tamanho percebido e repercussão corneana não são equivalentes.

Como a decisão é compartilhada antes de uma cirurgia?

Uma conversa bem informada não se limita a perguntar se o pterígio “precisa operar”. A equipe avalia quais tarefas são prioritárias, se existe perda de nitidez ou mudança de grau, como a lesão se comportou entre consultas e quais condições da superfície ocular precisam ser controladas. A pessoa também pode explicar trabalho externo, prática esportiva, uso de lentes de contato, necessidade de dirigir e incômodo com luz ou aparência.

Se uma intervenção é considerada, é importante entender o objetivo principal: aliviar sintomas, preservar a córnea, reduzir um efeito refrativo ou remover um tecido que está progredindo. A escolha da técnica não deve ser interpretada como catálogo de resultados. Enxerto conjuntival, membrana amniótica, formas de fixação e outros recursos são discutidos conforme a anatomia, o histórico de cirurgia, a disponibilidade de conjuntiva e o julgamento clínico. Estudos de grupos de pacientes orientam a conversa, mas não prevêem com exatidão a cicatrização de uma pessoa.

O consentimento informado inclui limites e possibilidades de recorrência, tempo de recuperação, retorno ao trabalho e a necessidade de seguir a prescrição. Pergunte quais sintomas são esperados no pós-operatório, que sinais justificam contato antes da revisão e quando será possível retomar cada atividade. Essa preparação ajuda a alinhar expectativas sem prometer independência de colírios, ausência de desconforto ou resultado visual específico.

Como se preparar para a consulta?

Se perceber mudança, registre quando ela começou, quais fatores pioram os sintomas e se houve alteração visual. Levar óculos, informações sobre lentes de contato e uma lista de colírios ou outros medicamentos usados ajuda a consulta. Fotografias seriadas podem ser úteis como relato, mas a medida clínica e a avaliação da córnea são mais confiáveis para comparar evolução.

Trabalho ao ar livre e rotina de exposição

Pessoas que trabalham em construção, transporte, agricultura, pesca, segurança, entregas, esporte ou outras atividades predominantemente externas podem ter exposição repetida a sol, vento e partículas. A conversa clínica deve considerar a rotina real: não basta saber se a pessoa “pega sol”; importa por quanto tempo, em que horários, se há reflexo de água ou areia, quais equipamentos são compatíveis com o trabalho e se há irritação no fim do dia.

Óculos com proteção adequada e cobertura lateral podem ser mais práticos do que modelos muito abertos em ambientes com vento. Chapéus ou bonés de aba contribuem como barreira física adicional, mas nenhum equipamento é perfeito em todas as situações. O objetivo é reduzir exposição e desconforto de forma sustentável, sem transformar a proteção em motivo para postergar uma avaliação necessária.

Se existe ardor recorrente, olhos avermelhados ou dificuldade de usar proteção ocular durante o trabalho, leve essa informação à consulta. Ajustes simples de rotina, investigação da superfície ocular e documentação da lesão podem ajudar a definir uma estratégia compatível com a atividade, sempre respeitando as exigências de segurança ocupacional.

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Perguntas frequentes sobre pterígio

1. Pterígio é câncer?

Em geral, pterígio é uma alteração benigna da superfície ocular. Mesmo assim, uma lesão nova, que muda rapidamente, tem pigmentação diferente ou aspecto incomum deve ser examinada para confirmar o diagnóstico e descartar outras causas.

2. Pterígio pode desaparecer com colírio?

Colírios podem aliviar sintomas de irritação em situações indicadas, mas não removem o tecido do pterígio. A escolha do tratamento depende do exame; não use medicamentos anti-inflamatórios por conta própria.

3. Pterígio sempre cresce?

Não. Algumas lesões permanecem estáveis por longos períodos, enquanto outras mudam. O acompanhamento compara sintomas, aspecto e extensão para identificar se há evolução relevante.

4. Óculos escuros previnem pterígio?

Óculos com filtro UV e boa cobertura, associados a chapéu e redução de exposição, são medidas de proteção razoáveis. Eles não garantem prevenção nem fazem um pterígio existente regredir.

5. Pterígio causa astigmatismo?

Pode alterar a curvatura corneana e induzir astigmatismo em alguns casos, sobretudo quando se aproxima da córnea de forma mais extensa. Refração e topografia podem ajudar a avaliar essa repercussão.

6. Pinguecula precisa de cirurgia?

Não necessariamente. Pinguecula costuma permanecer na conjuntiva sem invadir a córnea. A necessidade de qualquer tratamento depende de sintomas, inflamação e diagnóstico confirmado no exame.

7. Quando a cirurgia de pterígio é indicada?

A cirurgia pode ser discutida diante de crescimento documentado, alteração corneana ou visual atribuível à lesão, sintomas persistentes apesar da conduta clínica ou impacto funcional individual. Não há uma indicação única para todos.

8. Como é feita a cirurgia de pterígio?

O tecido é removido e a área pode receber técnicas de cobertura, como enxerto conjuntival, conforme o caso. A técnica, a anestesia e o plano de recuperação são definidos pelo cirurgião após avaliação completa.

9. Pterígio pode voltar após operar?

Sim. A recorrência pode acontecer e varia conforme fatores da lesão, técnica usada, resposta cicatricial e acompanhamento. A consulta permite discutir esse risco sem promessas de resultado.

10. Há diferença entre cola e pontos no enxerto?

Estudos compararam formas de fixação e encontraram possíveis compensações entre tempo cirúrgico, conforto e eventos adversos. A escolha não deve ser feita apenas por uma característica isolada.

11. Pterígio pode ocorrer nos dois olhos?

Sim. A exposição ambiental pode afetar ambos os olhos, embora tamanho e sintomas possam ser diferentes em cada lado.

12. Posso usar lente de contato com pterígio?

Depende da superfície ocular, da posição da lesão, do tipo de lente e dos sintomas. Desconforto ou vermelhidão persistentes justificam avaliação antes de insistir no uso.

13. Coçar os olhos piora pterígio?

Fricção pode irritar a superfície ocular. Se há coceira, o mais seguro é investigar a causa e seguir orientação para controlar o sintoma em vez de esfregar os olhos repetidamente.

14. Quanto tempo demora a recuperação?

A recuperação varia com a técnica e o olho tratado. A equipe informa restrições, uso de colírios e retornos; sintomas que pioram ou não seguem o esperado devem ser comunicados.

15. Quando devo procurar atendimento mais rápido?

Procure avaliação diante de dor importante, redução visual, secreção, trauma, sensibilidade intensa à luz ou vermelhidão que piora. Esses sinais podem indicar outra condição além do pterígio.

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Este conteúdo é educativo e não substitui consulta, exame oftalmológico ou as orientações recebidas após um procedimento.

Aviso importante: Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento por um médico oftalmologista. Em caso de sintomas ou dúvidas sobre sua saúde ocular, procure atendimento médico especializado.